1-1 < 90-10-30-nn> notícias - quarta-feira, 26 de Março de 2003-novo word - -<agua>
O CICLO DA ÁGUA
30-10-1990
O ministro do Planeamento e da Administração do Território considerou, hoje, inconvenientes «obras gigantescas e inelásticas que ficarão com uma capacidade ociosa durante longos anos». Valente de Oliveira, que falava na sessão inaugural das 2as Jornadas da Indústria da Água, a decorrer hoje e amanhã em Lisboa, adiantou que «para todos os problemas do ambiente e, nomeadamente, aqueles que têm a ver com o ciclo da água a perspectiva do "small is beautiful" é a mais sensata», defendendo uma «aproximação gradualista, reduzindo as discontinuidades possíveis e resolvendo os problemas próximos da sua origem».
«Não faz sentido que se proponha a construção de uma grande obra de captação de água, fora de proporção com a dimensão das necessidades, se houver fontes que permitam, de modo gradual, ir acompanhando a evolução das necessidades por uma evolução paralela das provisões», exemplificou, confiante de que o tempo e a evolução se encarregarão de impôr as grandes soluções, «muito consumidoras de fundos e muito exigentes em aparatos administrativos caros».
O responsável pela pasta do Planeamento e da Administração do Território defendeu também uma estratégia de conservação e de poupança, numa perspectiva anti-consumista. «O desperdício que grandes consumos pouco cuidadosos representam é dinheiro deitado fora que compromete, seguramente, o investimento noutros sectores», frisou, acrescentando que a conservação da água se impõe em todos os tipos de usos que ela tem, nomeadamente doméstico, agrícola, energético e industrial.
Noutro passo do seu discurso, o ministro considerou que a «falta de cuidado» com que se trata a água, conduz a «situações degradadas e incongruentes», atingindo-se níveis «inacreditáveis e irrecuperáveis de delapidação do recurso», acrescentou.
«MUITO LESTO»
«É-se muito lesto a apontar o desleixo dos outros -- a que então se chama crime -- não olhando para o que cada um faz e para as agressões que comete», criticou, para denunciar as «grandes dificuldades de índole organizativa», em especial um «enredo de questões ligadas à aplicação do princípio do utilizador-pagador».
O ministro do Planeamento e Administração do Território defendeu ainda que o fornecimento da água deve ser encarado numa perspectiva empresarial, destacando a importância não de uma mas de várias indústrias da água decorrentes do número diversificante de actividades que lhe estão associadas.
Depois da sessão inaugural, Valente de Oliveira visitou uma exposição representativa das diversas actividades relacionadas com o sector da água, posto o que teve lugar a apresentação de uma comunicação sobre a nova legislação sobre o domínio público hídrico, da autoria de João Carlos Belo Nogueira Flores, adjunto do ministro do Ambiente.
Organizadas pela segunda vez pela EPAL (Empresa Pública das Águas Livres), estas Jornadas da Indústria da Água subordinadas ao tema «Novos Desafios à Gestão da Água em Portugal» visam avaliar a contribuição dos modelos institucionais criados para a resolução de problemas específicos na indústria da água e, ao mesmo tempo, perspectivar novas formas de gestão face à implementação da recente legislação sobre o domínio público hídrico.
Durante hoje amanhã, estas Jornadas da Indústria da água, a decorrer no Centro de Congressos da FIL, deverão reunir cerca de 600 participantes.