<água-1> os dossiês do silêncio

O CICLO VICIOSO

DA ÁGUA(*)

[(*) Publicado no jornal «A Capital» (Crónica do Planeta Terra), 20/6/1981]

20/6/1981 - Não podemos acusar o sistema de estar desatento. Não têm faltado os alarmes e os simpósios. As recomendações. Os relatórios. Os congressos de aflição. Os organismos. Que a água potável iria faltar foi um dos primeiros sinos a tocar a rebate...

«Falta água potável para 200 milhões de pessoas», anunciava em 1973 (Julho/Agosto, 1973) a revista da OMS, «Saúde no Mundo».

O grito da água é um pouco semelhante ao que foi dado para a proteína e para os mortos à fome no mundo.

Mas que ilações se podem tirar destes avisos alarmistas a que, periodicamente, o sistema se dedica, numa espécie de purga interna ou autopurificação catárctica?

Tomando o exemplo da água, que se concluiu?

Para já, vê-se que:

Os organismos em questão - um que gosta de água e outro que a odeia - até pode ser que coexistam no mesmo edifício, rua ou cidade...

Há a repartição que estraga e autoriza a estragar, como há a repartição que recomenda e aconselha a não poluir...

E nem se pode dizer que o sistema é irresponsável ou hipócrita: era preciso que ele se assumisse como uma consciência e é isso que jamais ele fará. Sendo uma unidade totalitária, é exactamente como unidade intrínseca que ele se recusa a ser visto.

Tal sistema tem, na história, o nome de concentracionário. E muitos já sabem do que ele foi capaz, por volta dos anos 30, na Europa Central.

6-Eis, pois, tudo o que define, especificamente, o problema apocalíptico» da água: universo concentracionário, ciclo vicioso, paradoxo explosivo, beco sem saída, círculo fechado, cerco.

A dominante dessa ciclo vicioso é que se trata de um problema milenar de subdesenvolvimento q u e, em 1981, não é resolvido por esse lado ao mesmo tempo que se agrava pelo outro que diz vir resolver este: quer dizer, o lado do desenvolvimento e do subdesenvolvimento.

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(*) Publicado no jornal «A Capital» (Crónica do Planeta Terra), 20/6/1981©