<vv-1><adn><cartas><a-gdgf>vv=vice-versa Revisão: sábado, 10 de Junho de 2006

NA QUALIDADE DE COBAIA COMO SER HUMANO

OU NA QUALIDADE DE SER HUMANO COMO COBAIA

A DESUMANIDADE

DAS CIÊNCIAS HUMANAS

10/6/1995 - 1 - Não sei se o Prof. Eduardo Coelho do Prado, do seu posto de observação universal em Paris, já deu por isso. Mas, provavelmente, e como sempre acontece, a floresta deverá impedi-lo de ver a árvore (ou vice-versa). Pelo que talvez não tivesse notado ainda que o grande caldeirão das chamadas ciências humanas em Portugal, começa a transbordar de boa carne, de bons e apetitosos (mesmo geniais, em alguns casos) ingredientes. Até já se fala de um Prémio Nobel para um cientista português, apesar de radicado nos Estados Unidos e apesar de o Mariano Gago não se cansar, dia-sim dia-não, de pedir - ganindo - ao Cavaco reforço de verba para a Ciência - a vaca sagrada - no Orçamento de Estado que, com o novo regime, deixou de ser geral.

Até, mesmo, já se fala em emigrar para Marte, porque todo o espaço começa a ser pouco para o discurso político, a que se anexa o discurso das ciências (des) humanas.

2 - Passo a enunciar os livros que, nas últimas semanas, demonstraram que, de facto, estamos a viver em Portugal um momento verdadeiramente excepcional no capítulo da produtividade das ciências humanas, com obras que são contributos criadores e originais ao património internacional das supra-ditas ciências. Em que o supra dito Coelho Eduardo do Prado foi, durante muitos anos, o papa reconhecido.

Na minha qualidade de ser humano, cobaia de todos esses cientistas (des)humanos, permito-me lembrar que estou a lê-los a todos com a máxima atenção e a gastar alguns minutos da minha vida terrena (incarnada) a deglutir as respectivas teses.

Não falo por ironia, mas apenas reconheço a função primordial das ciência humanas que é a de:

- num primeiro tempo, levam 41 mil anos a denegrir as 12 ciências sagradas, trabalho que estão em vias de dar por concluído, após 41 mil anos, e graças à precessão dos equinócios,

- num segundo tempo e com o advento da sublime Era Zodiacal do Aquário, as ciências humanas encontram finalmente (já não era sem tempo) as ciências sagradas e montam-nas, apropriam-se delas, recuperam e ainda se zangam com o jornalista se este aparece a pôr-se na pele do clássico cientista profano que foi e continua a ser a de cagar nas 12 ciências sagradas.

3 - Essa recuperação das ciências sagradas por parte das ciências profanas toma então nomes pitorescos, assim enunciados por ordem alfabética:

4 - A situação não deixa de aparentar um certo ar de chulice assumida e é como tal que eu me parece dever dos cientistas - especialmente os mais ilustres - começarem a baixar a bola das suas respectivas arrogâncias, reconhecendo que vão todos beber às fontes primordiais e que as ciências profanas são apenas um chafurdo de trampa de onde, a pouco e pouco, e com esforço, emergimos.

Que se estejam todos a passar para o lado das 12 ciências sagradas, é da Era e o primeiro a compreendê-lo foi o espertalhão dos espertalhões, o Umberto Eco, a quem já chamam o Prado Eduardo Coelho da Península Itálica (e vice-versa).

Isto, no entanto, não impede que os títulos saídos na recente edição portuguesa comprovem o que estou dizendo.