1-1 < 94-03-21-ac-mc> memórias do cabo - quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2003 – novo word 3065 caracteres <sv- 2> <chave> <diario>
SOPA DE SAPOS VIVOS - II
Cabo, 21 de Março de 1994
Os sapos, devido ao efeito-de-espelho, podem ser invertidos, continuando a ser sapos à mesma.
De procedência europeia ou comunista, e ainda não falei de Maria Santos, eurodeputada que tive sempre - salvo seja - atravessada na goela como espinha de safio (irra!). Apesar de tais desgostos e eurodeputados, todos os dias vejo nos jornais uma compensação: afinal as artes e ofícios já estão na moda, afinal é exibido no Centro Cultural de Belém uma ópera de Dmitri Shostakovich, «O Nariz», por sinal o título do livro que publiquei em 1969: nem vão dizer que plagiei o Shostakovitch, pois não mereço sequer a honra de ser plagiador.
Viva Lisboa 94. Mas a Maria Santos, ecologista de Almada, também me plagiou o lugar de eurodeputado e quem plagiou afinal fui eu, se algum dia o assunto fosse publicamente debatido no Terça à Noite do Miguel Sousa Tavares, com o púbis da Lillian Ramos na TV.
São tantos os temas «malditos» agora recuperados, que me assusta a quantidade. E não poder abarcar tantas alegrias compensatórias, tipo indemnização.
Sábado, na Sociedade Portuguesa de Naturologia, o conferencista apresentou ilustres slides sobre «Energias Alternativas».
Desta vez não foi o Vítor Quelhas que me ultrapassou, mas possivelmente foi outro maçónico. Apropósito: entrevistei o dono de uma nova Livraria maçónica, que me ensinou coisas que eu ignorava. E que me falou da tradição egípcia, da qual estou evidentemente a milhas.
A propósito, enfiei um «barrete» de 4.500$, comprei um livro «La Bible de Pierre» - de um par de senhores, um dos quais tem Enel no apelido. Merda. Fui enganado, o livro é uma merda, nunca chorei tanto 4 contos, e afinal porque, na livraria, em vez do Enel verdadeiro, o gato de «La Langue sacrée», me deram uma lebre corrediça e bastante ordinária.
O provérbio, à luz do número de ouro, deve ser corrigido para: «lebre por gato» que, esta sim, é que é logro, é que é efeito de espelho, é que é sapo. E foi mais o sapo que eu comi no dia dos sapos vivos, sábado último e domingo que foi ontem.
Pelo meio, evoco os sapos menores para me sentir compensado. Em Portimão, meu caro Carlos Filipe, vai ser instalado um Museu de Arqueologia Industrial. Foste tu, ao menos, convidado como velho precursor destas coisas do Património, tu que defendeste, nos anos 70 e 80, os princípios da conservação do património cultural e social.
Afinal, eu para aqui a queixar-me de sapos e tu também, na tua jovem idade, já poderás averbar também a corpulenta ingestão de alguns. Talvez por isso esta página de diário se possa transformar em carta para ti, meu caro Carlos Filipe, que estás a trabalhar num texto ao congresso algarvio, com tema distribuído.
O que eu sei disso é nada, só quando leio nos jornais, e recorto com a mania de recortar, sei o que o senso comum sabe. E tu, sociólogo, fizeste o favor de elogiar o senso comum. Mas senso comum não é ciência e não te esqueças de que a tua comunicação deve ser científica, tem que ser científica. ♥