1-1- <68-04-25-di> quarta-feira, 15 de Janeiro de 2003
AI DOS SÓS
25/4/68
Como película gordurosa intransponível, o clima alienatório respirado no mundo contemporâneo pelo indivíduo desindividualizado que se esforça por sobreviver e nesse esforço se esgota (em tempo e energias), cobre essa massa de indivíduos que não podem aguentar as prestações do automóvel, o colégio dos filhos, os casacos das amantes, o frigorífico, o esquentador, o gira-discos, a máquina fotográfica, a casa da praia, o iate, o esqui (aquático ou de montanha), a esposa, quanto mais aguentar o sobre-humano esforço de individuação, de revolta, de desalienação, de desmassificação ou subversão exigidos.
Só o homem só (e por isso a bíblia recomendara: ai dos sós), terá disso algumas probabilidades e por isso tudo nas sociedade se conjuga para o meter no saco conjugal, ou, de contrário, tudo se conjuga, tudo se alia para o fazer sentir, na pele, o peso da solidão e do ostracismo. Não há lugar para um homem só, porque só o homem só é perigoso às ordens e morais vigentes.§