<psicose 1 > 1752 caracteres – ecos da capoeira

ALARMISMOS

22/6/1991 - Quando o observador imparcial, neutro e frio dos acontecimentos anuncia, porque é um facto, os últimos dez anos do Planeta Terra (e já é dar-lhe longa vida pelo caminho que as coisas levam com a delinquência tecnocrática a comandar a marcha), aqui d'el rei que de alarmismo para baixo somos tudo.

«Catastrofismo» é a preciosa palavra com que, no melhor dos casos, nos mimoseiam os esperançados cegos que só não querem ver o que e porque não lhes convém.

Mas quando a providencial febre «aftosa», por exemplo, vai garantir uma saída de vacinas dos laboratórios que precisam vendê-las, quanto mais se pintar o quadro de «calamidade», «hecatombe», «catástrofe» nacional, melhor. Que morram alguns porcos, para melhoria da espécie, eis o que para os interessados (nos porcos e na vacina) é o equivalente à derrocada. Ao apocalipse... suíno.

Que o mundo se derreta à beira do holocausto atómico, blá, blá, que exagero o destes meninos sempre com a Natureza no coração. Se os sete grandes decidiram, em reunião de alto nível, intensificar a corrida nuclear, decidiram com certeza bem.

Democratas, cristãos, humanitários, estes «sete» deviam ser setenta e sete ou setecentos e setenta e sete: a humanidade seria com certeza outra, mais saudável, e os amigos da Natureza nem piavam (assim, com o desatino de costumes, ainda se permitem campanhas alarmistas).

Protectores do povo e da saúde do povo, são os veterinários que vão agora (como « O Diário» reivindicava com grande berraria) vacinar todo o bicho de abate, veterinários incluídos.

[E se o povo não se precata, vai apanhar também. Esperem-lhe pela pancada. É o apocalipse. ]