1-1 < 92-06-24-ls-cw> leituras selectas – complete works - domingo, 2 de Fevereiro de 2003- 1126 caracteres <planos-1>

 

Lisboa, 24/6/1992

Quem era o maravilhoso ilustrador deste livro do final dos anos trinta, ano fatal do naif a preto e branco. Que anónimo é este (embora assine ilegível os bonecos) que fornece sonhos às mãos cheias e nem sequer comparece no frontespício do livro?

Fins dos anos trinta, tinha eu sete aninhos, é a data fatal dos livros escolares maravilhosos!

Ainda bem que, apesar das ganâncias alfarrabísticas, não há ainda muita gente à procura deste filão, destas relíquias. Eu sei que só consigo o refugo, mas se não fosse refugo e se não tivessem defeito - perdendo portanto valor comercial - nunca os veria na minha estante, por inacessibilidade de preços.

Conseguiria este incrível «Manual Práctico do Passarinheiro» por 500$00?

Vejam-se as incríveis gravuras para eu ilustrar as minhas «Memórias do Cárcere» (variante: «Memórias do Gulag»).

Aliás, se não fosse a história palerma do modernismo, da modernidade, do progressismo, dos modismos e da moda, como é que eu conseguiria obter a preços compatíveis com a minha pobreza estas preciosidades do meu querido Naif, do meu Adorado Kitsch.