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ECOS DA CAPOEIRA

 

7/5/1991 - Se há regozijo, neste forum ecologista e alternativo, por não se ter verificado, durante os trabalhos, «manipulação partidária», isso representa um progresso: fica reconhecido, por representantes de importantes formações partidárias, de que até hoje sempre houve manipulação. Progressos no pântano.

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O «trabalho espiritual» em que aquele meu amigo, P. T. da M., professor de yoga, insistia, tem que se lhe diga: falam alguns do trabalho espiritual como quem fala de ir ao centro comercial das amoreiras abastecer-se das últimas novidades em compact disc. As facilidades de uma vida burguesa dadas a estes «iniciados» não serão um engano, um logro, uma ilusão para eles próprios? O perigo do «materialismo espiritual» de que falava Trngpa? (?) Incluem tudo numa categoria prévia:«desapego budista», por exemplo, foi o rótulo quie o professor logo encontrou para me colar e para classificar o meu simples desabafo [acerca da indiferença sobre tudo], em voz baixa, «estou curado de militâncias», ao que logo, optimista e cheio de vigor energético, me replicou: «Estás numa de desapego budista, não é?». Em boa verdade não estou em uma de nada.

Um pouco de caridade cristã, na hora própria da nossa máxima solidão e abandono, talvez fosse preferível a estes frenéticos trabalhadores espirituais que não fazem mais nada, a estes «iniciados» contentes e médio-pequeno-burgueses. Assim o digo eu, que sou do «lumpen» e que de cristão nem uma unha tenho. Na questão da Piedade -- qualquer das que Miguel Ângelo esculpiu me basta -- está ou não o busílis unificador de todo o Caos?

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Ainda que o absurdo da lógica economicista se meta pelos olhos, é evidente que todos se recusam a reconhecê-lo. Daí que o escritor suíço Max Frisch tivesse exclamado «Que triste tempo o nosso, em que é necessário lutar pelas evidências».

De facto, opor mais que o absurdo do sistema -- crescer infinitamente num mundo finito de recursos finitos -- se torne patente, um mecanismo qualquer do inconsciente colectivo tranca a percepção não só das massas ignaras mas das próprias elites ilustradas. Este mecanismo «obnubilador», sendo a maior força com que o sistema conta para perdurar, ainda não se lhe descobriu a causa: será aí que age, fundamentalmente, a poluição da Comunicação Social, a intoxicação mental? Ou será esse mecanismo inato da psique humana? Ou o argumento de que sem crescimento contínuo não há emprego, consegue ser determinante nesta ilusão colectiva?