<karma- 0> = <karma-10>+<karma-11>+<karma-12> <cartas> - nigredos 1992

ANTES E DEPOIS

DE GUILLÉ

 

<karma-11><diario92>

Lisboa, 1.8.1992 - Estar vivo não chega. É preciso estar vivo e dar graças a Deus por isso. Dar graças a deus por todas as desgraças que (nos) me acontecem. A isso se chama, por isso, «estado de graça». O contrário - o «estado de desgraça» - é sinónimo de Pecado. E Pecado Mortal.

<karma-9><eu-eu> <diario92> <ADN> <manual>

Lisboa, 5.8.1992 - A diferença entre o antes e o depois de Guillé, é que, com ele, a última instância de justiça ficou, para mim, firmemente comprovada. Era a pedra angular que faltava à minha fé, para ser a Fé. Tudo se resolve à volta do carma e tudo o que escrevi foi e continua a ser - cada vez mais - à volta do carma, único problema, única questão, único mistério. Perante o assédio do Terror Moderno - este tempo-e-mundo que não me canso de odiar em todas as suas histerias olímpicas e expos internacionais - os olhos suplicantes do terreno e mortal sofredor voltam-se para o Céu e perguntam: onde está a justiça última e derradeira, porque estou aqui e qual é o meu papel? Quem pode servir de instância arbitral suprema? Porque sofro eu tanto e aquele Nababo é só farturas? Porque há doença, tortura, crianças assassinadas, gangs, gangsters, chefes, patrões, violência, doenças, interminável sofrimento, crianças-esqueletos, horrores de toda a espécie, humilhações sem fim, opressões internacionais, chantagens e chantagistas, asfixias, Celuloses & Celuloses triunfantes, Petrogais & Petrogais fumegantes? (...) Será que nunca irá ser reposto o processo interminável das intermináveis injustiças e desigualdades? Esta pergunta - que se fez toda a vida e que toda a vida fica no ar - foi para mim respondida com (alguma) firmeza pelo encontro com Guillé. Vejo, sinto, pressinto (pós Guillé) que a Adversidade faz boomerang contra quem a manda para cima de nós. É o que se chama magia, é o que se chama a aceleração do Karma Yoga. Se quiserem saber o leit motiv de todos os meus escritos, manuscritos, diários, esboços, ficções, heterónimos - o lugar comum, o ponto central, o meu busílis -, pois é esse. Sempre, em tudo, o meu pressentimento central foi o do Karma Yoga. O Pós Guillé explica porque estou menos histérico, menos nervoso, menos ansioso, menos deprimido, menos inquieto, menos angustiado. Vejo a justiça concretizar-se à minha frente com muito mais rapidez (assim como os meus velhos sintomas físicos também continuam mas muito mais atenuados e com mais breve duração). Mas confesso que o Manuel Fernandes me pregou um susto quando me disse: o editor de «L'Alchimie de la Vie», um jovem, ficou sem pernas, num desastre estúpido, quando publicou o livro...Não me quis assustar mas, claro, assustou. Eu propunha-me começar a traduzir «Les Energies des Pyramides» e o que me irá acontecer por isso? Começo a interpretar, não sei se correctamente, aquela mensagem. Com Guillé, o que acontece é uma incrível aceleração do carma. E o editor de «L'Alchimie de la Vie» tinha, provavelmente, inscrito no seu carma aquele desastre. O que poderia suceder daí a 3, 30 ou 300 anos (em outro renascimento) aconteceu-lhe logo. O tempo acelera vertiginosamente - é o que, neste momento, julgo ser uma consequência de Guillé e o ficar sob a sua órbita, a órbita das suas vibrações de Iluminado. É uma explicação para o que possa haver de mágico nos que se envolvem com o pêndulo de Guillé. O Manuel Fernandes tem dado «dicas» nesse sentido: mesmo que não se possa fazer nada perante um caso desesperado e terminal - o que o pêndulo pode fazer é «ajudar» a preparar o postmortem. De qualquer maneira, esta aceleração do carma assusta... O que de bom e de mau tiver que me acontecer, concentra-se em pouco tempo. É como se o processo de sentença, no tribunal de Deus, se acelerasse. Deus torna-se quase uma presença corpórea. E isso assusta. Não há magia negra em Guillé, claro! mas assusta.