1-1 <92-07-09-ecc> 5 estrelas ecos da capoeira - domingo, 2 de Fevereiro de 2003- novo word - 2510 caracteres <fisco-6><diario92>

 

CARREIRA AMIGO,

O POVO ESTÁ CONTIGO

Cabo, 9.7.1992

Carreira de amigo do Povo tem feito Medina Carreira, quando discursa, a convite da Associação Luso-Americana, sobre os impostos impostos por Cavaco às classes mais favorecidas.

É ele que se sai, uma vez mais, com o susto da Segurança Social em ruptura.

« Não há dinheiro que chegue para assistir a velhos e doentes, que ainda por cima não rendem nada à sociedade» é a lição moral a tirar desta ilação.

Mas para os gastos sumptuários e obras públicas de grande fachada, há sempre dinheiro - não diz medina mas podia dizer carreira.

Para as viagens há sempre dinheiro.

Para a CEE, para a devoradora televisão, para os Militares que nos defendem de um ataque comunista por leste, para os Bancos que se privatizam e anunciam maravilhas de transmutação alquímica, que nos dão tudo e mais alguma coisa.

Para as vaidades e exibicionismos da chamada Cultura, há sempre dinheiro. Para a cultura é que não há.

Para sustentar as ajudas de custo dos deputados à nossa custa, há dinheiro: para pagar as solas de um par de sapatos é que não há.

A Segurança Social está no ponto de ruptura: e quando romper, que raio vão fazer aos malditos velhos e doentes que não há meio de morrerem, os grandes filhos da Mãe. Metê-los à frente de um pelotão de fuzilamento?

Fazê-los ir em bicha procurar um prato de sopa à Porta da Misericórdia, que se aboleta com os milhões do Totoloto?

Mas se a Segurança Social está sem dinheiro, é porque a medicina química, cada vez de melhor qualidade, tem que necessariamente fazer subir os seus custos: quem quer luxos, paga-os. Os medicamentos sobem no sentido da espiral logarítmica e são mesmo os primeiros a subir.

Os custos da Doença são, por fundamental perversão do espírito, os chamados custos de saúde: se se aplicasse um décimo em prevenção alimentar, não havia explosão dos custos nem a Segurança Social estaria à beira da ruptura.

Quem leva obviamente o bolo maior da chamada Segurança são as Multinacionais da Farmácia. Que bem o merecem, pois graças a elas gozamos de perfeita e completa saúde. Carreira sabe-o bem.

Maria Antónia Palla também. Correia de Campos ainda melhor. Basílio Horta nem se fala. E Jorge Sampaio arranja sempre tempo para os advogar.

Se eles quiserem a Ruptura, acontecerá a ruptura. Se não quiserem, tudo continuará - como dizem os jornalistas foleiros - a « rebentar pelas costuras».