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SEM DIREITO

A DEVOLUÇÃO

4/3/1992 - Inocente e sujeito às inclemências do tempo e da história, exposto no sentido em que o eram os rejeitados na Alta Idade Média, cansado de humilhações e de não saber sequer de que terra era -- onde nascera, porque estava ali -- enquanto não assinou o pacto com o Senhor Satanás não descansou: na escritura, a que também chamam termo de posse, lia-se que o Diabo passava a conceder-lhe, sem direito a retorno, devolução, troca ou alteração, os seguintes poderes, há muito ambicionados pelo pequeno yogui, candidato nas últimas eleições a presidente da autarquia mas que caíra desde então numa relativa apatia, aquilo a que o poeta chamaria «essa apagada e vil tristeza», referindo-se exacta e concretamente ao seu caso:

[ Várias peripécias decorrem, entretanto, mas o conto termina com o total arrependimento do Yogui por ter feito um pacto e ganho poderes extra-humanos irreversíveis: a «moralidade» da fábula reside precisamente aí, em se mostrar que os poderes mais ambicionados acabam por ser os mais odiados; gostaria de descobrir o conto - de quem? - em que o protagonista pede a imortalidade e depois se arrepende milhões e biliões de biliões de vezes por não ser possível renunciar a ela; uma história contada pelo Filipe, no Centro Nyingma, refere também este limite dos poderes e a sabedoria que tem de acompanhar o poder para que este seja lícito (moral)]