<eucalipt ><ficcoes><esquemas para intercalar> - o discurso no ano 2222

 

QUEM NÃO ACREDITAR

É MAU PORTUGUÊS

 

30/4/1991 - Tem estado na moda atacar o importante sector da pasta para papel, um dos de maior valor estratégico para a nossa pátria e um dos que maiores benefícios e qualidade de vida pode trazer às populações, a começar no cheiro que, como dizia um filósofo, é o «cheiro a dinheiro».

Lamentável, pois, que irresponsáveis perdigueiros do ecologismo militante, traidores à Pátria e a uma sã economia que nos guie nos trilhos do progresso, sobre eles, os eucaliptos que geram a matéria-prima, tenham bolsado ignomínias sem nome. E tudo porquê? Por ignorância, por pura ignorância do que é um toro de eucalipto já crescidinho.

Trata-se, portanto e sem dar ouvidos a espiões a soldo do mais retrógrado imperialismo, atentarmos bem na realidade dos factos, e acarinharmos, como aliás se faz na grande família dos «celulose boys», um produto fundamental à sobrevivência humana e de importância decisiva -- como o petróleo -- na nossa vida de todos os dias que desejamos cada vez mais enaltecida. Sem ele, não viveríamos. Sem papel, nunca poderíamos passar. Nem limpar o cu: na comunicação, na cultura, nos audiovisuais, nos transes de namorados, nos escritórios, na ménage de retretes, na vida doméstica, na embalagem de alto e médio risco, é com o papel, o papelão e o papelote que contamos.

A pasta para papel é, pois, um produto imprescindível ao progresso da nação. É natural que o produtor de pasta garanta que a sua matéria-prima seja cultivada para não se ver na contingência de ficar com as mãos a abanar. E para tal cuida de plantar eucaliptos onde quer que o deixem ou não deixem. É só apanhar a guarda republicana distraída e zumba. Lá vai mais um. Em último caso bate à porta do prof Goes, o plantador de eucaliptos mais desvairado que se conhece, que ganhou lugar no «guiness book» e que dizem já ter plantado eucaliptos na kichinete da irmã. A indústria produtora da celulose, especificamente a Portucel, já fez plantações com vinte mil hectares e não me consta que o país tenha ficado deserto como proclamam os detractores e palermas, cujo irrealismo pede meças ao seu tremendo facciosismo e miopia.

Acontece até que o eucalipto, tão injustamente atacado por quem extrapola de alguns casos infelizes de plantações erradas, além de ser óptimo para a tosse, permite, a quem saiba, condições de crescimento notáveis, rentabilidade duradoura e lucros garantidos. O que levará a Portucel, no actual decénio, a comprar até ao último hectare de terra que os agricultores arruinados com os incêndios lhes venderão a pataco (*).

E quem não acreditar, é de certeza mau português.

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(*)Moeda em uso no auge do Império Central Unificado