1-1 <92-07-10-na> notícias do apocalipse - domingo, 2 de Fevereiro de 2003

DESTROÇOS DO ESPAÇO

AMEAÇAM A TERRA

Se os grandes destroços do complexo espacial soviético Saliut-7/Cosmos-1686 acabaram ontem de terminar o seu percurso de queda na pampa argentina, milhares de outros objectos continuam a rodar em torno da Terra: andares superiores de foguetões, cápsulas protectoras de satélites na altura do seu lançamento, asas, ferramentas, sem contar com os satélites propriamente ditos.

Na origem de algumas aparições de «objectos voadores não identificados» -- como os da reentrada na atmosfera, em Novembro passado, dos restos de um foguetão soviético -- ou responsáveis, como há alguns dias, de um falso alerta de ataque de míssil em Israel, devido na realidade ao regresso de um outro satélite soviético, estes objectos encontram-se perfeitamente identificados. Os principais são seguidos e vigiados pelos radares internacionais. A sua lista compreende mais de 7 000 mil objectos circulando essencialmente entre os 500 quilómetros e os 1 500 quilómetros de altitude.

Na Terra, cá em baixo, apenas os grandes «passarões» são motivo de inquietação. Em contrapartida, no espaço, deslocando-se a velocidades próximas dos 30 mil quilómetros por hora, mesmo um ligeiro raspão pode causar estragos.

Uma das tripulações da Saliut-7 passou precisamente por uma experiência desse tipo, em 1983, quando depois de ouvirem o barulho de um choque descobriram um buraco de quatro milímetros sobre uma das paredes exteriores da estação. Uma aventura semelhante foi também uma vez experimentada pela tripulação de um vaivém norte-americano.

No entanto, se a probabilidade de uma nave espacial habitada poder colidir com um objecto suficientemente volumoso para pôr em perigo os seus tripulantes é bastante diminuta, não deixa de ser possível: em 1982, o vaivém Challenger passou a uma escassa dúzia de quilómetros de um importante fragmento de um foguetão soviético.