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Posted by Big-Bang - quinta-feira, 30 de Outubro de 2003

Retrovisor (1972-1994) ->Day by day
22 anos de memórias

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JÁ CÁ NÃO ESTÁ

QUEM FALOU (*)

(*) Este vergonhoso texto do senhor Afonso Cautela deverá ter sido publicado no semanário «O Século Ilustrado», como se não fosse já vergonha suficiente tê-lo escrito. Se todas as teses mantidas no meu diário de um idiota acertaram tanto no alvo como esta desta prosa, então valeu a pena eu ter andado cá neste mundo... Em qualquer dos casos, acertando ou não, acho que não valeu mesmo a pena ter nascido. Mas agora é um bocado tarde...

30 / Outubro / 1972 - De vez em quando volto ao tema dos cães. É uma metáfora que me interessa e um tipo de animal que serve para tudo, especialmente se instrumento do homem, mais irmão do seu irmão cão do que julga, até porque o amamenta a biberon e lhe dá rédea solta para tripudiar na urbe.

É um tema, portanto, sempre a glosar, o que muitos intelectuais de esquerda me têm recriminado, chamando-me reaccionário por me preocupar com tais problemas de lana canina, perguntando-me, abespinhados, afinal de contas o que tenho eu contra tão interessantes animaizinhos e admirando-se da contradição, uma vez que até gosto da Natureza, que até me digo zoófilo e até sou vegetariano para não sacrificar a meus apetites os animaizinhos indefesos.

Perante tão furibundos ataques de tão sensatos amigos, que até são carnívoros e não hesitam em sacrificar animaizinhos de capoeira para suas refeições mas continuam a ter pelas cães um fraco especial., uma meiguice, uns carinhos, uns zelos e uns amores verdadeiramente, virtuosamente cristãos, é natural que procure defender-me e defender as teses que tenho sustentada sobre a momentosa problemática canídea, coleccionando factos que venham reforçar os pontos de vista defendidos e confirmar de que afinal não são tão maníacos, nem tão gratuitas, nem tão ridículas os artigos que à matéria tenho dedicado.

RÚSTICOS À ANTIGA PORTUGUESA

Por isso não ia deixar passar em branco um facto, sensacional na sua representatividade, narrado pelo jornal O Século, de 22 de Outubro de 1972. Aí, numa pormenorizada reportagem, se dava conta de algo que sucedeu em Oeiras mas que poderia ter sucedido, que já terá de certeza sucedido e que de certeza irá acontecer muitas mais vezes, não só em Oeiras (zona aliás privilegiada) mas em toda a área urbana e suburbana da capital., onde parece concentrar-se a 200% a onda canídea que de há tempos a esta parte vem infestando ruas e praças, constituindo um facto e um fenómeno que só cegos (pelos interesses privados) pretendem não ver e proibir os outros de ver.

Claro que, neste como em milhentos outros casos ainda não suficientemente institucionalizados para ser de bom tom dedicar-lhe atenção estudiosa e detida análise crítica, só nos interessa o fenómeno quando e se ele nos entra desabridamente em casa e nos toca pela porta: que os cães mordam nos outros e nos filhos dos outros, bem me importa a mim; agora se é a mim que morde eu a alguém meu, então sim, o problema muda de figura e o monomaníaco dos cães (como já intelectuais da esquerda me chamaram, assim como me chamam o maníaco da futurologia e da ecologia) começa a ter razão.

Só que quando o monomaníaco levantou o problema, ainda não se chegara aos extremos do incurável, ainda era possível fazer alguma coisa para decentemente o solucionar, ainda não era reformismo mas radical liquidação da peste: e agora começa a ser supinamente tarde, porque airosamente os cães já desataram a morder a torto e a direito e só Nossa Senhora nos livrará de que os casos mortais comecem a grassar.

(Lembram-se da cólera, não é verdade?)

Característico da nossa inteligente mentalidade de rústicos à antiga portuguesa é nunca pensar dois dias antes nos problemas de dois dias depois, é nunca antecipar nem prospectivar, é deixarmos que as situações se abatam consumadas sobre as nossas tolas cabecinhas, é deixarmo-nos todos apanhar pela fatalidade (célebre fatalidade que tão bons fados tem dado ao folclore do país!) quando ela é já incurável e a peste cercou a cidade.

Então toca a finados e faz-se o funeral, que será certamente muito chorado e muito concorrido.

A previdência sempre caracterizou nossos costumes mentais, não é verdade, António Sérgio?

Antes disso, monomaníaco foi o Sérgio (que nos avisou de tudo, antes de tudo acontecer), monomaníaco é todo e qualquer que levante problemas, logo rotulado de alarmista, de pessimista, de querer desviar as atenções do povo para problemas secundários quando os primários continuam sem solução.

PROBLEMAS ENORMES

Pois, já sabemos de cor o supremo alibi da preguiça nacional: há problemas enormes, os únicos a merecerem nossa atenção; de caminho não se liga nada aos outros problemas que não são enormes. Resultado: como resolver os enormes não está nas nossas mãos, a gente vai coçando o sovaco e preguiçando porque não está nas nossas mãos resolver os enormes e também não mexe palha para resolver os pequenos, porque é indecente e reaccionário ocupar-se a gente de pequenos problemas quando há tão grandes e rechonchudos.

E é este o alibi de sempre, para conforto da nossa preguiça, da nossa inépcia, da nossa covardia e da nossa falta de imaginação.

Problemas são só os que os compêndios classificam de tal. Não há outros, mesmo que sejam problemas que afectam populações inteiras e molestam maiorias.

Lá porque o Vietname é um escândalo da consciência humana, vamos deixar de pensar no menino de 9 anos que foi mordido - como narrava O Século, de 22 de Outubro de 1972 - e nos meninos que hão-de ser mordidos e nos meninos que já foram mordidos, e na crescente ameaça, na crescente peste, na crescente invasão, na crescente porcaria e vileza que é isto de deixarmos a cidade dos homens completamente minada de cães, dominada por cães, corrompida por cães?

Ridículas são algumas das maneiras até agora usadas para encarar e formular o problema. Por exemplo, a destrinça pueril entre cães vadios e cães presos, como se o centro da questão estivesse aí.

Entre outros ângulos sob que o problema tem sido vaga e confusamente abordado, este é um dos mais estrábicos, dos mais ineptos, dos mais claramente definidores da incapacidade colectiva para resolver um problema de colectiva sanidade. (Quem diz este, diz milhares de outros e não estou a pretender que este seja único ou mais importante: importante é que a mentalidade revelada para abordar este seja a mesma que se usa para abordar milhares de outros).

POLUIÇÃO

Que tem a ver com a questão essa tradicional e vesga destrinça entre cão vadio e cão de luxo: a peste é idêntica e a mesma a porcaria, a poluição, a doença, o perigo, a infecção, o incómodo, o pesadelo e, acima de tudo, o inestético.

Porque se maníaco sou deste assunto, é única e simplesmente - meus senhores e amigos de progressivas tendências - por uma questão de estética: não admito que tenha mais direito o ladrar histérico de uma cadelinha, do que a Ode à Alegria da Nona, se me apetecer pô-1a no gira-discos e abrir o volume todo até inundar o prédio. Porque não admito que entre Mahler e Buldogue, o vizinho venha protestar contra o Mahler mas não deixe que eu proteste contra o buldogue dele.

Porque não admito uma inversão de morais que dá todos os direitos às cadelas de me morderem os filhos nas canelas à saída da escola e retira todos os direitos do pai que justamente apresenta a sua queixa na policia. É uma questão de estética, esta, e mais nada. Acima de tudo, é ofensivo da sensibilidade artística o espectáculo de cães fazendo amor por essas ruas e praças, espectáculo que por exemplo talvez se proíba a dois namorados que se beijem na rua e que são, afinal, um quadro belo de ver, de admirar, de alegremente contemplar.

QUESTÃO ESTÉTICA

Pois: é uma questão estética, esta monomania de querer que às pessoas sejam concedidos direitos que só aos cães parecem reconhecer-se.

Cão vadio e cão de luxo: ridícula destrinça. No final de contas, só porque usa coleira de ouro, ou vai pela trela de uma criada fardada (sic), ou exibe pelo lustroso, um cão não é menos um perigo público, uma ameaça, uma parvoíce, uma chatice. Isso e outras desculpas de pormenor só significam que se não pretende encarar de frente o problema e que, no fundo deste ou doutro caso de poluição galopante, tudo serve para enganar as futuras vítimas e adiar as presentes soluções.

No fundo, é isso que fica e ficará até agora comprovado, como referia a reportagem de O Século: "9 dias para apanharem uma cadela que mordera uma criança em Oeiras e não conseguiram...", sublinhava o título. E no final o repórter interrogava-se: "E se a cadela estivesse raivosa?"

"Se tivesse levado todo este tempo a contaminar os outros (muitos) cães vadios (e não vadios) que andam por ali, e a morder (o que não seria inédito) as muitas centenas de crianças que frequentam a Escola Preparatória Conde de Oeiras, situada a menos de 500 metros?

Quem seria responsabilizado pela negligência (ou incapacidade, em última análise) dos funcionários encarregados de apanhar os animais suspeitos (ou não) de estarem doentes?

Quem seria responsabilizado pela morte da criança, se tal se verificasse?"

Durante nove dias, não "conseguiram" caçar a cadela: no entanto, o repórter "caçou-a" com a máquina fotográfica em segundos e dela publicava O Século uma fotografia de pose, que muito deve ter agradado à esbelta (mas aguerrida) cadelinha e família .

COISAS TÃO PEQUENAS E SEM IMPORTÂNCIA

Tudo isto, creio, continua a ser uma questão de estética. Quem pode resistir ao ridículo de coisas tão pequenas e sem importância começarem a revestir-se de tão enorme gravidade? Quem pode resistir ao ridículo que é ver uma população indefesa frente aos ataques cada vez mais insistentes de uns animaizinhos que essa mesma população acalenta e acarinha na própria cama?

Quanto a mim, isto é apenas sintoma de qualquer coisa a pedir urgente psiquiatria. Se se tratasse de problemática sócio-económica, está bem que a gente se debruçasse sobre tão complexa conjuntura: até era capaz de vir o eng. Sérgio Ribeiro escrever uma crónica urgente sobre.

Agora o quotidiano ridículo? O nosso quotidiano? Aquilo que diária e consecutivamente nos agride, nos molesta, nos adoece, nos torna paranoicos e neuróticos, chalados e palermas, cidadãos alienados, passivos e estúpidos, carne de rebanho e de canhão, consumidores histéricos e indefesos, carneiros, macacos e cães, que importa isso, que gravidade tem isso, que repercussão na problemática sócio-económica tem isso?

O desprezo pelo quotidiano é o desprezo pela existência, pela qualidade da existência. E a sociedade (os órgãos ou indivíduos que assumem a função de a representar) que despreza o quotidiano, que despreza os "pequenos nadas" de que se faz e tece afinal a qualidade da nossa existência, despreza-se a si própria.

Era só aí - o nossa desprezo por nós próprios - que eu queria chegar quando contava histórias de cães, e era só a isso - o nosso desprezo por nós próprios - que eu queria obviar quando entre outras cenas do terror quotidiano me ocupava de cães.

Mas se não interessa a ninguém o terror que nos degrada, avilta, corrói, diminui, corrompe, já cá não está quem falou, meus senhores. Quero lá saber! Mais cão menos cão, eu até estou imunizado contra toda a raça deles. Os que me acusam de "monomaníaco" da Prospectiva, da Ecologia e da Dignidade Humana é que não.
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<90-10-30>

<autocrit > chave ac para publicados 1976

 

MANIFESTO EM 3 VOLUMES (*)

(*) Publicados os três opúsculos na colecção «Manifesto Ecológico», edição «Frente Ecológica», 1976,

30/10/1990 - a) A análise política contida no projecto de Manifesto (*), parte, explicita ou implicitamente, de pressupostos marxistas e embora se desenvolva segundo uma linha de coerência interna que não se identifica com a de nenhum partido existente, não ilude nenhuma das contradições fundamentais que agitam a sociedade capitalista.

A luta de classes; a lei da mais valia; a exploração do homem pelo homem; o trabalho profissional alienado; etc, são pressupostos que se pretende nunca iludir ao longo desse relatório;

b) Esse relatório, seguro do contributo que se propõe dar ao conhecimento crítico da realidade social, geográfica, económica portuguesa - no presente e no futuro - sabe que está enfrentando um terreno virgem em Portugal , o da investigação ecológica - e um dos mais esquecidos até agora em todo o mundo: a Ecologia Humana;

c) Neste primeiro relatório sobre a situação ecológica em Portugal - análise crítica, hipóteses de trabalho, soluções alternativas - não estão ainda contemplados, nem podiam estar, pontos e regiões que se consideram decisivos na panorâmica portuguesa do problema ecológico; é, no entanto, para se permitir uma base de apoio e disponibilidades financeiras indispensáveis que se apresenta esse esboço, sinal do que já se fez mas, principalmente, prova demonstrativa do que querem e do que poderão vir a fazer, na mesma linha e dentro dos mesmos propósitos, os futuros signatários do mesmo Manifesto.
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(*) Publicados os três opúsculos na colecção «Manifesto Ecológico», edição «Frente Ecológica», 1976, Lisboa

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1-1 < 90-10-30-nn> notícias

<agua>

30-10-1990 - O ministro do Planeamento e da Administração do Território considerou, hoje, inconvenientes «obras gigantescas e inelásticas que ficarão com uma capacidade ociosa durante longos anos». Valente de Oliveira, que falava na sessão inaugural das 2as Jornadas da Indústria da Água, a decorrer hoje e amanhã em Lisboa, adiantou que «para todos os problemas do ambiente e, nomeadamente, aqueles que têm a ver com o ciclo da água a perspectiva do "small is beautiful" é a mais sensata», defendendo uma «aproximação gradualista, reduzindo as discontinuidades possíveis e resolvendo os problemas próximos da sua origem».

«Não faz sentido que se proponha a construção de uma grande obra de captação de água, fora de proporção com a dimensão das necessidades, se houver fontes que permitam, de modo gradual, ir acompanhando a evolução das necessidades por uma evolução paralela das provisões», exemplificou, confiante de que o tempo e a evolução se encarregarão de impôr as grandes soluções, «muito consumidoras de fundos e muito exigentes em aparatos administrativos caros».

O responsável pela pasta do Planeamento e da Administração do Território defendeu também uma estratégia de conservação e de poupança, numa perspectiva anti-consumista. «O desperdício que grandes consumos pouco cuidadosos representam é dinheiro deitado fora que compromete, seguramente, o investimento noutros sectores», frisou, acrescentando que a conservação da água se impõe em todos os tipos de usos que ela tem, nomeadamente doméstico, agrícola, energético e industrial.

Noutro passo do seu discurso, o ministro considerou que a «falta de cuidado» com que se trata a água, conduz a «situações degradadas e incongruentes», atingindo-se níveis «inacreditáveis e irrecuperáveis de delapidação do recurso», acrescentou.

«MUITO LESTO»

«É-se muito lesto a apontar o desleixo dos outros -- a que então se chama crime -- não olhando para o que cada um faz e para as agressões que comete», criticou, para denunciar as «grandes dificuldades de índole organizativa», em especial um «enredo de questões ligadas à aplicação do princípio do utilizador-pagador».

O ministro do Planeamento e Administração do Território defendeu ainda que o fornecimento da água deve ser encarado numa perspectiva empresarial, destacando a importância não de uma mas de várias indústrias da água decorrentes do número diversificante de actividades que lhe estão associadas.

Depois da sessão inaugural, Valente de Oliveira visitou uma exposição representativa das diversas actividades relacionadas com o sector da água, posto o que teve lugar a apresentação de uma comunicação sobre a nova legislação sobre o domínio público hídrico, da autoria de João Carlos Belo Nogueira Flores, adjunto do ministro do Ambiente.

Organizadas pela segunda vez pela EPAL (Empresa Pública das Águas Livres), estas Jornadas da Indústria da Água subordinadas ao tema «Novos Desafios à Gestão da Água em Portugal» visam avaliar a contribuição dos modelos institucionais criados para a resolução de problemas específicos na indústria da água e, ao mesmo tempo, perspectivar novas formas de gestão face à implementação da recente legislação sobre o domínio público hídrico.

Durante hoje amanhã, estas Jornadas da Indústria da água, a decorrer no Centro de Congressos da FIL, deverão reunir cerca de 600 participantes.

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1-2 <92-10-30-ecc> ecos da capoeira

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-> NOTÍCIAS DA CLANDESTINIDADE

-> A CAPOEIRA DO ISALTINO

30/10/1992 - Quarta-feira, 28, às 8.30 da manhã, um pinheiro caiu à linha entre Caxias e Paço de Arcos, devido a uma rabanada de vento, em uma manhã tão calma e serena como a própria serenidade e em que os pingos de uma leve cacimba caíam na vertical do Fio de Prumo. Até às 16 da tarde, a camionagem, adrede preparada, irá garantir o transporte de passageiros entre aquelas duas estações. São os chamados alternativos, como ficaram conhecidos na gíria do quotidiano português.

Quinta-feira, 29, às 8.30 da manhã, uma vaca meteu-se à linha de Sintra, a caminho de Mafra, entre Benfica e São Domingos, por ali se passeando à espera que o presidente da CP a fosse mugir, por ali pastou, enquanto, pressurosos, os alternativos, adrede preparados, garantiam o transbordo entre as duas estações de alguns carneiros mal mortos que entretanto acorreram aos mugidos da não mugida vaca leiteira.

Sexta-feira, 30, pelas 7.30 da manhã, um carro que a si próprio se confundiu com um touro leiteiro, despistou-se - diziam os altifalantes - e meteu, entre Cais do Sodré e Santos, os cornos pela cancela adentro, pondo-se rapidamente em fuga, não sem que antes tivesse feito cair uma catenária e arredores. Entre Alcântara-Mar e Cais do Sodré, milhares de utentes fizeram o percurso a pé sobre a lama das obras do Sampaio, ainda que, obvia e previamente, os ditos autocarros alternativos, adrede preparados, transportassem um cagagésimo dos passageiros em bichas que davam várias curvas e contra curvas, tudo na melhor ordem democrática a que o quotidiano português nos habituou.

Enquanto a Camionagem estiver de férias com o fim das férias e excursões ao Castelo do Bode, saibam os utentes que vão ter catenárias partidas, vento forte em dia de calmaria, carros que se despistam e põem em desordenada fuga e outros acontecimentos surrealistas deste país surrealista com uns média surrealistas a servi-lo. Pelo ar, o diligente helicóptero de uma rádio local, registava o formigueiro que, cá em baixo, cumpria o fadário de uma CP nacionalizada que querem privatizar e que, dia sim dia não, lixa os utentes com mais uma chatice de metro e meio, fora os trocos. O formigueiro das gentes esforçadas que acreditam em Rádio, em Televisão e em Imprensa (Amen) mais do que na Virgem Maria e em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Se, como diziam os ideólogos de Salazar sobrevivos à voz do Dono, temos o que merecemos, então temos a CP e os média que merecemos. E os sindicatos. E os comités de utentes. E os transportes alternativos. E as empresas de camionagem que precisam de greves na CP, na Carris e no Metro como de pão para boca. E graças a Deus que este ano quem decide decidiu-se pelo vento forte em manhã serena, pela vaca leiteira e por um misterioso carro embriagado. Decidiu mimoser-nos com as greves só lá para o Natal que é quando o pessoal anda todo assoprado nas compras pró sapatinho. Greves, portanto, não estão fora da agenda sindical lá mais pró Inverno, que é quando é mais confortável fazer a pé o percurso entre Caxias e Paço de Arcos, e entre Alcântara e Cais do Sodré. Esta é efectivamente a época baixa da camionagem alternativa, a fase anual em que não há mesmo excursões nem a Sevilha nem sequer ao Porto pra uma amostra. Crise da Camionagem a que os dinheiros públicos devem acorrer, recrutando essa frota imensa, parada, para animar as hostes de quem vai pró trabalho e precisa de quebrar a rotina desta vida deste deste País.

Haverá sempre um pinheiro, uma vaquinha pastante e um carro despistado para despistar e distrair a malta e a CP justificar, aos microfones, tão estúpido incómodo que está a dar aos seus utentes. Utentes que eles todos fazem de parvos e de estúpidos. Amen.

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1-1 < 92-10-27-eg-ec> etienne guillé – ecologia do cancro

<np-3><diario92>< notícias do pêndulo > <relendo etienne guillé >2460 caracteres

 

METAIS PESADOS VERSUS MINERAIS

- ENTRADA E SAÍDA DE MINERAIS DO ADN

Cabo, 27/10/1992 - A perversão fundamental da sociedade industrial é posta a descoberto pela Ecologia Humana. Os factores ambientais produtores da doença «envolvem-nos» de tal maneira, que é impossível fugir-lhe. Por isso adianta pouco apontar alguns dos maiores atentados que hoje se cometem contra a saúde pública e privada das pessoas, já que o sistema homicida, como um anel de ferro, as envolve sem dar hipótese de saída.

Por isso, é verdade mas talvez ocioso, afirmar que as casas hoje são gaiolas de cimento (são todas as que se constroem) e que favorecem o cancro, que o Frigorífico desmagnetiza os alimentos e portanto favorece o Cancro, que o Microondas é um verdadeiro buldozer sobre o suporte vibratório dos alimentos e, portanto, favorece o Cancro, que o Açúcar é um Desmineralizante e portanto favorece o Cancro, que os Metais Pesados (Chumbo, Mercúrio, Ferro, etc) na água, no ar e nos solos favorecem o Cancro, que os medicamentos enquanto poluição química favorecem o Cancro, que os Adubos químicos favorecem o cancro, que antibióticos e Hormonas na carne favorecem o cancro, que o Sal Refinado favorece o cancro (deitam-se ao lixo mais de 80 elementos-traço bioessenciais), que os Cereais refinados favorecem o cancro, que as Margarinas favorecem o cancro ( ver lista negra de atentados contra a saúde pública),

Não vejo uma resposta pontual, caso a caso, para cada caso destes.

A sentença é mesmo de índole perversa: temos que nos habituar a viver com a morte que temos. E só vejo (se é que vejo) solução, numa imunização global do organismo a todas estas violências e agressões constantes contra a célula viva.

Por isso a minha estranheza quando leio em Guillé que o Cancro é uma doença cósmica, assim como a Esclerose em placas, a sida, as doenças mentais. Elas são doenças do ambiente, da poluição química, do metabolismo, da química farmacêutica, de uma desmineralização que dá lugar a uma metalização caótica e patológica.

Tudo vai dar, como a um interface trágico, à entrada e saída de minerais da molécula de ADN. Tudo gira à volta disto, inclusive o famigerado vírus, que depois de existir há milhões de anos, só agora se lembra de ficar activo...

Etienne Guillé não avança por aqui, mas dá as dicas essenciais, julgo eu, para que nós avancemos. E valia a pena um seminário intercalar sobre metais versus minerais: a grande encruzilhada do inferno industrial.

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À MARGEM DO SEMINÁRIO DE JEAN NOEL KERVIEL

PASSES MAGNÉTICOS

3/6/1997 - A insistência no tema da «colaboração com o inimigo» em RH/GV explica-se face ao mercado da concorrência.

Com tantas correntes poderosas a dar iniciação, sem se importarem nada com as ciladas e as armadilhas do poder - a RH adverte constantemente dessas ciladas, dessas emboscadas e desses remparts.

Para os que já escolheram a via da RH/GV, talvez seja insistência demasiada nas «pièges» e nos «remparts».

Mas quando vemos o espectáculo que por aí vai, de maçonarias atrás de maçonarias, cada uma reclamando a verdade da mais pura e genuína tradição, mas caindo no buraco de todas as armadilhas - talvez achemos ainda pouco que se fale tanto em ciladas, armadilhas, pièges e remparts.

Essas maçonarias, hoje em dia, dão iniciações por correspondência, estendem a toalha e fazem ali mesmo o piquenique com todas as técnicas e sistemas que vão vendo aparecer no mercado e que estejam em condições de lhes servir.

Escolhem no catálogo e filam a mais rentável.

Forma-se, portanto, o espírito de egrégora, totalmente contrário ao espírito de iniciação e à iniciação do espírito.

Toda a egrégora visa o poder material e não o poder do espírito.

Enquanto a GV/RH fala de hierarquia vibratória dos corpos energéticos, as maçonarias falam de hierarquias de poder, com presidências, vice-presidências, priorados e etc.

A palavra é a mesma, mas são coisas totalmente diferentes e opostas.

Há, de facto, uma hierarquia vibratória mas para percorrer essa hierarquia vibratória até níveis de frequência mais elevada, é preciso não se deixar aprisionar por ciladas e armadilhas.

Nesse sentido de paralisar a subida na vertical, podemos falar:

Do reducionismo do yoga

Do reducionismo do Reiki (corpo electromagnético)

Do reducionismo do ChiKung

Do reducionismo das religiões

Do reducionismo de métodos iniciáticos com base na adoração extática e mística do mestre

Do reducionismo do Transe Mediúnico.

Tudo se passa, nesses métodos, ao nível do corpo magnético.

E são passes magnéticos, mais ou menos explícitos, mais ou menos mascarados de ritos e rituais, mais ou menos velados, as técnicas ensinadas para subir no espírito ou Eu Superior ou Duplo ou Inconsciente Colectivo ou zona dos arquétipos ou Graal ou Pedra Filosofal ou Eternidade.