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Posted by Big-Bang - quarta-feira, 29 de Outubro de 2003

Retrovisor (1981-1998) ->Day by day
17 anos de memórias

 

<81-10-29-cr> cronologia do afonso – publicados ac

29-10-1981

«Frente Ecológica» - 1974-81 – Composição em stencil do folheto, 200 exemplares ao duplicador

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1-1 - <83-10-15-ie> ideia ecológica

Algures encontrei o seguinte registo:

15-10-83 – Dez Anos Depois – I – O Choque Petrolífero

22-10-83 – Dez anos depois – II –

29-10-83 – Dez Anos Depois – Conclusão

Deduzo que sejam as datas de publicação na «Crónica do Planeta Terra», «A Capital», de um curioso diálogo à volta de petróleo e crise do petróleo, 10 anos depois do Kipur, precisamente

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<88-10-29>

<trabalho-6> os dossiês do silêncio – ideias para o novo milénio – ecologia e trabalho-VI

 

A ESCASSEZ FABRICADA(*)

 

(*) Publicado no jornal «A Capital», ( Crónica do Planeta Terra), 29/10/1988 -

 

29/10/1988 - Inimaginável, há poucos anos, era que o tempo, esse imponderável, esse bem gratuito, universal e eterno, tivesse dono.

Os proprietários do tempo, aliás, são tão inimagináveis como os da água, do ar, da natureza, da energia solar, bens gratuitos, todos eles, mas que se tornaram em poucos anos propriedade privada das empresas que os exploram.

Como sempre distraídos, os alegados ecologistas ainda não tiveram tempo de ler Michel Bosquet, o nome que André Gorz utilizou para falar dos temas iconoclastas, para radicalizar à esquerda a análise crítica da engrenagem tecno-burocrática.

Também, em séculos mais recuados era inimaginável que a palavra "exploração" fosse alguma coisa mais do que uma aventura bem sucedida nos confins da Natureza ( oceano, deserto, floresta tropical, pólos) e no entanto a palavra "exploração" hoje está carregada de conotações classistas: a exploração do homem pelo homem tornou-se lugar comum e a luta de classes, como se sabe, é o principal deformador do sentido etimológico das palavras, no sentido favorável da classe dominante.

Explorar o espaço, o tempo, a natureza, a energia, a água, o ar, o sol, já se tornou assim lugar-comum deste "tempo-e-mundo", onde a escassez fabricada dos bens à partida gratuitos e universais, determina a breve prazo a sua gestão em termos de rarefacção capitalista.

Talvez o espanto não se justifique, entretanto, agora que surgem os "donos do tempo", até porque, por enquanto, se trata de uma metáfora, aliás simpática, de uma simpática firma de ar condicionado...

Quem primeiro chega, primeiro se avia, e os "donos do tempo", com esta metáfora risonha, estão apenas a sugerir uma realidade não metafórica e já implícita nos procedimentos bem reais e violentos da actualidade laboral.

Como se sabe, um dos primeiros bens gratuitos e naturais a ser "apropriado" - a terra - , constitui afinal o paradigma de todas as posteriores apropriações. Por isso, as chamadas tecnologias apropriadas são hoje a chave para nos libertarmos de escravidões seculares, mostrando que a exploração do homem pelo homem é indesligável da exploração da Natureza e da manipulação do homem pelo homem.

Tão antigo é o fenómeno da "terra como propriedade privada" que a história se construiu praticamente sobre esse truque sublime dos primeiros descendentes de Adão e Eva... Houve mesmo quem proclamasse , com base em S. Tomás de Aquino, que a posse da terra era um fenómeno tão natural e congénito como a cor dos olhos.

A luta dos descamisados pela posse de um centímetro de terra ensanguentou épocas e países inteiros. Às vezes e em circunstâncias particulares, há mesmo mortais que nem sequer ao palmo e meio de terra, o necessário "caixão pra cova", têm direito, como lembra na canção do Nordestino "Morte e Vida Severina", o João Cabral de Melo Neto, para quem o caixão era o latifúndio.

E pronto: aí está a abominável palavra "latifúndio", que se desgastou, depois do 25 de Abril, até ao inverosímil, tornando-se inaudível. Latifúndio, no entanto, como João Cabral de Melo Neto nos conta em "Morte e Vida Severina" , exprime a imensidão da miséria, o abominável da exploração, o cancro que eterniza o "apodrecimento da história" (Lenine).

A famigerada "aceleração da história" e a não menos famigerada "complexidade dos tempos actuais", leit motiv dos divulgadores de terceira (vaga) como Alvin Toffler, talvez resida afinal e principalmente aí: às apropriações clássicas da terra e do trabalho, que desapossaram o indivíduo das suas técnicas de libertação, seguiram-se as apropriações do que era até então inimaginável de ser apropriado, antes da providencial crise ecológica surgir: no que monta aos bens físicos da Natureza, o sol, a água, o ar puro, a harmonia da paisagem, etc.; no que monta aos bens invisíveis, a apropriação das almas, dos sentimentos, das emoções, dos afectos, das inteligências, das vontades, acelerou-se com a "manipulação do homem pelo homem", com a propaganda e a publicidade, o fenómeno mais espectacular do século XX, bem descrito por Jacques Ellul na ''Histoire de la Propagande'' e por Jean Marie Domenach, ensaísta da revista "Esprit", no livro "Propaganda Política".

Súbita memória ilustrada e a cores desse fruto tentador e sumarento que Lenine, Hitler e Salazar , entre outros, sugaram até ao caroço, é a exposição de cartazes da propaganda política do Estado Novo, actualmente na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

"Política do Espírito" lhe chamava António Ferro e nunca um slogan político foi tão verdadeiro.

De facto, nunca se viu política do espírito tão perfeita como a "manipulação do homem pelo homem" operada pelos peritos do Secretariado de Propaganda Nacional (SPN) mais tarde Secretariado Nacional de Informação (para aliviar consciências) e mais tarde ainda "mass media", etc.

Mergulhados todos neste magma, submersos pelo oceano da informação, feitos "homem unidimensional", só se conhece um antídoto contra o cerco: a cabeça que produza ideias. Mas não chegou o português ao ponto mais baixo do conformismo, da apatia e da resignação calada?

Essa é pelo menos a tese de Vasco Pulido Valente, na crónica d' O Independente (14.10.1988). Para este cronista ilustre da actualidade política, estamos atolados no pântano da nossa autodegradação, sem sequer dizer ai, com medo de dizer ui.

Ora como Vasco Pulido Valente é dos que pensam com ideias - coisa rara e já tão pouco vista - são de registar as suas palavras, que a posteridade talvez possa confirmar como o aviso solene e dramático feito, in extremis, aos portugueses, para que readquiram rapidamente a sua identidade, sob pena de aniquilação total. Ou sob a designação astuta de «integração europeia».

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(*) Publicado no jornal «A Capital», ( Crónica do Planeta Terra), 29/10/1988 -

 

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<89-10-29>

<greve-2> os dossiês do silêncio – os fascismos da democracia – inédito(obviamente) ac de 1989

 

GREVES CONTRA O POVO

 

29/10/1989 - A rapaziada das greves está cada vez mais simpática e as duas centrais sindicais, as duas "intocáveis"  acham que a célebre política da terra queimada, o "Quanto pior, melhor" , que fez e continua fazendo época depois do 25 de Abril, é a melhor forma de eternizar no Poder o Governo laranja que, reconhecido, agradece.

Os anarcas chamam a isto a "dentadura do proletariado". Outros preferem chamar-lhe a "concertação social" na sua melhor forma. De facto e na realidade objectiva, tem sido a "política da terra queimada" a atirar o país cada vez mais para a direita, como convém a certa pseudo-esquerda. Outros há, ainda ( como eu), que sendo de esquerda e exactamente porque o são, chamam a isto a melhor forma de oprimir o oprimido e servir o Poder.

Eu bem queria manter o sorriso nos lábios e a esperança proletária no coração, mas à hora em que escrevo esta crónica, quarta-feira , já com 3 dias de greve ferroviária no papo, a única coisa que consigo articular são alguns palavrões que o pudor me impede de reproduzir em letra de forma mas que largamente me encheram os ouvidos , desabafos vindos de gente do povo como eu e que, como eu, não deve ter carro porque se tivesse não se metia nestas carruagens com cinco vezes a lotação normal.

Para chegar a horas ao jornal, fui obrigado a procurar um comboio hora e meia mais cedo e, mesmo assim, não me livrei da sardinha em lata que até às 10 da manhã vão ser as carruagens do transporte público onde - cidadão sem o privilégio do automóvel - sou obrigado a viajar.

Greves contra os ricos , estas? Mas então porque são os pobres a pagar as favas?

Notável é a silêncio que sobre este grevismo intermitente observam os mais ilustres e cotados cronistas da nossa praça, tudo com medo que lhes chamem reaccionários ( com uma única excepção para o Vítor Direito, única voz independente a pôr o preto no branco, nesta como em outras situações do Gulag português).

Aliás, lendo a nossa afadigada imprensa, sempre a primeira a saber as últimas, quem não anda de comboio julgará que tudo corre sobre rodas e que não há pessoas a viajar com o pé no estribo e com a porta aberta das carruagens em movimento, carruagens à tulha a inclinar-se para lá do ponto de equilíbrio com cinco vezes a sua normal lotação e à beira de se enfeixar no comboio que vem em sentido contrário.

Quem conta e suporta isto é reaccionário, mas quem promove tais sevícias ao utente (a milhões de utentes) é de esquerda e socialista, querem lá ver? É natural que a Imprensa mantenha a cumplicidade do silêncio, e os cronistas, que andam todos de carro, não tenham dado por nada. Aliás, se desse e o dissessem, os compadres iam logo dizer que eram reaccionários e aqui ninguém quer ser reaccionário.

Em pleno processo do "quanto pior, melhor", em pleno processo diário de "lixar o próximo", que, mais do que nunca, é regra de oiro no dia a dia do Poder em Portugal, não deixa do ser curioso que as mais legítimas reivindicações de (grupos sociais) oprimidos sirvam, elas também, para oprimir (ainda mais) outros oprimidos.

A isto chama-se a "pura perversão da democracia". Quando as greves que se fazem, no legítimo propósito de defender os direitos ofendidos de alguns trabalhadores, servem na prática e objectivamente para chatiar ainda mais o já chatiado cidadão anónimo e sem poder reivindicativo, há aqui , qualquer coisa que não tem nada a ver com legitimidade reivindicativa e movimento sindical porque é pura e simplesmente a sua total perversão.

Fascismo quotidiano deste? Não, obrigado.

 

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<90-10-29>

<ces-0> 17236 caracteres <ces-1><ecopatol><revista> -«vida & natureza»: «know-how» inédito e estritamente confidencial] intuições de ecologia humana (holística) em 1975-1980 - sebenta nova naturologia - dcmanos70 -

[Este texto chegou a ser proposto à candidatura presidencial de Otelo [em que data foi?] Apesar dos cortes já efectuados, o texto, até agora inédito, (29/10/1990), tem resquícios ainda de um radicalismo contemporâneo da época «revolucionária» em que foi escrito.]

29/10/1990 - Pedra de toque de uma Democracia, pela política de saúde se conhecem os partidos e governos. Sendo a actual política a que se chama de saúde apenas uma política da doença (de aparente combate à doença) pode imaginar-se o estado em que continua a encontrar-se a nossa democracia.

Pedra de toque da mentalidade que anima a classe política, as elites dirigentes e os respectivos e vigentes discursos, terá de se concluir, com alguma tristeza, pelo trogloditismo inerente a esse discurso, a essa classe, a essa elite, a essa política.

Todos eles, no fundo, andam empenhados no «combate à doença» - menos empenhados, mesmo assim, do que nos querem fazer crer - combate esse que pressupõe deixar proliferar primeiro aquilo que depois se vai, bombeiralmente, combater. E nunca se acaba o combate, nunca se acaba a guerra. Uma vez por outra, o Estado, através da chamada Segurança Social, através da chamada Comunicação social, diz que a «saúde está caríssima». Mas o que está caríssimo, excelentíssimas excelências, são os medicamentos. Agora que os medicamentos não têm nada a ver com saúde, é mais que óbvio e notório. Não é, pois, a saúde que está cara.

Esta política bombeiral de saúde revela assim a mentalidade vigente nas grandes e pequenas opções propostas ao eleitorado, onde a sintomatologia, o reformismo, as sopas depois do almoço fazem regra.

 

PARÂMETROS ECOLÓGICOS

 

Política de saúde que não entre em linha de conta com os parâmetros ecológicos e ambientais da higiene, da profilaxia e da prevenção é, de facto, um absurdo. Um grotesco absurdo. É que, perante um sintoma - a que chamam doença - manda a lógica que se faça o diagnóstico para indagar das causas que produzem os efeitos chamados sintomas, chamados doenças. Ora sendo hoje ambiental a causa predominante das doenças, impunha-se, antes de mais nada, uma despistagem desses factores ambientais, se por acaso na política se funcionasse lógica e cientìficamente. Ou pouco mais ou menos. Mas despistagem ambiental da doença é matéria que todos os profissionais da «saúde» continuam, prudentemente, ignorando. O mais lógico, conveniente e económico - se alguma coisa fosse lógica neste reino - seria, pois, conservar a saúde enquanto ela existe e não esperar pela doença para a combater. Ora para conservar a saúde não é preciso gastar grandes verbas, há apenas que fazer stop, já, aos múltiplos factores endógenos e exógenos que a degradam - os factores que «fabricam» doenças - a começar nos políticos obtusos que são uma das principais causas de morte, toxicose e doença em Portugal.

Uma política de saúde que não pressuponha uma política do ambiente é assim uma caricatura e uma invenção paranóica. Como o programa de política de saúde de todos os partidos ilustra.

 

CONDIÇÕES SINE QUA NON

 

Não há política de saúde sem levar em consideração o poder de pressão exercido no sector médico pelos monopólios que de raiz comprometem e alienam a saúde: as indústrias químico-farmacêuticas, açucareira e alimentar (o «agrobusiness»), são as que mais substancialmente contribuem para uma degeneração acentuada da saúde pública.

Não há política de saúde sem infraestruturas sanitárias de base (sobre as quais as populações possam exercer total controle), sem condições higiénicas mínimas, sem modificação estrutural de uma política de construção habitacional totalmente ao serviço das classes até agora exploradas.

Não há política de saúde, também, sem abrandamento das tensões produzidas pela divisão e luta de classes, pelo mundo concentracionário das cidades, pelo stress do trabalho, pelas violências e alienações da máquina de consumo e da máquina publicitária anexa.

Não há política de saúde sem uma política radical de descentralização do povoamento (uma política agrícola de repovoamento rural, sem mitos tecnocráticos)e a progressiva eliminação dos cancros urbanos.

Não há política de saúde sem uma política agrícola de base ecológica, cujo primeiro efeito é atrair maior número de braços ao campo (e novos postos de trabalho) e cujos objectivos sejam efectivamente alimentar bocas, em vez de atingir metas de produção impostas pelos padrões euroimperialistas das OCDE e CEE. Quer dizer: não há política de saúde sem que se defina como prioridade a qualidade nutritiva dos produtos retirados da terra, ainda que em detrimento (mas não fatalmente) da quantidade produzida.

Não há política de saúde sem uma política educativa que reconverta os meios de comunicação social - venenos da opinião - em escolas abertas, sem uma política educativa que destine parte importante da aprendizagem básica às técnicas autocurativas e de autosuficiência, à educação alimentar, ao autodiagnóstico e às técnicas de autoconhecimento e autorealização (biofísica e biopsíquica), enfim, à descolonização do doente,[ factor preponderante da descolonização cultural que uma revolução implica.]

Não há política de saúde baseada exclusivamente no «combate à doença». Uma política de saúde, por definição, será radical e prioritariamente preventiva, no sentido mais científico, preparando todas as condições para que a doença não ecluda e para que a população conserve o seu capital natural de saúde, só em última instância havendo que recorrer à medicina sintomática, em casos crónicos ou herdados de anteriores situações sociais anómalas (degradadas), mas sem jamais admitir a exploração do homem pelo homem, do doente pelo médico.

Será preventiva, também, num sentido totalmente diferente daquele em que a política de vacinação actual é considerada a única medicina preventiva.

[Ao reescrever este texto, em 30/Outubro/1990, constato que as afirmações nele feitas permanecem válidas mas, tal como quando foram escritas, utópicas. De facto, uma política de saúde que não seja uma política de combate à doença, é condicionada por uma série de outras políticas - agrícola, ambiental, educativa, económica, social - e só existe, só faz sentido se elas de facto existirem e se funcionar em consonância com elas: uma política de saúde, na prática, é decorrência de outras políticas.

Como esta harmonia de vários ministérios é impensável em qualquer governo do mundo, concluir-se-á que em nenhum país do mundo existe uma política de saúde e que ela é, portanto, utópica.

Mas não é tão utópica como isso, se, entretanto, o conceito de sociedade paralela ou sector alternativo da sociedade for introduzido. No dia em que um governo conseguir adoptar uma política de saúde, é porque os parâmetros ecológicos assumiram a predominância e foram estabelecidos como prioritários e não os da economia, da produtividade, da quantidade ou do número. No dia em que a qualidade (de vida) for de facto a prioridade de qualquer governo, teremos a almejada política de saúde. Só que não é previsível um governo com capacidade de manobra para se desembaraçar de todas as pressões dos «lobbies» que vão vivendo de matar, vão ganhando lucros com a proliferação da doença, vão enriquecendo com o definhamento e degeneração das populações.

Uma única esperança existe de que esta situação tenda a inverter-se: é que a doença hoje trepa a todas as classes e quando atingir em cheio a classe dos lobbies, talvez os filhos, as esposas dos poderosos os convençam a desistir de pressionar governos a favor das suas indústrias de morte e doença.]

 

PREMISSAS DEMOCRÁTICAS

 

Uma política de saúde em democracia pluralista, dará prioridade às condições de habitabilidade, não só no aspecto de alojamento (direito e garantia de) mas no da higiene urbana ou rural, providenciando para que todos os focos de contaminação (lixeiras, pocilgas, esgotos) sejam eliminados, sujeitando-os a rigorosa e pormenorizada regulamentação legal.

Uma política de saúde de base democrática dará às populações e ao poder local um papel preponderante no controle da poluição ambiente, tornando-as activas e organizadas não só no acondicionamento dos lixos mas na selecção de detritos que conduzam, por sua vez, a uma política económica de reciclagem sistemática de materiais, quer orgânicos e biodegradáveis, quer de origem celulósica (papel), quer de origem química (plásticos).

Essa actividade local [do poder popular], porém, será enquadrada por legislação de âmbito nacional, a que corresponda uma clara política sanitária. Estações centrais de tratamento (por incineração ou outros processos postos à prova pela experiência) de lixos serão criadas pelo poder central, sempre que as pequenas unidades de autoconstrução por iniciativa local não satisfaçam as necessidades da respectiva densidade populacional.

Uma política de saúde não pode esquecer que muitos dos problemas criados por condições anti-higiénicas são especificamente de ordem social e decorrem das condições aviltantes em que a população é obrigada a habitar.

Uma política de saúde é, por isso, automatica e grandemente estimulada pela modificação das condições gerais de vida em que as populações pobres se encontram enquanto classe explorada. Mas terá ainda que ser «construída» na parte positiva da Reciclagem e Reaproveitamento.

Para lá dos lixos domésticos, cuja recolha, selecção e reciclagem será um problema de política local,

Para lá dos esgotos urbanos e seu tratamento, que será um problema de política inter-regional,

Para lá de uma política económica de reciclagem e reaproveitamento sistemático que enquadrará todas essas políticas regionais e inter-regionais,

há o propósito de assumir o mesmo critério de reciclagem para casos como o da sucata automóvel ( a remover e a centralizar em parques fechados de âmbito provincial e inter-provincial, através de campanhas que, emanadas do poder central, receberiam ânimo e apoio das populações, agentes activos dessas campanhas).

 

AUTODEFESA DO CONSUMIDOR

 

Sem esquecer que a violência exercida sobre o consumidor é inerente à violência de uma sociedade dividida em classes, acreditamos que é possível, desde já, uma consciência cívica cada vez mais desperta que vá tornando inviáveis e caducos os aspectos mais ostensivos da opressão que a máquina do poder exerce sobre o consumidor: as vacinas e a pílula anticoncepcional seriam duas dessa violências.

Movimentos que visem reconverter os consumos em termos de economia ecológica, suprimindo supérfluos e valorizando o fundamental, terão que ser energicamente incentivados pelo poder central e as populações orientadas para seguir a mais correcta política de consumos,[ destruída que seja a infernal máquina publicitária, substituída então por uma verdadeira escola em que os meios de comunicação social terão que se transformar.]

Não há política alimentar que sirva o consumidor sem a destruição dos monopólios[????] que dirigem os consumos em geral e os consumos alimentares em particular, para objectivos que tenham apenas em vista os lucros das empresas, a eles imolando o interesse, a saúde, a segurança e a economia do consumidor.

Não há política alimentar sem uma concepção definida do alimento principal e sem uma dieta declarada pela experiência como a dieta simultaneamente mais completa, económica, nutritiva e saudável.

Neste sentido, uma política alimentar de base democrática dará apoio e fomentará movimentos que, já organizados, têm provas dadas pela experiência, no campo de uma alimentação mais racional, saudável e conservadora [?] das condições de saúde.

 

SEGURANÇA QUOTIDIANA

 

Desde o quotidiano de ruas e estradas (que dão o maior contingente de mortos e estropiados ao País, depois da guerra colonial) até às «unidades de alto risco» como centrais nucleares, gasómetros no meio da cidade, indústrias explosivas, etc,. a insegurança não deixa de constituir uma constante da sociedade de violência que tem nela, além do mais, um factor de guerra de nervos. Não deixa também a insegurança de constituir um factor condicionante da qualidade de vida da população e, no campo dos postos de trabalho, um assunto perfeitamente tabu para todas as correntes políticas, incluindo as de esquerda.

As medidas adoptadas sob o nome de segurança, ou são comandadas por objectivos meramente propagandísticos (a campanha «circular é viver», por exemplo) ou não passam, quase sempre, de remendos num pano totalmente esburacado.

Se a segurança, em bairros de habitação degradada, já não é um problema de ambiente por ser antes um problema de desigualdades sociais, eis que no caso das indústrias com graves problemas de insegurança, é já um problema de política e planificação económica global, que não sacrifique o concreto das vidas humanas ao abstracto de congeminações, fantasmas, mitos e lucros em que o tecnocrata político se masturba[???].

 

URGÊNCIAS

 

É urgente lembrar a importância de uma política de saúde como vector fundamental de uma ética política e de um Estado de Direito. É urgente, pois:

- Que as instituições de saúde respondam claramente ao desafio posto pelas chamadas «doenças da civilização», ao respectivo diagnóstico ecológico e às respectivas terapêuticas naturais/causais adequadas

- Que as elites governantes, especialmente no campo médico [???], desfossilizem as suas posições, abdiquem do seu trogloditismo nato e vejam que é vanguarda europeia dar atenção aos métodos ecológicos de conservar a saúde, muito mais económicos para o orçamento geral do Estado do que o famigerado combate à doença

- [Que se ponha cobro ao escândalo do pão-borracha, à sua inferior qualidade, aos vários produtos químicos que, ilegal ou legalmente, se adicionam no seu fabrico]

- Que se tomem a sério medidas, até agora raras e tímidas, para a diversificação de horários em Lisboa e localidades onde o congestionamento de tráfego é também um factor determinante da saúde pública;

- Que se ponham imediatamente a funcionar as «comissões de gestão do ar», criadas por decreto-lei 255/80, de 30 de Julho, e cujo adiamento é mais um sinal do comprovado desprezo pela saúde pública, quando o dilema for entre saúde e interesses corporativos de uma determinada indústria

- Que os esquemas de previdência [segurança social] cubram imediatamente os tratamentos e terapêuticas naturais/causais, como acupunctura, homeopatia, etc.

- Que se dê apoio a cooperativas de medicina tradicional chinesa

- Que se reformule a chamada política de saúde e que mais não tem sido do que política de [promoção da]doença

- Que seja posta em prática uma política de agricultura biológica, introduzindo gradualmente projectos-piloto viáveis, campos experimentais, zonas de produção alternativa, para que experimentalmente se verifiquem os princípios e métodos defendidos pelos ecologistas realistas, na certeza de que maior produtividade só será conseguida, a médio e longo prezo, pela defesa biológica dos solos, obviando à sistemática esterilização provocada pela hecatombe química

 

MOÇÃO CONTRA O RUÍDO

 

Considerando que o ruído, para lá dos prejuízos já verificados sobre a saúde mental e psíquica dos cidadãos, é um factor inenarrável de embrutecimento e aviltamento quotidiano,

Considerando que há ruídos perfeitamente desnecessários, que nem sequer têm a desculpá-los serem provocados por qualquer serviço considerado de utilidade pública,

Considerando que a indústria dos motores de explosão parece interessada em corromper a saúde mental [de todo um povo] das populações,

Considerando a falta de «vontade política» e de medidas enérgicas que as entidades responsáveis pela ordem e pela saúde públicas têm manifestado relativamente ao flagelo do ruído e outros flagelos do ambiente português,

Considerando a timidez e ineficácia das campanhas levadas a efeito até agora, por entidades que não parecem muito interessadas em debelar a violência nazifascista da poluição acústica e seus principais responsáveis,

declaramos que uma política de saúde e de qualidade de vida deve ter, como pedra de toque e na sua lista de prioridades, um controle enérgico sobre todos os focos de poluição acústica, que, por sua vez, é índice nítido do nível de civilização e civismo da populações e do grau de subtileza qualitativa que uma democracia se mostra capaz de atingir.

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[Este texto foi (parcialmente) publicado na «Revista Alentejana», editada pela Casa do Alentejo?

Para efeito de eventual publicação em anexo de um volume sobre o «movimento ecológico - uma polémica amigável - diário de um jornalista», é importante saber se teve a contraprova da publicação.

De que data ou época foi a campanha de segurança rodoviária «circular é viver», citada no texto?]

 

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<95-10-29>

<evc-1 > estados vibratórios de consciência - diário de uma experiência no laboratório da vida 5309 caracteres

 

ESTADOS VIBRATÓRIOS DE CONSCIÊNCIA

 

29/10/1995 - Aparentemente, a lei da invariabilidade (ou seja, da repetitividade) não se verifica quando, comparando o DNA de um fruto, por exemplo, e de um bocado de carne, obtemos resultados que não seriam os que, à partida e pela lógica vibratória, prevíamos.

Ou seja, o animal deveria vibrar mais alto do que o vegetal e acontece exactamente o contrário. Para já e para ultrapassar esta aparente contradição, é preciso considerar diversas etapas ou fases na maturação dos diversos níveis de organização da vida, desde a amiba ao mamífero homem ( Ver diagrama Nº 47 dos principais níveis da hierarquia dos sistemas).Para já, numa planta, entre o grão ou fruto de um vegetal,a folha ou caule, e a flor, existem 3 níveis vibratórios bem diferenciados.

Os momentos típicos de evolução de uma planta dão tipos de nível vibratório certamente diferentes. Mas nem só com os grandes momentos da evolução de uma vida acontece essa variabilidade. Também varia conforme as fases de ritmo de crescimento - de 7 em 7 anos, um ser humano adulto, por exemplo. Ou, inclusive, como se alerta tantas vezes nos textos de Etienne Guillé, as fases de grande stress conduzem (revelam) também a taxas vibratórias que, aparentemente, desmentem o que era previsível relativamente ao respectivo reino da criação (vegetal, animal, mineral).

Quer dizer: seguro, seguro e sem variações, são só as estruturas que se mantêm sem evoluir, sem «viver»: metais, cores, minerais, cristais, água, etc. Se se entrar numa sala e houver um vaso com uma planta de folhas verdes, pode ser que a planta vibre apenas, e com dificuldade, a N8. No fundo, o que vibra é já e apenas a cor verde - dado o estado de profundo stress em que a plataforma se encontra com muitas das folhas amarelas ou secas. Dir-se-ia que a planta , como o ser humano, tem estados vibratórios de consciência - e os estados vibratórios de consciência são variáveis.

Como dizia, só aparentemente e momentaneamente o quadro dos 7 corpos (Ver Diagrama Nº5 dos 7 corpos energéticos), apontado por Rudolfo Steiner, parece não se cumprir em determinados momentos e relativamente a determinados estruturas.

Por exemplo, a maioria das pessoas vibra a N8, e só excepcionalmente vibra a N16.

Isto quando o potencial do ser humano é, como se sabe, de N 56. Quer dizer, o ser humano - que tem para desenvolver as etapas de N24, N32, N40, N48 e N56 - fica-se pelo N16 e, na maior parte dos casos, pelo N 8.

Ou seja: fica-se pelo estado mineral, nem sequer ao estado vegetal chega e nem sequer ao animal chega. Não é de admirar (ou será?) que um gato, por exemplo, vibra , normalmente, N24. Quer dizer, o gato é mais humano que a maioria dos humanos-e isto dito sem escândalo.

Mas também teremos surpresas ( aparentes contradições), se testarmos um ovo. Veremos que varia a taxa vibratória , conforme ele está galado ou não. Galado, frito, cozido, etc. Também nas direcções, no D do DNA, um ovo pode dar revelações interessantes. É muito natural que a situação de yang, a situação de máxima contracção se verifique e, portanto, que a Cruz do Enxofre surja como o desenho das direcções obtidas no teste. Se o espermatzoide é o Enxofre e o óvulo é o Mercúrio, é muito provável que os dois juntos - Ovo - resulte em movimento giratório do pêndulo.

Mas depende da fase: o mais comum é que, ao testar, se verifique que o óvulo fecundado (ovo) dê, como direcção, o princípio dominante que é o masculino, ou seja, o enxofre.

*

Se o caminho das frequências vibratórias parece relativamente seguro e sem muitas armadilhas e emboscadas - apenas algumas ... - já o da grelha universal das letras continua, para mim, cheio delas.

Se coloco a grelha pré-determinada (que vem no livro) e testo letras, basta-me olhar para a grelha de esguelha (ou pelo rabinho do olho....) para que o pêndulo inflicta a direcção que tinha começado a tomar. Nada é seguro , quanto a fiabilidade, com a grelha das letras. E acho magnífico que as minhas colegas mais avançadas dos seminários «Radiestesia e ADN», incluindo a Patrice, me olhem com um certo ar de comiseração, porque não consegui ainda a grelha. Evidentemente que se a puser, tirada do livro, é certo e sabido de que vou lá dar às letras certas no lugar certo...

Prefiro continuar sem saber onde estão as letras e trabalhar sobre uma grelha cega, apenas com os 3 círculos assinalados e sem saber se a letra A, se a letra X, se a letra P, se a letra W , se a letra Jold, vai dar esta ou aquela direcção.

A maior parte das colegas seminaristas já têm grelha das letras.

Mas que grelha, pergunta a Patrice. E pergunto eu.

*

Com a descoberta das frequências vibratórias e sem que se saiba ainda ao certo se estou no meio de mais um armadilha, parece-me, no entanto, que é possível, outra vez, voltar a acreditar nas virtualidades da radiestesia. Na esperança da radiestesia. Às vezes, é difícil resistir, quando se chega à triste conclusão de que estamos em permanente auto-sugestão, em permanente auto-ilusão. Mas se é difícil resistir, é ainda mais difícil desistir...depois de tantos anos e tanta expectativa investidos nisto.

Apesar de tudo, é sempre à questão que regressamos: não será tudo, em radiestesia, pó, cinza e nada?

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1-1 <96-10-29-di-ls> diário de um idiota – leituras selectas 

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O VIRTUAL

 

 29/10/ 1996 - Há várias maneiras de lavar cérebros. Uma das mais correntes, hoje em dia, com a ajuda dos novos grafismos, de papel couché e de técnicas multicoloridas , é o mito da juventude, a juventude transformada em protótipo humano.

Então os degraus são simples de descer.

Juventude é (o) futuro, o futuro é tecnologia e a tecnologia só pode ser o virtual. Ou seja, o célebre terceiro milénio será virtual. O inverso, portanto, do que Malraux teria dito do século XX: ou será religioso ou não será.

E daí talvez Malraux dissesse certo: de facto, a melhor definição de virtual é esse «não será». Não está sendo e cada vez está sendo menos. Como se não bastassem as duas décadas (80-90) de queda no poço do dito virtual, ainda querem mais. Desde o «Choque o Futuro», do senhor Alvin Toffler, que não se fala de outra coisa. Anote-se um ensaísta humilde, Baudrillard, que teorizou subtilmente a era do virtual, ou seja, a era do vazio recoberto de lindas cores, lindos mitos, lindas revistas, lindo papel couché.

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1-2 < 98-10-29-ls> leituras do afonso

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29-10-1998

Bioecologia

Esteva

Herbologia

Princípios activos: onde se localizam na planta

Biologia celular

Biogeogarfia

Geobotânica

Fitogeografia

Ritmos cósmicos

Ritmo das estações

Ritmos sazonais

Organografia

Semente

Germinação

Raiz

Plântulas

Sementes a germinar

Cotilédones

Caule

Folha

Inflorescências

Fruto

2º semestre

Botânica sistemática

Família

Género

Espécie

Chaves de classificação das plantas

Sistemas além do sistema solar

Civilização mais adiantada do que a nossa

Sonda recolhe espécies

Saber como é a vida na terra

Animal, vegetal ou qualquer ser vivo traz no seu código genético (...) que permite a um observador extrair essa informação .

Adaptações morfológicas

Flora macaronésia

Tricomas

Ritmo circadiano

Amplitude térmica

Quantidade de água

Tudo isto é síncrono

100 mil anos-luz

Número de estrelas - 100 mil milhões

Há 5 mil milhões de anos■