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Posted by Big-Bang - terça-feira, 28 de Outubro de 2003

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41 anos de memórias

<59-10-28-on> anti-prosas publicadas em «o nariz», páginas 33,34 e 35

A CIÊNCIA DAS ALMAS

Lisboa, 28/10/59

A moral ou ciência dos costumes varia segundo as estações, a moda, a conveniência e a autoridade constituída aprovar. À ciência dos costumes prestam o seu concurso as restantes ciências, positivas e normativas, ciências do espírito e ciências da matéria, ciências naturais e ciências sobrenaturais, ciências legais - em suma. Das ilegais não reza a história, que a rezar nunca aprendeu. A moral ou ciência dos costumes, dos bons costumes, deu, dá e dará que falar.

Por três ou quatro necessidades vegetativas, que se eufemizam nos verbos nascer, comer, dormir, ficar em pelote, sofrer, constituir família, prorrogar a espécie - a moral sabe que, antes ainda dos reflexos condicionados, podia controlar os movimentos dos indivíduos até à mais ínfima partícula, até à subderme da espécie, até aos interstícios familiares e de alcova, e pode, com a ameaça de revelar os segredos de dentro às línguas do mundo, manter a decência no mundo das línguas, na rua da má língua, decência que só não percebe quem não percebe nada de olhares, quem, devido à gente que faz e ao chuvisco de cabelos, não sabe (ensina o anexim) que são os olhos o espelho da alma e (não ensina o anexim) quem vê caras pode ver, se quiser e tiver olho, corações.

O especialista de qualquer falante especialidade, proíbe. Proíbe e é tudo. Conforme o figurino exarado nos laboratórios, academias e ministérios, proíbe. Veste, de alto a baixo, a sociedade legal, a multidão uniformemente distribuída por classes, umas por baixo outras por cima, tal as prateleiras nos jazigos de família. A família aqui chama-se em bom ou mau estado de conservação, assim os ratos que vivem no sótão.

Uma multímoda, segregante raça de saltimbancos resolve, sob vários designativos policiais, políticos, diplomáticos e publicitários (logo a imprensa atesta os binóculos e a miopia piora - não vendo mais do que larvas propulsoras em evolução rítmica para o mundo) resolve um ataque, na forma dos comuns ataques por transbordo em recipiente fechado, ou por pressão gasosa contra as paredes nuas em excipiente aberto. Com a fácil contracção dos miriápodos, o pequeno bando actua à moda dos caranguejos, por embates. Cá fora ouve-se o som cavo das investidas, que, ampliado pelos referidos falantes, parece um fragor de batalha. Tratando-se do que a sociedade está formalmente estatuída, com o bordado marítimo de vários fortes espreitando por vários faróis de luz verde e alguns, por excepção, de luz vermelha. Para isso se criam os estados de prevenção - antecipando os estados de sítio. E para os estados de dúvida - os estados de alarme.

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<59-10-28-on> anti-prosas publicadas em «o nariz», páginas 44, 45 e 46

 

O NARIZ

 

Lisboa, 28/10/59

A lei ai está. Eu julgo que estou, ainda, senhor do meu nariz e ela do nariz dela.

Criando, inventariando as linhas que do remorso partem para o sol e o céu, enquanto o tempo rói, rumina, enquanto o mercado nos não vende, aqui estamos.

Nós à disposição da lei, a lei a dispor de nós. A lei que por nós vive e assina por nós. A lei que, é claro, nos protege. A lei que, aparentemente, nos livra de assassinos e nos assassina lentamente. A lei contra os jovens puros mas que ela considera impuros. A lei de um só nariz e várias bocas e pernas, para andar de noite sem ser ouvida, sob ou sobre a pele, como a centopeia nos lençóis. A lei, veneno que antes de matar dá euforia.

Ali está a lei, e nós sentados neste banco de réu, nesta solidão de vozes, de palavras, de actos, nesta infinita clareira, suspensos desta corda que não ata nem desata, apertados neste nó górdio em forma de pescoço, velas a arder por imaginários mortos. A lei não vê porque é daltónica e baralha as cores quando lhe convém.

Ali está a lei, e nós a escrever o rascunho do relatório que nos há-de entregar. A lei julgará. Há a lei, é o que há. Há a lei, é o que há. Do outro lado estamos nós, todos o sabem, ao dobrar a esquina, ao primeiro amor verdadeiro e sem maldade.

Chama nomes aos nomes verdadeiros, a lei.

Vingai-vos de mim pela secreta via das comunicações telepáticas, um alfinete nos olhos e trás, aí o tendes coxo de um pé, ao sol.

Vingai-vos porque eu vos juro que vos não quero mal, que não quero mal a ninguém. Esta violenta asa de mistério que abro sobre as vossas cabeças, este vendaval que levantará as escamas dos vossos olhos, que desblindará os vossos corações, é porque me sinto obrigado ao circuito solar, um pouco longo, enquanto houver na terra a escuridão dos infernos. Contra a moral, ciência dos costumes, não se brinca com cetins. Perdoai-me a vela enfunada e negra contra a tempestade. Só uma tempestade neutraliza outra tempestade.

Contra a moral da violência, a violência do amor. E nossa consciência, sem as rugas da desconfiança, face a face, será a vontade do tempo impelindo, pela dor, a vontade do homem.

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<59-10-28-on> versos publicados em «o nariz», página 36

ÚLTIMA METAMORFOSE

Lisboa, 28/10/59

Ainda não sei o que me falta hoje, se a inspiração ou se é não haver nada que mereça a nossa indignação. Talvez o peixe que não morde a isca, talvez a corda do violino que não vibra em pleno concerto, porque se partiu e ficou partida. Mas sei que a nossa coluna vertebral voltou ao seu lugar. Falando alto, sei que falo alto. Falando de amor, sei que ninguém me ameaça. No entanto, tenho medo de falar alto no teu nome, para que os outros assistam à decomposição do mundo íntimo, à aflita, nervosa, ardente, lícita alma que se entrega sem pensar.

Cresce o nosso filho em nossos braços nus, este filho de raios e raiva e medo e radiosa alvura, de cadáveres e submissas, inquietas larvas de justiça. O nosso filho dirá ao mundo, falando alto, o que nós ainda temos medo. Dirá ao mundo que nascemos e que de nós nasceu.

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<83-10-28-ta>

<dta83-> diário de tecnologias alternativas de 1983 - na perspectiva «FE» e do realismo ecológico - os tecelões da liberdade, leit motiv ac dos anos 82,83 - matéria-prima inédita para e-t : perguntas e respostas - temas ainda actuais mas que foram silenciados

 28/10/1983

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- Em cada momento histórico e em cada lugar da Terra, os desafios lançados à inteligência e à imaginação dos homens variam de intensidade. O que actualmente se chama crise é um desses desafios e tem causas próximas e longínquas, quer ideológicas, quer de estrutura e organização.

Mas um facto é reconhecido por todos: a chamada «revolução» industrial, designação já de si autocontraditória e tendenciosa, contribuiu fundamentalmente para a sistemática e metódica destruição de recursos e riquezas, de culturas e civilizações, de raízes, de fontes, valores e património.

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- Quando em 1983 se assiste, por exemplo, à destruição de uma antiga indústria nacional - o vidro - assassinada pelo plástico ordinário e pelas multinacionais da petroquímica (a que em 1998 se deverá juntar a concorrência de monopólios vidreiros estrangeiros, (nomeadamente o francês Christal d'ARC), quando a grande indústria pesada destrói a pequena e média, é simultâneamente uma questão de ecologia e património que se põe, quer dizer, uma questão simultaneamente ética e económica.

Conservar a cultura e a civilização significa conservar o equilíbrio ambiental, as relações subtis e qualitativas, as nuances e as diferenças, a identidade, a singularidade, enfim, numa só palavra, a liberdade.

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-Indústria barbaramente assassinada, o artesanato tem toda uma história para contar às novas gerações, elas também atiradas pelo sistema industrial ao lixo da história chamada desemprego. Com as artes e os ofícios que estão morrendo é a liberdade humana que está morrendo também.

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- É dessa perspectiva que o realismo ecológico vê o artesanato, que outros encaram como assunto de turismo ou comércio externo. No meio dos equívocos sobre artesanato que se vende, que se compra, que se mistifica, que se aliena, o trabalho livre artesanal é a própria essência da liberdade e da democracia.

Esta a tese da comunicação apresentada pela «Frente Ecológica» ao I Encontro Regional do Sul sobre Património.

Quando a proletarização deu lugar ao trabalho livre artesnal, estava aberto o caminho para a ditadura tecnofascista que caracteriza a Idade Moderna, a Leste e a Oeste, chamada por alguns «revolução» industrial.

O «proletário», com efeito, é uma criação recente e significa que o trabalhador só possui , como riqueza e propriedade, a sua prole. De tudo o mais foi espoliado, para que sobre ele, total e definitivamente alienado, ditadores de esquerda e de direita erguessem os seus impérios de sangue.

Ergueram. Não sem que algumas bolsas de resistência , aqui e ali, teimassem em sobreviver.

O trabalho livre artesanal é assim o património mais precioso que Portugal pode oferecer ao movimento internacional do património e à resistência universal contra o genocídio.

O assassinato de artes e ofícios - os tecelões da liberdade - tem sido perpetrado por todos os sistemas económicos hoje vigentes, quer os do bloco capitalista quer os do bloco anti-capitalista.

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- Os tecelões da liberdade que ainda resistem foram matéria de reportagens realizadas pela «Frente Ecológica» em diversas circunstâncias.

O estudo analítico e sistemático dessa resistência, com base nessas reportagens, é feito na comunicação apresentada pela «Frente Ecológica» ao I Encontro Regional do Sul sobre Património e intitula-se «Os Tecelões da Liberdade».

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1-3 < 89-10-28-ie> ideia ecológica do afonso

<dcm89-4>

 

DIZER 20 ANOS ANTES

O QUE SE VAI PENSAR 20 ANOS DEPOIS

28/10/1989 - É urgente repescar (e repensar) o que escrevi em 1974/75 sobre biocracia, biofascismo e biocídio.

A questão relativamente a todos os provocadores (inclusive bioprovocadores) é encontrar o registo estilístico que não caia no melodrama ou no moralismo ridículo.

Tal como André Breton dizia da literatura, o prefixo «bio» mène à tout...

A propósito do biofascismo, o sistema responde com o bioética (ver recorte junto) .

É o estilo provocador sofisticado. É o estilo sopas depois de almoço. É o estilo lobo que protege o cordeiro para o comer. nem com um pano enxarcado de mijo se podem tragar.

Psicocirurgia?

«Uma arma muito eficaz da medicina moderna» - dizia um psicocirurgião no telejornal, um dia destes, nos 40 anos largamente celebrados da atribuição do Prémio Nobel ao Prof. Egas Moniz.

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2/11/1989 - Se as minhas intuições e manias têm sido um desastre na perspectiva do triunfo e da carreira pessoal (ou profissional) do seu autor, já como validade científica me poderei gabar de que fora um sucesso e de que todas, afinal, se têm mostrado não só cientificamente comprovadas mas reconfirmadas em toda a linha pelas instituições e autoridades do meio.

E é isso que me faz ser ousado, ainda hoje, aos 55 anos, apesar de já ter idade para ter juízo, apesar das nódoas negras que já apanhei por causa de afirmar e escrever 20 anos antes aquilo que os cientistas e doutores nem 20 anos depois vão confirmar.

Isto dá-me um certo nojo mas também uma certa ousadia no afirmar das minhas intuições, apesar de não estarem ainda hoje confirmadas pela ciência oficial, mas também uma certa serenidade (?) quanto ao meu triste papel (de urso ou de franco-atirador?) tantas vezes classificado pelos pensadores oficiais, pelas mafias universitárias e até por ecologistas ilustres como papel de parvo ou de mentalmente subdesenvolvido.

Diria mesmo que a minha história pregressa é, em parte, a história desse mal-entendido entre mim e o Diabo, como dizia o José Régio, entre mim e os donos do poder, os governantes dos corpos e das almas, principalmente os donos destas que são os intelectuais e outros que tais.

Já fazem lista as «intuições» a que chamo malditas porque, escritas e pensadas por mim há 10, há 15, há 20 anos, vejo com espanto, um dia destes, quase ao acaso, serem - ora uma ora outra - confirmadas pelas autoridades internacionais que regem os destinos do Planeta: ONU, OMS, FAO, OIT, etc., acabam por confirmar, plagiando-me afinal o trabalho de hipótese que em muitos casos tirei, com sangue, suor e lágrimas, da minha imaginação delirante.

É nojento sentir-me chulado assim.

Julgo lembrar-me que o António Sérgio fazia desta fase da intuição-imaginação de hipóteses uma das mais importantes ou interessantes no processo de investigação científica experimental. Há os que semeiam - os que imaginam, os que intuem - há os que desempenham o papel de parvos e há depois os espertos, os que colhem, os chicos espertos que confirmam laboratorialmente ou estatisticamente ou matematicamente as hipóteses de trabalho lançadas pelos imaginadores, pelos visionários, pelos tolos lúcidos, pelos inconformistas, pelos maus fígados, pelos intolerantes, extremistas e fundamentalistas.

É uma função ingrata, esta, de ser vampirizado por aproveitadores profissionais, os quais, por definição e carreira (bem remunerada) se aproveitam das ideias ensaiadas pelos que não tinham nada mais do que ideias (tristes).

Eu chamo a isto - a mania ou monomania das intuições - um defeito e não um mérito meu. Se eu tivesse faculdades para ter entrado na Faculdade, se tivesse memória para decorar calhamaços de uma qualquer especialidade, se tivesse sido tentado por um lugar de ascenção na hierarquia universitária, outro teria sido com certeza o rumo.

Se me agarrei à imaginação e à intuição, é porque não tinha mais nada, nem memória, nem inteligência, nem dinheiro, nem grandes capacidades de arquivista documentalista.

A memória, aliás, perdi-a praticamente toda quando emborquei dezenas de frasquinhos de librium (comprimidos) que era na altura a droga que estava na moda para atacar a depressão e simultaneamente o fígado, mas também a memória, que queima como um ácido corrosivo.

Fiquei sempre, pois, no «lumpen proletariat» da inteligência e hoje, ao enfrentar um computador, córo de vergonha, encolho-me de medo, faço figura de analfabeto da informática mas também de andrajoso pedinte que entrasse na Pastelaria Suiça ou na casa nobre de Sua Senhoria o senhor visconde. Sinto-me o Camilo Castelo Branco a dizer que cegou por causa de um aparo da caneta com que escrevia.

Serei sempre um analfabeto de computadores em particular e das novas tecnologias em geral, de todas as modas rápidas deste «fast food» generalizado.

Serei sempre um desclassificado e enchi versos a dizer isso com a maior clareza.

Meto-me a discutir com os doutores - mas não sou, obviamente, o Menino Jesus. Não posso, nem quero, evidentemente, colocar-me no terreno deles - o da erudição, o da estatística, o dos gráficos, o das nomenclaturas arrevesadas, anglosaxónicas de preferência, em que sou igualmente analfabeto.

O que peso do sistema médico, o que penso do sistema informático, o que penso do sistema socio-psicológico de Ensino, o que penso dos Gulags sociais e político-partidários, o que penso da morte e o que penso da vida, não foi nem podia ter sido retirado dos grandes manuais enciclopédicos da ciência estabelecida, aos quais nunca poderia ter acesso, embora tenha alguns (para consulta...) aqui na minha biblioteca.

No conjunto, guiei-me apenas pelas minhas ideias - nas quais, confesso, já acreditei menos do que acredito hoje. E por esta razão: já tenho a perspectiva do tempo, já tenho duas décadas para poder saber e confirmar, o preto no branco, se afinal só disse e escrevi e publiquei enormidades ou se as enormidades que então disse, escrevi e publiquei são as grandes verdades do momento científico.

E não se pense que, à conta da caridade cristã, me vou calar e não vou, um por um, apontar os que me chularam as ideias e me atiraram, como se eu fosse a casca, para o lixo.

Os anos que me restam, no horror de um emprego que odeio, no horror de uma vida que me cansa, é apenas para pôr um bocado de ordem nesta bagunça.

É caso para dizer que me cago nos projectos de acção todos que alimentei (e que os donos, senhores e doutores me abortaram) e fico apenas com um projecto: vingar-me da canalha que me chulou as ideias e que ainda hoje quer fazer passar por boas as suas imposturas e fanfarronices.

Tanto se me dá que o mundo corra para baixo como para cima, que rebente ou que se desentranhe em flores. O que me dá , sim, é que das mil e uma ideias que tive - porque não tinha mais nada para ter - e pelas quais fui perseguido e chatiado, irei demonstrar, uma por uma, que tinha vinte anos antes a razão que querem ter hoje vinte anos depois.

Claro que a instituição científica existe para provar só o que convém às outras instituições - suas amigas - que ela serve zelosamente, não existe para provar que é verdade e apenas verdade.

Mas saber que tenho ou tive razão só me dá gozo para poder dizer, escrever e publicar que me estou cagando para isso e que ter ou não ter razão também não me interessa.

Verdade, verdadinha, estou-me cagando para os doutores. E é isso o que me continua a dar um certo e relativo gozo.

Relativamente à mentira da ciência e às verdades da intuição, quero relembrar uma questão de fundo que não tem sido suficientemente analisada, nem sequer citada e de que, no entanto, depende tudo o que se disser sobre o fundamento da moderna religião que é o cientifismo.

Se tomarmos como exemplo a medicina - que é sempre, como exemplo, modelar - verificamos que a maior parte das campanhas que se desenvolvem no seu seio, são baseadas em meras teorias que, como todas as teorias, nunca foram verificas nem o serão jamais.

As teorias só permanecem enquanto não vierem outras, ideologicamente mais convenientes, para as substituir.

Na medicina, como nos outros ramos que se reclamam das ciências humanas, permanecem apenas aquelas teorias que mostraram servir melhor a indústria anexa e não as que se aproximaram mais ou menos de uma eventual verdade científica.

A teoria microbiana, por exemplo, que é uma anedota do ponto de vista estritamente racional (é mesmo o cúmulo da irracionalidade) persiste e monopoliza toda a ideologia médica (agora com a fixação neurótica da sida) exactamente porque se mostrou muito rendosa para a indústria.

Não resolve é nenhum problema de saúde. Aliás, em medicina não interessam as teorias que resolvam problemas de saúde mas as que conseguem fazer proliferar doenças, doentes e medicamentos.

A instituição médica vive exactamente dos que vai adoecendo, muito mais dos que vai matando ou curando. Vive dos doentes que vai produzindo, adiando, agravando, como há-de desistir da teoria microbiana que lhe fornece doentes em progressão logarítmica?

Na perspectiva da verdade científica - se é que tal coisa existe - vale mais uma intuição razoavelmente inteligente ou mesmo sensata do que uma teoria irreversivelmente irracional.

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<89-10-28-di> - diário de um idiota – publicado em cpt? – ecos de ecologia humana – não sei se deveria ter escrito e muito menos publicado este desatino idiota: mas a verdade é que não disse nada que não fosse verdade e nada que não continue, todos os dias, a ser a rotina na nossa democracia pluralista: democracia para quem?

LÓGICA PERVERSA

GREVES CONTRA O POVO

28/10/1989 - A política do quotidiano e a ecologia humana como pedra angular de uma antropolítica que não se limite a espremer até ao inverosímil o pacífico e pacato cidadão, foi tema desta crónica, em sábado anterior.

Entre os aspectos particulares que ficaram por indicar, refiro hoje o das "lógicas sectoriais" de grupo com impacto opressivo sobre os indivíduos .

Digno de nota, com efeito, neste processo diário de "lixar o próximo" - que, como dissemos, é regra de oiro do Poder em Portugal - não deixa de ser curioso que as mais legítimas reivindicações de (grupos sociais) oprimidos sirvam, elas também, para oprimir (ainda mais) outros oprimidos.

A pura perversão.

As greves que se fazem, no legitimo propósito de defender os direitos ofendidos de alguns trabalhadores, servem , na prática, objectivamente, para chatear ainda mais o já chateado cidadão anónimo e sem poder reivindicativo.

Greves como as dos transportes públicos, dos professores ou dos bancários parecem não ter, na prática , outro efeito que não seja o de chatear o Zé Povinho.

Já sei que dizer isto é perigoso e considerado de direita, já sei que esta crónica vai ser rotulada de reaccionária. Nesse caso, sempre que venho aqui em defesa do cidadão e dos seus direitos, sou reaccionário. Mas isso não altera um ápice a realidade, venha ela da chamada esquerda ou da dita direita: o fascismo quotidiano é sempre, para quem diariamente o sofre, bastante reaccionário, graças a Deus...

Ao ouvir a proclamação dos professores grevistas - que ameaçam liquidar o ano lectivo a milhares de crianças, se... - o subconsciente colectivo da chamada opinião pública, estremece, mas, simultaneamente, por um mecanismo automático, autosilencia-se: é demasiado absurdo para ser verdade.

E as pessoas julgam-se a sonhar, ou algures num planeta distante fora da Galáxia. Impossível ouvir o que se ouve, mas a verdade é que se ouve.

Tal como se, em plena greve dos "agulheiros do céu", por exemplo, se deixasse no ar, a insinuação, ("inacreditável", "impossível") , de deixarem cair os aviões, se...

Freud falou em "censura psicanalítica'' e, embora estivesse longe de assistir a uma perversão tipicamente moderna como esta, de que nem sombras ainda havia, na altura, a verdade é que uma premonição se continha na palavra "censura"...

Quando a chamada "opinião pública" depara com algo que, de tão absurdo, de tão ilógico, de tão impossível, de tão inacreditável, de tão incrível, ultrapassa a racionalidade humana, o mecanismo interno de autocensura colectiva, funciona automaticamente como válvula de segurança.

Há coisas que, agredindo de uma tal maneira a consciência moral que ainda nos resta, nos colocam perante o dilema; ou eu estou sadio de juízo e a irracionalidade que estou vendo ou ouvindo é impossível; ou o absurdo que estou vendo, que estou ouvindo é a expressão da pura racionalidade e , nesse caso, estou louco.

O melhor, em tal caso, é desligar. Rodar o botão e desligar. O que é uma variante, apenas, da citada censura.

Cada grupo social, ao reivindicar, junto do Poder, os seus direitos, regalias e privilégios, usa as armas que tem.

Um "agulheiro do céu" ameaça deixar cair os aviões que tem à sua guarda com as pessoas lá dentro, se...

Um trabalhador do gás, insinua que fará ir Lisboa pelos ares, se...

Um jornalista ameaça deixar milhares de sedentos leitores a pão e laranja, se...

Um médico ameaça fazer tréguas nos hospitais, deixando os doentes sem polícia durante algumas horas, se...

Um professor ameaça mandar pró galheiro o ano lectivo de milhares de crianças, se... se...

Um trabalhador ferroviário ameaça descurar as regras de segurança do comboio, se ... (ver onda de desastres ferroviários em Portugal, no ano das lutas reivindicativas contra a CP).

Sendo a greve um direito fundamental do trabalhador e não tendo o oprimido outra maneira de fazer valer o seu protesto, as suas reivindicações, as suas aspirações a uma vida melhor, qualquer acção dos grevistas fica moralmente legitimada (uma espécie de "legalidade revolucionária") pelos objectivos propostos. Como diria o outro, os fins justificam os meios.

É o momento em que o maquiavelismo típico do poder e dos exploradores , se translada para os explorados: os fins justificam os meios, também no caso dos que, recorrendo à greve, usam a vida e a segurança de outras pessoas (eventualmente tão trabalhadoras e tão exploradas como os grevistas) como moeda de troca para obterem "concessões".

Fazer com que pessoas usem outras pessoas como "moeda de troca" é a vitória suprema do poder dos exploradores sobre os explorados.

"Moeda de troca" cheira a comércio e a coisificação da pessoa humana (conceito do materialismo dialéctico que lhe chama reificação): vira-se assim a alienação contra as próprias vítimas da alienação, a opressão contra as próprias vítimas da opressão.

O que faz a classe dominante cantar de galo é esta inversão ou perversão da lógica inerente à luta de classes. Algo, por exemplo, haverá de mais afrontoso contra os explorados e oprimidos do que as greves nos transportes públicos?

A classe dos exploradores obriga os explorados à indignidade máxima para sobreviver.

Por isso as guerras da actualidade nada têm, na sua maioria, a ver com a lógica guerreira ou marcial antiga, são apenas formas perversas e pervertidas da luta de classes.

Está em curso, neste processo, uma lógica perversa, que não só induz os grupos sociais a atacarem outros grupos sociais, como os obriga a silenciar semelhante perversidade.

Auto-silenciando-se, o assunto torna-se tabu, forma de censura (como já tenho aqui escrito) muito utilizada nos chamados regimes democráticos.

LINKS TEMÁTICOS

A. macrocensura e a lógica reivindicativa dos grupos sociais sectoriais

Quando o oprimido se volta contra outros oprimidos

A perversão fundamental é quando a luta de classes se "internaliza" na própria classe dos oprimidos

Quando a irracionalidade racional de uma lógica sectorial de grupo atinge os limites do absurdo, os mecanismos conscientes e subconscientes de autocensura interna começam a funcionar

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<90-10-28>

<ecoequiv ><diário>

 

UMA VERGONHA

28/Outubro/1990 - Espera-se que nas próximas eleições à PR surja um candidato com 36 anos, rabo de cavalo, charme quanto baste, «look» convincente, para encabeçar um grande movimento a favor dos que sofrem da doença de Alzheimer.

E, se possível, alguém que se lembre também dos seropositivos portadores do vírus verde da sida, que agora já até ataca os altos quadros executivos, não poupando ninguém, numa escalada vergonhosa a caminho do top.

O vírus deixou de ser exclusivo de macacos, portoriquenhos, pederastas passivos e outros marginais: agora pode atacar todo e qualquer executivo. Uma vergonha!

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1-1 <90-10-28-di-cc>

1047 caracteres <ciencia1><diario> o diário das siglas

IDEOLOGIA CIENTIFISTA:
ÚLTIMO REDUTO

28/Outubro/1990 - Podemos estar descansados que, depois de o Ambiente acabar por ser defendido por todos os partidos, por todos os candidatos à presidência, por todos os jornais inclusive os que nunca falam disso, ou os que mais falam disso, por todos os industriais das indústrias antipoluição, por todos os macários e reais, por todos os autarcas e candidatos a autarcas, por todos os poluidores e hiperpoluidores, por todos os mercados e supermercados, descansemos que, depois desse consenso, dessa unanimidade próambientalista, o terror nuclear, o terror químico, o terror químico-alimentar, o terror tecnológico acabará sempre por reentrar outra vez com a imagem limpa e bem escovada, pela porta sempre aberta da grande ciência, da divina neutralidade da ciência!

A ciência voltará a provar que, afinal, a poluição dá mais vida e quanto mais crimes contra a vida, a natureza, o ambiente e a pessoa humana, mais progresso há! A insustentável força da ideologia!

<90-10-28-dc> <neofasci>

SUBLIMINAR

28/Outubro/1990, domingo, às seis horas da madrugada - É então que os velhos alvos do «odioso» retornam aos «media». Leiam-se certos semanários que querem passar por independentes, irreverentes, críticos do status quo, etc. e aí, as velhas instituições do conformismo, da reacção - Igreja, Exército, por exemplo, ou, por exemplo, o Partido no Poder, ou a Televisão do Estado) são alvo de mofas, troças, críticas, etc.. É a forma da extrema direita ideológica se assenhorear da maioria irreverente, que já não vai em drogas clericais e militaristas. A malta, agora, quer é rock, e daí que a grande cruzada religiosa do nosso tempo tenha sido travada em defesa de uma «boîte».

Ir contra os acessórios da Igreja ou do Exército, portanto, faz ganhar leitores na massa da juventude. Uma vez caçada - é-lhe administrada, subliminarmente, a dose de conformismo que interessa. Deus já não está na Igreja, nem o Nosso Pai está já no exército, nem os nossos santos na Televisão do Estado. Mas no dinheiro. A ideologia, a religião do dinheiro, tem na cultura da «boîte», do vídeo clip e do copofone o seu suporte mais seguro!

<90-10-28-di><1990>

bodexp - diario

 

UM ESTRIPADOR ÀS DIREITAS

LOBBY DE OPINIÃO

28/Outubro/1990, às 9 horas da manhã - Jack, que já fora o Estripador de serviço para prover, como bode expiatório, à absolvição dos estripadores da classe dirigente (ou da classe dirigente estripadora), aí está de volta, envolto em névoas e enquadramentos ennevoados, com uma cor de «granada television», a conseguir conter a fúria e a cólera das massas telespectadoras, na iminência de se esparramarem sobre as cabeças dos estripadores da classe dirigente (ou da classe dirigente estripadora).

Viva o estripador, a quem as mulheres diziam: «Vem, Jack, meu querido - estripa-me».

<judeus-2 > 1736 caracteres <lobbyju><diario de um idiota atrevido>

DE UM ANTI-SIONISTA PRIMÁRIO

28/Outubro/1990, domingo, às seis horas da madrugada - O grande cancro, o grande óbice do «lobby» judaico internacional é que não tem mão nas suas próprias delegações regionais. A ideologia liberal fascista tem destes inconvenientes práticos.

E é assim que os judeus de Londres, de Paris ou de Nova Iorque, encheram de armas o Iraque de Hussein e agora gritam aqui del rei. E aqui minha raínha, dizem os ingleses, porque eles - os sacanas dos iraquianos - têm armas até aos dentes.

Mas para que lhas venderam então? Pensaram eles que Sadam as queria para comer de cebolada? O que há-de tramar a parte do «lobby» judaico que desempenha, no teatro do mundo, o papel humanitário e pacifista, é a parte negociante e estruturalmente comercial desse «lobby» - que tudo sacrifica à subida dos lucros. Que a humanidade se afunde num holocausto de guerra química-nuclear, mas que as sete multinacionais do petróleo tenham duplicado este ano os seus lucros - eis a moral desta história que torna moral as façanhas de qualquer facínora ou estrangulador de Boston, ou (...), monstros que mesmo o «lobby» judaico do Negócio produz em filme para criar alvos ou bodes expiatórios (por onde o ódio das massas telespectadoras convenientemente se escoe).

O chamado liberal-fascismo tem destas contradições estruturais, inerentes ao seu próprio funcionamento. Os judeus de alto rang não podem viver sem estar a matar alguém em qualquer parte do Mundo: e de preferência alguém que racicamente esteja mais afastado da raça branca, ariana, um negro ou um africano, de preferência.

Mas depois o Hitler é que foi o mau da fita. Bom da fita é quem manda hoje chacinar palestinianos! Às três em ponto de la tarde!

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1-1 < 91-10-28-ecc> ecos da capoeira

1792 bytes <setemb13><adiario> ecos

 

O VÓMITO EM COUCHÉ

28/10/1991 - Folhear estas revistas de luxo, que derreiam os pulsos de as pegar, com publicidade à qualidade de vida que se goza na urbanização de luxo da falésia da azarujinha, aos automóveis de luxo, à Sagres, [ ] -- é como se a vida se passasse sempre numa gare de aeroporto internacional existisse, sem dormir, para toda a gente, as 24 horas do dia.

Ou como se um orgasmo se prolongasse por dias seguidos, sem limitações fisiológicas. Como se o orgasmo também fosse produzido por uma máquina e bastasse meter a moeda para sair aos litros.

Ou como se todos habitassem em Miami, em Nice, no Estoril, na falésia da Azarujinha, e não houvesse bairros da lata nem os zombies de Moçambique e Etiópia, nem trigo envenenado por mercúrio, nem.

Qualquer destes semanários é um vómito dos que morrem de indigestão, enquanto milhões morrem de fome, vómito contido em papel celofane. Com o cheiro do vómito, porém, e o aspecto tecnicolorido de um vómito.

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<da-3> <diario92> - cartas de um aprendiz aos amigos mais próximos - sos esperança - relendo etienne guillé -  10689 caracteres -

METAIS/MINERAIS:

QUEM AJUDA A DESCOBRIR O MISTÉRIO DO CANCRO?

 

 28/10/1992 - Uma mineralização intensiva, profunda mas harmoniosa é o único antídoto contra as metalizações caóticas, por excesso ou por defeito, desde a descalcificação clássica à avidez de Ferro, por exemplo, da célula tumoral.

Esta a brilhante conclusão a tirar, depois de estudar muitas e desvairadas ciências, ler centenas de páginas, consultar uma dúzia de autores, sobre o complexo processo dos metais/minerais no organismo humano. Depois de saberem tanto, eles - os cientistas - também chegam à conclusão de que sabem pouco. E ainda há pouco tempo o eminente biólogo português Fraústo da Silva conquistou o prémio «Boa esperança/1991» pelo seu trabalho, escrito em inglês, sobre os metais: «The Biological Chemistry of Elements - The inorganic Chemistry of Life».

Mas lá haver um que faça uma vez por todas a síntese deles todos e, fazendo o ponto da situação, ajude a resolver problemas tão trágicos como o do Cancro, isso está quieto. Observam, analisam, investigam, estudam, descobrem, mas ser útil à espécie humana, já, está quieto. Nunca é o momento: lá para daqui a 5, 10, 20 anos, quando a ciência estiver mais desenvolvidinha, eles talvez nos ajudem a livrar do cancro industrial, o tal que está no ambiente e que eles estudam há dezenas de anos, enquanto o ambiente se torna cada vez mais cancerígeno. A vontade que dá e sem ofensa, é mandá-los berda merda, graças a Deus.

E é assim que chegamos a este absurdo. Eu, leigo em tudo, é que tenho de os ler, estudar, catrastudar, para obter alguma escorrida solução e ajuda nesta complicação de sais, metais, minerais, etc e tais. Eu que não percebo nada de iões, nem de pesos atómicos, nem de translocações, nem de heterocromatinas constitutivas, nem de moléculas, nem de ADN, nem de sequências repetitivas, nem de bomba sódio-potássio, nem até de yin-yang, nem de (...) é que tenho de ficar em stress e de língua de fóra para juntar os bocados do puzzlle que eles todos, os brincalhões, levaram as suas eminentes vidas a separar. Eu que não percebo patavina de citosinas, argininas, iões metálicos, (...) é que tenho de ficar noites sem dormir a decifrar o que eles disseram de Sais, Metais, Oligoelementos, Fosfatos, Nitratos, Mutação, Transmutação. Eu, que me chateio de tudo, é que tenho de ir ler o chato do Kervran, e tentar puxar uma das pontas principais da Meada que é a das transmutações a baixa energia.

Não era tempo de os terapeutas, os doutores em Macrobiótica, os Operadores do Pêndulo, juntarem-se aos sábados para tentar fazer o ponto da situação sobre Metais e Minerais na Cura do Cancro? O sentido das prioridades é um sinal de acerto entre o canal humano e o canal cósmico. Sendo assim, estamos todos muito desorientados, face à inversão de prioridades que vemos por aí.

O CVD

As pessoas, especialmente as pessoas cultas, riem-se do Chá dos Vegetais Doces (C-V-D), a fórmula-milagre descoberta e proposta por Michio Kushi em casos de desmineralização ou, pior, de mineralização caótica. Pois é. A fórmula é artesanal, barata, universal, não mete aparelhos complicados e não é subsidiada pela Insegurança Social. Acima de tudo, não é um bom negócio para laboratórios de síntese... De forma que nos mandaram rir dela.

No entanto e que eu saiba, as pessoas não se riem das várias respostas que as várias e desvairadas ciências (não) têm dado à questão básica do mistério tumoral: porque é que a célula cancerosa é ávida de metais? E como ultrapassar, numa fase terminal, essa contradição mortal, esse círculo vicioso? Não é, com certeza, pelas sessões de Cobalto e pelas sequelas do Cobalto. Sequelas que podem ser, por exemplo, dificuldades de eliminação a nível do sistema linfático e circulatório. Em casos mais simples, como o de hipo e hiperglicémia no sangue, a resposta não será uma «harmonização mineral» que nenhuma das muitas e desvairadas ciências médicas ainda conseguiu descobrir, remetendo o problema para a «prótese» da insulina tomada em forma sintética? Mas o segredo desta abelhinha pode chamar-se, apenas, carência de Crómio. Só que, quando se trata de minerais, a carência de um é arrastada pelo excesso de outros e entra-se, de facto, no cáos, até hoje irresolúvel. O cáos da medicina e das medicinas actuais está 90% aqui. Talvez a terapêutica sectorial do Germânio, estudada pelo Serge Jurasunas, não sendo a resposta total, possa ser pelo menos um resposta, menos risível do que as que a Medicina (não) dá.

Se vou, como leigo às escuras, para o CVD, não é porque o CVD seja uma coisa por aí além mas porque, depois de tudo, olhando à volta de tanta ciência, de tanto livro, de tanto cientista, de tanta tinta e salivas gastas, só o CVD nos dá a resposta (mais) sensata: e só o CVD é susceptível de ser o ponto de partida para um cocktail «mineralizador» ainda mais completo, que dê a panaceia universal anti-Cancro. Mas, nesse caso, seria anti-todas as doenças.

Quando conhecemos a resposta do maior sábio do nosso tempo a esta big questão, ainda ficamos mais descorçoados. Quando à pergunta «É possível livrarmo-nos dos metais nefastos?», o genial Etienne Guillé responde, como ele diz, com certa «brutalidade», estremeço de medo. Se, como ele diz, só há uma maneira de responder à magna questão das questões - pelo stress - a resposta é de facto brutal e assustadora... Para suavizar, ele chama-lhe «stress positivo». E como terapêutica específica, aponta uma fórmula sectorial com base em Cobre radioactivo, que muito faz lembrar a do Cobalto radioactivo. No entanto, não poupa as necessárias críticas à Quimioterapia do Cancro, tal como ela se está fazendo hoje em dia. No mínimo, é uma resposta nada holística, em um homem que se pode considerar o autor da abordagem holística mais vasta e espantosa a que assistimos no mundo actual. Se para ele só o Stress consegue abrir as moléculas de ADN para permitir aos metais errados sairem dos sítios errados, é preciso acreditar, com fé em Deus e nas pessoas, que há, que tem de haver outra forma de abrir as células para de lá sairem os metais mortíferos. Se para sair de um stress que é o da doença, só há saída em outro stress... acabamos por descrer de que haja uma saída. Para tirar o Sal do Organismo, quem senão a Macrobiótica propõe sequer um único meio, um único processo, um único alimento? Mais: quem, de terapeutas e doutores, sequer se preocupa com o flagelo do Sal, para lá das peripécias rocambolescas do Dr. Rego de Aguiar, que só vê os melefícios do Sal nas cardiovasculares? A Macrobiótica pelo menos avança com o que sabe e a experiência comprova: o Cogumelo Chitaqui. Aos que dizem que é pouco, respondo que é melhor que nada. E nada é a resposta que as ciências todas dão ao terrível e grande problema do Sal no organismo. Que é o mesmo problema dos metais no organismo. E o CVD, pelo menos, é uma resposta holística, por mais humilde e risível que seja.

CRÍTICA DE GUILLÉ AOS MÉTODOS ORIENTAIS

A propósito de holística, diga-se que Etienne Guillé é bastante crítico em relação aos métodos orientais, porque - segundo ele - trabalham com o corpo para atingir o espírito, quando ele entende que deve primeiro trabalhar-se com o espírito para atingir o Corpo. É uma opinião. Isso não o impede, no entanto, de encontrar nos 64 hexagramas proto-chineses do I Ching uma réplica extraordinária do que ele próprio descobriu, como geneticista, nos 64 tripletos do ADN e de acreditar na Acupunctura, visto haver muitos operadores desta nova escola que fazem acupunctura. Mas Etienne Guillé não vai muito mais longe na apreensão e uso do método yin-yang. E se cita Kervran, um autor que também influenciou Oshawa e Michio Kushi, é apenas por citar. O princípio das transmutações a baixa energia não tem depois seguimento no trabalho proposto por Guillé em matéria de metais. Como aliás também não teve nos trabalhos de Oshawa e Michio. Etienne prefere inflectir para o campo fascinante mas especulativo dos metais alquímicos, matéria que nos poderá dar informações importantíssimas para um próximo futuro mas que não é tão urgente como este de atacar, de frente, o Dragão do nosso tempo e Mundo que é o cancro.

Mas Etienne Guillé já conseguiu tanto, na sua obra fabulosa de sábio, de iniciado, de génio, de homem predestinado e Mensageiro da Boa Nova, que não é obrigado a mais. Obrigados somos nós, seus leitores e aprendizes, nomeadamente os operadores do Pêndulo, a desenvolver as pistas que ele deixa em suspenso. Se um acupunctor ignora a macrobiótica e vice-versa, está a bloquear uma ponte de passagem da informação. Sendo o tronco o mesmo, a cosmologia yin-yang, é estranho (para não dizer palavra mais dura) que os ramos ignorem o mesmo tronco e as mesmas raízes. Praticantes das artes marciais, doutores em Macrobiótica, Acupunctores, agem como se não tivéssemos nada a ver uns com os outros. Se a démarche hoje é holística - e não há salvação possível fóra dela - há de facto muito pouco de holístico neste virar de costas entre oficiais do mesmo ofício, ou seja, entre utilizadores do mesmo grande princípio do yin yang que é uma Cosmologia e que, portanto, não se deixa atingir pela crítica que faz Etienne Guillé aos métodos orientais de partirem do Corpo para atingir o Espírito. (Ver pg. 39 da conferência Sorbonne-Richelieu). A verdade é que o próprio Etienne Guillé, quando fala dos Metais, é ao nível do Corpo que também fala. E do corpo ao nível mais material - o ADN.

Se os Metais, no entanto, servem de transmissores das mensagens vibratórias vindas do Cosmos para o Microcosmos, temos que dar atenção aos Metais, por mais carregados de Maga condensado que eles estejam. E estão. E não será a sociedade industrial o Maga mais condensado do Maga condensado? E a ciência, como autora desta sociedade? E não terá Etienne Guillé que mexer nele, no terror químico, no terror científico, para abrir o microcosmo ao macrocosmo? Tudo o que pudesse evitar esse contacto com o Maga condensado da Biologia Molecular, por exemplo, já seria terapêutico, valha-nos Deus, que é Espírito. No entanto, dos antibióticos - uma ponta desse horror - Etienne diz na sua conferência de 23/6/1990, na Sorbonne-Richelieu: «Alors, bien sur, les antibiotiques, je n'ai rien contre, ils ont fait des progrès».

Perplexidades destas só se perdoam, de facto, a um homem que é de facto um dos que mais estão ajudando a sair a humanidade desta época de horror, deste tempo de antibióticos, vacinas, corticóides e SIDA, deste fim de Kali Yuga.

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1-1 < 92-10-28-ecc> ecos da capoeira

<naif-4><spots>-583 caracteres

 

A ESTUPIDEZ

EM CONCENTRADOS

DE POUCOS MINUTOS

 

Nariz entupido?

All Mentoliptos com acção vaporizante

Tártaro é tão feio!

O novo pepsodent flúor clinicamente testado, previne o aparecimento do tártaro e previne contra a cárie

Cabelos lindos?

Devo-os à caspa. O novo linic

Contra dores de cabeça e constipações?

Eu dou-me bem com melhoral

Quitoso

Elimina lêndeas e piolhos

Tosse, rouquidão, dores de garganta

Mentolax alivia

Dores reumáticas e musculares - alívio rápido - ozonol creme

Rouquidão e dores de garganta

Pastilhas Bimil

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<92-10-28-IF> = inéditos favoritos ac - ficções - 1737 caracteres

<naif-1><naif><ficcoes>

 

Cabo, 28/10/1992 

 

Se um dos reis de Portugal foi o «Formoso», todos os outros, com certeza, deviam dever muito à formosura.

Se houve um «justiceiro», todos os outros foram no mínimo carrascos nojentos.

Se um ficou conhecido por «Perfeito», todos os outros, coitados, ficaram a quilómetros da almejada perfeição.

Se a um cognominaram de «Bravo», posso imaginar que belos covardolas me saíram os outros.

Se só um saiu «Bolonhês», quantos minhotos terá havido? E noruegueses?

Se um passou à história com o epíteto de «Fundador», que teriam sido os outros além de meros afundadores?

Se um era «Gordo», credo, que horror, aí temos dinastias inteiras de Magros.

Se um ficou «Capelo», quantos teriam sido à Borla?

Se um morreu como «Povoador», quantos não terão contribuído para a explosão demográfica e o respectivo défice sociológico?

Se um foi «Pio», imagine-se quantos ímpios se sentaram no trono.

Se alcunharam um de «Prudente», o regabofe dos restantes fica denunciado.

Se um se notabilizou como «Opressor», que farão os outros todos?

Se um deixou memória de «Patriota», calcule-se quantos filhos da Mátria não trairam a Pátria.

Se só um se lembra como «Diplomata», os outros todos cuspiam de certeza na sopa.

Se um deixou fama de «Popular», quantos terão governado contra o Povo?

Se um só podia ser o «Absoluto», a Monarquia Portuguesa é uma espécie de relatividade generalizada.

Se um lutou até chegar a «Rei-Soldado», quer dizer que os outros todos nunca passaram da recruta.

Se um deixou marca de «Clemente», quantas inclemências, Meu Deus, não espalharam todos os outros?

Se um era o «Magnânimo», quantos unhas de fome não houve pelas três dinastias afóra?

E se «Piedosa» só foi a D. Maria, que falta de caridade não seria a dos compinchas seus camaradas, antes e depois?

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SÁBADOS DE ACTUALIZAÇÃO

EM DIAGNÓSTICO E AUTOTERAPIA

Remédios Florais de Bach, Iridologia Holística, Oligoterapia, Cromoterapia, Radiestesia Prática e Musicoterapia, são as seis primeiras matérias dos «ciclos de actualização» que a Sociedade Portuguesa de Naturologia vai realizar, já a partir do próximo dia 28 de Outubro de 1995, entre as 14.30 e as 17.30 de cada sábado.

Ao celebrar o seu ------aniversário, a Sociedade Portuguesa de Naturologia pretende, com esta iniciativa, dinamizar as suas actividades próprias e renovar, cada vez mais, o papel pioneiro que, desde -----, data da fundação, tem desempenhado na sociedade portuguesa.

Os ciclos de actualização destinam-se a todos os nossos sócios que se interessam por autoterapia e diagnóstico e só se realizam com o número mínimo de 12 inscrições. O pagamenrto de 5.000$00 por cada conjunto de 9 horas, é antecipado e não contempla desistências.

Ciclos com datas já marcadas:

REMÉDIOS FLORAIS DE BACH, pela Drª Maria José Ferreira Martins, pediatra :

Outubro de 1995: Dias 21 e 28, das 14.30 às 17.30

Novembro de 1995: Dia 4, das 14.30 às 17.30

 

Neste momento (10/Outubro), a SPN aceita sugestões de especialistas para realizar «ciclos de actualização» em Cromoterapia e Musicoterapia.

---------------------------------------Cortar por aqui ---------------------------------------------->

Estou interessado em inscrever-me/receber informações (*) sobre os ciclos de Astrodiagnóstico, Cromoterapia, Iridologia Holística, Musicoterapia, Oligoterapia Radiestesia Prática (Diagnóstico), Remédios Florais (*)

Nome_______________________________________________________

Morada( c/ código postal)________________________________________

Telefone ________________

Data de nascimento____________Profissão ______________________

(cortar e enviar para SPN, Rua do Alecrim, 30-3º- 1200 Lisboa, ou telefonar para 346 33 35 )
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(*) Riscar o que não interessa

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PRINCÍPIOS DE NOOLOGIA

GUIÃO DE ESTUDO EM MEDICINA ENERGÉTICA

 28/10/1996 - Se o macrocosmos é igual ao microcosmos humano , como indica o grande princípio hermético da Homologia (simetria) , deveremos contar com ele para o estabelecimento de uma medicina Energética, a que chamaríamos, de forma mais correcta, uma Noologia Clínica , sendo Noologia o antigo termo usado para designar aquilo que mais recentemente se chamou Psicologia.

Noologia é a ciência do Espírito e tudo depende do conteúdo que pusermos dentro da palavra Espírito, a palavra mais polémica da actualidade.

Mas, como dizíamos, se o macrocosmos reproduz o microcosmos (e vice-versa), o terapeuta das medicinas energéticas deverá enquadrar a sua acção (diagnóstico e terapia) em alguns princípios que decorrem daquele, grandes, médios e pequenos princípios orientadores de uma prática diária.

Esses princípios são, para uns, demasiado abstractos e filosóficos (metafísicos dirão) e para outros demasiado óbvios.

Ambos os lados têm razão:

a) São, de facto, princípios abstractos, filosóficos e metafísicos - mas se o macrocosmos está no microcosmos e viceversa, são os princípios que animam a vida concreta e incarnada do ser humano, pelo que deverão estar presentes no dia a dia do terapeuta

b) São também princípios óbvios, porque traduzem leis universais, sejam elas as do macro sejam as do microcosmos, leis inscritas desde sempre na consciência universal dos povos

c) São princípios do senso comum e do bom senso porque, apesar de esquecidos pela mentalidade da ciência ordinária, eles permaneceram no inconsciente colectivo dos povos, à espera que os desocultem e que tragam outra vez os grandes arquétipos ao plano da consciência diurna.

Enunciemos alguns desses axiomas que orientam a medicina energética:

- A homeostasia ou autoregulação do ser vivo figura entre os princípios de cura mais importantes, pois dele derivam todos os processos que levam à reacção do organismo, face a um problema, desequilíbrio, crise, stress ou distúrbio

a) - Como corolário do princípio anterior, diremos que o organismo vivo tem uma inteligência natural que o autoregula (homeostasia) mas essa inteligência encontra-se adormecida (estagnada/bloqueada) por um conjunto de factores que as terapias energéticas deverão remover (ver alínea onde se fala de sinergia a acção sinérgica)

- Do princípio da Homologia cósmica deriva o princípio do Continuum energético, expresso na pirâmide dos 7 corpos visionada por Rudolfo Steiner e que serve de alicerce de trabalho ao terapeuta de radiestesia holística mas a todos os terapeutas energéticos, seja qual for a sua área privilegiada de actuação (especialidade)

- Todas as terapias, em princípio, são energéticas, mesmo as terapias médico-farmacêuticas: a diferença reside apenas na quantidade ( questão das doses) e na qualidade das energias (a questão das frequências vibratórias) que se receitam, aplicam ou transferem

- Segundo o grande princípio hermético da homologia cósmica (macro/microcosmos) , a existência de um Continuum energético entre céu e terra é o quadro em que qualquer terapia energética deverá inscrever-se.

a) - Corolário deste Continuum energético, é o princípio de que o poder curativo vem de cima para baixo, segundo uma escala hierárquica de valor vibratório ( ver c.m.c. - campos de morfogénese cósmica)

b) - Outro corolário, é o de que as energias de cima anulam as de baixo, ou seja, uma energia de frequência superior cura um sintoma ou doença provocado por energias de nível e frequência inferiores

c) - Outro corolário do princípio anterior diz respeito ao tipo de energia transferido por um medicamento de farmácia: a acção energética de um medicamento começa em baixo e não actua sobre as energias acima desse nível, o que, na prática, leva o doente a descer ainda mais na escala vibratória , ou seja, a adoecer ainda mais. A acção do medicamento químico abaixa os níveis energéticos do doente, o que se reflecte no abaixamento da sinergia, da homeostasia , da imunidade e do tempo de cura (torna-o mais demorado)

d) - A vis medicatrix de Hipócrates ou força vital dos naturistas, é a força de cima e sem ela não há cura possível (princípio da verticalidade). A medicina taoísta chama-lhe Ki e a medicina ayurvédica chama-lhe Prana

e) - Corolário do grande princípio da verticalidade: Antes de se declarar a nível físico (lesão, por exemplo) a doença existe a nível energético. Processos de diagnóstico como o dos pulsos chineses ou o das cristalizações sensíveis por cloreto de cobre revelam as perturbações a nível energético, aquilo que se costuma designar por «diagnóstico precoce». Também a iridologia, diagnóstico do terreno, pode ser considerado um diagnóstico precoce

- A sinergia multiplica os efeitos terapêuticos da terapia energética

a) - Medicamentos, poluentes e intoxicantes químicos em geral (do ar, da água, dos solos) diminuem a sinergia do organismo ou capacidade de transmutação alquímica

b) - A desintoxicação dos tecidos (medicina metabólica, medicina ortomolecular, medicina do terreno)aumenta a sinergia e, portanto, a capacidade reactiva do organismo a qualquer terapia energética

c) - A eficácia de um tratamento energético (acupunctura ou homeopatia, por exemplo) diminui drasticamente se o terreno estiver quimicamente intoxicado

d) - Uma cura energética deverá começar por uma desintoxicação ou desmame de drogas químicas (a mais difícil fase de um processo curativo pela via energética)

- O sistema imunitário está no centro de uma terapia energética causal: o reforço das defesas naturais é função do equilíbrio energético global, do equilíbrio yin-yang como os taoístas indicam, do Factor de terreno PH (Ácido/Alcalino) e da acção sinérgica potencial.

Este princípio é reversível: se o reforço das defesas naturais é função do equilíbrio energético e este, por sua vez, reforça a imunidade (cibernética ou feedback do ser vivo).

a) - O equilíbrio ácido-base, que a medicina metabólica chama PH, é a pedra angular de todas as terapias do terreno

b) - Tratar causalmente é reforçar as defesas imunitárias

c) - Catalíticos e outros medicamentos sinérgicos são, além da alquimia alimentar, uma forma de fazer subir o nível imunitário

- Tudo o que existe e o organismo vivo também, é um campo de morfogénese cósmica (cmc): somos energia, somos «campos de forças», antes de sermos forma material. Um campo de morfogénese cósmica é função do ambiente próximo (alimentação, poluição, agressões da vida urbana, consumos tóxicos, etc) mas também do ambiente longínquo

a) - À luz dos campos de morfogénese cósmica e do Continuum energético, a doença é encarada no todo do ser humano, manifesto e potencial (Ver composição trinitária do ser humano, um dos «alicerces do templo» que indicámos)

b) - É sempre o doente que deve ser tratado e não (apenas) a doença

c) - A doença é sempre uma oportunidade (chance ou convite) de induzir o doente na via iniciática da religação cósmica com o todo (yoga e religião significam, por outras vias, essa religação do micro com o macrocosmos)

d) - A doença é um aviso ou despertador para que o ser humano manifeste o seu potencial criador

e) - Uma doença aguda tratada através dos sintomas, acabará em doença crónica

- A matéria produz energia: quanto mais a matéria se divide e dilui, mais energia produz. Este grande princípio, adoptado pela Homeopatia de Hahnnemann, tem consequências de enorme alcance na prática curativa das terapias energéticas.

- Alergia, por exemplo, é uma reactividade excessiva, e anergia, seu inverso, uma falta de reactividade : à luz do grande princípio hermético da acção/reacção, o equilíbrio energético situa-se entre os dois extremos e portanto num terceiro termo.

a) - Corolário: não se pode tratar uma alergia localmente mas apenas holisticamente, ou seja, energeticamente

b) - A alergia - hiper-reactividade - situa-se no órgão fígado, ou antes, na esfera energética Fígado/Vesícula Biliar que, à luz do grande princípio dos 5 elementos taoístas , entra na sequência energética antes dos Pulmões e depois do Triplo Aquecedor. Conhecer esta sequência é importante para saber, energeticamente, que órgãos se devem tratar ao mesmo tempo daquele que no momento mais se manifesta e mais alto «fala».

c) - Outro corolário: O sintoma agudo , alarme e aviso, é uma reacção de adaptação do organismo a uma nova situação : se o abortamos, torna-se doença crónica (ver número ______) Se tratado causalmente , como sinal, deverá conduzir a uma reestruturação positiva ( Etienne Guillé) ou crise curativa (Hipócrates)

- Grande Princípio ou Lei Natural relacionada com o anterior corolário: de 7 em 7 anos, o organismo vivo muda. Se a mudança (alquimia) se fizer sem bloqueios, o organismo cresce sem problemas. Se estagna - abortando sistematicamente todas as crises sazonais de readaptação, por exemplo - surgem sintomas de estagnação ou doenças, primeiro agudas e depois crónicas.

a) - Exemplo de uma crise natural que, mal entendida, conduz a posteriores doenças crónicas, é o simples resfriado, que a impotência da medicina transformou em gripe viral: o factor vírus, aliás, é mais uma criação da medicina moderna

b) Sem o relacionamento dialéctico entre terreno e agente viral ou infeccioso, nada será entendido: o vírus e a bactéria só existem se o terreno estiver fragilizado e incapaz de a combater

c) A luta antibiótica sistemática é que reforça a acção das bactérias, provocando estirpes cada vez mais virulentas e provoca, como o nome indica, os surtos virais (ver iatrogénese e trágicas consequências)

d) O terreno enfraquece defesas não só por alimentação deficiente e fome mas também por excesso: países do terceiro mundo e países ricos, países da fome e países da pletora, podem assim ter as mesmas doenças de carência e os mesmos surtos virais trágicos.

A vida é ritmo e ordem (filósofos falaram da harmonia ou música das esferas) de onde resulta:

a) - O relógio biológico que o taoísmo revelou em harmonia com um relógio cósmico, o ciclo das estações, o ciclo nictemeral, o ciclo lunar, o ciclo solar, o ciclo zodiacal, etc

b) - A ciência dos ritmos ou Aritmosofia é uma das 12 ciências sagradas indesligáveis de uma medicina energética

c) - Os sistemas médicos da antiguidade inspirados em cosmogonias conhecidas deverão ser recuperados pelos que estudam medicinas energéticas

- O ADN do núcleo da célula de cada indivíduo regista as tendências e vulnerabilidades desse indivíduo, aquilo a que a ciência médica corrente chama «doenças congénitas». Fala a Biologia Molecular de código genético, a que atribui uma imutabilidade: de facto, o código genético é a parte conservadora da célula viva, garantia da perpetuação da espécie, e portanto imutável. Mas com a descoberta do 2º código genético ou código vibratório (Etienne Guillé), o fatalismo genético pode ser drasticamente alterado e ao fatalismo biológico sucede-se a liberdade biológica de evoluir : neste quadro de potencialidades do ser vivo, as tendências e vulnerabilidades ditas «congénitas» podem ser minimizadas ou mesmo anuladas.

A atitude da ciência médica perante a «doença congénita» tem algo de fatalismo medieval ou mesmo de neolítico.

- Da célula ao organismo, as trocas energéticas do ser vivo com o meio ambiente são mecanismos termodinâmicos essenciais à manutenção da vida. A bomba sódio-potássio, em particular, e as trocas intermembranares em geral são um exemplo, a nível celular, dessa relação entre o meio endógeno e o meio exógeno, essencial ao organismo vivo: a palavra alimento tem aqui o seu sentido mais lato. É o que os informáticos chamam movimento de out put/in put.

- O princípio dos 5 elementos energéticos indicados pelo taoísmo tem consequências práticas para o terapeuta:

a) - Corolário deste princípio é o reagrupamento dos órgãos e vísceras em esferas energéticas

b) - As esferas energéticas vão relacionar-se, por equivalência ou correspondência vibratória, com as estações do ano, com as horas do dia, com os sabores dos alimentos, etc ( Ver princípio e quadro das correspondências)

c) - A pele reflecte os órgãos (Ver reflexologia e reflexoterapias)

d) - Várias zonas do corpo podem ser lidas em diagnóstico energético: sola do pé, palma da mão, coluna vertebral, íris, aurícula, etc

e) - As emoções reflectem os órgãos

f) - Os percursos dos meridianos de energia reflectem os órgãos

- «Non nocere» é a expressão latina de um princípio hipocrático que recomenda ao médico nunca prejudicar o doente: é afinal o contrário do que faz a medicina química ( ver iatrogénese), contra todos os princípios não só cósmicos e energéticos mas até morais e éticos: o juramento de Hipócrates deixou de ser respeitado

- Todo o sintoma corresponde a uma causa: princípio da causalidade linear de consequências práticas importantes:

a) Há que tratar a causa para curar o sintoma

b) Reprimindo o sintoma sem ir à causa, o sintoma irá manifestar-se mais tarde sob qualquer outra forma, nomeadamente a cronicidade

c) Sintoma reprimido e não tratado pela causalidade lógica, imunológica, conduz à doença crónica.

28/10/1996

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1-2 <96-10-28-dd> diagrama a diagrama

<mde-2><adn>mde = mapa das energias - 7628 caracteres

 

O MAPA DAS ENERGIAS

 

28-10-1996

É natural que, num território desconhecido e misterioso como é o Mundo das energias, as pessoas procurem um guia para percorrer o caminho. É natural que procurem uma crença e acabem por adoptar alguma. Ou um mestre, um guru. É natural que se deixem guiar por Alan Kardec, mas é também natural que se deixem guiar por Max Heindel, ou que prefiram Madame Blavatsky, essa heroína, René Guénon ou e outros profetas ainda, como Michio Kushi, o génio, Khrishnamurti, esse grande espírito que rejeitou ser chefe da Sociedade Teosófica e que influenciou, graças a Deus, muitas pessoas em Portugal e ainda bem.

Mas Rudolfo Steiner e a Antroposofia também se encontra bem instalado e bem representado em Portugal. Sem esquecer as grandes tradições de fundo - como o Ayurveda, através da disciplina chamada Meditação Transcendental. Mas logo temos aí um outro importante grupo, o do Mestre Mahrashi, isto para não falar dos mais recentes novidades, tipo pronto a vestir, como o Rei Ki, o Chi Kung, da nossa amiga Deolinda, ou dos velhos métodos de Acupunctura do senhor Imperador Amarelo e que hoje o Japão, sempre activista e imperialista, tanto como a China, fez proliferar em subtécnicas muito práticas - tipo pronto a comer - de Do-In, Shiatsu, reflexologia da palma da mão, da sola do pé, etc.

O problema não é, portanto, quem venda e manipule energias a quilo ou a metro, não é falta de caminhos para a salvação da nossa alma e conforto do nosso espírito e paz do nosso corpo, mas uma série de agências de viagens, que fazem bicha à nossa porta, e que nos propõem rotas exóticas as mais diversas - desde os Himalaias (com o budismo tibetano da veneranda ordem Nyingma) ao Continente Industânico com os seus pesos pesados que são o Yoga, o Karma, a reincarnação e outor becos sem saída. Só o Karma Yoga, à sua conta, é uma técnica completa de iniciação, com uns pózinhos de mantra à mistura, Como se vê, o problema não é de estarmos à míngua de néctar divino mas o de termos enormes auto-estradas e bólides vertiginosos que nos levam desta para melhor, deste túnel negro e sem fim até aos deslumbramentos da Luz Branca, da Grande Iluminação. Mas a taxímetro.

O problema é que temos autoestradas a mais e tempo a menos para consultar o manual de instruções. Acima de tudo, em todas essas viagens, é imprescindível ter um guia e para o ter há que o comprar. E para o comprar, temos que nos empenhar até aos cabelos. E para nos empenhar até aos cabelos, levam-nos o bem energético mais precioso de todos que é o Tempo - o Cronos e o Kairós.

Foi então que um dia, passeando eu à sombra dos plátanos, soube pela TSF, que havia um autor francês chamado Etienne Guillé, que utilizava o pêndulo como Bússola para percorrer, sem desvios, sem pressas mas rapidamente, sem sobressaltos mas com segurança, o caminho de salvação da nossa alma até à Luz Branca do espírito e que, além disso, fazia das energias uma cartografia à escala de 1 para i milhão, uma cartografia que ia desde o Microcosmos da molécula (mais conhecida por dupla hélice do ADN em português, DNA em inglês) até ao Macrocosmos propriamente dito, o canal divino, que não deve confundir-se com o tal canal do Herman.

Segundo informações da mesma TSF, há, neste momento, já reconhecidos, 14 canais cósmicos, que emitem 28 energias características, 28 energias essas que, curiosamente, têm a ver com o número de um certo gene da molécula.

O que é interessante, neste mundo das energias, além de não se ver patavina, se não se enxergar um palmo à frente do nariz, é que mal a gente pensa que já acabou a contagem (as cartas do Tarot, por exemplo) ainda agora ela vai no início. As cartas do tarot, se me não engano, contam-se 24 mais importantes, com o pomposo nome de grandes arcanos, depois mais 7O e tantas menores. Mas segundo o repórter da SIC que esteve no local, há umas 100 mil cartas do Tarot egípcio que possivelmente estão metidas dentro de uma pirâmide e que só quando a Palmira me ceder a chave aqui da Sociedade serão descobertas.

(Ver diagrama 41)

Bom, era para vos dizer que só isto da Numerologia dá água pela Barba. A Numerologia, com o nome de Aritmosofia é apenas uma das 12 ciências sagradas que os hierofontes egípcios não contavam nem sequer à esposa. Doze, meus senhores, Doze. Eu comecei só agora, aos 63 anos, que faço amanhã, a soletrar a alquimia, com a ajuda do Pêndulo e do senhor Etienne Guillé. E já me dou por muito contente se conseguir algum progresso em Alquimia elementar e alimentar: ou seja, transformar o Chumbo, que é pesadíssimo, em Ouro de Lei. E devo dizer que já estou pertinho disso, para vos entusiasmar a vir às aulas de radiestesia. Nessa altura, quando eu souber transformar Chumbo em Ouro, os cursos deixam de ser aqui para passarem a ser no Hotel da Lapa.

Portanto, um diploma em ciências sagradas é o objectivo desta minha campanha em prol da radiestesia Hermética, que andei dois anos para começar a implantar aqui na Sociedade e que me tem trazido, como calculam, muitas resistências e amargos de boca. O outro objectivo - além de fazer ouro - é vir a ser um grande industrial de pêndulos, a que me dedicarei de alma e coração se a SIC ou a TV 4 me ajudarem, mais a tia Olga Cardoso, a promover o negócio na tele-loja.

Acho, portanto, que estou suficientemente explicado, para não se levantarem falsas suspeitas quanto aos objectivos desta minha campanha em prol da radiestesia. Não utilizo o pêndulo para fins ilícitos, estejam tranquilos. Como estão vendo, apenas quero, honesta e democraticamente, explorar o meu negóciozinho, OK?

Recomendo-vos, aliás, uma boa lavagem ao Cólon e se vos falo de Cólon sei o que digo, pois herdei uma colite de minha mãe que deus tenha, coabitando com a colite há 63 anos e só neste momento, graças à Radiestesia e à Patrice Kerviel, que é filha do Etienne Guillé: ela observou-me 20 minutos e a minha colite deixou de me chatiar como toda a vida chatiou.

Há também, além do Negócio do Pêndulo que é para mim prioritário, uma razão de gratidão para com a Patrice, para com o seu pai Etienne Guillé, por terem sido a Luz Branca ao fundo deste túnel Negro que é

ponto I - Viver em Portugal

ponto II - que é viver na europa dos eurocratas, dos burrocratas e dos tecnocratas

ponto III - que é viver num mundo completamente entregue à bicharada mais hedionda

ponto IV - questão de gratidão, portanto, levou-me a empreender esta cruzada a favor do pêndulo, da radiestesia e do método iniciático de Etienne Guillé. Não quero que deitem fora os vossos mestres e gurus, eles fazem todos muito jeito, especialmente para fazer altura no assento quando nos sentamos à mesa. Acho-me apenas no direito de vender também o meu peixinho fresco, acabado de pescar na lota da Ribeira e que qualquer pessoa pode, com a ajuda de deus, pescar como os santos Apóstolos da Bíblia.

Com o Pêndulo posso adivinhar o número da Lotaria, mas evidentemente que não o faço, porque, quando descobri Etienne e as 1551 páginas das suas 4 obras, e os seminários da Patrice, percebi - sou estúpido mas percebi - que me tinha saído a sorte grande.

Creio que algumas pessoas, neste nosso grupo de pesquisa aqui da SPN, também já perceberam isso e é por isso que a gente se reúne nesta casa com o consentimento da Palmira, para irmos avançando, step by step, no estabelecimento da tal carta de caminhos que nos permitam ganhar tempo do pouco tempo que já temos e avançar neste labiríntico processo das energias. Temos mapa, falta só pegar no Pêndulo para termos a Bússola. E seja o que deus quiser.

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1-5 < 96-10-28-fa> files alimentares

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VIGIAR O PH

 

[ 28-10-1996]

Quase tudo, no nosso organismo, vai dar ao equilíbrio entre a acidez dos tecidos e o seu contrário: a alcalinidade, relação esta que é costume designar por PH. Diz-se então que o PH pende mais para o ácido ou mais para o alcalino, considerando-se «neutro» o que for o equilíbrio ideal para o desenvolvimento das células vivas. Mas é geralmente o sangue que se toma como referência para definir o estado do PH no ser humano.

O sangue, com efeito, tem um PH determinado - à volta de 7,40, ou seja, neutro - que se deve manter. A alcalinidade excessiva não é frequente, a balança inclina-se quase sempre para os ácidos. Alimentação e modo de vida favorecem as reacções ácidas.

O PH indica a proporção existente entre os iões positivos e os iões negativos. Os ambientes contaminados abundam no caso dos iões positivos, enquanto ao ar livre existe um predomínio de iões negativos.

Também produzem acidose as dietas ricas em carnes, peixes, ovos, leite, produtos refinados, café, chá, tabaco.

O corpo deve ser alimentado na maioria com alimentos alcalinos.

A excessiva acidose não tem nada a ver com acidez do estômago, a não ser pelo facto de poder ser a reacção do metabolismo sobre aquilo que foi ingerido. Estes ácidos - úrico, sulfúrico, fosfórico, etc. - não podem ser eliminados pelos rins, de maneira que, quando se acumulam, saturam e intoxicam todo o organismo

As doenças mais frequentes são de natureza ácida: o ácido úrico é um bom exemplo disso.

Nos casos de diabetes, úlceras, hipertensão, cancro, problemas cardíacos, há um desequilíbrio do PH a tender para a acidose.

A acidose é decisiva nas doenças dos ossos: todos os reumatismos articulares. Os ácidos armazenam-se em lugares como as artérias, tornando-se rígidas e doentes, diminuindo o seu calibre e formando uma capa dura que impede a circulação. Também se acumulam nas veias, causando hemorróides e varizes. Espessam e densificam o sangue. Quando a corrente sanguínea está muito carregada de ácidos, os rins intoxicam-se.

A frescura do alimento também influi no equilíbrio: os alimentos frescos são menos ácidos do que os conservados, para já não falar das conservas propriamente ditas que, logicamente, são acidificantes. A carne vermelha e os peixes azuis produzem mais ácidos do que as carnes e peixes brancos. Os mariscos fazem igualmente parte do conjunto de alimentos acidificantes.

O PH dos animais carnívoros é mais ácido do que o do homem.

Elaborada por Jean Gauthier, da revista «Nature et Vie», indica-se a seguir a listagem possível dos alimentos com reacção ácida e com reacção alcalina. É um guia útil ao cvonsumidor e que deverá estar sempre presente para uma vista de olhos, a propósito. Vigiar o PH chega a ser mais importante do que vigiar o colesterol.

Nesta lista de Jean Gauthier, consideram-se alcalinos todos os que não tenham indicação expressa de ácidos.

Frutos

 

Frutos ácidos ALCALINOS :

- Laranja

- Clementina

- Mandarina

- Limão

- Ananás

- Groselha

- Romã

 

Frutos semi-ácidos ALCALINOS:

- Morango

- Tomate

- Damasco ÁCIDO

- Maçã

- Pera

- Pêssego

- Uva

- Ameixa ÁCIDO

- Cereja

 

Frutos doces ALCALINOS :

- Tâmara

- Figo

- Uva doce

- Maçã doce

- Banana

Frutos secos:

- Ameixa seca ÁCIDO

- Damasco ÁCIDO

- Pera

- Maçã

- Uva

- Figo

- Banana madura

 

Frutos neutros ALCALINOS:

- Melão

- Melancia

 

Frutos oleaginosos :

- Amêndoa seca ALCALINO

- Noz seca ÁCIDO

- Noisette ÁCIDO

- Pistache ÁCIDO

 

Legumes ALCALINOS:

Fracamente amidonados

- Espargo

- Beringela

- Bróculos

- Cardo

- Cogumelo

- Chicórea

- Couve

- Couve flor

- Cebolinho

- Abóbora

- Pepino

- Curgete

- Agrião

- Endiva (?)

- Espinafre

- Feijão verde

- Alface

- Erva-benta

- Azedas ÁCIDO

- Alho porro ÁCIDO

- Pimento doce

- Abóbora-menina

- Rábano

- Ruibarbo ÁCIDO

- Escarola

 

Medianamente amidonados ALCALINOS:

- Alcachofra

- Beterraba

- Cenoura

- Aipo

- Couve de Bruxelas

- Espécie de alho ÁCIDO

- Nabo (raiz)

- Cebola ÁCIDO

- Pastinaga (?)

- Salsa

- Taraxaco (Dente de Leão)

- Rutabaga (?)

- Cercefi (?)

- Pequena ervilha fresca

 

Com amido concentrado ALCALINOS :

- Castanha

- Batata

- Topinambor (?)

 

Lípidos ALCALINOS:

- Abacate

- Azeitona

 

Glúcidos:

- Mel ÁCIDO

 

Alimentos de compromisso

 

Legumes secos ÁCIDOS :

- Favas

- Feijão seco

- Lentilha seca

- Ervilha velha (?)

- Soja

 

Cereais e derivados ÁCIDOS :

- Aveia

- Trigo completo

- Milho

- Cevada completa

- Arroz completo

- Sarraceno

- Centeio completo

- Pão branco

- Pão completo

- Pastas

- Sêmola

- Farinha de milho

- Farinha de aveia

- Fécula de batata

 

Produtos lácteos

- Manteiga ÁCIDO

- Creme fresco ÁCIDO

- Leite humano

- Leite de vaca para crianças

- Leite de vaca para adulto ÁCIDO

Proteínas magras ALCALINOS:

- Flocos de leite seco prensado

- Queijo branco

- Iogurte cremoso

 

Proteínas gordas ÁCIDAS :

- Comté(?)

- Queijo gruiere

- St.Paulion (?)

- Emmenthal (?)

- Cabra

Ovos:

- Amarelo

- Branco ÁCIDO

 

Alimentos de degenerescência

Substâncias animais ÁCIDAS:

- Carne de boi

- Coração de boi

- Miolos de Boi

- Aves

- Peixes

- Crustáceos

 

Diversos ÁCIDOS:

- Álcoois

- Cacao

- Condimentos

- Especiarias

- Pastelaria

- Açúcar artificial

 

RESUMO

ACIDIFICANTES: Carnes - Ovos - Cereais

ALCALINISANTES: Leite - Legumes - Frutos

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1-6 <96-10-28-at-hv> a tese vibratória –

6 páginas - capítulo do livro principal - <pnm- 0 > autoterapia – guião de estudo e leitura – princípio dos princípios da psicologia à noologia - princípios de noologia terapêutica

GUIÃO DE ESTUDO

EM MEDICINA ENERGÉTICA (NOOLOGIA)

 28/10/1996 - Se o macrocosmos é igual ao microcosmos humano , como indica o grande princípio hermético da Homologia (simetria) , deveremos contar com ele para o estabelecimento de uma medicina energética, a que chamaríamos, de forma mais correcta, uma Noologia terapêutica , sendo Noologia o antigo termo usado para designar aquilo que mais recentemente se chamou Psicologia.

Noologia é a ciência do Espírito e tudo depende do conteúdo que pusermos dentro da palavra Espírito, a palavra mais polémica de sempre.

Mas, como dizíamos, se o macrocosmos reproduz o microcosmos (e vice-versa), o terapeuta das medicinas energéticas deverá enquadrar a sua acção (diagnóstico e terapia) em alguns princípios que decorrem daquele, grandes, médios e pequenos princípios orientadores de uma prática diária.

Esses princípios são, para uns, demasiado abstractos e filosóficos (metafísicos dirão) e para outros demasiado óbvios.

Ambos os lados têm razão:

a) São, de facto, princípios abstractos, filosóficos e metafísicos - mas se o macrocosmos está no microcosmos e viceversa, são os princípios que animam a vida concreta e incarnada do ser humano, pelo que deverão estar presentes no dia a dia do terapeuta

b) São também princípios óbvios, porque traduzem leis universais, sejam elas as do macro sejam as do microcosmos, leis inscritas desde sempre na consciência universal dos povos

c) São princípios do senso comum e do bom senso porque, apesar de esquecidos pela mentalidade da ciência ordinária, eles permaneceram no inconsciente colectivo dos povos, à espera que os desocultem e que tragam outra vez os grandes arquétipos ao plano da consciência diurna.

Enunciemos alguns desses axiomas que orientam a medicina energética:

A homeostasia ou autoregulação do ser vivo figura entre os princípios de cura mais importantes, pois dele derivam todos os processos que levam à reacção do organismo, face a um problema, desequilíbrio, crise, stress ou distúrbio

a) - Como corolário do princípio anterior, diremos que o organismo vivo tem uma inteligência natural (Charles Richet) que o autoregula (homeostasia) mas essa inteligência encontra-se adormecida (estagnada/bloqueada) por um conjunto de factores que as terapias energéticas deverão remover (ver alínea onde se fala de sinergia a acção sinérgica)

Do princípio da Homologia cósmica deriva o princípio do continuum energético, expresso na pirâmide dos 7 corpos visionada por Rudolfo Steiner e que serve de alicerce de trabalho ao terapeuta de radiestesia holística mas a todos os terapeutas energéticos, seja qual for a sua área privilegiada de actuação (especialidade)

Todas as terapias, em princípio, são energéticas, mesmo as terapias médico-farmacêuticas: a diferença reside apenas na quantidade ( questão das doses) e na qualidade das energias (a questão das frequências vibratórias) que se receitam, aplicam ou transferem.

Segundo o grande princípio hermético da homologia cósmica (macro /microcosmos) , a existência de um continuum energético entre céu e terra é o quadro em que qualquer terapia energética deverá inscrever-se.

a) - Corolário deste continuum energético, é o princípio de que o poder curativo vem de cima para baixo, segundo uma escala hierárquica de valor vibratório ( ver c.m.c. - campos de morfogénese cósmica)

b) - Outro corolário, é o de que as energias de cima neutralizam as de baixo, ou seja, uma energia de frequência superior cura um sintoma ou doença provocado por energias de nível e frequência inferiores

c) - Outro corolário do princípio anterior diz respeito ao tipo de energia transferido por um medicamento de farmácia: a acção energética de um medicamento começa em baixo e não actua sobre as energias acima desse nível, o que, na prática, leva o doente a descer ainda mais na escala vibratória , ou seja, a adoecer ainda mais. A acção do medicamento químico abaixa os níveis energéticos do doente, o que se reflecte no abaixamento da sinergia, da homeostasia , da imunidade e do tempo de cura (torna-o mais demorado)

d) - A vis medicatrix de Galeno e Hipócrates ou força vital dos naturistas, é a força de cima e sem ela não há cura possível (princípio da verticalidade). A medicina taoísta chama-lhe Ki e a medicina ayurvédica chama-lhe Prana

e) - Corolário do grande princípio da verticalidade: Antes de se declarar a nível físico (lesão, por exemplo) a doença existe a nível energético.É o que Etienne Guillé admiravelmente demonstra ao explicar, minuciosamente, o mecanismo vibratório do cancro, por ele e por Rudolfo Steinar classificado de doença cósmica.

Processos de diagnóstico como o dos pulsos chineses ou o das cristalizações sensíveis por cloreto de cobre revelam as perturbações a nível energético, aquilo que se costuma designar por «diagnóstico precoce». Também a iridologia, diagnóstico do terreno, pode ser considerado um diagnóstico precoce

A sinergia multiplica os efeitos terapêuticos da terapia energética

a) - Medicamentos, poluentes e intoxicantes químicos em geral (do ar, da água, dos solos) diminuem a sinergia do organismo ou capacidade de transmutação alquímica

b) - A desintoxicação dos tecidos (medicina metabólica, medicina ortomolecular, medicina do terreno)aumenta a sinergia e, portanto, a capacidade reactiva do organismo a qualquer terapia energética

c) - A eficácia de um tratamento energético (acupunctura ou homeopatia, por exemplo) diminui drasticamente se o terreno estiver quimicamente intoxicado

d) - Uma cura energética deverá começar por uma desintoxicação ou desmame de drogas químicas (a mais difícil fase de um processo curativo pela via energética)

O sistema imunitário está no centro de uma terapia energética causal: o reforço das defesas naturais é função do equilíbrio energético global, do equilíbrio yin-yang como os taoístas indicam, do Factor de terreno PH (Ácido/Alcalino) e da acção sinérgica potencial.

Este princípio é reversível: se o reforço das defesas naturais é função do equilíbrio energético e este, por sua vez, reforça a imunidade (cibernética ou feedback do ser vivo).

a) - O equilíbrio ácido-base, que a medicina metabólica chama PH, é a pedra angular de todas as terapias do terreno

b) - Tratar causalmente é reforçar as defesas imunitárias

c) – Oligoelentos catalíticos e outros suplementos sinérgicos são, além da alquimia alimentar, uma forma de fazer subir o nível imunitário Nível imunitário que se relaciona assim, estruturalmente, com o potencial vibratório do ser humano.

Tudo o que existe e o organismo vivo também, é um campo de morfogénese cósmica (cmc): somos energia, somos «campos de forças», antes de sermos forma material. Um campo de morfogénese cósmica é função do ambiente próximo (alimentação, poluição, agressões da vida urbana, consumos tóxicos, etc) mas também do ambiente longínquo

a) - À luz dos campos de morfogénese cósmica e do continuum energético, a doença é encarada no todo do ser humano, manifesto e potencial (Ver composição trinitária do ser humano, um dos «alicerces do templo» que indicámos)

b) - É sempre o doente que deve ser tratado e não (apenas) a doença

c) - A doença é sempre uma oportunidade (chance ou convite) de induzir o doente na via iniciática da religação cósmica com o todo (yoga e religião significam, por outras vias, essa religação do micro com o macrocosmos)

d) - A doença é um aviso ou despertador para que o ser humano manifeste o seu potencial criador

e) - Uma doença aguda tratada através dos sintomas, acabará em doença crónica

A matéria produz energia: quanto mais a matéria se divide e dilui, mais energia produz. Este grande princípio, adoptado pela Homeopatia de Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843), tem consequências de enorme alcance na prática curativa das terapias energéticas.

Alergia, por exemplo, é uma reactividade excessiva, e anergia, seu inverso, uma falta de reactividade : à luz do grande princípio hermético da acção/reacção, o equilíbrio energético situa-se entre os dois extremos e portanto num terceiro termo.

a) - Corolário: não se pode tratar uma alergia localmente mas apenas holisticamente, ou seja, energeticamente

b) - A alergia - hiper-reactividade - situa-se no órgão fígado, ou antes, na esfera energética Fígado/Vesícula Biliar que, à luz do grande princípio dos 5 elementos taoístas , entra na sequência energética antes dos Pulmões e depois do Triplo Aquecedor. Conhecer esta sequência é importante para saber, energeticamente, que órgãos se devem tratar ao mesmo tempo daquele que no momento mais se manifesta e mais alto «fala».

c) - Outro corolário: O sintoma agudo , alarme e aviso, é uma reacção de adaptação do organismo a uma nova situação : se o abortamos, torna-se doença crónica Se tratado causalmente , como sinal, deverá conduzir a uma «reestruturação positiva» ( Etienne Guillé) ou «crise curativa» (Hipócrates) .

Grande Princípio ou Lei Natural relacionada com o anterior corolário: de 7 em 7 anos, o organismo vivo muda. Se a mudança (alquimia) se fizer sem bloqueios, o organismo cresce sem problemas. Se estagna - abortando sistematicamente todas as crises sazonais de readaptação, por exemplo - surgem sintomas de estagnação ou doenças, primeiro agudas e depois crónicas.

a) - Exemplo de uma crise natural que, mal entendida, conduz a posteriores doenças crónicas, é o simples resfriado, que a impotência da medicina transformou em gripe viral: o factor vírus, aliás, é mais uma criação da medicina moderna, com a ajuda do microscópio electrónico

b) Sem o relacionamento dialéctico entre terreno e agente viral ou infeccioso, nada será entendido: o vírus e a bactéria só existem se o terreno estiver fragilizado e incapaz de a combater

c) A luta antibiótica sistemática é que reforça a acção das bactérias, provocando estirpes cada vez mais virulentas e provoca, como o nome indica, os surtos virais (ver iatrogénese e trágicas consequências)

d) O terreno orgânico enfraquece defesas não só por alimentação deficiente e fome mas também por excesso: países do terceiro mundo e países ricos, países da fome e países da pletora, podem assim ter as mesmas doenças de carência e os mesmos surtos virais trágicos.

A vida é ritmo e ordem (filósofos falaram da harmonia ou música das esferas) de onde resulta:

a) - O relógio biológico que o taoísmo revelou em harmonia com um relógio cósmico, o ciclo das estações, o ciclo nictemeral, o ciclo lunar, o ciclo solar, o ciclo zodiacal, etc

b) - A ciência dos ritmos ou Aritmosofia é uma das 12 ciências sagradas indesligáveis de uma medicina energética

c) - Os sistemas médicos da antiguidade inspirados em cosmogonias conhecidas deverão ser recuperados pelos que estudam medicinas energéticas

O ADN do núcleo da célula de cada indivíduo regista as tendências e vulnerabilidades desse indivíduo, aquilo a que a ciência médica corrente chama «doenças congénitas». Fala a Biologia Molecular de código genético, a que atribui uma imutabilidade: de facto, o código genético é a parte conservadora da célula viva, garantia da perpetuação da espécie, e portanto imutável. Mas com a descoberta do 2º código genético ou código vibratório (Etienne Guillé), o fatalismo genético pode ser drasticamente alterado e ao fatalismo biológico sucede-se a liberdade biológica de evoluir : neste quadro de potencialidades do ser vivo, as tendências e vulnerabilidades ditas «congénitas» podem ser minimizadas ou mesmo anuladas.

A atitude da ciência médica perante a «doença congénita» tem algo de fatalismo medieval ou mesmo de neolítico.

Da célula ao organismo, as trocas energéticas do ser vivo com o meio ambiente são mecanismos e equilíbrios termodinâmicos essenciais à manutenção da vida. A bomba sódio-potássio, em particular, e as trocas intermembranares em geral são um exemplo, a nível celular, dessa relação entre o meio endógeno e o meio exógeno, essencial ao organismo vivo: a palavra alimento tem aqui o seu sentido mais lato. É o que os informáticos chamam movimento de out put/in put. Alimento, em sentido lato, é sinónimo de informação.

O princípio dos 5 elementos energéticos indicados pelo taoísmo tem consequências práticas para o terapeuta:

a) - Corolário deste princípio é o reagrupamento dos órgãos e vísceras em esferas energéticas

b) - As esferas energéticas vão relacionar-se, por equivalência ou correspondência vibratória, com as estações do ano, com as horas do dia, com os sabores dos alimentos, etc ( Ver princípio e quadro das correspondências)

c) - A pele reflecte os órgãos (Ver reflexologia e reflexoterapias)

d) - Várias zonas do corpo podem ser lidas em diagnóstico energético: sola do pé, palma da mão, coluna vertebral, íris, aurícula, etc

e) - As emoções reflectem os órgãos

f) - Os percursos dos meridianos de energia reflectem os órgãos

«Non nocere» é a expressão latina de um princípio hipocrático que recomenda ao médico nunca prejudicar o doente: é afinal o contrário do que faz a medicina química (ver iatrogénese), contra todos os princípios não só cósmicos e energéticos mas até morais e éticos: o juramento de Hipócrates deixou de ser respeitado

Todo o sintoma corresponde a uma causa: princípio da causalidade linear de consequências práticas importantes:

a) Há que tratar a causa para curar o sintoma

b) Reprimindo o sintoma sem ir à causa, o sintoma irá manifestar-se mais tarde sob qualquer outra forma, nomeadamente a cronicidade

c) Sintoma reprimido e não tratado pela causalidade lógica, imunológica, conduz à doença crónica.

<pnm-2>

AXIOMAS DE HERMES SEGUNDO O KYBALION

 27/10/1996 - O princípio (óbvio) do continuum energético, entre macro e microcosmos, é muito mais difícil de aceitar e compreender do que parece à primeira vista.

E não só no campo da ciência ordinária, de natureza analítica e anti-holística - ciência que nunca pôde, pela sua natureza estruturalmente parcelarizante (sectorial e sectária) perceber o Todo, o princípio único e unificador das energias - , mas também no campo das ciências sagradas que alegadamente funcionariam holisticamente.

Nesse sentido e mais uma vez, a dialéctica taoísta do yin-yang - expressão que soa ritmicamente - e o seu famoso princípio único, como o baptizou modernamente Jorge Oshawa, foram mais longe do que os europeus da ciência ordinária e da filosofia comum.

Como dizemos em outro lugar deste guião de trabalho, destes apontamentos sobre Noologia Holística, a grande heresia , para a ciência ordinária, foi sempre a ideia globalizante do Todo, à qual os representantes da análise (dita científica) reagem nervosa e histericamente.

Em um livro de comentários aos textos (axiomas) de Hermes Trismegisto, livro aparecido em 1973, em edição francesa e assinado por um enigmático «Três iniciados»(*), verifica-se, mais uma vez, a dificuldade que, mesmo nos meios ditos esotéricos, existe para superar as fronteiras e barreiras da mentalidade analítica, anti-holística.

Curiosamente, um dos vocábulos onde logo se tropeça é a famosa palavra «mental» e, decorrente dela, o «mentalismo». Isto sem falar do dualismo inultrapassável matéria/espírito, que ocorre igualmente neste comentarista de Hermes.

É assim que, ao compendiar 7 princípios herméticos - com citações retiradas de um tal «kybalion» - , o 1º desses princípios escorrega logo na designação de «mentalismo», princípio do mentalismo.

Bastaria substituir esta palavra tão inadequada por Bioenergia ou, mais limitante mas ainda ampla, por Psicoenergia e teríamos o grande princípio hermético do continuum energético, a que se seguiriam, segundo os autores, outros 6.

Vejamos quais:

2 - Princípio das correspondências

3 - Princípio das vibrações

4 - Princípio da Polaridade

5 - Princípio do Ritmo

6 - Princípio da Causa e Efeito

7 - Princípio do género (ele/ela)

Como sempre acontece no desenvolvimento do espectro energético, as grandes áreas que são estes princípios axiomáticos (postulados de Hermes) derivam umas das outras como camadas envolventes de uma cebola.

Torna-se evidente que as correspondências ou equivalências vibratórias cósmicas são uma consequência do continuum energético; que o princípio das vibrações decorre igualmente do continuum energético (tudo é energia e tudo vibra) mas também das correspondências e do princípio do ritmo (tomando o nome de ressonância vibratória); que a polaridade é um caso particular da universalidade do número 2 - pontapé de saída para o movimento de tudo o que existe - e que o princípio do género (masculino/feminino) um caso particular do mesmo número 2 ou andamento binário do espectro do continuum energético. O princípio da causa/efeito preside praticamente a todos os outros, decorrendo, em primeira instância, do continuum energético.

Estes princípios contêm-se uns nos outros, como caixas chinesas, e são logicamente inseparáveis. São fragmentos da Geometria do Logos.

Não se pode entender o Todo vibratório sem o princípio do continuum energético . Sem ele, não se pode entender nenhuma das leis do universo e muito menos qualquer dos princípios ou axiomas enunciados.

É a natureza vibratória do Todo ou continuuum que logicamente (causa/efeito) conduz ao Ritmo e portanto à Polaridade (ao yin-yang) , à relação causa/efeito e à subdivisão feminino/masculino que, aliás, irradia dos princípios filosofais da criação - enxofre e mercúrio filosofais, enxofre princípio masculino e mercúrio princípio feminino.

Resumindo e concluindo: Aproveitando o quadro que o comentador do «Kybalion» apresenta , apenas teríamos de corrigir a designação do 1º princípio. E, em vez de mentalismo, apareceria assim :

1 - Psicoenergia/Bionergia/Continuum energético

2 - Correspondência/Equivalência

3 - Vibração universal

4 - Polaridade

5 - Ritmo

6 - Causa/Efeito

7 - Feminino/Masculino

Comparando este quadro com o que os mestres da macrobiótica taoísta nos têm dado, verificam-se necessárias semelhanças e algumas diferenças (ver quadros do princípio único).

Além deste quadro de axiomas, há que aproveitar, do comentarista anónimo, a selecção de frases retiradas alegadamente do Corpus Hermeticum de Hermes Trismegisto. Constituem uma breve mas densa antologia da grande sabedoria que de facto emana desse evangelho de sabedoria que a posteridade reconhece sob o rótulo de Hermes Trismegisto e onde os arquétipos primordiais saltam quase à vista, numa acção que verdadeiramente se pode considerar terapêutica.

Até por isso se justificaria este quadro de princípios «metafísicos» numa introdução prática ao que designamos de medicina energética ou Noologia terapêutica.

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(*) «Le Kybalion» - Trois Initiés - Ed. Perthuis/ H. Durville - Paris, 1973

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<97-10-28-dl> = diário de um leitor avariado - 7161 caracteres

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ACTUALIDADE HOLÍSTICA

PEQUENAS TIRAGENS, GRANDE SACRIFÍCIOS

28/10/1997 - Pequenas tiragens, grande sacrifícios, aí estão elas, as revistas da «nova idade», ao serviço das causas perdidas (por enquanto perdidas): ecologia humana, holística, alternativas de vida, terceiro milénio, era zodiacal do aquário e tudo o mais que nasce da mágica cartola, do caldeirão a ferver que é a contagem decrescente para o ano 2000.

«Os tempos estão a chegar» - dizem eles, os adventistas do novo milénio. Mas, olhando em volta, vendo jornais e telejornais, muitos se perguntam se a agonia irá terminar ou se ainda agora começou. Será o Apocalipse um facto consumado, um processo sem retrocesso?

Grão a grão, o movimento holístico vai juntando forças para a saída colectiva na vertical, sem que os vários grupos, tendências e correntes se conheçam entre si e entre si dialoguem. Confinados em si mesmos, são ainda a imagem da época que dizem rejeitar, a era dos Peixes que tem como símbolo tumular a Cruz.

ESPÍRITO DE SEITA

A tornar o ambiente mais confuso, o poder político resolveu começar a perseguir aquilo a que chama «seitas», metendo tudo no mesmo saco: os que o são, os que nunca o foram e os que não têm nada a ver com isso.

«Há que estar atento e não deixar que se misturem as coisas» - diz a «A Capital» Francisco Vieira, da Sociedade Teosófica Portuguesa e o principal animador da revista «Portugal Teosófico» que esta organização publica trimestralmente. Atento ao fenómeno das seitas e preocupado em ajudar a Sociedade Teosófica a demarcar-se delas, distanciando-a desse anátema, Francisco Vieira irá certamente analisar o problema numa das palestras com que a Sociedade Teosófica tem assinalado os 75 anos de existência em Portugal.

Com uma longa tradição de «aggiornamento», a abordagem das questões filosóficas, na Sociedade Teosófica, é global e alargada, mas o duro calo da experiência ensinou também aos responsáveis que é muito difícil reunir e harmonizar tendências para que saiam novas forças do conjunto.

«Há diálogo e diálogo» - sublinha Francisco Vieira, consciente da ambiguidade que os processos de «unir a diversidade» sempre suscitam.

Que o diga também Pedro Veiguinha, o principal arauto da «unificação» através de um projecto que ele baptizou de «projecto Uno». Em breve nos dará notícias sobre as diligências que tem efectuado para reunir algumas organizações num encontro-debate. Sabe que vai encontrar as maiores resistências, pois o espírito de seita prevalece mesmo entre aquelas que o não são, mas continua a teimar.

MOVIMENTO EM ESPIRAL

Folha direccionada para os consumidores de produtos naturais, a «Informação Espiral» tem-se mantido regularmente como intercomunicador entre adeptos da causa holística, num trabalho de «divulgação de alternativas» que os objectivos estatutários da cooperativa Espiral determinam.

Depois de se terem extinto as revistas «Natura», «Vida Sã», «Saúde Actual» e «Mar e Vento», a «Informação Espiral» foi o único porta-voz dos ideais eco-alternativos.

*

Realizado por pessoas próximas da Espiral, aparecerem recentemente duas publicações que diversificam o leque e reforçam as fileiras eco-ambientalistas. São elas: «Ar Livre», publicação trimestral de «Natureza, Sociedade e Humanidade» e «Beija Flor», «revista de saúde natural, ecologia e cultura».

«Ar Livre», dirigida por Tiago Quelhas, é realizada por uma equipa de jovens que, pegando no testemunho de José Carlos Marques (a trabalhar em Bruxelas), Sílvia Montarroyos e Vítor Quelhas, se mostram capazes de continuar as movimentações ecologistas das décadas de 70 e 80: José Dias Marques, A. Martins Ferro, Aurélio Porto, Manuela Lourenço, Paula Benevides e Sónia Cavaleiro apresentam um conjunto de artigos de actualidade, nomeadamente os que apontam para os princípios filosóficos e ideológicos do «ecologismo profundo», aquilo a que hoje em dia os reformistas do ambiente chamam «fundamentalismo».

O grafismo de «Ar Livre», bastante soft e de bom gosto, é de Carlos Reis e Vasco Rosa. Declarando-se essencialmente noticiosa, esta nova revista propõe-se apresentar «sínteses informativas, acompanhadas ou não de comentários, com base na imprensa diária ou especializada e em outras fontes.» O ambiente natural merece a melhor atenção nas suas páginas mas «também o ambiente humano». Fome, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, paz, renovação cultural, democracia, estão entre os assuntos prioritários. As alternativas não serão esquecidas, promete a revista «Ar Livre».

*

Sobre o primeiro número da publicação «Beija-Flor», destinada a constituir-se como suporte de publicidade na área dos produtos e suplementos alimentares, já «A Capital» deu uma primeira notícia anteriormente, quando a revista - de distribuição gratuita - surgiu nos escaparates. Resta lembrar que os temas de ecologia humana estão presentes em força na revista «Beija-Flor»: alimentação, doenças da alma e novos druídas, correspondências cósmicas, manutenção corporal, astrologia.

*

«Urânia» - «divulgação temática no espírito de Aquarius» - é dirigida por Luís Resina e inclui no primeiro número colaboração de nomes ilustres do esoterismo português: Maria Flávia de Monsaraz escreve sobre «A Viragem dos Tempos», Luís Resina sobre «Ciclos, Reinos e Eleições» e José Manuel Anes sobre «o simbolismo iniciático da Flauta Mágica», propondo hipóteses ousadas que Mozart, na qualidade de iniciado maçónico, talvez não se importasse de subscrever.

A mística maçónica parece constituir hoje uma daquelas influências inescapáveis dos grupos e individualidades que se vão impondo à opinião pública. Sem nada que ver com os aproveitamentos políticos que têm sido a tónica dominante e pública desta organização, é como se os ideais que deram origem à Maçonaria regressassem à pureza original, às fontes primordiais.

Por isso se diz, com muita razão, que todos os caminhos do esoterismo e das ciências sagradas vão dar ao Egipto, indo o Egipto dar à Atlântida e desta, em directa, à Lemúria, pátria das pátrias.

É o percurso que, com mais ou menos consciência, os grupos «aquarianos estão realizando».

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<episte-4>

28/10/1998

PALAVRAS-CHAVE DESTA LIÇÃO:

Absolutizar

Alteridade

Amor fati nitzscheano

Circularidade

Crescimento da personalidade

Critério da motivação

Estruturação da personalidade

Hipnose regressiva

Indeterminismo

Motivação consciente

Motivação inconsciente

Psicologia das profundezas

Realismo ontológico

Relativismo

Teoria quântica

 

AUTORES CITADOS:

Carl Gustav Jung

Frederico Nietzsche

Gabriel Garcia Marquez

Gaston Bachelard

José Cardoso Pires

José Saramago

Karl Raymond Popper

Konrad Lorenz

Marguerite Duras

Oscar Quevedo

Pedro Quevedo

Sigmund Freud

SUBLINHADOS PARA REFLECTIR:

A ciência está impregnada do espírito heurístico (!?)

A natureza é despótica

A vida é para viver perigosamente

A vida individual não é sobreponível com a biografia

Brincar é a coisa mais séria da vida

É perigoso crescer depressa demais

Fazer amor é onanismo a dois

Humildade: a característica fundamental do cientista.

Nascer é tomar um lugar num comboio em andamento

O real é esquivo, o real resiste ao cientista

O ser humano dá-se mal com a igualdade

Uma coisa é a ciência e outra coisa é o cientismo.

Vivemos sempre em situação

CONHECIMENTO DA VIDA

Provou-se, nesta aula, que o milagre da vida - o milagre do nascimento - é inexpugnável à análise racional. Como tudo o que é verdadeiramente importante, «resiste ao cientista» como disse o nosso professor.

Mas mais inexpugnável é o milagre da morte, ainda que a Tanatologia seja uma possível ciência ainda a sistematizar para o futuro da naturologia.

Quando soubermos muito mais sobre a morte (o depois da morte) então sim, iremos saber muito mais sobre a vida. Com a ajuda, evidentemente, dos dois livros de texto fundamentais para o conhecimento da vida ou continuum energético entre céu e terra, que são : «Livro Egípcio dos Mortos» e «Livro Tibetano do Mortos», mais dois livros de leitura (e prática...) obrigatória num curso de naturologia.

Note-se, entretanto, que o verdadeiro título daquilo que se vulgarizou como «Livro Egípcio dos Mortos» é «Livro de Abertura à Iluminação»: o que faz pensar muito mais num nascimento e num princípio do que num fim.

O que faz pensar no sentido iniciático dos hierofantes egípicos, 6º sentido esse que os levaria a descobrir e desenvolver os 12 órgãos dos sentidos do ser humano e a que poderá chamar-se o seu potencial energético.

Nós, com todas as ciências do mundo, descobrimos cinco sentidos e nem sequer o 6º sentido da radiestesia holística nos atrevemos a desenvolver.

Não estamos condenados à finitude, como proclamam os niilistas e pirrónicos de todos os matizes. Para o bem e para o mal, estamos condenados à eternidade, como se sabia entre os egípcios da idade de ouro. O que até poderá ser uma chatice maior mas que é a maior certeza também.

CALOR - ENERGIA DA TERNURA HUMANA

O mais vibrante contributo à epistemologia desta poética lição do nosso professor José Alves Antunes de Sousa, vem de um facto que ficou apenas implícito e que subtilmente iria passar despercebido: o papel da emoção no desenvolvimento da personalidade. Que tem directamente a ver com a energia calórica e o seu papel na transmissão de informações vibratórias subtis. Quando a mãe amamenta o seu bebé, está não só a dar-lhe alimento físico mas, principalmente, alimento vibratório, aquele que vai bulir com sequências do ADN celular que permanecem adormecidas enquanto não são animadas (animadas vem do latim anima, que significa alma). O desenvolvimento e crescimento do ser humano far-se-á tanto melhor e com mais equilíbrio quanto mais sequências dessas forem acordadas pelo amor de mãe.

Mas a ciência não ignora apenas isto.

Ignora também que a energia calórica serve de veículo à energia do amor, indispensável ao crescimento do ser humano e de qualquer ser vivo. A energia calórica é, em ciências da vida (em Noologia), a energia da ternura.

Os porquinhos-bebés que os avós de Saramago protegiam no calor da sua própria cama, não são apenas um quadro de imensa ternura. São uma crítica implícita a toda a história do racionalismo, que isolou a emoção da ciência como se fosse lepra contagiosa.

E foi preciso chegarmos ao cientista português António Damásio e respectiva esposa, trabalhando ambos em universidades norte-americanas, para a ciência, do alto do seu trono, aceitar que a emoção tem um papel decisivo no processo de conhecimento e de crescimento cerebral, facto que qualquer pessoa de bom senso consideraria o óbvio ululante. E já queriam dar-lhe o prémio Nobel, do qual se livrou por uma unha negra.

Mas a resistência ao óbvio ululante pode considerar-se a principal mania da ciência. A luta pelo óbvio deverá ser, assim e por isso, a luta constante do naturólogo em demanda do conhecimento (do) essencial da vida.

Resta acrescentar, para que a ciência da vida (a biologia?) aprenda, que a informação vibratória que passa através do calor vai animar uma zona do ADN - a heterocromatina constitutiva - que é onde reside o código vibratório do ser humano. E já que o ser humano dispõe, pelo menos, de dois códigos genéticos, facto que a biologia oficial ignora mas que o biólogo Etienne Guillé deixou largamente demonstrado.

Quando a ciência faz residir a emoção (e tudo o que chama fenómeno psíquico) num órgão especializado - o cérebro - está a cometer a mais gigantesca das deformações: hipertrofia de funções por um lado e atrofia por outro. A hipervalorização do cérebro no conjunto dos órgãos, é de facto uma distorção inacreditável, quando se sabe que a sede de toda a informação (de toda a memória, em suma e em sentido lato) reside no ADN celular.

Compare-se ao conhecimento harmónico, por exemplo, que a medicina tradicional chinesa tem de todos os órgãos em permanente interdependência.

Estes são alguns dos itens que, a propósito de amor, ternura e emoções, a naturologia sugere como temas de fundo à epistemologia.

FORMAS REDUTORAS DE CONHECIMENTO

«Nascemos para a morte» - diziam os cátaros, que produziram na Europa uma das mais saudáveis heresias. Fundamentalistas do cristianismo, os albigenses foram os únicos a perceber que a morte não era o fim mas o princípio de tudo. E que a passagem transitória pela Planeta Terra tinha pouco sentido sem o parâmetro cósmico.

Na linha do legado essénio (que por sua vez herdou o património egípcio), os cátaros sabiam o que diziam quando falavam da vida e da morte. Sem os reducionismos da ciência em geral e de algumas ciências em particular.

A epistemologia fala das formas redutoras de encarar o real e os momentos-limite desse real, como o nascimento.

Por isso deixa de recorrer à ciência, redutora e reducionista, e encaminha-se, por exemplo, para a literatura: Virgílio Ferreira dá o modelo do escritor que pensou (pela ficção) o impensável pela ciência e pela razão.

A epistemologia reabilita também algumas correntes filosóficas - o intuicionismo de Bergson, por exemplo - que o cientismo racionalista excluira do clube dos bons.

A revalorização do instinto (etologia) e da intuição (criação poética e literária) - é assim uma démarche lateral mas indispensável da epistemologia, enquanto não houver uma alternativa científica à velha ciência que do essencial explica afinal muito pouco.

O NIILISMO SERVE O CIENTISMO

Filósofos loucos como Nietzsche parece que dão também um contributo à crítica da ciência mas acabam, como niilistas, de entregar tudo outra vez nas mãos do poder científico.

O existencialismo é um protesto, é uma revolta, mas acabou por ser uma fase de estagnação da história das ideias na marcha para o novo paradigma.

Contributo muito mais decisivo para a libertação do homem e para a nova idade de ouro, deram outras correntes de ideias, nomeadamente:

surrealismo (André Breton)

realismo fantástico(Louis Pauwels e Jacques Bergier)

teosofia (Helena Petrovna Blavatsky)

prospectiva e futurologia

holística ( Fritjof Capra)

antroposofia (Rudolfo Steiner)

filósofos de fronteira como Fritjoj Capra, Jeremy Rifkin, Teilhard de Chardin

gnose vibratória ( Etienne Guillé)

A METÁFORA AO SERVIÇO DA EPISTEMOLOGIA

Servindo-se principalmente da literatura, o professor José Alves apresentou-nos, com algumas histórias contadas por escritores, a metáfora vibrante e brilhante de um princípio filosófico, ontológico e epistemológico fundamental: a criação de ideias como um fenómeno de «nascer com». A língua francesa é particularmente feliz com o verbo «connaitre», em que «nascer com» significa «conhecer» (não sei se foi Gaston Bachelard que o sublinhou).

Ou porque a mãe de Sócrates era parteira, ou porque ele já tinha marcado o destino final da cicuta, ou porque Platão estava lá para ir escrevendo os diálogos, a verdade é que a maiêutica socrática continua a ser, na Europa, o caminho de conhecimento mais saudável, democrático e pluralista.

O caminho de conhecimento científico que não envergonha a espécie humana.

O caminho de conhecimento que incita à criação e à vida, negando a morte como fim e finitude definitiva.

É óptimo que a maiêutica socrática figure em lugar de honra na formação de um novo naturólogo. Fará certamente muito mais pela naturologia do que o pedregulho da farmacognósia e outros pedregulhos herdados da velha ciência ordinária.

HIGIENE MAIÊUTICA

Na aurora do pensamento racionalista - que fizera a rotura do Logos com os chamados pré-socráticos - a maiêutica socrática parecia abrir um caminho de conhecimento viável e uma forma de gnose onde o ser humano, apesar de tudo, permanecia como protagonista.

Posteriormente, os gnósticos deram um contributo de respeito ao conhecimento do absoluto (ou antes, do essencial).

Estávamos ainda longe das aberrações modernas do racionalismo, de todas as abjecções e monstruosidades que em nome da razão se têm praticado e, o que é mais estranho, se continuam praticando, com o habitual elogio da razão e da ciência ordinária que ninguém se atreve a contestar.

Gabriel Marcel provou que os concentracionários nazis foram um produto do espírito tecnocrático moderno. Mas, curiosamente, racionalistas e cientistas são, neste tempo e mundo, os «intocáveis», os verdadeiros tabus da religião moderna. Ninguém se atreve mesmo a dizer que é aberta e frontalmente contra a ciência. A ditadura monopolista continua e a epistemologia tem também que se vergar às exigências de um cientismo que toca hoje as raias da abjecção mais monstruosa.

Seria bom que a epistemologia não se demitisse de levar até ao fim a sua missão: desmascarar a burla secular do racionalismo e do cientifismo, para que seja possível engrenar nos novos tempos que se avizinham e onde a naturologia tem papel de vanguarda. Para que seja possível mudar de agulha antes que nos estampemos todos no abismo.

Com cedências à ciência ordinária pregressa, a naturologia acabará por ser engolida na voragem e desaparecer como alternativa de civilização. Essa é a responsabilidade da naturologia e da cadeira que mais pode ajudar a naturologia, que é a epistemologia.

CIÊNCIAS DA VIDA OU CIÊNCIAS DA MORTE?

Clonagens, engenharia genética, modificações laboratoriais do ADN, fabrico de vírus e bactérias, não tem fim o delirium tremens a que a ciência chegou. Ainda por cima no seio das chamadas ciências da vida e em nome do prefixo «bio», que tal como o André Breton dizia da literatura, «mène a tout».

Diz-se, com reverência, que os cientistas são humildes. São mais que humildes: são atentos, veneradores e obrigados para quem os contrata e lhes paga.

Mas o problema não é o dos praticantes da ciência, que fazem o que podem e ensinam o que lhes ensinaram, mas a própria estrutura do sistema que se foi consolidando, com todos os truques e artimanhas, através dos séculos, principalmente no último meio século, em que tomou o freio nos dentes e acelerou. Alvin Toffler foi um dos que veio reconhecer os perigos dessa aceleração e branquear os seus crimes.

POSTULADO NOOLÓGICO DA NOVA MEDICINA

Com os conceitos psicologistas de motivação ( voluntária e involuntária), crescimento da personalidade, actividade lúdica, memória e principalmente de «hipnose regressiva» (!?), a nossa lição de epistemologia entra suavemente na ciência psicológica e principalmente psicanalítica.

Apesar de simpáticas à naturologia e podendo considerar-se, até certo ponto, como medicinas suaves, não deixam contudo de estar recheadas de pré-conceitos que pouco têm a ver com um novo paradigma e com as novas medicinas dele emergentes.

A psicologia, à luz de correntes como a gnose vibratória, torna-se obsoleta. A informação não fica apenas na memória cerebral, como tentámos dizer anteriormente. A sede de toda a informação, passada, presente e futura, é o ADN molecular. Da informação que importa, claro.

Memória, no sentido psicologista, é descrita pela ciência num artigo citado pelo professor e que ilustra o estado da ciência relativamente a essa questão. Esse artigo veio publicado no «Notícias Magazine», revista dirigida pela Drªa Isabel Stilwell, sempre disposta a aproveitar os artigos da revista «Science et Vie», sempre disposta a exaltar os progressos da ciência oficial, sempre disposta a fazer punhetas aos cientistas e sempre disposta também a difamar tudo que seja matéria da área holística.

«Porque não nos lembramos do nosso nascimento?» : este é o título do artigo publicado no «DN Magazine» (5/Outubro/1998) e para o qual o nosso professor chamou a atenção.

Memória, hoje, à luz da investigação sistémica mais recente, é assimilada com informação e energia, espécie de nova equação quântica, experimentalmente demonstrável, que se exprime assim:

Energia = Memória= Informação.

Equação que podemos considerar o postulado fundamental do novo paradigma de pensamento. Postulado do qual a ciência tem querido aproximar-se com os teóricos quânticos mas, como sempre, acabou mais por complicar do que explicar fosse o que fosse. A ciência, não há dúvida, é incurável.

É nos autores que escreveram sobre física e biologia quântica, no entanto, que podemos ir topar aproximações à verdade vibratória do continuum energético, aproximações logo desfeitas pelos vícios estruturais da ciência: incapaz de ser dialéctica, incapaz de nunca perder de vista o todo enquanto analisa as partes.

É destes vícios que, queiramos ou não, a nova medicina terá que libertar-se, se quiser de facto lidar com seres humanos e não com amostras de laboratório.

POST SCRIPTUM

A reflectir pelo estudante de Naturologia:Não deixa de ser revelador que o nosso professor pudesse indicar um único livro em português de epistemologia e que mesmo esse se encontre esgotado. Pode supor-se, no entanto, até que ponto pode ir esse livro de «crítica à ciência« (?) numa editora que tem prosperado exactamente com a publicação de obras científicas, em que se especializou.

É inegável: ninguém se atreve a ser contra a ciência.

Contra esta ciência.

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<98-10-28>

<dea-1>- autoterapia - diário de ecologia alimentar - este texto é contemporâneo de um certo fundamentalismo macrobiótico e acentua, portanto, a sofismologia analítica da ciencia nutricional à luz da globalidade sistémica da macrobiótica e da terapia energética yin-yang.

O mundo alimentar dos naturo-vegetarianos vive de alguns mitos e muitas ilusões, que às vezes conseguem espalhar-se também no campo dos macrobióticos. Especialmente se o macrobiótico veio de lá e de lá trouxe alguns hábitos ou vícios mentais

Não tem muito sentido para a medicina yin-yang dizer que determinado produto, alimento, extracto, frasco, pílula, planta ou «ina» faz bem a isto ou faz mal aquilo. No fundo é o conceito (pré-conceito) de específico que permanece e que, vindo da medicina química (incluindo a homeopática) se instalou na medicina natural ou naturopatia .

Já não é, entre naturistas, o medicamento químico mas é ainda a noção de receita, fórmula, rótulo ou medicamento o que permanece.

E um pouco ingenuamente vai-se proclamando (mas iludindo os doentes) de que a lecitina evita cálculos na vesícula e dá boa memória (o que até é verdade) , que o abacate (fruto e semente) é bactericida, que a pectina (de maçã) é também «detentora de enérgicas propriedades bacterianas» (sic), o magnésio (da tâmara, por exemplo) seria anti-cancerígeno, o tomate e a cenoura fariam bem à vista, etc., etc.

Entrar no pré-conceito da mesinha específica (fruto, medicamento, planta, chá ou extracto...) é entrar no jogo que a medicina quer: o anti-isto e anti-aquilo, jogo que serve, em última análise, a estratégia sintomatológica que, por sua vez, serve a estratégia da medicina como negócio multiplicador de doenças e não como cura das ditas.

Desde que se atire a «matar isto e aquilo» , apontando para o órgão A, B ou VC, descura-se a causa das causas. Descurar não é curar, evidentemente...pelo que a doença, abafada agora, anestesiada logo, enganada ou diferida depois, encoberta e reprimida mais tarde, voltará sempre mas sob formas cada vez mais insidiosas, graves, crónicas.

A doença crónica é pura e simplesmente o resultado de uma terapia sintomatológica em vez de uma terapia causal.

Ouvimos então os naturo-vegetarianos elogiar as propriedades bactericidas da pectina, tal como os médicos elogiam os êxitos contra os micróbios com antibióticos e tal como os carnívoros elogiam o peixe porque tonifica o cérebro e os lacto-ovo porque o ovo dá muitas calorias (pois dá, e toneladas de colesterol também) .

Na perspectiva causal, ecológica, yin-yang ou macrobiótica, ainda estamos à espera, por exemplo, de que a teoria microbiana seja mais do que uma bela teoria na cabeça de um sábio muito esperto. Porque essa e muitas outras teorias, em que toda a medicina (alopática, heomeopática e naturopática) se apoia ainda está por demonstrar. O próprio Pasteur, pai da teoria microbiana, a pôs em causa no fim da vida.

A análise bioquímica «descobre» ou «inventa» coisas, de facto, que ninguém sabe ainda muito bem se existem. Se não não são simples, puras e fantasmagóricas abstracções.

Sobre estas invenções maravilhosas da ciência , dou notícia a seguir de algumas dúvidas, ao falar de vitaminas, esse mito tão belo, colorido e...frutífero (para as farmácias).

O (pré)conceito de específico ou medicamento não apareceu por acaso e não foi explorado até às suas últimas consequências para servir a saúde ou o interesse do doente. Logo se viu que o específico multiplicava até ao infinito o número de rótulos, frasquinhos, vitaminas, produtos e logo se viu o que isso significava num sistema como a sociedade de consumo onde esse crescimento logarítmico e essa multiplicação exponencial é a chave dos maiores e mais chorudos lucros.

Mas pegar na parte esquecendo o todo não é só uma aberração filosófica à luz do yin-yang. É o melhor serviço prestado à indústria da doença.

A ciência (e respectiva filosofia) ocidental não dão ponto sem nó e as teorias que ela descobre ou os Pasteur que celebriza são os que melhores negócios podem garantir às indústrias.

Enquanto a medicina yin-yang proclama que toda a cura está na base de 7 macro-alimentos - verdadeiros pontos cardiais na selva da confusão alimentar - eis que isso há-de ser uma verdadeira heresia para toda a indústria da doença, não só alopático-farmacêutica mas homeopática e naturopática, que adoram milhares de frasquinhos ...desde o extracto de alho ao creme de alcachofra.

Desde o chá de S. Roberto que curava o cancro até à tâmara que igualmente o curava, sem falar dos poses de magnésio que igual e naturalmente o curava - quantas campanhas em que tanta gente acreditou mas que, à parte terem curado ou não alguma coisa, apenas contribuíram para agravar uma doença de fundo, vício mental ou pré-conceito : o do específico que, em última análise serve sempre fabulosos negócios.

O negócio seria menos imoral se não servisse, de facto, vícios, erros e conceitos mentais que são, ao fim e ao cabo, a doença mais profunda de que o homem alienado sofre, depois de, pela macrobiótica, curar todas as doenças somáticas do espírito e todas as doenças espirituais do soma.

Não negará a macrobiótica que a tâmara tenha, como dizem os cientistas, sais de magnésio , ferro, fósforo, cálcio, vitaminas B1, B2 e PP, etc.

Que a tâmara tenha tudo isso, é óptimo e ninguém está impedido de comer 3 a 5 tâmaras por dia como o melhor apport de magnésio que pode tomar. Mas isso não a deve nem pode tornar credora da nossa idolatria terapêutica.

Yin-Yang é o norte-absoluto e magnético da bússola macrobiótica , por mais sais, vitaminas, inas e etc. que este alimento tenha ou não tenha ou que os cientistas lhe tenham descoberto. Eles descobrem ou inventam cada coisa.

O MITO DAS VITAMINAS

A numerosa e extensa literatura que podemos apreciar sobre as vitaminas - quais e quantas são, como actuam, os transtornos e sintomas que provoca a sua falta ou fartura, onde ir buscá-las, etc.. é um dos mais típicos discursos biocráticos, quer dizer, um discurso tecnocrático aplicado ao complexo, dinâmico e dialéctico fenómeno vivo.

Fingindo que estuda, analisa e compreende, a tecnocracia apenas deturpa, porque particulariza e sectoriza, dividindo para reinar.

Isolar a vitamina A, a vitamina E, a vitamina B, etc, é um primário e vicioso artifício :

1º - Porque todas as vitaminas (se é que existem!...) funcionam em conjunto com outros elementos igualmente imponderáveis, na sua inter-reciprocidade, na sua simultaneidade

2º - Porque, mesmo que esse isolamento não fosse um artifício mental puro, ainda que fosse teorica e praticamente uma realidade, nada nos garante que a obtenção laboratorial , ou seja, sintética, corresponde às propriedades , aplicações e finalidades que a teoria dos livros e dos especialistas ensina.

O mito das vitaminas é, ao lado dos outros mitos biocráticos, um dos mais difundidos; mas não devemos esquecer que o mito das calorias, o mito do colesterol, o mito das proteínas, o mito dos micróbios e o mito das vacinas - correspondentes a tantas outras fantasiosas teses ou teorias com pés de barro - são outras tantas perigosas «ficções científicas» de um sistema que, não dando ponto sem só, só considera válidas aquelas teorias que se traduzem, em breve, na industrialização e respectiva comercialização. A isenta «investigação científica» está sempre ao serviço dos empórios e monopólios . Convencendo o consumidor de que existe, isolada e isolável, a vitamina C (ou um vírus X) é evidente a possibilidade imediata de vir a industrializar o produto...O negócio fica bem à mostra e quem quiser aprender que aprenda.

3º - Pressupondo ainda que o produto sintético obtido por processos laboratoriais tinha, uma vez bebido ou injectado, o efeito rigoroso pressuposto pelos especialistas e teóricos, é evidente o risco que, na prática, esse aleatório representa.

Na medida em que o consumidor ouve o doutor afirmar que determinada vitamina é boa para isto ou para aquilo, a tendência será , unilateralmente e à boa maneira mecanicista da sociedade consumista, abusar desse produto que se diz tão bom.

Além do mais, porém, ensinam os princípios homeopáticos que quaisquer doses aquém e além das rigorosamente indicadas, não só não resultam como podem ocasionar desequilíbrios e perturbações incontroláveis.

É de notar ainda que as próprias publicações que se dizem consagradas à medicina natural e à alimentação racional, não deixam de inserir abundante discurso biocrático sobre vitaminas, dando assim mostras que estão longe de uma medicina ecológica radical e de uma ecologia alimentar efectivamente científica.

Os mitos alopáticos contaminam ainda, em grande parte e força, os próprios textos que se dizem críticos dessa medicina.

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1-6 <98-10-28-yy> – este texto de 5 estrelas acho que estava perdido e que o recupero agora – ainda bem

<dcm-a70> este texto deve ser contemporâneo do projecto ateliê yin-yang, da minha estadia na direcção da unimave e de uma fase de verdadeira paixão pelo yin-yang (paixão que ainda não terminou)

A herança de Hipócrates tem um grande peso nas correntes actuais da Naturopatia. Daí ter-se falado, com fundamento, de uma medicina neo-hipocrática.

Os conceitos fundamentais que animam a medicina naturl são, de facto, hipocráticos. O sintoma, nesse contexto, não é a doença e aparece como sinal de alarme que deverá ser lido ou interpretado; o sintoma não é, em si mesmo, para eliminar ou combater; é para nos obrigar a descobrir a causa: é um convite ao autoconhecimento e à auto-reflexão.

Também o princípio de que a «natureza cura» vem de Hipócrates. A terapêutica consistirá em deixar agir a natureza, removendo os obstáculos que se lhe opõem. Daí a ênfase que na desintoxicação dos tecidos põem todas as correntes naturoterapêuticas, correntes que têm em comum tratarem o terreno orgânico em profundidade e não cada sintoma isoladamente.

Remontando a Hipócrates, pensa-se que quando um órgão adoece é todo o organismo que está doente. Eis outro princípio hipocrático mas tantas vezes esquecido pelos que se dizem praticantes naturopáticos.

Para as escolas hipocráticas, trata-se de compreender o organismo na sua globalidade e nas suas interacções com o meio ambiente. Como todas as grandes tradições médicas da humanidade, Hipócrates não esquece as relações necessariamente existentes entre a natureza, o cosmos, o meio ambiente e o ser vivo.

Escapou a Hipócrates, no entanto, o que a medicina chinesa, por exemplo, cultivou em avançada escala: impossibilidade de manipular cadáveres, a observação do «corpo em movimento» foi levada a um requinte de rigor nunca conseguido antes nem depois.

De facto, a medicina oriental abrange todos os conceitos hipocráticos do meio ambiente mas vai ainda mais longe: e concebe o doente integrado num mundo de ritmos, ondas, ciclos.

Este é o sentido da bipolaridade yin-yang. Trata-se, para esta medicina do princípio único, de entender o movimento em movimento e trata-se de compreender o que significa a doença como desafinação dos ritmos biocósmicos ou bionaturais. Consonância ou dissonância desta música, eis a questão.

A música das esferas está no ser humano. Quando a música desafina, o homem adoece. O que alimenta a música é a bionergia ou energia cósmica. Dela tudo depende e é ela que tudo comanda.

Faltou à medicina hipocrática este princípio fundamental: a energia como força única e unificante do diverso infinito. O princípio único não é uma abstracção intelectual ou filosófica, é (se quisermos) um dado psicofísico no qual assenta toda a medicina ou terapia oriental.

O yin-yang, portanto, não é um yoga de salão mas confunde-se com a própria força ou energia universal, energia que se transforma em corrente alterna quando se manifesta no diverso relativo em geral e no universo do homem em particular.

As mesinhas caseiras de uma tradição médica popular foram esquecendo, através dos séculos, a função secundária do medicamento específico e função principal do elemento ou medicamento que tinha por objectivo agir na totalidade da energia.

Se é importante desbloquear o organismo do que o impede de se autocurar, como defendem os neo-hipocráticos e se, para isso, desintoxicar primeiro e descarenciar depois são as operações-chave de qualquer medicina naturo-causal, falta uma terceira operação que só a medicina tradicional chinesa postula: o reequilíbrio energético.

Desintoxicar é importante, mas temos de saber com que elementos (e alimentos) vamos desintoxicar : de que maneira eles vão afectar o terreno de fundo ou fundamento de todo o ser .

Descarenciar com produtos integrais e biológicos, é importante: mas só por si eles não restabelecem o aludido equilíbrio.

RISCOS E RESPONSABILIDADES DO MÉTODO NATUROTERAPÊUTICO

Se o doente for suficientemente informado das várias opções terapêuticas que se lhe apresentam e quais os fundamentos de cada uma, não vemos motivos para encarar com apreensão a proliferação de novos curandeiros e consultórios de medicina natural que todos os dias vão surgindo.

Eles correspondem a uma necessidade profunda que milhares de doentes, desiludidos da medicina corrente, procuram com angústia e desespero. A falência da medicina é cada vez mais um facto consumado e afirmado pelos médicos: daí que outras medicinas ou alternativas à que existe se tornem uma necessidade dos que se encontram no beco sem saída de uma medicina do incurável.

A proliferação de medicinas paralelas, porém, não se faz sem riscos. Há oportunistas, há incompetentes, há charlatães que «curam» tudo através de todos os processos.

Por outro lado, nunca podemos esquecer este facto retumbante : a medicina químico-farmacêutica criou falanges imensas de «drogados» ou intoxicados crónicos, o que, de um ponto de vista caracterológico, corresponde a falanges de indivíduos meio-irresponsáveis, na fronteira do desequilíbrio psicótico.

Não admira que essa humanidade de «drogados» (fabricados pela medicina química) apresente neste momento um panorama bastante deplorável quanto a condutas individuais, quanto a maneiras de ser e de se comportar ... Até por isso, não pode deixar de haver especulação, fraude e falsidade na procura das alternativas à medicina . A um negócio de produtos farmacêuticos e de instrumentos cirúrgicos, segue-se naturalmente o negócio dos produtos dietéticos ou o negócio dos produtos altamente biológicos.

Mas os sistemas ou métodos estão, evidentemente, para lá dos que, em nome deles, tripudiam e negoceiam.

Ainda como herança da escravo-dependência anterior, o doente tem uma certa tendência para confiar na pessoa do médico naturopata, assim como confiava na pessoa do médico alopata.

Seria, no entanto, mais correcto que o doente confiasse no método em que o naturopata se baseia. É no método e seus fundamentos que reside (ou não) a sua verdade e eficácia. A cura não depende dos «poderes» que qualquer pessoa invoque ou da autoridade académica que ostenta. Antes um mau técnico com um bom método do que um bom técnico com um mau método .

A medicina alopática põe o doente na sua total dependência: o paciente deverá obedecer cegamente às prescrições e não ter sentido crítico sobre aquilo que lhe é ministrado . Cegamente , o doente deve obedecer e cegamente esperar os resultados.

Mas a medicina natural parte de princípios diferentes: para os métodos naturais, profundamente racionais e lógicos, a doença é um mecanismo de causa-efeito que tem de ser claramente compreendido; mas é também uma oportunidade dada ao doente de se autoconhecer, de se autoemancipar e de de autoimunizar.

Este é o mais importante aspecto que distingue a alopatia da naturopatia. Ao doente colonizado por uma medicina colonizadora, propõe a nova medicina que ele se descolonize e ganhe autonomia.

A doença serve para nos ensinar alguma coisa e deve ser aproveitada para isso: é a melhor maneira que há de a gente se curar.

O doente deverá, para isso, tomar em mãos o seu próprio caso, informar-se sobre ele, encetar um processo de autocrítica e autocontrole, saber das causas que lhe provocam os sintomas, fazer um pouco a retrospectiva e a história do seu caso, deverá conhecer o método que escolheu e as razões pelas quais o escolheu. Deverá, portanto, confiar menos em pessoas e mais na lógica ou coerência da teoria proposta.

Enfim, enquanto a alopatia é uma ciência de superstição e de supersticiosos , a naturopatia exige claridade, racionalismo e os dados da experiência. Não acredita em bruxas...alopáticas.

«FAÇA E VEJA OS RESULTADOS»

Nada melhor do que a prática para tirar teimas, para pôr à prova uma doutrina terapêutica. Perante a variedade de teorias que se lhe apresentam, o doente só tem esse critério de avaliação: a experiência, a prática, os resultados obtidos.

Aos que duvidam da naturopatia, aos que duvidam da acupunctura e da massagem do-in, aos que duvidam da macrobiótica e da dieta cerealífera, só se pode dar um conselho indiscutível que é uma «lei universal»: «experimente», «faça e veja os resultados.»

Duvide de todas as técnicas ou terapias que prometem mundos e fundos na teoria mas na prática não resolvem sequer uma constipação ...

Desconfie dos que indefinidamente adiam, prorrogam, iludem o mal, dos que, limitando-se a bafar sintomas, deixam que estes, em breve, se vejam substituídos por outros.

Nada melhor do que os resultados para dizer se é este ou aquele método que cura.

Porque, atenção: é no método e não no especial mérito, talento ou erudição do dr. A, X ou Z que reside (quando reside) o poder curativo.

Se o método estiver de acordo com a lei e a ordem universal da natureza, vem a cura por esse método (porque só a natureza cura). Vem a cura aproximada se o método for aproximado . E não vem nenhuma cura, se o método estiver errado.

Estão os dignos representantes da medicina académica sempre prontos, de bisturi na mão, a apontar falhanços, os fracassos dos métodos naturais. Infelizmente têm muito que apontar, porque os praticantes da naturopatia nem sempre são os primeiros a dignificá-la.

O que a medicina escolástica quer é ver (para explorar) o fracasso dos métodos naturais.

O facto de muitos desses métodos serem apenas aproximações da linha correcta, da lei universal, deixa uma margem de manobra à calúnia e às campanhas médicas para difamar a cura natural. Ela, medicina, está autorizada a errar 100 vezes em cada 10, está autorizada a matar, está autorizada a pôr e a dispor dos doentes como autómatos ou «máquinas de queimar calorias» como, segundo uma famigerada teoria, consideram os seres humanos.

Mas os métodos naturais, esses, é que, segundo a medicina ordinária, não podem errar nem agir por aproximação nem ficar-se no pouco mais ou menos.

Daí a necessidade, para as medicinas suaves, de imaginar uma teoria com raízes e tronco fortes, na variedade de métodos terapêuticos que se apresentam hoje, em nome da natureza e do poder curativo da natureza.

A massoterapia, a fitoterapia, a hidroterapia, a helioterapia e tantas mais formas ou artes de curar só resultam na medida em que, directa ou indirectamente, radicam na mais antiga arte de curar que, por sua vez, tem os seus fundamentos e práticas no princípio único.

A natureza é boa e por isso cura, dizem os métodos que vão beber a Hipócrates, o médico que tentou ressuscitar, na Europa, os fundamentos da medicina baseada no princípio único. Mas os que vão beber em fontes e teorias cosmológicas mais antigas, sabem que nem sempre a natureza é boa, nem sempre a natureza cura: sabem que tudo é dialéctico e que tudo está em mudança, sabem que não há bem nem mal absoluto, sabem que há um equilíbrio dinâmico na Natureza e uma permanente fluência, um perpétuo ritmo yin-yang.

O que existe e significa vida, saúde, ordem biológica de acordo com a ordem da natureza ou ordem cósmica , é um ritmo ou respiração universal, movimento, permanência ou Tao, a que os chineses - estudiosos ferrenhos deste ritmo - chamaram o ritmo yin-yang, a que modernamente nós outros - distraídos estudiosos do movimento universal - chamamos ciclos, vibrações. ondas, ritmos.

Yin-Yang é a respiração-inspiração do universo enquanto corpo vivo, quer dizer, enquanto equilíbrio dinâmico, quer dizer, enquanto movimento. Yin-Yang só tem sentido, se concebermos o universo como movimento. Não tem qualquer utilidade nem faz sentido, para qualquer concepção estática (dualista) do mundo, concepção que acabará por ser também «caótica» face à concepção cósmica do Yin Yang.

A luz desta concepção dinâmica ou dialéctica, portanto, saúde e doença são (como tudo quanto existe, visível e invisível) apenas casos particulares de uma lei geral.

Quem veja a vida em termos de permanência, dinamismo, movimento, ritmo, equilíbrio, ciclo, onda ou corrente, mais tarde ou mais cedo fará pender a sua preferência para as terapias directamente inspiradas no yin-yang.

Esta concepção do universo do homem - como reprodução fiel, embora em miniatura - do universo ou macrocosmos - é o postulado que fundamenta , directa ou indirectamente, todos os métodos terapêuticos que olham a natureza como cosmos organizado, como estrutura coerente, como corpo vivo (como sistema orgânico) , como ecossistema.

Fora disto, é natural e logicamente o caos.

Como se pode ver olhando à nossa volta.

Quer dizer: o princípio rítmico do yin-yang taoísta coincide, ponto por ponto, milimetricamente, com os conceitos actuais do ecossistema. Não é fantasia nem exagero nem favor, considerar a medicina chinesa tradicional a primeira (em data conhecida) medicina ecológica da história.

Hipócrates e as escolas naturopáticas nela baseadas já têm uma concepção humanista, apesar de tudo estática, dualista, não rítmica da natureza, Como se sabe, a naturopatia baseia as suas curas nos dados da fisiologia académica e fala em vitaminas, proteínas, calorias, hidratos de carbono, aminoácidos e em outros dados que a medicina académica lhe fornece. Só na terapia divergem mas só aparentemente.

Esta a diferença abissal entre a medicina ecológica ou rótmica do Yin-yang, do princípio único, do micro-macrocosmos e a medicina (alopática ou naturopática) que descarta , à partida, a dialéctica yin-yang para cair, posteriormente, numa série de teorias cuja diversidade ilustra bem a sua confusão interna.

A bioenergia é sempre o fundamento de qualquer terapia natural

As escolas de yoga difundidas no ocidente, mais ou menos a partir do princípio deste século, punham a tónica no elemento ar, alegando que através da respiração todo o organismo era afectado e podia ser curado.

Era um elemento novo relativamente aos dados da medicina hipocrática mas, de qualquer maneira, insuficiente ainda como explicação das explicações, como origem das origens.

Da mesma maneira poderíamos falar de massagem ou dos banhos como terapêuticas tão importantes como a terapia respiratória do yoga mas o que, indirectamente, é em última análise afectado, em qualquer desses três casos , é o sistema bioenergético.

Muitos massagistas supõem que actuam nos músculos , nos órgãos, o sistema nervoso, até em determinados pontos do sistema endócrino.

A cura pelos banhos e a hidroterapia em geral fala de reacção térmica e atribui a essa reacção térmica os resultados terapêuticos obtidos.

Por fim, o yoga fala dos benefícios colhidos por uma boa inspiração-expiração, oxigenando assim os pulmões, através deles o sangue e através do sangue as células dos órgãos vitais.

É uma explicação lógica, verídica, brilhante mas, de qualquer maneira, ainda incompleta.

Quer a massagem, quer a hidroterapia, quer a respiração, a causa profunda sobre a qual actuam é, ao fim e ao cabo, o sistema bioenergético.

Um bom escalda-pés é uma enérgica maneira de agir sobre meridianos fundamentais do sistema energético.

Um banho semicúpio também.

E uma respiração regulada, aspas aspas.

Quer dizer: aquelas técnicas terapêuticas só não são mais eficazes porque relativamente aos pontos-chave do sistema energético, agem um pouco ás apalpadelas: é desta margem de incerteza, aliás, e na medida em que as técnicas apontadas acabam por agir mas agir indirecta ou obliquamente sobre os pontos-chave - é desta mergem de incerteza que resulta certo descrédito em relação às terapias neo-hipocráticas, desde a homeopatia à hidroterapia e à massoterapia, até à trofoterapia ou terapia alimentar.

Não levando em consideração o fundo da questão, o fundamento do edifício , o comando geral, a causa das causas, a origem das origens - a bioenergia - todas aquelas terapias resultam tanto menos eficazes quanto mais se afastam da uma actuação, mesmo oblíqua, sobre o sistema bioenergético.

Pior ainda, no entanto, é quando, por exemplo, o alimento actua ao contrário; haver um desequilíbrio energético accionado por excesso de yin e o alimento acentuar esse excesso , a pretexto de que localmente vai agir em sentido positivo.

Quando, a pretexto de uma acção local sobre um sintoma se esquece o geral, a naturoterapia usada tem foortes probabilidades de não dar resultado.

BIORITMO OU RITMO YIN-TANG

Compreender o universo como um ser vivo ou ecossistema - e o homem como célula desse corpo, entre milhões de outras células - é algo que não poderá nunca entrar nos esquemas ora positivistas ora experimentalistas da ciência médica corrente, mesmo das correntes hipocráticas.

Ora é nesse princípio (único) que se baseia a concepção na qual assenta toda a medicina oriental. Micro sem macrocosmos não se compreende (e reciprocamente) . O universo respira e nós respiramos com ele.

Há um plano e quando a tradição esotérica fala de ignorância (a ignorância que produz sofrimento) é principalmente a ignorância deste plano. Ou a falta de fé nele. Ou a impossibilidade de o admitir, de o compreender, de o amar. Sejam quais forem as manifestações que esse plano revele.

Há um plano, um corpo, uma ordem, respiração ou ritmo universal - eis o princípio do princípio único.

Logo há um ritmo respiratório desse corpo universal, ritmo que nós podemos perceber no ritmo respiratório, no ritmo solar (dia/noite), no ritmo lunar, no ritmo do pulso ou no ritmo cardíaco.

Doença é uma desafinação deste ritmo . E não há hipótese de conhecer a doença (logo a cura) sem compreender e pôr em prática esta teoria do ritmo universal.

Nota:

O facto de haver órgãos onde o ritmo é sensível, não significa que esse ritmo não exista nos outros.

Através do pulso e do latejar cardíaco, há um ritmo sensível inegável. Para o princípio único trata-se de pressupor o mesmo ritmo nos outros órgãos onde ele não surge com a mesma evidência sensível.

Yin-Yang não é um artifício abstracto ou intelectual, nem um postulado, teoria ou sofisma: é uma realidade física e a expressão que define esse ritmo universal. É a pauta onde se inscreve essa música.

O ritmo pré-existe-nos. Tudo é ritmo . Só somos enquanto somos ritmo. E somos o ritmo que somos.

+

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Segunda-feira, 28 de Outubro de 2002

José Carlos: Chegou a tua mensagem – Folha nº 1 – que tenho andado a ler e a reler, sem conseguir encontrar o tom da minha resposta. Ou seja: o teu testemunho toca na parte emocional (existencial) e faltam-me palavras para responder nesse registo. Afastando um pouco o emocional, tentarei (cor) responder aos itens mais objectivos.

O que dizes de organizar os textos poéticos, agrada-me por coincidência com o que tenho nos últimos tempos concluído: provavelmente os versos ainda são aquilo a que poderemos recorrer quando o circunstancial satura demasiado. São o que permanece num mundo onde tudo muda, muitas vezes sem sentido. E um ponto comum para tentarmos, mais uma vez, ser mais assíduos na nossa correspondência.

Já te falara, em mensagem anterior, dos projectos em que me tenho entretido, só para queimar tempo e sem grandes pressas. É curioso que também me apercebi que afinal já estou a completar a década setenta do «meu peregrinar». E só agora estou verdadeiramente a fazer o «countdown», que já deveria ter começado há dez anos. Mais uma vez, tu antecipas-te.

Sempre gostei de fazer balanços pessoais, mas acho que tenho andado distraído, sem consciência de que afinal e na melhor das hipóteses só me resta uma década para concluir o trabalho de casa. E foi o Mário Castrim, falecido aos 84 anos, que me alertou... O melhor e na melhor das hipóteses, é começar a arrumar a casa para não deixar as coisas muito complicadas a quem estiver cá.

É aqui que entra, como prioridade, o tal site «O Gato das Letras», em que estou a trabalhar activamente quando o computador deixa. Para isso, tenho que aprender o programa Front Page e tenho a sorte de ter quem me ensine.

Relacionado com estas duas prioridades pessoais, vem uma terceira e talvez última: aproveitar esse site - « O Gato das Letras» - para meter lá tudo, ou criar dois desdobramentos - «O Escriba» e «Crónica do Planeta Terra», ficando assim o conteúdo distribuído:

a) «O Gato das Letras» - Livros, Livros & Livros Ldª

b) «O Escriba» - Obras literárias pessoais e dos meus amigos

c) «Crónica do Planeta Terra» - A ideia ecológica nos últimos 40 anos.

Esta última pretensão coincide com um ponto da tua mensagem, o primeiro do verso da página, e onde traças o itinerário percorrido por alguns ou muitos de nós, à procura da «deep ecology».

O Artur Tomé mandou-me um mail e quer elementos sobre o movimento ecológico: acho que é um ponto onde poderemos pensar numa inter-colaboração, historiografar o movimento, não só ou não tanto nos acontecimentos e pessoas envolvidas mas ao nível da ideia ecológica e sua evolução nestas quatro décadas. Penso ser esta a sugestão desse item da tua mensagem. E é o que, neste momento, ainda me pode mobilizar para mexer de novo em papéis antigos.

Quanto a «O Escriba», é óbvio aquilo em que podemos intercolaborar : os teus versos completos e os meus, dá para fazer um site muito giro e que fica para a posteridade. Com o programa Acrobat e o Zip podem compactar-se longos textos e é isso que me entusiasma.

Mas é «O Gato das Letras» que tenho maior interesse em concretizar já: trata-se de criar um site à volta da «Biblioteca do Gato» que neste momento tenho a pretensão de ser um ponto de partida para aquilo a que chamei «Alexandria 2000». Mal sabia eu, quando há cinco anos inventei mais esse projecto, que estava para ser inaugurada a nova Alexandria: continuo no entanto a pensar que a minha «Biblioteca do Gato» contém fragmentos do «puzzle» da genuína Alexandria muito mais interessantes do que a nova, de cores tecnocráticas...

Embora preferisse enviar-te esta mensagem pelo correio normal, vai já seguir pelo mail para os dois endereços: confesso que me inibe um bocado, nunca saber se acerto no sítio certo onde no momento te encontrarás...

Dirás então alguma coisa quando puderes e quiseres.

Afonso ■