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Posted by Big-Bang - domingo, 19 de Outubro de 2003

Retrovisor (1959-1998) ->Day by day
39 anos de memórias

 

Lisboa, 19/Outubro/1959

Fio por fio a teia recompondo

vamos da prisão que somos construindo o muro

o poço onde descemos não tem ar nem fundo

é o retrato em corpo inteiro do medo.

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1-2 - <71-10-19-ls> leituras selectas do afonso

OS ESPECIALISTAS QUE RESOLVAM (*)

(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal diário «Notícias da Beira» (Moçambique) , 19-10-1971

Não sendo especialista de coisa nenhuma, nem político, nem médico, nem engenheiro, nem locutor, nem jornalista, nem escritor, nem nada, sou especialista de nada. Por isso remeto para os especialistas de tudo as perguntas que, inquieto, como cidadão do mundo, consumidor obrigatório, homem objecto numa sociedade abjecta, vou formulando sobre aquilo em que, na minha condição de homem comum, me afectam as especialidades e seus especialistas: a Medicina, a Política, a Engenharia, a Rádio, a Imprensa, a Literatura.

Não posso ser vítima passiva (paciente, lhe chama a Medicina) de tudo isso, numa época precisamente em que tanto se fala (nos discursos) de PARTICIPAÇÃO. Pois bem: quero ser um leitor, um rádio-ouvinte, um doente, um transeunte, um cidadão, um munícipe, um consumidor, além de exemplar e cumpridor do dever, EMANCIPADO.

Por isso me sinto no direito de, não tendo especialidade, fazer perguntas aos especialistas que com suas especialidades me afectam. E como afectam, respeitosos deuses!

UMA MINORIA MAIORITÁRIA

O problema da juventude só começou a aparecer nitidamente recortado nas suas verdadeiras dimensões quando as manifestações isoladas de grupos dissidentes se viram sociologicamente enquadradas no plano mais vasto a mais lato das «minorias» colonizadas em processo de descolonização. Minoria sui-generis, sem dúvida, esta que constitui uma quarta parte da humanidade, mas, de qualquer maneira, vivendo os problemas de resistência e revolta comuns a outros tipos de emancipação.

TÓPICOS PARA UM ENSAIO SOBRE A NOVA UTOPIA

A pluralidade das civilizações passadas;

A pluralidade dos mundos habitados para lá do globo terrestre;

As razões além da razão A (clássica, greco-latina, ortodoxa): de B a Z;

Verificada a pluralidade de civilizações, começa a compreender-se: o valor que podem ter o ioga, o zen, a acupunctura, o karate, as medicinas paralelas;

Que todas as raças têm direito à existência e todas as criaturas a ter voz;

Que a descolonização dos colonizados pela razão A é um facto irreversível e indetível;

Que o futuro será de tolerância e de ecumenismo;

Que todas as minorias «anormais» têm direito à existência;

Trata-se, em resumo, de criar uma nova óptica e de ler, de reler toda a arte, toda a literatura, toda a filosofia, toda a ciência e toda a realidade a essa nova óptica;

A imaginação deverá ser método para toda a ciência, todo o pensamento, toda a acção.

Lendo L'HOMME ETERNEL: - Manifesto de todas as civilizações - O convívio das civilizações - A mais vasta questão - As civilizações possíveis - A pluralidade dos mundos habitados - A revolução cultural - A relatividade cultural - Para um estruturalismo selvagem.

 

AFONSO CAUTELA

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(*) Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal diário «Notícias da Beira» (Moçambique) , 19-10-1971

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<81-10-19-cr> cronologia do afonso – publicados ac

19-10-1981

«Cartas à Geração do Apocalipse » - Nº 2, 3 e 4 – Composição em stencil de dois folhetos, 150 exemplares ao duplicador

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<81-10-19>

<suínos-1> temas recorrentes – a resposta das ta’s

A PESTE SUÍNA E O REALISMO ECOLÓGICO(*)

(*) Publicado no «Diário do Alentejo», 19/10/1981

19/10/1981 - A melhor forma de combater a peste suína e a sua causa próxima - a falta de higiene nas pocilgas - é manter em cada uma das explorações uma unidade produtora de biogás, obtido a partir dos excrementos dos animais por fermentação anaeróbia.

E porquê?

Perante o fenómeno que desmoraliza a economia pecuária - a febre suína nas suas formas de febre aftosa e de febre suína africana - verifica-se a tendência oficial para diagnosticar este efeito com base em falsas ou supostas causas.

Joga-se assim o barro à parede a ver se pega.

Perante a natural e geral indignação da opinião pública - a quem prometeram proteína animal com fartura - vários serviços veterinárias, intendências regionais e direcções gerais, multiplicam-se em comunicados de pura retórica medicamentosa (vacina & etc.) qual peste (suína) com a qual se manipula e intoxica aquela mesma opinião pública.

Vacinação com vacinas que não existem, distribuição de folhetos educativos para «sensibilizar as populações»; fiscalizações que nada fiscalizam, fazendo vista grossa à .candonga e à ilegalidade; conselhos sanitários aos produtores, que estão evidentemente mais preocupados com os seus lucros ilimitados do que em sanear o ambiente e proteger a saúde pública; certificados passados por veterinários municipais; inquéritos policiais depois de consumados os desastres; especulações sobre a proveniência espanhola das epidemias; etc.

Se quisessem indagar das verdadeiras causas, deveriam os serviços apontar as baterias para as questões de fundo: comparados os efectivos pecuários de hoje com os de há 10 anos, ver-se-ia por aqui que a fartura de proteínas tinha que trazer o seu reverso: a fartura de doenças.

Acusar «o criminoso oportunismo de negociantes sem escrúpulos»; acusar os intermediários; acusar o tempo seco ou a prolongada estiagem; acusar as feiras de gado, o abate clandestino e respectivo comércio de carnes verdes; acusar tudo isto de serem as «causas» da peste suína, é pura e simplesmente fraude.

Enquanto não se sair desta pecha «moralizante», idealista e sintomatológica, sempre à procura de um bode expiatório, enquanto não se tomarem verdadeiras medidas profilácticas, enquanto não se for à causa das causas, (a proliferação de pocilgas em condições de higiene verdadeiramente abomináveis), a peste alastrará, os prejuízos aumentarão, os clamores subirão de tom e nada , absolutamente nada se resolverá.

A única conclusão legítima é que os serviços não estão mesmo interessados em resolver o problema da peste suína. E por isso deixam andar enquanto cultivam um oceano de retórica. Não é dando conselhos e fazendo sermões no púlpito às pessoas, que estas alteram o seu comportamento. Só se as medidas higiénicas trouxerem aos produtores de gado vantagens económicas e aumento de lucros à sua exploração, é que eles realizarão essas medidas de profilaxia sanitária.

Ora a única maneira de tornar rentável a porcaria do porco é transformá-la em gás, em riqueza, em novos lucros e fonte de interesses. A única maneira de combater a peste porcina é generalizar as unidades geradoras de biogás, a forma mais económica de combater a poluição de pocilgas e aviários.

Idealista é a visão moralista e sintomatológica da realidade pecuária portuguesa.

Realista e revolucionária é a visão ecológica e causal da realidade.

A verdade é sempre revolucionária.

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(*) Publicado no «Diário do Alentejo», 19/10/1981

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1-4 - <medicina-7-yy> = yin-yang - os dossiês do silêncio – contra a medicina ordinária – obviamente inédito

 

- O mundo das alternativas sem órgão de informação

- Consciência holística implica diálogo

- Bom serviço prestado à ordem

- Antigos fanatismos

- Obras de aproximação às fontes orientais

- Dialogar sem trair a ética yin-yang

19-Outubro-1986 – O mundo das actividades ecológicas e alternativas não tem ainda em Portugal o órgão informativo que merece e necessita.

Há público, há todo um mercado de produtos e equipamentos, há (inclusive) uma grande pressão internacional no sentido de dignificar as técnicas holísticas de saúde e os movimentos que advogam as eco-alternativas de vida, a construção de uma sociedade paralela que possa evitar o holocausto nuclear do Globo e o seu apocalipse definitivo.

Mas em Portugal ainda não existe o órgão de informação capaz de veicular e fomentar esse movimento, sendo ao mesmo tempo o seu porta-voz .

Em Portugal todo esse mundo alternativo está sujeito ainda a uma série de bloqueamentos, que derivam não só do mundo industrial que naturalmente o hostiliza mas dos próprios que deveriam defendê-lo já que dele (mundo alternativo e movimento holístico) fazem vida e profissão.

Todos estes bloqueamentos - de um lado e de outro, do mundo alternativo e do mundo industrial - se sentem de maneira às vezes brutal no dia a dia de quem escreve em jornais.

Quem teimar em ser franco-atirador isolado desta luta arrisca-se a perder o emprego.

Noticiar um novo restaurante, entrevistar um bom terapeuta, fazer a reportagem de um acontecimento na área holística das terapêuticas naturais e na defesa da vida, constitui um autêntico problema, depara com inusitadas, resistências, quase sempre não declaradas mas difusas.

MUNDO HOLÍSTICO EM PORTUGAL

O movimento holístico em geral e macrobiótico em particular, não têm, inclusive, forma de se defender quando são atacados, às vezes de maneira soez e baixa, por notícias sectárias e mentirosas, que falam em alternativas de vida sem saber do que falam ou falam por simples acinte, quando não obedecendo a ditames mais ou menos obscuros dos interesses económicos mais que sabidos e que, naturalmente, se opõem às alternativas naturais de vida propostas pelos que advogam uma nova mentalidade e uma nova forma de ver e mudar o mundo.

Dominada por interesses económicos que, pela sua própria natureza, hostilizam os métodos e processos naturais de saúde, a imprensa em geral dificilmente aceita a informação sobre aquelas actividades alternativas que, no espírito e na prática, se propõem criar, paralelamente ao pesadelo industrial, um mundo novo capaz de ir substituindo, gradualmente, o mundo velho e em decomposição acelerada.

Isto implicaria, inclusive, que a Imprensa da especialidade, aquela que se diz estar ao serviço do movimento holístico, tivesse maior vitalidade, não envergonhasse os seus próprios objectivos e ideais e realizasse a informação que a imprensa tout court não sabe, não quer ou não pode servir.

Mas acontece que a imprensa da especialidade, na área holística (profilaxia das doenças e conservação da saúde) se encontra igualmente bloqueada por fortes limitações de concepção e acção. A mesquinhez de horizontes e processos acompanha a mesquinhez deste triste mundo holístico em Portugal.

DIALOGAR COM OS PARENTES

Tal como se encontra, há muitos anos, a imprensa holística portuguesa é o melhor serviço prestado à Ordem dos Médicos, fazendo crer às elites intelectuais de que a "medicina natural" não passa nunca das mesmas inocuidades empírico-literárias.

Não tendo explorado as enormes virtualidades e as energias potenciais que tem à sua disposição, a imprensa holística não aproveita com inteligência a oportunidade histórica que lhe é dada. Não aproveita e tem ódio a quem lhe fala de inteligência. O tilintar da máquina registadora é motivação muita mais gratificante para os líderes do movimento.

Nenhuma revista das que se publicam, conseguiu até agora combinar os diversos factores que poderiam conduzi-las a um êxito de público, sintonizando as suas profundas mas recalcadas aspirações a um mundo diferente, e aproveitando a dinâmica que por todo o mundo essa profunda aspiração já criou de modo irreversível.

Continua por fazer uma revista independente, que aborde os problemas de saúde sem partis-pris mas com uma consciência profunda dos dados ecológicos da questão, num espírito permanente de objectividade e diálogo, cerrando as portas apenas à estupidez, à ganância, à incompetência, ao charlatanismo.

Para muitos de nós, que andamos nestas lides há uns anos largos, é ponto assente que de todas as técnicas alimentares hoje proclamadas como eco-alternativas, é a Macrobiótica, sem dúvida, aquela que maior margem de segurança, efectividade e eficácia oferece.

Quem conhece os "antigos vegetarianos", muito respeitáveis enquanto pioneiros mas que não souberam nem quiseram evoluir, sabe como esses movimentos enquistaram em erros crassos e posições de sectária intransigência, de que a tal "imprensa da especialidade" dá uma imagem bem triste e cinzenta.

A verdade é que a Macrobiótica também deveria ter evoluído e nem sempre isso aconteceu.

O grande problema, para um adepto não sectário da Macrobiótica, é saber manter-se fiel à essência da filosofia taoísta onde ela mergulha mas manter, por isso mesmo, a flexibilidade de espírito e abertura ao diálogo sem nunca se enquistar numa "igreja" fanática como fizeram anteriores correntes vegetarianas.

Quando a Ordem dos Médicos escarnece dos "vegetarianos" e "naturistas" , com alguma razão, infelizmente, o faz, pois boa matéria de troça lhe continuam a fornecer.

Também é bom não esquecer que a Macrobiótica é apenas o nome moderno dado a uma tradição terapêutica multisecular que inclui ramos tão importantes como Acupunctura, Farmacopeia e a própria Homeopatia, tal como se praticava há muitos séculos, no Tibete ou na China.

Lamentável é verificar que a Macrobiótica, pelo menos em Portugal, ainda não aprendeu a dialogar nem com estes seus parentes mais próximos. E do que se trata, quando abordamos a Macrobiótica na sua essência, dada pelas fontes orientais da civilização e da cultura, é de manter o espírito aberto de diálogo às fontes orientais e destas com as fontes ocidentais da cultura.

FONTES OCIDENTAIS

Como vivemos no Ocidente, é indispensável um amplo espírito de diálogo também às fontes ocidentais.

Exemplos desse espírito são - lembremos - obras como a do brasileiro Flávio Zanatta, que traduz em termos de ciência ocidental (ele é químico de profissão) as verdades reveladas da ciência yin-yang.

Também a obra de Fritjof  Capra, "A Física do Tao'', é uma homenagem de um físico atómico à sabedoria taoísta, a qual ele consegue identificar, ponto por ponto, com a física moderna, concluindo que tudo já estava contido na sabedoria taoísta... Para físico atómico, já não é nada mau.

A "metabolic medecine" é hoje outro vasto campo em que a ciência da nutrição e do metabolismo , caindo embora nos exageros e aberrações da hiper-análise e perdendo , também aí, a consciência unitária (holística) do conjunto, vai, no entanto, a pouco e pouco, confirmando as teses já defendidas em termos não analíticos mas talvez intuitivos (holísticos) pela argumentação yin-yang.

Parece-me um bom exemplo desta aproximação, a palestra de Michio Kushi intitulada "Transmutações Atómicas" traduzida e editada em português como "Guia de estudo do Instituto Kushi" em Portugal.

O desenvolvimento das chamadas "reflexoterapias", desde a reflexologia do pé até à da aurícula, são, em si mesmo, homenagens aos princípios invioláveis da ciência acupunctural e do princípio único.

MICRO/MACROCOSMOS

Enfim, a vida é um todo e o homem é parte integrante tanto do micro como do macro-cosmos. Por isso a Macrobiótica não pode fechar-se em si própria, sob pena de se trair. Terá constantemente de compreender a complementaridade dos opostos, os fios que a ligam a outras fontes não só orientais (yoga e artes marciais, por exemplo) mas também ocidentais.

Um órgão de informação é, por natureza, o lugar ideal para percorrer esse caminho de aproximação e para travar esse diálogo.

Sem o rótulo de Macrobiótica ele pode, no entanto, ser por isso mesmo muito mais fiel ao espírito do principio único e da dialéctica yin-yang.

E pode, sem trair a filosofia central do taoísmo, estar atento e aberto às técnicas de promoção de saúde que as pessoas , por enquanto, ainda necessitem, até porque o grau de evolução não é ainda igual para todos, conforme Michio Kushi já tem alertado.

Uma revista de espírito macrobiótico deve preocupar-se, principalmente, em alargar essa família e não em falar exclusivamente para a família.

As revistas portuguesas de saúde pecam todas por esse carácter doméstico, falam todas para a família, sem respeito nem atenção por outras formas alternativas de vida, e até sem perceberem que na abertura e no alargamento a novos públicos está a chave do sucesso comercial.

Nem isso ainda aprenderam.

Muita coisa, no mundo holístico, já mexe em Portugal. Admite-se, portanto, que as revistas continuem a ignorar esse mundo, mais ocupadas em coçar o umbigo?

Por outro lado, tarde ou cedo, mesmo os que mais hostilizam a Macrobiótica, lá irão parar quando chegar a sua hora. É dos livros e da experiência. Muitos que a hostilizam, aliás, não é por mera e emotiva aversão mas por receios bem sérios de lhes "acabar com o negócio dos frasquinhos'',

Mas para que aumente o movimento de "conversões" à Macrobiótica, é preciso inverter a estratégia até agora lamentavelmente seguida: é preciso ser tolerante, compreender o grau evolutivo de cada um, sem jamais transigir, evidentemente, com tudo o que é frontalmente adverso à ética rigorosa do yin-yang.

Separar o trigo do joio, é tarefa de uma direcção e de uma chefia de redacção com inteligência, cultura e conhecimentos técnicos suficientes para nunca se deixar enredar e subverter na lógica comercial de puros negociantes do ramo ou, por outro lado, nos equívocos da ciência analítica, no metabolismo das inas e etc.

Não podemos é rejeitar, no entanto, toda esta Medicina Metabólica em bloco, ou toda a Homeopatia, ou toda a hidro-terapia, ou todo o yoga, etc.

O que temos, sim, e uma revista é lugar ideal para isso, é de mostrar a superioridade dos métodos macrobióticos e até dos militantes macrobióticos (difícil, difícil!) em relação à maior parte dos outros.

O que não podemos é dizer que todos os métodos, fora da Macrobiótica, são maus, porque talvez todos sejam bons e óptimos desde que tomem como base a Macrobiótica. Esta a verdadeira superioridade que devemos mostrar.

Ainda que a Macrobiótica fosse o único método, uma revista orientada tão sectorialmente ou tão sectariamente, nunca conseguiria, em Portugal 1987, vingar, conquistando um público cada vez mais vasto para a área da compreensão yin-yang do Universo.

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<92-10-19>
<asma> «fichas de tratamento» - ocorrências da raiz 

14287 caracteres - 6 páginas -

<energia>

15616 bytes <asma>

Pensava-se até agora que os pulmões tinham apenas uma função respiratória: semelhantes a foles de forja, eles aspiram o ar e expiram-no, fixando o oxigénio do ar e depurando o sangue do gás carbónico que aí se acumula.

Descobriu-se agora que eles têm ainda uma função bastante diferente, a de glândulas endócrinas (ou de secreção interna). Fabricam e transformam hormonas e controlam o influxo da circulação sanguínea. Assim os pulmões assegurariam o equilíbrio entre duas hormonas, das quais uma tende a elevar a tensão sanguínea e a outra a baixá-la. Quanto às paredes dos vasos capilares dos pulmões, contêm enzimas capazes de activar estas hormonas, assim como muitas outras.

O mecanismo complexo que permite atribuir aos pulmões este papel glandular foi descrito recentemente na reunião da American Chemical Society de Chicago, por dois médicos da Universiadade de Miami, os drs. James W. Ryan e Una S. Ryan, que fazem também parte do Instituto Papanicolaou de Pesquisas sobre o Cancro (Miami).

É evidente que todas as hormonas que circulam no sangue são levadas a atravessar os pulmões. Certas destas substâncias passam apenas da circulação venosa para a arterial, mas outras, porque circulam em minúsculos vasos capilares dos pulmões (cujo comprimento total ultrapassa 2000 quilómetros), são radicalmente transformadas.

A neoadrenalina, por exemplo, hormona vasoconstritora segregada pelas glândulas suprarenais, é transformada nos pulmões, enquanto a adrenalina, cuja fórmula é próxima da neo-adrenalina, não é modificada.

No entanto, os pulmões contêm hormonas capazes de inactivar estas substâncias e muitas outras. A presença destes enzimas pode evidenciar-se num pulmão homogeneizado mas, no pulmão vivo, certos destes enzimas são inibidos, reagindo então com as hormonas em circulação. Há, pois, um mecanismo, que permite activar esse enzima e inibir outro.

Tudo se passa, ao que parece, nos segmentos dos vasos capilares dos alvéolos pulmonares, cujo número é de cerca de 300 milhões, possuindo cada alvéolo cerca de 1000 segmentos capilares - cujo número total é, pois, da ordem dos 3000 biliões. O diâmetro de um vaso capilar é da ordem de 7 ou 8 milésimos de milímetro, o mesmo que o de um glóbulo vermelho. É pelas paredes extremamente finas destes vasos que se efectua a interacção entre os enzimas pulmonares de um lado e as substâncias contidas no sangue que circula nestes vasos, por outro. Os mecanismos de acção são variados: pode tratar-se da degradação de uma hormona por hidrólise, de uma reacção de oxidação, ou ainda de uma «metilação».

Por um sistema ainda não explicado, os pulmões agem selectivamente sobre esta ou esta hormona, como se as substâncias que contêm estivessem programadas para um objectivo preciso.

Por exemplo, pode determinar-se o que se passa relativamente a duas hormonas cuja acção é antagonista, a bradiquinina e a angiotensina. A bradiquinina, sintetizada no fígado e veiculada no sangue por uma globulina, é um dos mais potentes hipotensores, quer dizer, abaixadores da tensão arterial. (Mais precisamente, a bradiquinina contrai os músculos lisos, dilata as artérias e aumenta a permeabilidade dos capilares, tendo tudo isso um efeito hipotensor).

A angiotensina, pelo contrário, é um poderoso hipertensor (há efectivamente duas angiotensinas, I e II): ela age por vasoconstrição.

Ora, os enzimas pulmonares inactivam completamente a bradiquinina na sua passagem através dos pulmões. Pelo contrário, eles activam a angiotensina I em angiotensina II, substância homóloga mas muito mais poderosa.

Outras pesquisas já tinham notado que à saída dos pulmões, o sangue não contém já bradiquinina, mas contém uma quantidade importante de angiotensina. Há sete anos, o Dr. James Ryan empenhou-se em demonstrar o mecanismo pelo qual estas transformações se efectuavam e, por aí, a definir o papel dos pulmões enquanto regularizadores da tensão sanguínea.

Para começar, os investigadores introduziram nas hormonas uma substância radioactiva, que se integrava na fórmula destas hormonas.Conseguiu-se assim verificar, seguindo o percurso dos átomos radioactivos, que a bradiquinina desaparece nos pulmões. Os átomos radioactivos que tinham pertencido à bradiquinina encontram-se no espaço intravascular, tendo então abandonado o interior dos capilares.

Com estas experiências, foi possível concluir o seguinte:

-Os enzimas encontram-se ligados à superfície das células que formam a membrana dos mais pequenos vasos dos pulmões.

-Estas células estão constantemente em presença de sangue contendo a bradiquinina e a angiotensina, encontrando-se entre os glóbulos vermelhos que circulam neste vasos;

-É neste contacto entre os enzimas e as hormonas que estas últimas são transformadas (os investigadores americanos esperam poder visualizar estes enzimas ao microscópio electrónico;

-Além destes enzimas (e outros enzimas agindo sobre diferentes hormonas), o papel de «glândulas endócrinas» que desempenham os pulmões é sublinhado pelo facto que libertam igualmente secreções activas na circulação sanguínea. Por exemplo, os pulmões segregam as prostaglandinas, hormonas que teoricamente agem em quantidades ínfimas em todos os processos orgânicos.

Assim os pulmões, não só orquestrariam o equilíbrio da tensão sanguínea, mas tomariam uma parte activa em numerosos processos hormonais. Notou-se, por exemplo, que os pulmões absorvem uma quantidade importante de aldosterona, uma hormona secretada pelas glândulas suprarenais (mais concretamente pelo córtex que as recobre). Ora a angiotensina estimula a secreção de aldosterona. Secretando a angiotensina, os pulmões dariam pois ordem às suprarenais de fabricar a aldosterona, a qual seria em seguida captada pelos pulmões.Como a aldosterona regula no organismo o balanço do sódio e do potássio, os pulmões teriam, pois, uma influência sobre a retenção do sal e o equilíbrio hídrico.

As implicações destas descobertas são consideráveis. Tendo os pulmões uma acção endócrina por intermédio dos vasos capilares, as hormonas circulando no sangue sofrem a influência da função respiratória, do número de capilares activos em tal momento, da posição do sujeito, da sua actividade física, da qualidade do ar que respira. Entrevê-se assim uma relação estreita entre o funcionamento físico dos pulmões, o seu papel de foles de forja, e os processos bioquímicos do organismo.

Não é difícil imaginar, por exemplo, que as reacções hormonais sejam modificadas pelos poluentes, como o fumo dos cigarros, introduzidos nos pulmões, e que o mau funcionamento do sistema possa reflectir-se em todo o organismo, sob a forma de doença da qual não se teria podido, antes desta descoberta fundamental, suspeitar a origem «respiratória».

In «Science et Vie», Janeiro/1976

***

A causa principal da alergia, da bronquite asmática, como da asma cardíaca, é a «intoxicação», a que Kuhne chamou «acumulação de matérias estranhas», a ciência chama «acidose» e Hipócrates «alteração do estado humoral», denominações, todas elas, com o mesmo significado, ou seja: intoxicação orgânica.

***

Quando, por faltas de domínio, o doente apresenta um carácter irritável, azedo ou inconformado com a vida e os semelhantes, sofre frequentes desgostos que lhe provocam alterações bioquímicas de decomposição no sangue, o que, só por si, vem reforçar a causa da enfermidade e tornar mais rebelde e difícil a cura.

***

Como base do tratamento da asma, aconselha-se a dieta de desintoxicação intestinal, que é também do sangue e demais humores do organismo, e, paralelamente, tomar em jejum um copo de água de cozimento de cebola e farelo de trigo, ao qual se junta, no momento de beber, sumo de limão. Esta receita, antiséptica e alcalinizante, ajuda a eliminar mucosidades, desintoxicando e desinflamando os brônquios, prestando alívio ao doente.

Inalações de eucalipto ajudam a desprender as mucosidades: pedilúvios, banhos de sol e de assento, lavagens epidérmicas, contribuem para a derivação do sangue para os pés e portanto para o descongestionamento dos brônquios. O banho de assento, ao refrescar o intestino, tende a enfraquecer as fermentações intestinais e a evitar a afluência de gases deletérios para as vias respiratórias.

In « Vida Nueva» (Rosario, Argentina), transcrito em «Natura»

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A pele contém numerosas glândulas, excretoras de várias substâncias necessárias à boa conservação da superfície cutânea. Mas muitas partes da superfície interna do corpo também são envolvidas por uma pele, chamada mucosa, com glândulas que segregam um muco, fino e transparente quando há saúde, e que se destina a fornecer humidade e evitar irritação. Quando as mucosas se inflamam, esse muco engrossa, torna-se pegajoso, ganha mau cheiro, torna-se amarelo e chama-se, vulgarmente, «catarro».

Encontram-se revestidas de mucosa as passagens dos sistemas respiratório e auditivo, o trajecto da boca ao ânus e curso urinário, podendo haver, portanto, e em todas elas, «catarro», que toma diversas designações conforme o çocal inflamado:gastrite, na mucosa do estômago; enterite, na mucosa do intestino; colite, na mucosa do cólon; rinite, na mucosa do nariz; faringite, na mucosa da garganta; bronquite, na mucosa dos brônquios; cistite, na mucosa da bexiga; etc.

A inflamação catarral pode ser aguda ou crónica. A forma aguda é, geralmente, no ataque súbito, mas de curta duração, com perda de energias, indolência, temperatura e dor na área inflamada.

Quando é atacado o aparelho respiratório, há tosse e expectoração mais ou menos abundante.

Quando ataca o tubo digestivo, pode haver vómitos, diarreia, etc.

O tratamento não consiste, pois, em suprimir o efeito - que é uma manifestação de defesa do organismo - mas em ir à causa, eliminando os factores de ambiente, alimentação, hábitos de vida, que alteram as mucosas e o seu normal funcionamento, diminuindo por um lado as defesas do organismo e a sua resistência à doença e, por outro, aumentando os produtos venenosos resultantes do metabolismo, acumulados nos tecidos e retidos na corrente sanguínea.

Aconselha-se a reduzir o consumo de produtos na base de amidos, dando preferência prioritária a saladas cruas, vegetais cozinhados, frutas frescas e secas. Nada de queijos duros (curados) e legumes secos. Pouco ou nenhum leite, nada de bolos doces, pão e farináceos em geral.

J.B. Baird, in «Health for all»,

***

Dor de cabeça e o sintoma conhecido por «gatinhos» pode ser devido a sangue ácido (yin), ao mesmo tempo que o resto do organismo está yang.

Entre as causas de excessiva acidez no sangue, podem estar: cereal integral mal assimilado, mastigação e ensalivação deficientes, excesso de amidos e açúcares (produtores de acidez).

Para desacidificar o sangue:

mais saladas

mais cenouras cruas raladas

mais fruta

mais caldo oxidante (de cebola)

mais folhas verdes

ameixa umeboshi

tekka

choucroute

picles naturais

sopa de miso

Excesso de óleo também provoca acidez, especialmente se envolver o cereal integral, nomeadamente arroz, dificultando a sua digestão.

***

Estando a espasmofilia (grande excitabilidade muscular e nervosa, devida a desequilíbrio do sistema nervoso vegetativo) muito ligada a casos de asma, é interessante saber o que são as «cãibras» e até que ponto têm também a ver com a asma.

Para além de doenças graves - miopatias ou neuropatias - as cãibras podem ter causa mais banal, como é a baixa percentagem de cálcio e/ ou de potássio no sangue.

Diz o autor do livro «Segredos da Medicina Natural»(página 35):

«Tive de tratar espasmofilias confirmadas, cujas percentagens de cálcio e magnésio sanguíneas se encontravam biologicamente reduzidas, mediante fortes quantidades desses minerais, mas sem qualquer resultado. Pelo contrário, curei-os quase todos propondo um sedativo nervino, calmante em doses consecutivas. Nas perdas bruscas de potássio - ligadas a tomada de diuréticos, por exemplo, ou medicações hipotensivas, a minha opinião é a seguinte: Nas perdas de potássio devidas à tomada de medicamentos diuréticos, corticóides, neurolépticos ou consecutivos a um tratamento de emagrecimento mal conduzido, a contribuição suplementar de potássio deve provir de produtos alimentares ricos em potássio: damascos, uvas, tâmaras, figos, bananas, laranjas e leite, em vez de comprimidos.»

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Alimentos são os alergénicos mais frequentemente incriminados: peixes, mariscos, presunto, ovos, azeite, óleos, legumes e leite, são dados vulgarmenta como causadores de alergias.

Em seguida, indicam-se alguns agentes físicos: frio, calor, sol, afecções bactéricas e fúngicas, sarna, etc.

Também os medicamentos são causadores de muitas e graves alergias.

Aparecem ainda: pólen, peles, proximidade do mar, etc.

Os alergénicos clássicos, flores e árvores, multiplicam-se na medida da utilização dos seus perfumes na produção de produtos de higiene.

Moedas podem provocar dermatose em pessoas alérgicas ao níquel.

***

A cafeína é um remédio efectivo para crianças asmáticas, com os mesmos efeitos do remédio comunmente receitado - teofilina( relaxante muscular) - dizem médicos canadianos.

«Demonstrámos que a cafeína é tão efectiva como a teofilina em doentes jovens com asma», revelam os investigadores no jornal médico de Nova Inglaterra.

O café forte foi usado frequentemente para tratar doentes asmáticos durante o século XIX e foi saudado pelo médico Hyde Salter, em 1859, como «um dos remédios mais comuns e com melhor reputação.»

«A cafeína pode ter valor como broncodilatador» afirmam os médicos no jornal de Nova Inglaterra.

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O anis estrelado que se vende em «ervanárias» é considerado um estimulante das secreções bronquiais (pulmões) e gástricas (estômago), assim como dos intestinos e glândulas mamárias.É também classificado de antipútrido do intestino e evita excesso de gases.

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Hipócrates apreciava o «agrião» como expectorante. A experiência tem confirmado que os agriões podem ajudar em casos de asma na medida em que dissolvem as mucosidades dos brônquios, tendo também acção curativa em enfermidades da pele externa, especialmente eczemas.»

Dr. Vander

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<92-10-19>

<pao-2> - mein kampf 19/10/1992 - cábula de eh do professor

 

Os Silêncios que Falam (manifesto)

Contributo à lista negra -> Cardfile da Entropia (Violência)

O que falta na denúncia genial de Martha Cottrell

19/10/1992 - O caso dos aditivos químicos no pão de fabrico industrial, inclui-se entre os escândalos alimentares que nunca foram nem, provavelmente, serão jamais denunciados. É boa matéria para o «manifesto dos silêncios», para o manifesto dos «silêncios que falam».

Mas o crime do pão, por sua vez, é apenas um dos muitos que a indústria alimentar averba: e logo a seguir surgem Margarinas, Aditivos químicos em geral, Corantes químicos, Conservantes químicos, Hormonas no Gado, Antibióticos nas aves de aviário, etc., etc (é urgente completar esta lista)

Se não houvesse doenças, no meio deste estendal de crimes contra a Humanidade, é que era para admirar.

-> A defesa do consumidor, entretanto, foi «instrumentalizada» por organismos que se limitam a distrair e adiar os verdadeiros problemas.

-> Aconteceu o mesmo com as altas autoridades para a corrupção e a comunicação social: são mecanismos de autocontrole e autoreprodução do próprio sistema. Se existe uma autoridade, já se pode matar e roubar mais à vontade: é o princípio de ouro da social-democracia

-> Não há memória de que nem DECO nem INDC tenham denunciado o crime iatrogénico, por exemplo. E é só de uma interminável lista de crimes químicos. A Química que Mata foi título de um livro onde antologiei algumas páginas significativas sobre «a cozinha do Diabo».

-> Supermercados ajudam a embalar o crime em papel celofane: nem um só alimento está isento. Agora um anúncio da RTP vem dizer que o açúcar é indispensável à vida: de facto o açúcar natural dos alimentos é indispensável à vida. Mas o açúcar do anúncio é um produto químico de refinação que nada tem de açúcar e nada tem de indispensável à vida: é, sim, o desmineralizador Número 1, significa que é um dos maiores e mais graves problemas de Saúde Pública. Mas o Instituto Nacional de Saúde Pública existe para existir, não existe para denunciar os crimes contra as pessoas.

-> Mas quem tem a nomenclatura fascista e violenta sou eu. Claro: eu é que - radicalizando o ecologismo - contribuí para afastar as pessoas da boa rota. Para evitar que as pessoas se afastassem, por minha causa, da boa rota, é que a série sobre produtos cancerígenos me foi suspensa a meio em «A Capital». E nunca mais me levantei dessa.

-> Apropósito de Cancerígenos -> Quando vão ser dadas as Notícias do Terror, neste particularíssimo campo terrorístico? Mas o terror hoje - indústria alimentar e indústria química coligadas - declara à Humanidade uma guerra desigual e sem quartel. São crimes eternamente impunes.

-> «Terror», aliás, já sei que é uma palavra exagerada. O que nunca é exagerado mas compassivo é a indústria química alimentar, a industria químico-farmacêutica, a indústria agro-química, (adubeira e fito-sanitária), a indústria de rações com aditivos químicos, etc

-> Se não fosse a espantosa capacidade de resistência humana, morrer-se-ia aos milhões. Mas a natureza humana, em vez disso, adoece: tem Cancro e tem SIDA, duas doenças resultantes do ambiente químico

-> Metais pesados no ar que se respira, metais pesados nos alimentos que se produzem, metais pesados na água que se bebe: eis a espantosa resistência humana a esses factores comprovadamente cancerígenos

-> Falta saber, um por um, quais os cancerígenos que se respiram aqui em Cabo Ruivo

-> Só escrever estes nomes já é suicida: a menos que se escolha a via da transliteração como faz o jornalouco da SIC

-> Mas já viram quantas teriam de responder? O crime químico contra a humanidade ficará eternamente impune, o que é francamente assustador -> E arrastará para o fundo, com uma pedra atada aos pés, o militante que se meter nisso, mesmo que seja só pela rama

-> Entre outros motivos, mais partidários e mais pessoais, fiquei na lista negra exactamente porque tive a mania de apontar alguns dos itens das listas negras, especialmente a dos produtos químicos, tabu inviolável deste sistema e já que indústria química é, entre todas as indústrias, a que averba lucros mais colossais (sem esquecer cosméticos e outras coisas inocentes)

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<98-10-19>
<requena
> clássicos do século XXI

OS ELIXIRES DA ENERGIA

POR YVES RÉQUÉNA

O que as flores têm para oferecer, não é mais nem menos do que a sua alma.

O VEGETAL, AS HIERARQUIAS

Para quem se interessa pela natureza, o primeiro contacto, o mais nobre, é com o mundo vegetal, as árvores, a floresta, as plantas que designamos de simples, e as flores. Uma história de amor, na qual parece que o vegetal tomou, na criação, o lugar de servir, de cuidar ou mesmo de iniciar o homem sobre este planeta.

No domínio da saúde, parece haver uma hierarquia entre as árvores, com árvores santas e veneradas como a oliveira, plantas como o visco dos druidas, a alquemila ( Alchemilla vulgaris)dos alquimistas ou ainda a angélica revelada aos homens pelo arcanjo Rafael, segundo a lenda, para lhe permitir ligar-se aos roteiros celestes. Enfim, no alto da escala, as flores.

Entre estas hierarquias, existem outras na recolha e na preparação. As decocções de casca de árvores ou de raízes são de uma grande utilidade para tratar o corpo físico, a drenagem forte, a imunidade, o sangue.

As infusões, as tinturas tratam o corpo e a energia.

Os óleos essenciais, tal como as águas residuais desta destilação ( a que chamamos águas florais ou hidrolatos), dizem respeito não só ao físico mas sobretudo à parte mais subtil do corpo físico, o corpo energético.

Enfim, os elixires florais obtidos pela exposição ao sol, na água de fonte pura, de flores colhidas de fresco, sensibilizam a parte psíquica ou espiritual do indivíduo.

A FLOR, QUINTESSÊNCIA

Através deste modo especial de exposição da flor na água ao sol, é a parte mais subtil da flor que é recolhida, quase apetece dizer que é o sentido do recolhimento, tal como o recolhimento religioso.

Na tradição budista, colocar flores cortadas de fresco sobre o altar, numa tigela de água pura, não é o que se chama oferenda aos deuses?

Em medicina, os elixires florais vão agir sobre a alma das pessoas e modificar, segundo a tradição, a sua qualidade de receptividade aos roteiros celestes, ou mais familiarmente, permitir ao psiquismo, à personalidade incarnada, de receber a mensagem emanada da alma, ou , se se prefere, do princípio psíquico espiritual, a que o taoísmo chama o Shen.

É por isso que tenho o costume de dizer «o que as flores têm a oferecer, não é mais nem menos do que a sua alma», porque parece que a essência do vegetal reside na flor e, para lá do perfume, na sua quintessência, a alma.

Basta lembrar a linguagem das flores , a significação da rosa vermelha na simbólica do amor e as propriedades extraordinárias do óleo essencial de rosa no psiquismo, sobre os desgostos de amor, como tradicionalmente no plano espiritual, na abertura dos centros subtis: coração e terceiro olho.

TRATAR PELA ENERGIA

De todas as medicinas tradicionais que tratam tendo em conta a energia, creio que é necessário citar três maiores: a medicina ayurvédica, a medicina tibetana, a medicina chinesa. As três têm uma farmacopeia impressionante.

Há 15 anos, enquanto acupunctor, interessei-me em descrever as indicações clássicas das nossas plantas europeias à luz da energética chinesa. Um vasto mundo foi então descoberto.

Mas para bem lhe saborear as subtilezas, é bom lembrar as concepções energéticas próprias da acupunctura e a farmacopeia chinesa, nomeadamente a teoria dos 5 elementos.

OS 5 ELEMENTOS DA ACUPUNCTURA

Em acupunctura como em farmacopeia chinesa, os órgãos são classificados segundo cinco elementos: a Madeira, o Fogo, a Terra, o Metal, a Água. Cada um dos cinco elementos agrupa um órgão e uma víscera com os seus meridianos, um tecido orgânico, um órgão dos sentidos, uma emoção de base, ligados a um planeta, uma estação do ano, uma direcção do espaço, um clima.

Esta classificação permite compreender o raciocínio da farmacopeia chinesa que é globalmente o seguinte : qualquer acção, como a acupunctura ou as massagens, ou todas as substâncias como as plantas que agem sobre um Elemento, é capaz de se repercutir em todas as suas correspondências.

Se, por exemplo, tomamos a madeira, uma planta influenciando este elemento actuará sobre o fígado e a vesícula biliar, mas também sobre os músculos (tecido orgânico) , sobre os olhos e a vista (órgão dos sentidos) e igualmente sobre a cólera, a agressividade, a ansiedade, o nervosismo (emoções de base).

Um conhecimento mais aprofundado do papel do fígado e do seu meridiano em energética chinesa, permite relacionar o fígado com sintomas tais como as regras dolorosas, as varizes, as alergias imediatas, a asma dos fenos, as enxaquecas, etc.

Se no Ocidente desde a antiguidade grega e romana,até à idade média e as nossos dias, foi possível descobrir o uso de plantas por empirismo, por esoterismo ou pela teoria das assinaturas, e hoje pela farmacognosia científica, é claro que a coerência de cada planta, quer dizer, a sua identidade energética, deverá surgir. E é o que efectivamente se passa.

Assim, no exemplo do problema do fígado que citámos, podíamos utilizar a anémona pulsatilla, prima aliás da anémona hepática, para o resolver. Com efeito, esta planta é indicada para crises de fígado, dor de fígado, enxaquecas, taquicardia, medo, asma dos fenos, angústias, regras dolorosas... Para esta última indicação, a prova científica é feita dos efeitos antifoliculinas naturais da anémona pulsatilla.

É assim que, de maneira mais ou menos complexa, é possível analisar 100, 200 plantas ou mais da nossa farmacopeia europeia para as classificar, não somente pela sua acção sintomática sobre o corpo e as emoções mas também relativamente à sua acção sobre a energia dos órgãos e sobre os 5 elementos.

O NASCIMENTO DOS ELIXIRES ENERGÉTICOS

A ideia era conceber fórmulas para tonificar ou para dispersar cada um dos 5 órgãos da medicina chinesa.

Mas sendo um órgão , como se viu, coisa complexa, era preciso agrupar na fórmula:

- por um lado , plantas que iam no mesmo sentido da tonificação do órgão, cobrindo o conjunto das indicações específicas correspondendo a este desequilíbrio, e seguir o mesmo raciocínio para a dispersão e isto para cada um dos 5 órgãos.

É assim, por exemplo, que o alecrim viu atribuir-se-lhe o papel principal na tonificação do fígado, enquanto o taraxaco ou dente de leão é o líder para a dispersão.

- por outro lado, plantas que podiam agir sobre o conjunto. Porque um órgão em medicina chinesa, tem uma dimensão física pura (como em medicina ocidental), mas também uma dimensão energética com o seu meridiano, com o que é habitual designar de «ki do órgão», igualmente uma dimensão psíquica e emocional e, enfim, como na medicina tibetana , uma dimensão espiritual.

Não é evidente para um espírito ocidental falar da dimensão espiritual de um órgão mas isso existe na Índia, no Tibete , na China.

O leitor certamente já compreendeu que a melhor maneira de agir sobre todos estes níveis ao mesmo tempo, era, pensamos nós, combinar as diferentes formas de preparação das plantas:

- os extractos de plantas selvagens ou de cultura biológica, após maceração em três meios diferentes como o álcool, a glicerina e a água, desempenham o papel de tintura doce, pouco alcoolizada, cujos efeitos são sobretudo físicos

- os óleos essenciais , em doses infinitesimais na fórmula estudada, podem aumentar o nível vibratório da preparação e agir no plano mais especìficamente energético, o meridiano e o ki do órgão;

- as águas florais ou hidrolatos agem de maneira harmonizante sobre o corpo energético e o psiquismo , as emoções

- os elixires de flores, enfim, ou elixires florais, influenciam com a sua quintessência o corpo emocional e o aspecto espiritual do órgão.

SINERGIAS E PERSONALIDADES

Sinergia é a palavra chave para definir os efeitos dos elixires energéticos, porque nos apercebemos, quando misturamos as diferentes facetas das plantas no seu conjunto, que a planta acaba por dar tudo o que ela oculta. Ela se coloca totalmente ao nosso serviço para dar a melhor de si mesmo nos planos: físico, energético, emocional e espiritual.

Cada órgão faz ressonância com os planetas do sistema solar.

Existe uma adequação invisível entre os planetas, os órgãos e os indivíduos.

Quando uma pessoa está sob a influência mais precisa de um planeta, e por consequência da actividade do órgão correspondente, é o seu sistema físico, os seus meridianos e o seu carácter que são influenciados.

É o que postula desde há 6000 mil anos a medicina chinesa, de acordo aliás com a medicina grega antiga cujos temperamentos de Hipócrates são uma perfeita ilustração.

Ainda nos resta demonstrar e explorar todas as relações tradicionais esotéricas entre o cosmos e o homem na sua tipologia planetária ou pelo elemento.

OS ELIXIRIES ENERGÉTICOS, UMA PANACEIA

Os limites da acção destes elixires são talvez comparáveis aos da acupunctura já que, eles agem no mesmo sentido de equilíbrio da energia dos órgãos, enquanto a acupunctura será escolhida, de preferência aos elixires, para problemas mecânicos.

Os elixires, pelo contrário, serão escolhidos como moduladores notáveis na prática corrente sobre os problemas funcionais diversos e sobre o psiquismo, o domínio emocional.

Ilustrando com um exemplo, citaremos o caso desta pessoa que sofre de perturbações visuais e que tomou o elixir de alecrim para o fígado (fígado e vista estão ligados) e que constatou uma modificação dos seus sonhos e o desaparecimento do pesadelo repetitivo que tinha todas as noites. Ora, em energética chinesa, o fígado está também ligado aos sonhos e ao corpo emocional ou corpo de sonho.

Na vida corrente como na démarche espiritual, os elixires energéticos poderão servir também de acompanhamento numa formalidade precisa como o melhoramento de certos problemas nervosos ou emotivos, a preparação para a meditação ou ao yoga.

Lembremos que, na antiguidade, os sábios taoístas preparavam os remédios alquímicos à base de plantas para favorecer os estados de meditação ou expansão das consciências.■