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Posted by Big-Bang - domingo, 12 de Outubro de 2003

Retrovisor (1956-1998) ->Day by day
42 anos de memórias

<56-10-12-sw>

[ pelo único manuscrito que resta com data, a data de referência a esta série interminável de cartas ficcionadas (e só algumas reais) é a de 12 de Outubro de 1956, Vendas Novas, ou seja, o Curso de Sargentos Milicianos, onde escrevi, também, creio, a Arte de Bem Cavalgar Toda a Sela e dezenas de poemas (Líricos) aparecidos no livro «Espaço Mortal»]

Além da capa, a seguir, deixo registado aqui as ocorrências de livros e autores desse extenso manuscrito ( texto integral desta selected works, só em CD pelo Natal, oferta do menino Jesus) :

Agustina Bessa Luís – A Sibila

António Sérgio – Ensaios

Axel Munthe – O Livro de S. Michèle

Carlo Coccioli – Fabrizio Lupo – Journal

Cassiano Ricardo

Eugénio de Andrade – Até Amanhã

Florbela Espanca – Sonetos

Franz Kafka – Diário

J.B. Pristley – Já Aqui Estive

Jacques Prévert – Paroles

José Régio –

Manuel Laranjeira – Diário Íntimo

Marco Aurélio – Pensamentos

Máximo Gorki – A Mãe

Miguel Torga – Diário

Nikos Kazantzaki – O Cristo Recrucificado

Óscar Wilde – De Profundis

Raul de Carvalho – Mesa da Solidão

Romain Rolland – Jean Cristophe – O Irmão

Teixeira de Pascoaes – Santo Agostinho – São Paulo

Thomas Merton –

 

<as-cartas-capa>

 

AS-CARTAS

DIÁRIO SENTIMENTAL

(1955-1958)

Série «Selected Works»

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O GATO DAS LETRAS

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<90-10-12>
<crise><ecos>

REFLEXÕES SOBRE A CRISE
A GUERRA «PACÍFICA»

12/Outubro/1990 - Jornais já deram fotografias dos treinos a que as forças armadas têm procedido, para se defenderem, para nos defenderem de uma possível, eventual guerra química, que o Iraque parece estar bem preparado para desencadear.

Mas, nesta questão da guerra, não haverá uma questão de inveja bélica? Não terá o Ocidente de que se orgulhar muito justamente do seu arsenal de guerra química que todos os dias põe no mercado e lança à solta no Ambiente? Não é a química a principal guerra que o sistema move contra o consumidor e o ambiente? Não estamos nós defendidos e prevenidos? Ou trata-se aqui de uma subtileza semelhante à que distinguiu, durante muitos anos, o átomo pacífico do átomo bélico? Foi com essa subtil distinção - note-se - que nos engrolaram durante mais de quatro décadas e que nos enfiaram como «pacífica» a guerra mais persistente e penetrante - a das radiações ionizantes - do pós guerra.

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<95-10-12>
<ddo-1
> = diário do ódio - 2 páginas - mais um «dossier maldito»

CUSTOS DA SAÚDE

OU CUSTOS COM A DOENÇA?

Cabo, 12/10/1995 - Os inéditos de 1983 e 1984, que junto para teu conhecimento, tentavam formular, em termos menos fraudulentos do que habitualmente, a questão dos chamados «custos da saúde», que são, como é fácil de ver os «custos da doença».

Com mais este «dossiê maldito», que nunca se analisa em profundidade e até às últimas consequências, consegui situar-me completamente na margem do sistema e condenar-me ao silêncio de todos os silêncios.

Há um sistema de silêncio totalitário em volta deste dossiê, pela razão simples que tu podes calcular: ele atinge no coração os interesses colossais em jogo na rede internacional de medicamentos e equipamentos hospitalares.

A indústria mais rendosa e poderosa do Planeta é o que está por trás deste dossiê.

E quando a imprensa (juntarei recortes que organizei sobre este assunto) sistematicamente assusta os velhinhos como eu com a «bancarrota» (iminente) da chamada Segurança Social , há metade de verdade e metade de mentira nessa ameaça apocalíptica: se existe (e é natural que exista) um défice crescente na Segurança Social, não é por causa das despesas com a saúde, mas com com a doença, mas porque os preços dos medicamentos estão em escalada, cada vez se consomem mais medicamentos, cada vez as intervenções cirúrgicas são mais dispendiosas, cada vez há mais intervenções cirúrgicas, cada vez há mais clínicas de luxo, etc.

A ameaça de bancarrota na chamada «Segurança Social» é também assoprada por outro grupo de interesses económicos, as Seguradoras, que quanto mais depreciarem e virem depreciados os serviços de assistência médica e hospitalar, mais engordam e enriquecem as clínicas privadas e os sistemas privados de seguros de vida e de saúde.

Estou perfeitamente convencido de que nenhum governo alguma vez poderá criar e manter hospitais em condições, não porque não quisesse ou pudesse fazê-lo, mas porque as Seguradoras e as multinacionais nunca o deixarão. A decadência dos hospitais e serviços de assistência médica - o famigerado Serviço Nacional de Saúde dos senhores aldrabões do PS - é puro e simples produto daqueles «lobbies», estado acima do estado, poder acima dos poderes.

Também aí Leonor Beleza foi mais longe do que devia ir - e por isso a derrubaram e puseram a ferros.

Uma coisa é verdade: os custos com a doença são galopantes.

Quem paga esses custos são os contribuintes com os descontos à chamada Segurança Social.

A lógica do sistema é que se gaste cada vez mais dinheiro em mais medicamentos, o que promove logicamente a doença e a proliferação da doença , e não a saúde.

Se metade do que a chamada Segurança Social gasta em doenças e medicamentos fosse afectado à educação alimentar e a métodos naturais de profilaxia e higiene (para conservar a saúde, esses sim) , certamente que as despesas da Segurança Social diminuiriam em flecha e não seria necessário andar constantemente a assustar os velhinhos e reformados deste país com ameaças de bancarrota.

Os meios mediáticos têm colaborado, como lhes compete, nessa lavagem ao cérebro, bem como em uma outra campanha - contra os chamados «genéricos» - e isto por outra razão muito simples: os genéricos iriam tirar - se entrassem em vigor e não tivessem sido sabotados a todos os níveis - lucros anuais de 20 milhões de contos às multinacionais farmacêuticas.

Foi mais isto o que derrubou Leonor Beleza e a meteu em tribunal, foi o que pôs na mira das metralhadoras todos os ministros da Saúde cavaquistas, foi o que fez cair em desgraça o Governo de Cavaco e foi o que alimentou toda a propaganda favorável ao PS nos órgãos de Comunicação Social, ao longo deste ano de eleições, com uma única excepção, «O Diabo».

Não me restam dúvidas de que em matéria de «lobbies» o governo de Guterres vai governar a favor dos mais poderosos: Cavaco caiu porque tentou, ao de leve, tocar no mais poderoso desses lobbies.

E o resto são histórias para adormecer criancinhas.

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<98-10-12>

<dm-75-> diário mesmo de 1975 - chave ac

A UTOPIA PERSONALISTA

(12/10/1998 – [ Neste texto, assinado Escora ( suplemento editado em Coimbra pelo José Matos-Cruz) teclado em winword em 11/10/1998, nota-se o relaxamento surrealizante da época, a megalomania de falar de si próprio, a amizade que o ligava ao José Matos Cruz (editor do suplemento «Escora») a mania de que a sua luta (mein kampf) era generosamente pela «geração do apocalipse», a utopia ecológica («personalista» como aqui diz) opondo-se à utopia tecnocrática, a manipulação do homem pelo homem, a actuação biocida das actuais gerações, a sofística moderna das chamadas ciências humanas e outros leit-motiv que em 1975, vinte anos depois do Maio 56, já se encontravam perfeitamente definidos na sua cabeça. Este file que se chama <dm-75> dá direito a que se chame também <mk-75>, mein kampf 1975, que ficará desde já e com este número de caracteres.]

Em sinal de vingança pela soberana indiferença com que o meio ambiente recebeu o primeiro capítulo do seu manifesto contra o meio ambiente - o livro intitulado «Depois do Petróleo, o Dilúvio», aparecido na Editorial Estúdios Cor, - o nosso colaborador Afonso Cautela resolveu mandar para a tipografia, logo a seguir, o segundo capítulo desse manifesto contra o meio ambiente.

Muito mais longo do que o primeiro, chama-se «A Utopia Personalista» e é consagrado à crítica da sofística moderna, à superestrutura ideológica de apoio à manipulação do homem pelo homem que as chamadas ciências humanas estão há muito a praticar.

Sabendo que tem todos contra si, que prega no deserto e que escreve para a geração seguinte - aquela cuja vida e sobrevivência está irremediavelmente comprometida com a actuação biocida das gerações de hoje - Afonso Cautela está seguro do que diz, quer e faz e pede-nos que divulguemos parte de uma carta-circular com que tenciona propagandear o referido livro, já que ele próprio, autor, se encarregará de o mandar imprimir, de o distribuir e vender e até de o oferecer a quem lho pedir por carta ou postal.

Porque o seu caso de out-sider nos parece significativo e teste bastante óbvio da hostilidade compassiva com que a actual mediocridade da intelligenzia lusa recebe tudo o que a critica e ostensivamente a ultrapassa, o suplemento «Escora» (ao publicar o texto de Afonso Cautela) faz nossas as palavras e a causa dele, já que precursores banidos e geração de amanhã (que ele é e pela qual ele trabalha) nos sentimos também.

Melhor: somos esta geração que em Afonso Cautela encontra um dos seus raros advogados de defesa neste tempo e mundo de centrais nucleares que nos preparam: a nós, os que temos agora 20 anos e, quer queiramos ou não, temos de viver.

Mas viver , como?

«Escora»

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(*) Livro que uns fingiram ler e não perceber, outros fingiram ignorar, outros fingiram que não estavam fingindo.