1-15 <03-10-11>
Posted by Big-Bang - sábado, 11 de Outubro de 2003
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31 anos de memórias
<68-10-11-vi> versos inéditos de afonso cautela – 1968
A ESPADA E A PAREDE
11/10/1968
A espada e a parede
agora são reais
como quem encosta o cano à nuca
como quem enfia na cabeça
por disfarce a perruca
de Voltaire
no sal se abebera outro cigarro
e esse é que é verdade.
Verdes alcatifas dão ao ambiente
a quente tonalidade suficiente
Drinks, risadas, sorrisos
e olhares
na sala grande e solene da notícia de hoje.
Quando se desce ao inferno
o melhor é desistir
de saber que fomos
e queremos ser morais:
o melhor é desistir
não falar demais
porque ficámos mudos
e horrivelmente mutilados
danificados nas membranas
que protegiam do sol
os olhos
ou que estabelecem a ligação interna
do ouvido
da vida.
Horrivelmente danificados
foi como ficámos
na sala dos actos grandes
onde o comboio foi chocar
e os drinks, os risos,
os olhares
pareciam dilatar-se por gozo
na nostalgia óbvia de tanta liberdade.
Se há quem possa gritar decência ainda
neste oficio ou mister
de matar
de water-close
se há quem se proponha
evitar o mijo e diga chi chi
e para merda diga fezes
se há quem possa suportar de pé
este cheiro a peste das axilas
nas salas dos actos grandes
das grandes assembleias
Que fique
esteja
e vá
se ainda há quem.
+
1-3 <71-10-11-ls > = leituras selectas
SOL PARA TODOS OS COLONIZADOS
DA INTELIGENTZIA
11/10/1971 - De cada vez que os barbitúricos doutores em crítica me dão com o ponteiro na tola e gritam ciência - porque me acham um crítico muito impressionista lá na gíria deles - faço um esforço de memória e colecciono aqueles homens de ciência que me são de cabeceira, de que fui, sou e serei assíduo frequentador.
Perlustrando um pouco as estantes e cedendo ao pedantismo doutoral de citar nomes, pedantismo a que os doutores constantemente me remetem, vejamos e anotemos como contributo a uma bibliografia do futuro homem de ciência: António Sérgio, Arthur Clark, Bernard Lovell, Linus Pauling, Julian Huxley, Fred Hoyle, Aldous Huxley, Teilhard de Chardin, Einstein (os textos filosóficos e humanistas, claro!...), Foucault, Lévy Strauss, Galileo, Giordano Bruno, Camille Flamarion, Maurice Maeterlinck, Asimov, Josué de Castro, J.B.S. Haldane, Robert Oppenheimer, Freud, Jung, Gaston Bachelard, Jacques Monod, etc
Pois serão estes nomes todos, nomes de literatos? De poetas? De místicos? De irracionalistas? De anti-cientistas?
De cada vez que um fricativo doutor em crítica classifica de "jornalismo", com ar de soberano desprezo, o ainda possível pensamento público, nesta terra asfixiante inimiga das ideias e do imaginário, é necessário, para não quebrar o moral, a gente lembrar-se de que tem à mão, ali na estante, os bons amigos que têm ido fazendo menos solitária e angustiante esta peregrinação entre compatriotas, que têm, na fronteira da ciência e da imaginação, alimentado o sol à luz do qual depois todos - fricativos incluídos - se vão aquecer.
Se Jacques Monod se encontra nas estantes deste pobretana, deste auto-didacta, deste irrecuperável anti-doutor, não é porque ele tenha a petulância de dominar o pensamento científico de Jacques Monod, hoje o maior herege da Biologia, um dos tais pensadores de fronteira, um dos tais heterodoxos. É apenas porque alinha ao lado de outros hereges da ciência. Biologia e materialismo dialéctico, biologia e filosofia, eis o que o Aprendiz auto-didacta, eis o que se não deixou doutorar pelos colonizadores da intelligentzia, vai aprender em Jacques Monod. De modo a que lhe sirva para outros equilíbrios na corda bamba a que esta terra da doutores obriga todo o colonizado das triunfantes instituições da Intelligentzia em Portugal.
<81-10-11-dl> = diário de um leitor distraído
CRISE PLANETÁRIA
11/10/1981(*) - A crise planetária entendida como "cancro", parece ser o diagnóstico mais adequado para compreender o que se passa no mundo actual, mas acima de tudo o que irá passar-se.
Samir Amin, que ouvimos há anos , em Lisboa, falar do Terceiro Mundo, também diagnosticou à sua maneira a doença, o cancro da crise planetária, mas sem ir às raízes (sem ser radical, portanto) e evitando apontar os fundamentos (sem ser fundamentalista, portanto).
É curioso como os próprios economistas de vanguarda, como Samir Amin, se recusam a retirar todas as consequências e ilações de uma análise radical e fundamental da crise planetária.
Também John Davy e Gerald Leach, dois jornalistas do semanário londrino "The Observer", (*) falam dos próximos e "últimos" trinta anos do planeta Terra. Radicalizam a análise um pouco mais do que Samir Amin, mas ainda não tocam os fundamentos da crise, da doença, do cancro. O Planeta apodrece - todos estão de acordo, mas diferem e divergem os diagnósticos da doença para que se lhe possa aplicar o tratamento.
De qualquer forma, a metáfora "doença" parece perfeitamente adequada à circunstância.
- - - - -
(*) Data do semanário «Le Nouvel Observateur», que inclui a versão francesa do artigo publicado no «The Observer».
+
1-3 - <orwell-1> temas recorrentes – os dossiês do silêncio
ANTECIPAÇÃO DA JOGADA
VITÓRIA DO «BIG BROTHER»(*)
[11/10/1986, «A Capital», «Crónica do Planeta Terra»] - Pode acontecer que um "tema proibido" ( daqueles que tacitamente todos calamos porque seria heresia anti-social sequer citá-los) venha de repente à luz da ribalta e os holofotes se fixem nele como em vedeta de última hora caçada na chegada ao aeroporto.
Curiosa e inopinadamente aconteceu com a "informática" e respectiva ditadura, tema que automaticamente se tornou secreto, a partir do momento em que ficou claro que ao processo de informatização sistemática se devem pelo menos dois (pelo menos) dos mais chorados flagelos do mundo actual: o incremento do desemprego e a devassa da consciência individual e da vida privada .
É certo que o assunto foi badalado, há dois anos, quando se publicitou, a propósito da data, um livro propositadamente esquecido, o romance de George Orwell "1984".
É certo que relatórios de qualquer extinto Instituto Damião de Góis deverão ter, de fugida, citado o perigo para a Democracia do tal sistema computarizado de dados.
Enfim, na ficção e na semi-ficção, ou entre ecologistas fanáticos e radicais como o autor destas crónicas nestas crónicas, os alertas terão sido dados, de forma mais ou menos indirecta, não fosse magoar-se o sistema e o santo nome do "Big Brother
MUDOU A TÁCTICA
Que se faça agora uma reunião oficial de especialistas a dizerem cobras e lagartos da respectiva especialidade ( a lavagem aos cérebros pela informática) e dos perigos para o cidadão comum, é caso para suspeitar de que a táctica de enredo mudou para melhor resultar.
Sim, porque a táctica de tramar o próximo pode mudar e muitas vezes já ficou provado que a melhor forma de silenciar um assunto-tabu é badalá-lo até à exaustão e antes que gente incómoda dele fale em termos obscenos.
Uma ditadura das antigas e clássicas terá dificuldade em perceber isto. Mas uma ditadura informática percebe (até) de dialéctica e sabe que as leis da lógica do absurdo têm razões que a razão desconhece. Não é com vinagre que se apanham moscas: e uma Comissão encarregada de nos proteger de outras comissões encarregadas de nos vigiar, no que respeita à devassa dos dados da nossa vida íntima e privada, é habilidade que se deve registar com elogios.
Em democracia "limpa", só ligeiramente musculada para não destoar, a táctica da bordoada muda de aparência para no fundo continuar igual. E quanto aos "beneficios da Informática" ela mudou por antecipação da jogada.
Talvez porque os computadores (sempre espertíssimos) tenham ensinado aos centros internacionais de decisão uma cruel verdade: convém não confiar exagerada e abusivamente na estupidez humana, quer dizer, na passividade das massas. Mesmo uma ditadura branquinha e de veludo como a informática pode chegar o dia em que o cidadão lhe veja as tripas, lhe tope as garras e lhe descubra as fauces.
REFINAR A FICÇÃO
A táctica, por isso, mudou: vamos pôr os dados na mesa e deixar que os jornais , durante uns diasitos, digam dos perigos, dos exageros, dos abusos...
Depois, arranja-se uma comissão que nos vai "proteger" desses abusos, desses perigos, desses exageros cometidos, como é óbvio, por outras comissões. E, depois, já esses abusos, exageros, perigos, poderão ser perpetrados livremente e sem mácula, sem que ninguém diga "ai", porque (lembrai-vos) , além do Grande Irmão que por nós vela, em tudo e sempre, lá está a Comissão que nos protege e dirá "ui" por nós.
Quem voltar a falar, então, na ditadura informática, é ameaçado por telefonemas e cartas anónimas. O silêncio e o segredo voltaram ao redil. A ditadura informática, depois deste interregno breve, voltará a ser assunto proibido.
Táctica de mestre, a da comissão protectora, e que talvez não tenha sido prevista por Orwell. Pois não: o que só prova como na realidade os factos ultrapassam a ficção, refinando-a.
PROCESSO IRREVERSÍVEL
As ditaduras que a democracia autoriza e fomenta não se impõem, é evidente, pelo fácies sanguinário mas conquistam corpos e mentes numa "boa" e com boas maneiras, com falinhas mansas, com paisagens tranquilas.
A ditadura informática, que já se sabia existir mas era sempre negada oficialmente, surge agora como uma revelação oficial, quando o Ministro da Justiça, Mário Raposo, dá o tom oficial ao encontro de especialistas que em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, lugar pouco dado a heresias, resolveu finalmente alertar oficialmente para os perigos dos computadores. Perigos ou, mais eufemisticamente, exageros.
Claro que os especialistas não se encontraram para assumir posição radical contra a ditadura informática. Ela está aí, escorreita, de pedra e cal, há uma Infor-jovem para lavar os cérebros logo desde pequeninos, todo o mundo elogia os computadores, todos lhe rendemos vassalagem e é evidente que temos e teremos a devassa que merecemos.
Agora que o processo se tornou absolutamente irreversível e em que o sistema informático já nos apanhou a todos na rede e nos vigia dia e noite, sem saída nem alternativa, eis que a bonomia das comissões protectoras aparece a defender os direitos do cidadão, como quem conta o final da anedota, sempre o mais picante.
Sim, porque uma democracia que viole, assim, como a informática está fazendo, os direitos do cidadão, na sua privacidade e na sua identidade, pode vir a ser acusada de conotações totalitárias... E as democracias democráticas têm uma imagem de marca a defender.
O MAU PASSA A SER BOM
A posição moderada do faz-que-faz-mas-não-faz é assim a única possível face à irreversibilidade do processo: vamos aprender a viver e a coabitar com as ditaduras que temos, já dizia o outro. Não adianta, pois, tomar posições radicais, ou eco-radicais, dizer agora que os computadores são a Super-Polícia.
Consumada a instituição, indissociável de todas as outras instituições, há que aguentar, enquanto oficialmente se cria uma comissão oficial encarregada de nos proteger.
A comprovar que ela funciona melhor do que no romance de Orwell e que já conseguiu, a tempo, condicionar as mentes para aceitar o inevitável, é este comentário ouvido a um espectador do filme "1984" : "Felizmente que Orwell se enganou na profecia e que em 1986 as coisas ainda não estão assim tão perfeitas como Orwell as profetizou..."
As coisas estão tão perfeitas e elaboradas relativamente à profecia que, por isso mesmo, o comum dos cidadãos não dá por ela. Ora isto prova que a tese dominante do romance "1984" vingou em toda a linha: a vitória do Big Brother está consumada quando bem for sinónimo de mal, paz sinónimo de guerra, beleza sinónimo de fealdade... E assim por diante.
O cidadão foi informaticamente condicionado a achar bom aquilo que porventura e sem esse condicionamento talvez achasse mau.
Haver quem não se tenha apercebido ainda que em 1984 as teses de Orwell já estavam ultrapassadas por terem atingido o máximo requinte de nem sequer se dar por elas, é a vitória absoluta do Grande Irmão.
- - - - -
(*)Este texto de Afonso Cautela foi publicado no jornal «A Capital» (Crónica do Planeta Terra), 11/10/1986
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<90-10-11>
<novmed2 >
PIONEIROS E ADEPTOS
DAS ALTERNATIVAS MÉDICAS
11/10/1990 - Factos recentes em Portugal parecem indicar que se aproxima o momento mais crítico dos últimos anos para os pioneiros e adeptos das alternativas médicas e da ecologia humana.
Cada um desses acontecimentos tem, como tudo na vida, uma vertente mais positiva e outra mais negativa - mas são, de qualquer maneira, significativos e decisivos.
Tudo indica que chegou o minuto da verdade. Agora ou nunca. A vida ou a morte.
[O momento de cerrar fileiras (e dentes) parece aproximar-se.
Entendeu o ateliê yin-yang que se deveria estabelecer de urgência uma plataforma de unidade entre os movimentos médico-alternativos, para lá de tudo o que poderá ter afastado ou dividido os naturoterapeutas entre si. ]
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<novmed1>
NOVAS MEDICINAS, PORQUÊ?
MEDICINAS NATURAIS, PORQUÊ?
11/10/1990 – Porque o «direito» à saúde está, curiosa e paradoxalmente, consignado na Constituição Portuguesa como um «dever»
Porque em democracia pluralista não pode haver monopólio de um só sistema médico e a possibilidade de escolha deve ser concedida a todos os cidadãos
Porque, em vários países da Europa, os inquéritos feitos ao consumidor provam que a maioria dos doentes prefere os tratamentos naturais, as medicinas que curam...em vez das medicinas que tratam e, por vezes, maltratam
Porque a medicina natural actua mais na prevenção do que no combate à doença, tornando-se, portanto, muito mais económica ao País: a experiência mostra que vale mais prevenir do que remediar e que, conservar a saúde é, indiscutivelmente mais barato para o País e para doente do que «combater a doença»
Porque as medicinas naturais fazem de cada doente um técnico de saúde, um ser consciente dos seus próprios deveres de saúde, não entregando apenas à instituição (hospital, médico, ministério) o encargo de a tratar
Porque nos «cuidados primários» deve incluir-se a tarefa educativa que torna os doentes mais conscientes e responsáveis dos seus próprios deveres na manutenção e conservação da saúde
Porque a medicina natural, colaborando espontaneamente com os organismos oficiais da qualidade alimentar, aponta no sentido das «grandes campanhas educativas» que têm sido promovidas para transformar, sem grande êxito diga-se de passagem, os hábitos alimentares dos portugueses, tornando esses hábitos menos prejudiciais do que o são actualmente
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<tesee-14 >
<lsp->
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(*) Vão assinalados em normando (boldo) , os títulos que existem na biblioteca do Grupo de Estudos Herméticos (Centro de Pesquisa Ortomolecular)
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<95-10-11-bm+>
<mde1> = mundo das energias<manifesto><gabinete de ideias> <biblioteca de alexandria 2000>
A SUPERSTIÇÃO
DOS CIENTISTAS
31/4/1996 [ 11/10/1995 ] - Vários nomes, através dos tempos, foram dados às energias «desconhecidas» por várias disciplinas organizadas.
Em anexo deste texto, damos um primeiro inventário com meia centena de palavras que pretendem ser sinónimas e que pretendem referir-se à mesma área dita psíquica (desconhecida).
Quando se sai do mundo físico e se entra no mundo das energias menos condensadas, é a confusão total e generalizada das ciências que levaram séculos a estudar a matéria e que só neste século se aventuraram no imaterial, através da Psicologia.
A Psicologia - ciência da psique - é o primeiro grande contributo moderno à confusão.
Mas outros se seguiram e hão-de seguir-se, usando os nomes mais variados para designar e nomear o invisível, aquilo que os cinco sentidos ainda não captam. Todas as ciências se mobilizaram para esse efeito e a confusão das línguas foi tal que se julgou, finalmente, assistir na realidade à lenda de Babel.
Falam todos do mesmo, ou julgam falar do mesmo. Mas cada um, agarrado à especialidade científica que lhe coube, usando a nomenclatura própria da mesma especialidade e da mesma ciência, só consegue aumentar a confusão sua e dos outros.
Todos falam do mesmo ou julgam falar do mesmo. Em nome da Física Quântica, em nome da Parapsicologia científica, em nome da Psicologia Transpessoal e da Sofrologia, em nome da Psicologia Clínica e da Psicanálise de Freud, em nome da Sincronicidade de Jung (e seu inconsciente colectivo) ou em nome da Teosofia de Helena Petrovna Blavatsky e de Annie Beasant, todos julgam falar do mesmo: a Energia, Deus, a Criação, a Holística, Brahma, Ki, o Universo do diverso, o Uno indivisível, a Mónada.
Em nome das pequenas psicoterapias (mais de mil), em nome do Espiritismo (distribuído por escolas as mais diversas), em nome do Ocultismo, em nome das Ciências esotéricas, em nome do Paranormal, em nome da doutrina secreta (Blavatsky), em nome do realismo fantástico (Jacques Bergier/ Louis Pauwels) e do surrealismo (A. Breton), todos tentaram falar do mesmo: o que se seguia ao corpo visível e se sumia nas profundezas do indetectável, do invisível, do inacessível aos 5 sentidos.
A descida aos infernos da profundidade humana tem suscitado uma verdadeira Babel de livros, linguagens (científicas), nomenclaturas, um verdadeiro caos, a confusão total.
E até em nome da teoria do Caos (a mais caricata das teorias científicas) eles julgam falar ainda do mesmo: a divindade que nos criou, os campos de morfogénese cósmica que são todos os seres existentes, se somos fantasmas indefinidamente auto-reproduzidos ou se temos, de facto, existência real para lá e para cá das aparências.
Os hierofantes egípcios chamaram a esse para cá e para lá do que materialmente somos, a Eternidade.
Todos julgam, entretanto, falar do mesmo. E vai crescendo o número de autores, livros, ciências, nomenclaturas. E vai aumentando a balbúrdia, a torre de Babel, a confusão, o Caos.
Todos julgam, têm julgado, através do último século, falar do mesmo e todos julgam ter a verdade única ou a verdade composta por várias verdades dispersas.
Chamam então supersticiosos aos que não alinham na sua nomenclatura. A linha de Oscar Gonzalez Quevedo, Domingos Moreira, José Ruiz de Almeida Garrett, todos professores doutores para impressionar, chamam supersticiosos a tudo o que não vem com a chancela daquilo a que chamam ciência.
A linha destes catedráticos em «parapsicologia» é uma verdadeira esquadra de polícia: chicotada que ferve a quem não se provar que vem com diploma em psicologia e varapau, a torto e a direito, para todos os que, pela fé, pela intuição, pela espontânea entrada numa determinada frequência vibratória não têm o aval destes gendarmes e chulos de Deus.
Mas os que se apresentam fora deste quadro universitário, também não se mostram com rosto mais humano: é tudo arrogância e, acima de tudo, ejaculações precoces de cada vez que utilizam os palavrões difíceis de que só eles sabem o segredo glossarial.
É urgente inventariar uma lista desta overdose verborreica, herdada principalmente da nomenclatura médica que é a mais longa, chata e inútil de todas as nomenclaturas ditas científicas.
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<95-01-00-dr> = diário da radiestesia - 1099 caracteres <mde-1><adn>mde = mapa das energias
QUANDO FALAMOS DE ENERGIAS
Janeiro/1995 - Possivelmente, o neófito irá estranhar que tantos caminhos se apresentem e que só um seja o seu. Quando falamos de energias, o mapa, de facto, é, como todos os mapas, o conjunto de todos os caminhos possíveis, embora o caminho ou caminhos que interessam a cada um, só este saiba quais são. Para isso, o mapa pode ser-lhe útil e os diagramas que divulgamos, são esse mapa. Vão alargando sucessivamente esse mapa a novos territórios sem nunca esgotar o mundo que é o universo das energias. O universo do diverso das energias.
Aceitando que o mapa das energias não tem que fazer, «logicamente», sentido, encaremos esse mapa como um guia que nos vai servindo e que poderemos consultar sempre que pretendemos saber o melhor rumo a tomar. Sem esquecer que a bússola para nos orientarmos na rota, é o Pêndulo, não há dúvida que o Mapa das Energias, que é o Mapa dos Diagramas, deve estar sempre presente e constitui a nossa contínua referência. Como quem vai em viagem de férias e precisa de consultar as cartas das estradas...
<dm-75> diário mesmo de 1975
(Neste texto, teclado em winword em 11/10/1998, nota-se o relaxamento surrealizante da época, a megalomania de falar de si próprio, a amizade que o ligava ao José Matos Cruz (editor do suplemento «Escora») a mania de que a sua luta (mein kampf) era generosamente pela «geração do apocalipse», a utopia ecológica («personalista» como aqui diz) opondo-se à utopia tecnocrática, a manipulação do homem pelo homem, a actuação biocida das actuais gerações, a sofística moderna das chamadas ciências humanas e outros leit-motiv que em 1975, vinte anos depois do Maio 56, já se encontravam perfeitamente definidos na sua cabeça. Este file que se chama <dm-75> dá direito a que se chame também <mk-75>, mein kampf 1975, que ficará desde já e com este número de caracteres.)
Em sinal de vingança pela soberana indiferença com que o meio ambiente recebeu o primeiro capítulo do seu manifesto contra o meio ambiente - o livro intitulado «Depois do Petróleo, o Dilúvio», aparecido na Editorial Estúdios Cor, o nosso colaborador Afonso Cautela resolveu mandar para a tipografia, logo a seguir, o segundo capítulo desse manifesto contra o meio ambiente.
Muito mais longo do que o primeiro, chama-se «A Utopia Personalista» e é consagrado à crítica da sofística moderna, à superestrutura ideológica de apoio à manipulação do do homem pelo homem que as chamadas ciências humanas estão há muito praticar.
Sabendo que tem todos contra si, que prega no deserto e que escreve para a geração seguinte - aquela cuja vida e sobrevivência está irremediavelmente comprometida com a actuação biocida das gerações de hoje - Afonso Cautela está seguro do que diz, quer e faz e pede-nos que divulguemos parte de uma carta-circular com que tenciona propagandear o referido livro, já que ele próprio, autor, se encarregará de o mandar imprimir, de o distribuir e vender e até de o oferecer a quem lho pedir por carta ou postal.
Porque o seu caso de out-sider nos parece significativo e teste bastante óbvio da hostilidade compassiva com que a actual mediocridade da intelligenzia lusa recebe tudo o que a critica e ostensivamente a ultrapassa, o suplemento «Escora» (ao publicar o texto de Afonso Cautela) faz nossas as palavras e a causa dele, já que precursores banidos e geração de amanhã (que ele é e pela qual ele trabalha) nos sentimos também.
Melhor: somos esta geração que em Afonso Cautela encontra um dos seus raros advogados de defesa neste tempo e mundo de centrais nucleares que nos preparam: a nós, os que temos agora 20 anos e, quer queiramos ou não, temos de viver.
Mas viver , como?
«Escora»
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(*) Livro que uns fingiram ler e não perceber, outros fingiram ignorar, outros fingiram que não estavam fingindo.
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<90-10-11>
<crise1> <ecos> <diário de um ecoreformista>
REFLEXÕES SOBRE A CRISE
A CRISE AOS QUADRADINHOS
O GOLFO VISTO POR UM CANUDO
11/Outubro/1990 - As máscaras antigás que os jornais têm mostrado em profusão como cenários de guerra próxima, são os preservativos da guerra química e biológica. O dispositivo mental que recomenda uns é o mesmo que leva às outras. Em qualquer caso, faz-se negócio com o medo das pessoas, medo bem preparado e manipulado pelos senhores da comunicação social que somos nós.
Quando o preservativo, máscara ou prótese mais necessário seria aquele que nos defendesse do pestífero discurso tóxico, produzido em abundância desde o princípio da crise, e quem devia afivelar, desde já, a máscara antimanipulação, tem afinal a triste e grotesca missão de andar a assustar os outros com cenários apocalípticos, seguindo à risca as directrizes dos que promovem a guerra psicológica, a guerra de nervos, a guerra mediática de opinião que os centros de intoxicação do costume têm interesse comercial e petrolífero em promover.
Cenários de guerra não vale a pena perder tempo a desenhá-los. A guerra está aí e é principalmente psicológica. Serve principalmente para «justificar» a crise que de oito em oito anos tem que estalar no seio da «grande farra» que é o sistema capitalista e bolsista e respectivo triunfalismo. Em cada oito anos, eles inventam um cenário de guerra e de crise: desta vez não tiveram de inventar, Saddam ofereceu-lho de bandeja. A guerra que é 50% fictícia, a crise que é efectiva (mas não a que eles explicitam). O resultado final vai ser o mesmo que nas anteriores crises: as pessoas ficaram economicamente mais estranguladas do que já estavam e a «grande farra» continuará, o sistema continuará até que o deixem, a comer os ecossistemas pelas pernas. Como os ecossistemas estão nas últimas e os recursos já dão o último suspiro, a farra tem que chegar ao fim. Mas enquanto o sistema, com a ajuda dos media e dos diligentes jornalistas, conseguir-nos convencer do contrário, vamos tendo crises cíclicas do golfo de oito em oito anos. O consumidor pagará, mediante todos os mecanismos e dispositivos previstos - desde a bolsa à inflação - as despesas de guerra e a mobilização que constitui o cenário bélico para ocultar a guerra, a verdadeira guerra.
Duas crises petrolíferas antes desta, uma em 1973 e outra em 1982, não conseguiram ensinar nada à humanidade sonolenta e desatenta. Com a ajuda dos «media», ninguém percebeu o que estava verdadeiramente em causa, com as crises, e que era o princípio da autosuficiência energética. Uma diferença se pode notar relativamente à crise de 1973: o cenário é menos deprimente e não inclui ver Londres à luz da vela, ou qualquer outro quadro apocalíptico do género. É que esse tipo de desenho levou ma certa gente - os ecorealistas - a aproveitar-se da crise para fazer gratuitamente a maior campanha a favor das energias limpas, infinitas, ecológicas, humanas e nacionais - não importadas - as energias solares - o que deixou de cara à banda o sistema, que supunha poder fazer valer, com a crise do petróleo, o supositório radioactivo do electronuclear. Foi até a maior chance do movimento ecologista. Chance que o sistema logo recuperou e destruiu. Os projectos de energias renováveis existentes em Portugal foram abarbatados pelo LNETI e metidos na gaveta. Já alguém ouviu falar, durante esta crise, desses projectos? Nem pio.
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1-7 - <99-10-11-cm> contra a medicina
A DOENÇA DA MEDICINA E A SAÚDE DA NAÇÃO
Um texto inédito de Outubro de 1999, depois do veto do Presidente da República à lei do acto médico
POR AFONSO CAUTELA (JORNALISTA)
O que os partidos com assento na Assembleia terão que compreender, para a gente acreditar neles, é que uma política de saúde não é a política de doença até agora vigente e que as chamadas «terapias alternativas» são, apenas, o primeiro passo (um passo de gigante embora), para que essa política de saúde não continue a ser a desastrosa e desastrada política de doença em que continuamos atolados.
Jorge Sampaio, enquanto Presidente da República, já o compreendeu. Esperemos que os partidos o compreendam também.
Como ficou provado com a reacção do chefe das milícias à derrota que sofreram com o veto presidencial, são os próprios profissionais médicos, alguns deles - , mais lúcidos, mais corajosos, mais conscientes e mais responsáveis - os primeiros a reagir ao primitivismo bárbaro do chefe das milícias.
Para eles, o quadro de honra da inteligência.
I
11/10/1999 - A concepção quantitativa na vida e na saúde, defendida por todos os partidos do espectro político (à excepção de um único), vai levar-nos longe. Provavelmente ao abismo, à beira do qual já nos encontramos há largos anos, ora com o nome de bancarrota da segurança social, ora com o nome de buraco no Ministério da chamada Saúde, ora nas famosas e famigeradas listas de espera, de que os líderes partidários demagogigamente se servem a ver se ganham eleições e/ou votos.
Entretanto, e como já se notava a falta, apareceu no discurso político a expressão qualidade de vida, surripiada aos ambientalistas que a foram também surripiar aos ecologistas. Com tanta quantidade de vida - o consumismo hedonista onde sufocamos - teríamos que ter, fatalmente, défice de qualidade.
Aconteceu também com a ética e o escândalo foi tal, no domínio da engenharia genética e da biotecnologia, que tiveram que criar uma comissão de Bioética, que anda para aí com sermões a branquear os biocrimes consecutivamente perpetrados por esta sociedade de consumo e consumismo.
Mas, afinal, pergunto eu: as famigeradas e famosas listas de espera nos hospitais e centros ditos de saúde não significam, afinal, um progresso, à luz dessa filosofia do mais ser sempre o melhor?
Se o mais-sempre-mais é sempre o melhor, então à luz da lógica da batata que rege os partidos, mais filas de espera seriam, inegavelmente, um progresso. Então porque raio querem acabar com elas?
Afinal, para eles e para a filosofia deles, mais doentes e mais doenças não é, afinal, um sinal de progresso?
Em que ficamos: é ou não é?
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Se o critério de progresso, em medicina, é ter cada vez mais médicos, mais medicamentos, mais farmácias ( notícia recente falava em mais 300 novas farmácias!!!) , mais medicamentos, mais marcas (como se sabe há para cima de 7000 especialidades nas farmácias), mais hospitais, mais enfermeiros, mais equipamentos mais sofisticados, mais intervenções cirúrgicas cada vez mais caras e complicadas, então temos todos o que queremos e merecemos, ou seja, mais e maiores listas de espera, mais conflitos entre governo e classe médica, mais greves self-service, mais guerra permanente contra as alternativas ecológicas de saúde, contra as tecnologias apropriadas de saúde, entre as quais as terapias naturais se incluem, embora não esgotem o que deverá ser uma autêntica política de saúde em vez da actual, trágica e ruinosa política da doença.
Enquanto se chamar saúde ao que é pura e simplesmente doença, mais doentes e mais doenças e novas doenças e doenças «desconhecidas» (a ciência médica chama doenças de causas desconhecidas às doenças iatrogénicas), é caso para dizer que temos o que merecemos e não nos podemos queixar nem sequer ao Papa.
Enquanto o critério de progresso em medicina for a sintomatologia, for o ataque frontal ao sintoma e não a busca da causalidade ecológica de todas as doenças, enquanto o critério for tratar em vez de curar e prevenir, é evidente que as famigeradas listas de espera vão aumentar, os buracos do Ministério da chamada Saúde vão aumentar e a bancarrota da segurança social vai aumentar até à vitória final das seguradoras particulares, as únicas a beneficiar com essa bancarrota.
Tudo isto, quer os lideres partidários digam ou não digam, demagogicamente, que vão solucionar o que eles consideram o «problema das listas de espera». Não se apagam fogos, regando-os com gasolina.
Enquanto a política chamada de saúde for a política de doença e de promoção, directa ou indirecta, da doença, o espectáculo continuará para gáudio de quantos ganham com a doença: ou seja, os fabricantes de medicamentos (incluindo os naturais...), os consultórios, as clínicas privadas, as clínicas de análises, etc., etc., que o lobby da doença hoje é verdadeiramente interminável. Veja-se o número de revistas em papel couché que hoje divulgam o discurso médico vigente. Consegui inventariar uma dezena e não vai tardar que cheguem à dúzia, já que, segundo alguns filósofos, à dúzia é mais barato.
Enquanto a ideologia que ilustra os poderosos crânios da política, da economia, do ensino, for a ideologia do mais-sempre-mais, a filosofia do progresso material e consumista - mais, mais, mais - podemos estar certos de que as greves dos senhores doutores vão animar a cena (tal como os palhaços animam o circo), que os partidos vão fazer a vontade às milícias e ao chefe das milícias, que os utentes vão continuar a queixar-se, que os jornais e telejornais vão ter matéria de abertura nas alturas em que não haja Timor, Amália e futebol para abrir, ou seja, quando não houver causas nacionais que venham à primeira linha da actualidade.
Enquanto o critério de avaliação em patologia e terapêutica for a complicabilidade e não a simplicidade, é evidente que a engrenagem vai continuar a complicar-se e a escalada das despesas com a doença vai continuar a subir até nos comer a todos nós, os que pagamos impostos, pelas pernas.
Enquanto a patologia que continua a ser ensinada nas escolas médicas ( e também nas novas escolas ditas naturais) continua a alimentar a mania do vírus, a filosofia do micróbio (que o próprio Pasteur repudiou), a filosofia das «doenças de causas desconhecidas», a filosofia do ataque ao sintoma em vez da despistagem da causa ambiental, o espectáculo apocalíptico das chamadas «despesas com a saúde» continuará.
Enquanto a cirurgia dos transplantes for considerada orgulhosamente a vanguarda do progresso médico e o progresso médico significar cada vez mais intervenções cirúrgicas, cada vez mais complicadas e caras, bem podemos todos chorar sobre o leite derramado, ou seja, sobre os descontos de uma vida inteira para a insegurança social e sobre a esportulação dos impostos que continuaremos a pagar com língua de palmo para todas estas farras.
Enquanto o utente da chamada saúde, não tomar a sua vida e o seu destino nas próprias mãos, bem podemos andar todos a gritar e a arrepelar-nos uns aos outros numa luta em que vale tudo até tirar olhos. Como diz o outro, casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Traduzindo à letra este anexim, numa saúde que é afinal só doença, todos ralham e ninguém tem razão.
A questão de fundo é, portanto, que a saúde seja saúde e não doença,
que o assistanato em vigor dê lugar è responsabilização dos utentes pela sua própria saúde,
que a parafernália de técnicas e de especialidades médicas dê lugar ao bom senso, à lógica ecológica e causal , à visão inteligente e lúcida da realidade, à experiência da tradição empírica em medicina, esse tesouro que está sendo achincalhado em Vilar de Perdizes por uma concepção folclórica da cultura em geral e da cultura popular em particular.
A questão central da saúde é esta e não há que escamoteá-la: a esmagadora maioria dos senhores utentes é francamente infeliz, foi vítima inocente de doenças terríveis, coitada não teve culpa, a culpa é do destino cruel que a escolheu para vítima.
A mania da vitimização anda sempre ligada à mentalidade de assistanato, mentalidade que nenhum partido político põe em causa..
Ora quem paga isto tudo, é o Estado. Como quem paga ao Estado somos nós - os que pagamos impostos - somos nós a pagar a tremenda infelicidade de sermos todos, cronicamente, uns infelizes coitadinhos, muito doentinhos.
Enquanto, para o cancro, as únicas formas de ataque forem a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia, é evidente que continuaremos a ter mais dor, mais sofrimento, mais hospitalizações, mais despesas com hospitalizações.
Enquanto, para o cancro, continuar a ser intencional e vergonhosamente ignorada a mais poderosa terapia hoje conhecida da ciência médica - a medicina ortomolecular dos orotatos e aspartatos - a escalada infernal da doença continuará, continuando a dar lucros infernais ao lobby da doença.
Note-se que a medicina ortomolecular - hoje vanguarda da ciência médica mas que a medicina ordinária ignora - está particularmente vocacionada para aquele rol de doenças que a medicina académica inclui sob o rótulo deprimente de «doenças incuráveis», «doenças de causa desconhecida» e «doenças auto-imunes», designações que só por si definem bem a impotência e fracasso dessa medicina.
Enquanto o diagnóstico médico estiver exclusivamente centrado no sintoma, no órgão, no tecido, nos aspectos materiais, na doença e não no doente, em vez de procurar estabelecer um quadro energético global (e portanto reflexológico) da doença, não há clínicas de análises que cheguem, os doentes continuam a coleccionar montes de radiografias, as listas de espera vão aumentar, as famigeradas despesas da saúde (que são despesas com a doença) vão continuar a aumentar.
E não me venham dizer que isto não é progresso, quando consideramos progresso ter mais médicos, mais faculdades de medicina (foram criadas mais três recentemente). Não sejamos hipócritas e tentemos ligar a bota com a perdigota: segundo a filosofia vigente na política da chamada saúde, ter mais doentes, mais doenças, mais hospitalizações, mais sofrimento, mais cirurgias, mais despesas, é progresso.
O caso muito conhecido dos desastres rodoviários pode servir de exemplo: o escândalo do crescente número dos sinistrados na estrada só começou a ser politicamente denunciado quando as seguradoras começaram a queixar-se das despesas de hospitalização dos sinistrados. Se não fossem as seguradoras, o progresso da morte nas estradas continuaria sem perturbar ninguém da classe política e da classe médica.
Enquanto a medicina química for a única que os teimosos do acto médico admitem, vamos de facto continuar a ter progresso: mais doentes e mais doenças, já que 50% por cento das doenças actuais são iatrogénicas, os famosos ciclos viciosos criados pela química sintomatológica e os não menos famosos efeitos adversos e perversos (a que chamam eufemisticamente secundários) dos medicamentos químicos de síntese.
Enquanto a prioridade da medicina académica continuar a ser o micróbio e nada ou quase nada a imunidade do terreno orgânico, é evidente que continuaremos a ter a lista infindável de quase 40 «ites», desde faringites a hepatites, que são, por sua vez, especialmente nas crianças, a causa de posteriores doenças, cada vez mais graves. Provavelmente, algumas dessas «ites» (que poderiam ser abortadas em 24/48 horas, com uma administração correcta da associação sinérgica de cobre-ouro-prata catalítico), irão ser o ponto de partida para uma série de doenças ao longo da vida dessas crianças.
Enquanto a prioridade da medicina - seja a natural, seja a convencional - não for a imunidade e defesa intransigente da imunidade (o reforço das defesas naturais que todas as medicinas naturais preconizam) é fatal como o destino do nosso fado: a doença irá proliferar e com ela o negócio dos específicos, como prosperam cogumelos no Inverno. Com todos os partidos políticos a gritar ao gregório por causa das listas de espera.
O que os partidos com assento na Assembleia terão que compreender, para a gente acreditar neles, é que uma política de saúde não é a política de doença até agora vigente.
E que as chamadas «terapias alternativas» são , apenas, o primeiro passo (um passo de gigante embora), para que essa política de saúde não continue a ser a desastrosa e desastrada política de doença em que continuamos atolados. Jorge Sampaio, enquanto Presidente da República, já o compreendeu. Esperemos que os partidos o compreendam também.
II
O ACTO POST-MORTEM
11 /10/1999 - Se o chefe das milícias continuar a atacar o povo dos naturoterapeutas e utentes da naturoterapia, é bom que os profissionais e utentes se consciencializem de algumas realidades:
A terapia alimentar é, por enquanto, o reduto mais seguro, para acantonar e para manter as milícias à distância.
Nos acantonamentos da resistência ecológica à barbárie, temos que aprender a arte da simplicidade, da tenacidade, da coragem e da verticalidade. A arte de viver começa com a arte de comer.
Passar à clandestinidade pode ser o destino próximo que nos resta: e para isso há que conhecer os redutos onde nos podemos proteger da barbárie das milícias:
a) a medicina ortomolecular é hoje a vanguarda da ciência médica
b) a medicina metabólica e eumetabólica é hoje a vanguarda da ciência médica
c) a medicina energética, vibratória ou quântica é hoje a vanguarda da ciência médica
d) a medicina ecológica em geral (a que já se chama preditiva) e a medicina do habitat em particular, é hoje a vanguarda da ciência médica moderna.
Ora se tudo isto é denominado, pelo chefe das milícias, de «obscurantismo», «charlatanismo», «bruxaria», temos então que fazer queixa à Alta Autoridade contra a Corrupção ou, na falta desta, criar urgentemente um tribunal dos direitos humanos para julgar crimes contra a humanidade.
É, de facto, crime contra a humanidade que a ciência médica continue ignorando os seus melhores progressos.
Ora se estas novas medicinas são hoje unicamente apoiadas pela naturologia e pelos novos naturologistas, significa que somos nós, naturologistas, e não eles, quem está na vanguarda do progresso médico.
Se o empirismo é mais do que necessário e urgente para humanizar uma medicina completamente despersonalizada e desumanizada, a ciência médica de ponta, nas 4 grandes vertentes que indiquei, deverá servir de arma principal ao povo resistente contra a barbárie das milícias.
A tradição empírica de Hipócrates e dos neo-hipocráticos, que têm feito mais pela saúde dos povos do que todas as tecnologias sofisticadas da moderna medicina, é uma arma mas não é suficiente para resistir à barbárie das milícias.
A vanguarda da Nova Naturologia e dos cientistas que, ao arrepio da medicina académica e retrógrada, estão abrindo um horizonte libertador à ciência em geral e à própria ciência médica em particular, deverá ser outra arma da nossa resistência ecológica à barbárie.
Os grandes sistemas de biocosmologia como o sistema Yin Yang taoísta (de que deriva a chamada medicina tradicional chinesa) será outra arma nossa contra as milícias armadas de catana, varapau e armas automáticas.
Isto não é só compreendido pelos contemporâneos do futuro e por aquela minoria que se apercebe sempre, com 20 ou 30 anos de antecedência, do que vai acontecer 20 ou 30 anos depois.
Como ficou provado com a reacção do chefe das milícias à derrota que sofreram com o veto presidencial, são os próprios profissionais médicos, alguns deles - , mais lúcidos, mais corajosos, mais conscientes e mais responsáveis - os primeiros a reagir ao primitivismo bárbaro do chefe das milícias.
Para eles, o quadro de honra da inteligência.
III
11 /10/1999 - O equívoco obriga-nos a ter que utilizar o truísmo «saúde natural» .
Afinal, saúde é só uma e é sempre natural .
Chamar saúde à doença é que, de todo, não contribui nada para esclarecer a questão que está em causa no actual debate sobre a doença da medicina e a saúde da Nação.
Mais do que o respeito e o incentivo pelas terapias naturais, o que o País precisa, se quer mais saúde e menos doença, é uma política global de saúde que não tem.
Nunca é demais repetir que a chamada política de saúde é apenas uma política de doença, de gestão calculada e por vezes calculista dos lucros que a doença dá aos lobbies que dela lucram.
Pedra angular de uma genuína política de saúde, as terapias naturais deveriam ser respeitadas e incentivadas em vez de excluídas. Por razões de custos e despesas, mas por razões de qualidade de vida dos cidadãos, também.
Se qualidade de vida significa também a saúde e a manutenção da saúde , qualquer governo responsável deveria começar exactamente por dar prioridade às terapias da saúde que são as terapias naturais.
IV
mais produção
mais desertos
mais veneno e poluição
mais parafusos
mais automóveis
mais desastres de automóvel
mais auto-estradas
mais betão asfaltado
mais falta de água
mais auto-tanques voltados com matérias perigosas
mais cancro
mais produtos químicos no ambiente e nos alimentos
mais gasto de água mais falta de água
mais gasolina mais cara
mais inflação mais desemprego mais inflação
mais portas fechadas de alternativa à inflação
mais petróleo derramado mais desastres climáticos
mais cargueiros com cargas venenosas e explosivas
mais cargueiras voltados com passageiros enterrados vivos
mais contentores nos estuários
mais estuários mais podres
mais lagos eutrofizados e mais rios mortos
mais ruído mais surdos mais doentes mentais
mais motoretas mais chumbo na gasolina
mais toxicomanias
mais revolta mais chatice mais burocracia
mais suicídios
mais mais
mais
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