<03-10-10>
Posted by Big-Bang - sexta-feira, 10 de Outubro de 2003
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29 anos de memórias
<71-10-10>
<bomba-2> os dossiês do silêncio-
OS BENEFÍCIOS DA BOMBA(*)
(*) Publicado no jornal diário «Notícias da Beira» (Moçambique), 23/11/1971 , no semanário "O Século Ilustrado" (Lisboa), 10/10/1971 e no "Diário do Alentejo", 12/11/1971
10/10/1971 - Sendo tantos e tão evidentes os benefícios da Bomba, especialmente para a humanidade sofredora (a quem, com estas e outras, está reservado um lindo e risonho porvir), parece incrível haver quem proteste, quem se incomode, quem se manifeste contra e quem mantenha veleidades de subversão pacifista.
Veja-se, por exemplo, se a URSS protestou. Meteram-se em copas e observaram, como é óbvio, o mais absoluto, o mais atilado silêncio, também têm telhados de vidro (quer dizer, bombas em armazém) e não convém fazer ondas.
Eis, pois, a grande pátria: Abatem-se ideologias, os blocos políticos deixam de questionar, a diplomacia usa as suas luvas mais macias e os sorrisos misturam-se com os drinks de júbilo por mais esta e outras explosões... pacíficas. Pulverizam-se fronteiras, porque na Grande e Fraternal Comunidade da Bomba até os inimigas se reconciliam, os adversários políticos dão as mãos e somos todos, além de iguais, irmãos em Radioactividade. Ao carácter elástico das democracias (parlamentares e populares) deve-se não só esta natural coexistência e este abraço transcontinental, como outras interessantes ocorrências.
Por exemplo: Já repararam que o crime deixa de ser crime, desde que esteja submetido à discussão? É o grande milagre da democracia. Submete-se uma decisão à discussão senatorial e pronto: Todos respiram fundo. Como pode vir a ser mal, uma coisa que foi democraticamente baratinada? A bomba explodirá, mas submetida à controvérsia dos senadores. Quem não acreditará que é uma coisa boa?
Anunciada a experiência pelo Presidente Nixon, logo se puseram a discutir e, como da discussão nasce a luz, jorrou a luz dos mil sóis em que falaram os poetas, a propósito de Hiroxima, que perante esta até faz figura de brincadeira de crianças. O crime transforma-se assim numa coisa lícita. Se há gente pró e gente contra, e se a democracia é para a gente ter liberdade de opinião, vem a controvérsia e santifica a bomba. Quer expluda quer não expluda, está certa por que foi discutida.
Sá não compreendo como agora vão invocar os sagrados valores morais da nossa cultura. A Bomba, pelo facto de existir, automática e potencialmente destrói tudo, mas especialmente os sagrados valores. A partir do momento em que a destruição é declarada lícita, permitida, consentida, elogiada e benéfica, tudo passa a ser de somenos.
E bastante estranho é que se continuem a encarcerar os criminosos de delito comum. A partir da Bomba, ainda haverá criminosos? E ainda haverá quem se queixe dos "hippies» malcriados? E dos incorrigíveis pacifistas? E da terrível droga que consome a juventude? A partir da Bomba, o que será (i) moral?
As agências arfaram, durante uma semana, divulgando as belos atributos da Bomba: 250 vezes mais potente do que a de Hiroxima, está-se mesmo a ver que as seus benefícios ficam, segundo uma elementar lógica aristotélica, portanto e pelo menos multiplicados na mesma escala. Será uma bomba 250 vezes mais benéfica que a de Hiroxima, cujos benefícios não é necessário relembrar, tão conhecidos são de todos. Mesmo os que não viram o filme de Alain. Resnais ou visitaram o Museu da cidade.
A precisão da experiência nas ilhas Aleutas era de tal modo rigorosa (e quem haverá que não sinta orgulho numa ciência assim tão minuciosa, tão precisa, tão até ao mílisentésimo de centímetro!) que (pasme-se!) um aperfeiçoadíssimo sistema de comunicações avisou, duas horas antes, todos os aglomerados populacionais da Costa do Pacífico que poderiam ser destruídos e arrasados.
É ou não é maravilhoso que, com tanta exactidão, a ciência tivesse conseguido um tal aviso? Só isto - pergunto - não seria o suficiente para nos sentirmos orgulhosos de uma ciência que tal bomba tem? Ou de uma bomba que tal ciência tem? Duas horas antes já as populações estavam avisadas do seu eventual e possível extermínio. É de homem!
Como de homem é também a atitude de James Schlesinger, presidente da Comissão da Energia Atómica, que ficará na história com seus dois filhos e esposa, não só como herói mas como um dos maiores Benfeitores da Humanidade. Bem andaram os jornais em divulgar o seu nome e os seus feitos. Surgirá (das cinzas... ) certamente uma formiga com vocação de poeta capaz de lhe cantar o impoluto gesto e a inaudita façanha. Porque ele se sacrificou em holocausto da ciência mas, acima de tudo, porque a Bomba, a sua querida Bomba, foi por motivos inadiáveis de segurança nacional. E quem não é bom patriota?
Mesmo que a segurança universal esteja em risco, o que interessa. a um patriota e à Comissão de Energia Atómica é salvar a Segurança dos Estados Unidos. O resto, que se lixe, pois não é verdade? Como dizia um personagem do Dostoiewski: «Quero lá saber que a Humanidade vá toda para o Inferno, contanto que eu acabe de beber em paz a minha chávena de chá!». Numa. era de absoluta planetarização, é este um raciocínio digno de génio.
Acima de tudo, o que enche de admiração qualquer cidadão bem intencionado e que não esteja com febres pacifistas, é a coerência da democracia norte-americana: Por um lado decreta leis de protecção ao meio ambiente, os jornais e canais de televisão fazem uma enorme choradeira contra as Poluições, tecem-se considerandos sobre o motor limpo; de repente, muda o disco e é totalmente o oposto.
Virtudes da discussão. Ah! É que a bomba saiu limpinha, acrescentava a Reuter. Daí o júbilo - fazia notar a France Presse - que após as 23 horas lavrava na Casa Branca.
Outra óbvia vantagem: Todos os sismógrafos (até Lisboa, Porto e Coimbra.) puderam comprovar que se não tratava de (mais) uma peta.. As agulhas, muito atentas, registaram, sem falta, o sismo que, próximo do epicentro, chegou a ser de grau 7. Todos satisfeitos, pois, com o êxito, tanto mais que um eminente cientista declarou a tempo que estes sismos artificiais eram o melhor remédio que havia para obstar aos naturais.
Encarada com aquele frio idealismo que só os lunáticos, poetas e profetas não sabem manter, a explosão de Amchitke poderá tornar-se numa coisa de rotina, como tantas outras coisas que, a princípio, fizeram desencadear ondas de protesto mas a que a humanidade, finalmente esclarecida pelos «mass media», acabou por se habituar. Realismo é que é preciso. E ciência, muita ciência.
O resto são irracionalismos torvos de semi-loucos ensandecidos pelo amor à Natureza, pelo amor da humanidade, pela febre pacifista, ou por outras aberrantes e anómalas monomanias. Cada um na sua casa faz o que lhe apraz e nas Aleutas quem manda é o Presidente Nixon. A que propósito, pois, vinham os imorais e repugnantes protestas do Canadá, Japão e arredores? Que terão eles a ver com isso? Sempre há gente muito mal agradecida e desmancha-prazeres! Não podem ver nada, é logo protestos. Só porque estão geograficamente na zona dos possíveis terramotos e maremotos? E depois? Não têm os vizinhos a protegê-los, a velar pela sua segurança e pelos seus soninhos descansados? Sempre há gente muito malcriada! Até protestam contra uma Bomba que tantos e tão evidentes benefícios vai trazer à humanidade. Duzentas e cinquenta vezes mais benefícios que a de Hiroxima...
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(*) Publicado no jornal diário «Notícias da Beira» (Moçambique), 23/11/1971 , no semanário "O Século Ilustrado" (Lisboa), 10/10/1971 e no "Diário do Alentejo", 12/11/1971
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1-2 - <80-10-10-ie>
NO OCEANO É AINDA A "LEI DA SELVA"
EUFORIA PELA SARDINHA OU TRISTEZA PELO NOSSO FUTURO?
[ 10-10-1980, inédito] - Em cardumes, a sardinha acorre à costa portuguesa, em meados de Agosto de 1980.
Na Lota da Afurada, só um barco trouxe mais de 1.100 cabazes, como dizia feliz " O Comércio do Porto" (14.8.1980).
Mas desta euforia ninguém lembra o reverso.
A sardinha é daqui, habitual nas costas portuguesas. Mas tal como os outros peixes que não são daqui e aqui têm vindo a aportar, quando acorre em quantidades prodigiosamente anormais, é apenas sinal de um desequilíbrio ecológico ou de uma fuga desordenada de outras paragens.
Dialecticamente ou ecologicamente, estas farturas deviam entristecer-nos: porque significa que, algures, o habitat das sardinhas está sofrendo fortes razias e que esta súbita fartura é apenas o sinal da escassez que se avizinha.
Sardinhas a dar por um pau pode ser apenas o sinal de que a fome se abeira e o tempo em que nem uma sardinha nos chegará pelas costas!
CONSAGRAR A CANDONGA
DO PESCADO PORTUGUÊS
O Comandante Cabido de Ataíde conseguiu finalmente o seu Instituto Nacional de Investigação de Pescas que - diz-se - tem como tarefa "urgente" (sic) a avaliação dos recursos vivos do mar.
O curioso da notícia (31.7.1980) é a referência "aos excedentes negociáveis", sibilino eufemismo que deve ser a porta aberta para que se legalize uma situação já existente e de facto: os camiões frigoríficos que todos os dias enchem a mala de pescado para o transportar algures com destino aos países e hotéis do Mercado Comum.
Exportação que ninguém oficialmente conhece - urge , de facto, legalizar situações como esta, ainda em estado clandestino.
E O MAIS FORTE QUE VENÇA...
A LEI DA SELVA PARA OS OCEANOS
Segundo as primeiras notícias filtradas da Convenção sobre o Direito do Mar, inaugurada em Genebra (31.7.1980), o projecto aí apresentado por 150 países deixa prever o pior no reforço da escalada e da pilhagem.
Por baixo da repentina e ecuménica universalidade dos propósitos que as potências da pilhagem manifestam no texto desse projecto, parece estar apenas o desejo de conquistar um texto legal que permita, pela lei do mais forte, a definitiva posse dos mares não territoriais nas mãos das maiores potências navais de hoje.
Quando nesse texto se fala em "exploração e investigação em benefício de toda a Humanidade, independentemente da situação geográfica dos Estados", que raio quer isto dizer?
Que eles, os de sempre, vão continuar a exploração e a investigação como até aqui "em beneficio de toda a humanidade"? Mas onde está a humanidade que sentiu esse beneficio?
Fora das 200 milhas que o texto faz o favor de reconhecer propriedade dos Estados com litoral marinho, o projecto considera que o resto dos oceanos pertencerá à zona de fundos marinhos cujo leito e solo não estarão sujeitos a nenhuma autoridade (nacional, subentenda-se) mas à futura "autoridade internacional dos fundos marinhos." Quem diz "internacional" podia dizer "multinacional".
A "utilização" equilibrada e para fins pacíficos dos fundos marinhos e seu recursos" cheira demasiado àqueles outros "fins pacíficos" que eles costumam igualmente preconizar para o tecnofascismo nuclear.
Que lei da selva se prepara, em Genebra, para os mais poderosos acabarem de pilhar em sossego e monopólio o resto do que resta de um Oceano que eles continuam assassinando?
A LEI E A LOTA:
ANGUSTIANTE MEDIOCRIDADE
O "Diário de Lisboa" (11.8.1980) sublinha que dois golfinhos estavam à venda no mercado de Vieira de Leiria e que os animais tinham sido capturados dois dias antes, na Costa da Leirosa, ao sul do Molhe da Barra da Figueira da Foz.
Os jornais dão a notícia (se é que a dão e quando a dão) e a capitania do porto da Nazaré limita-se a dizer que não existe lei para protecção aos golfinhos.
Como se, havendo lei, esta fosse o suficiente para afugentar da nossa costa os golfinhos que dela se aproximam porque das suas paragens vêm foragidos, sabe-se lá porquê e fugindo de que terríveis poluições ou cataclismos.
Para lá da angustiante e aberrante presença de golfinhos - que deviam andar por outras paragens e se andam por aqui é sinal de que algo vai mal no seu habitat - é angustiante a mediocridade provinciana e a mesquinhez com que mais este sinal do Oceano Moribundo é encarado. Apenas como um problema de lei, de lota, de mercado ou de caldeirada de golfinho à fragateira.
Horrível e trágico não é o Apocalipse do Oceano, do qual chegam diariamente notícias vivas ao litoral português. Indigesta é a mentalidade de caldeirada à fragateira dos que capturam, vendem, legislam, cozinham e noticiam os golfinhos.
Mais angustioso do que as poluições locais e sensíveis ao cheiro, aos olhos ou aos ouvidos, são estes sinais da longínqua mas colossal destruição que no Oceano se está consumando, por mercúrio, petróleo, gases venenosos, bidões com resíduos radioactivos, etc, etc.
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1-2 - <81-10-10-ie-op>
MAIS ALGUNS SOFISMAS (*)
(*) Este texto de Afonso Cautela deverá ter sido publicado no jornal «A Capital», Crónica do Planeta Terra, em 10-10-1981
[10-10-1981] - A política é hoje uma ciência - dizem - e uma técnica.
A arte de manipular cérebros e pessoas exige, de facto, conhecimentos profundos que só alguns possuem, os que têm a sorte e o privilégio de frequentar as escolas onde se ensina a manipular o próximo. " Manipula o teu próximo como a ti mesmo", é a grande máxima do Evangelho Canibal.
Mas manipular o homem pelo homem é também um jogo. E quem melhor souber jogar é quem ganha.
A política feita por amadores já deu o que tinha a dar. Hoje os verdadeiros profissionais distinguem-se pelos golos que metem, pelos campeonatos que vão entesourando, pelas taças que coleccionam.
Os verdadeiros profissionais distinguem-se pela destreza e mestria com que jogam, com que ganham, com que derrotam o adversário.
A TEORIA DO MAL MENOR
A teoria do mal menor, por exemplo, é uma das técnicas de manipulação só aprendida na alta escola e das que melhor resultam na prática dos campeonatos partidários.
Quando se quer manipular uma população de modo a instalar-lhe em cima uma fábrica de alumínio (por exemplo), o melhor é ameaçá-la com um perigo mais bombástico do que esse que, posteriormente afastado, deixará as pessoas respirando de alívio e aceitando, de boa vontade, o mal menor: quer dizer, a fábrica de alumínio.
Provado ficou, pois, que a EDP não frequentou o curso todo da arte de bem manipular o próximo. E fez uma tristíssima figura em Viana do Castelo.
A TÉCNICA DAS DOSES MÍNIMAS
Outra táctica ou técnica de manipulação ensinada pela alta escola de investigação industrial é a chamada "técnica das doses mínimas", em que o crime industrial deve ser administrado homeopaticamente.
A OMS quanto a radioactividade e medicamentos, a FAO quanto a fungicidas e pesticidas, as Nações Unidas quanto a matérias inflamáveis, tóxicas, venenosas ou perigosas, são de uma maneira geral incansáveis a recomendar as "doses mínimas" de crime industrial que o cidadão deve deitar na sopa.
No caso particular dos medicamentos, por exemplo, a questão, como se sabe, é sempre de dose (sinónimo de receita médica). Levará roda de estúpido e nem só o consumidor que, abusando se intoxique para lá daquilo que a OMS e a Ordem dos Médicos estipulam.
Se de pesticida se trata, logo os técnicos chamarão todos os adjectivos ao agricultor que devia ter usado X gramas e usou N gramas para evitar mortos.
Se é fábrica de alumínio, a ONU estipula e "condena" excessos. Há um limiar de mortos e doentes, de intoxicados e deformados a respeitar.
Se é central nuclear, a Agência Europeia de Energia Atómica, à qual nos ligam laços fraternais, recomenda que o circuito de refrigeração deve ser fechado e não aberto (ou vice-versa), dilema que os nossos progressistas de Esquerda e reaccionários de Direita, sabem de cor, talvez porque tivessem andado na mesma alta escola.
Estúpido, pois, que a Espanha nos queira impingir, nas três centrais nucleares que instalou nos nossos rios, um circuito aberto e não, como recomendam todos os progressistas, esquerda, direita e centro, na esteira da OMS e da CEE, um circuito fechado.
MORAL DA HISTORIA: TEMOS QUE VIVER COM O PROGRESSO
QUE TEMOS
A moral que preside a esta Manipulação do homem pelo homem é sublime e de todos (mal) conhecida: temos que viver com o progresso que temos, máxima euclidiana que os diversos técnicos e departamentos do desenvolvimento industrial glosam.
Temos que viver com os venenos que temos, com os sismos que temos, com a M. que temos, com a T. que temos, com os P. da P. que temos, etc são tudo variantes da mesma regra de oiro.
Com a Poluição, com os Desastres, com as explosões, com os afundamentos de cargueiros, com os Derrames, com as mortandades de peixe, com a esquizofrenia no poder, com os tóxicos e os venenos, com os metais pesados, com a talidomida, com os medicamentos, com/com.
Aprender a viver diariamente com o ecocídio que temos é isso: suavemente, progressivamente, ponderadamente, não ultrapassar nunca as normas emanadas das respectivas instituições que maternalmente velam, zelam e nos ensinam a viver com a morte que temos.
A morte que, à esquerda, ao centro e à direita, temos.
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(*) Este texto de Afonso Cautela deverá ter sido publicado no jornal «A Capital», Crónica do Planeta Terra, em 10-10-1981
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1-1 < 00-10-10-ac-pt>
<paulo-1>
Paulo Trancoso, meu prezado amigo:
10/10/2000 - Como não tenho nada que fazer, dei comigo a ressuscitar o logotipo da falecida «Frente Ecológica» e estou divertidíssimo a descobrir os dossiês esquecidos. Encontrei então matéria que lhe posso enviar para a revista «Ozono», correspondendo assim ao convite que gentilmente me fez de colaborar com artigo de opinião. Espero que a opinião sobre Alqueva e sobre o buraco do ozono, não ultrapasse o limiar do razoável, ou seja, do publicável. Como estou um bocado fora agora destas coisas, não sei qual é esse limite. Mas se for além do tolerável, quero que esteja à vontade para rejeitar e não publicar. O título genérico seria «Notícias do Futuro», que eu iria preencher com notícias o mais longínquas no tempo, de forma a provar (?) que, nisto de ecologia, o futuro começa bastante no remoto passado.
Tenho bisbilhotado as bancas de jornais mas não vejo a «Ozono». E já perguntei a colegas jornalistas, sempre em cima do acontecimento, que também não sabiam da nova revista. Será que o vosso circuito de distribuição está mais virado para a Internet, como agora se impõe, segundos os padrões da nova economia?
Sabendo agora da sua videofilia, atrevo-me a enviar-lhe uma listagem de gravações particulares que tenho feito para ocupar os ócios e fazer alguma coisa que julgo interessante. A verdade é que a TV Cabo (canal História) me tem encantado especialmente quando investiga o mais remoto, para onde nos últimos anos me tenho virado, à falta de saídas na mais recente actualidade. Aliás, entre essas gravações, fiz uma sobre «aquecimento global», pensando um dia em mostrar-lha de forma a poder fazer a comparação com a que lançou junto com a «Ozono».
Enfim, coisas que se fazem aos 67 anos, em que a veia lúdica se começa outra vez a manifestar.
É um pouco nesse espírito lúdico que lhe estou dando estas dicas, enquanto espero que o David Travassos me diga qualquer coisa para os tais subsídios à história do Movimento Ecológico e anexos (entre os quais anexos se conta a «Frente Ecológica», que agora, entusiasmado com o clima deste Outono maravilhoso, decidi ressuscitar).
Seu amigo, sempre à disposição,
Afonso Cautela ■