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INTERLOCUTOR VÁLIDO, PROCURA-SE
A PROFANAÇÃO DOS LUGARES SAGRADOS EM PORTUGAL
Lisboa, 28/Junho/1997
J. C. A:
Há, de facto, questões muito urgentes (factos a consumar-se) e sobre as quais não há com quem falar, com quem dialogar. O deserto desertifica-se. Entretanto, o teu telefonema foi um oásis no deserto.
É, assim, possível que algumas coisas estejam sucedendo e que relevam do puro sacrilégio, sem que os guardiães do sagrado, ou como tal auto-investidos, tenham a mais mínima atitude em defesa do que (para eles) dizem ser o sagrado.
Enquanto, por exemplo, se afadigam a defender, em grandes parangonas, um Palácio da Regaleira, espécie de pré-fabricado do Sagrado, mandado arquitectar por um capitalista para os capitalistas se julgarem ao abrigo do Diabo (e que finalmente foi parar a boas mãos, ou seja, capitalistas japoneses), eis que é o total silêncio (e silenciamentos) sobre o destino da maior área do sagrado residente em Portugal, que é o Alentejo e que a albufeira da barragem de Alqueva vai inundar (profanar).
Eu sei que o sagrado está lá, inundado ou não inundado, e lá ficará até à eternidade, quando todos os responsáveis pelo crime estejam a fazer tijolo. E que o sagrado não se afoga: mas há uma questão de hipocrisia política em que os adeptos do oculto colaboram, numa passividade e covardia que me põe a adrenalina toda ao de cima. Ou há moralidade ou comem todos.
A hipocrisia é duplex. Porque há um alarido generalizado à volta de Foz Coa - 20 quilómetros de sagrado alquimicamente puro - mas há um generalizado silêncio à volta de toda uma província do sagrado que é o Alentejo - onde soarismo/cavaquismo + maioria de esquerda (socialistas+ comunistas) mais PP chafurdam na melhor das confraternizações.
É tempo dos que detêm cargos nas hierarquias maçónicas, responderem à gente laica como eu, o que é que se passa afinal nas relações da política e do sagrado, onde a promiscuidade hoje é total.
O que o pêndulo me aguça é a possibilidade de medir o sagrado onde quer que digam que ele existe. E como a hierarquia do N8 a N56 é como o algodão (não engana), é irreversível e indiscutível, eu tenho que continuar a falar pró boneco, se ninguém, com rosto de gente e com eles negros, quiser compartilhar destas minhas (pre)ocupações.
O simiesco atrevimento já quase chegou ao topo ( à cabeça) de uma delegação do sagrado na Terra tão respeitável como é a civilização tibetana, única a ter o direito de levar o nome de civilização. Qualquer dia, a propósito de qualquer outra coisa, prendem o Dalai Lama.
Entretanto, grupos, centros e institutos - muito entretidos a fazer excursões de Verão à procura do Graal ...- são capazes de explicar tudo pelo karma ou que assim tinha de ser ou que estava escrito, ou qualquer das outras alegações fatalistas que todos os esoterismos hoje ensinam como se fôssemos todos atrasados mentais.
Entretanto, a pretexto de que não é nada com eles e de que deus há-de repor tudo nos seus devidos lugares, ficam caladinhos que nem ratos, talvez porque tenham mais de ratos do que de seres humanos, e mais de linhagem de macacos do que da raça dos deuses lemurianos, potencialmente vibráteis a N56.
Como calculas ( porque estudas), destes casos concretos, actuais e urgentes podemos remontar até aos grandes apocalipses, como foi o da Atlântida ou o de Alexandria, porque a história, esta breve história do Cosmos (+ - 60 mil anos pelo Kronos) é simétrica - e vamos continuar a assistir retrospectivamente aos episódios da telenovela cósmica que nos remontam à (Nova) Idade de Ouro.
Não estou a falar de fantasias, crenças ou lendas. Estou a falar de factos.
Entristece-me - enraivece-me - ver os «adeptos» meus conhecidos cada vez mais crentes e com cada vez mais nenhumas certezas.
Sem poder dialogar com ninguém que me destrua as minhas poucas certezas e me demonstre que não tenho razão com elas.™