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A VERTIGEM DOS NÚMEROS

NAS LÍNGUAS FALADAS E ESCRITAS

SURGE NATURALMENTE

A TENTAÇÃO DO TOTALITARISMO

9-7-1992

parlamento: defensores do acordo ortográfico dizem que unificar não e uniformizar

Lisboa, 08 mai (Lusa) - académicos ligados a negociação do acordo ortográfico reconheceram hoje que ele tem «defeitos», mas consideraram que «unificar não significa uniformizar».

«em vez de haver duas ortografias podíamos abandonar o acordo. a sua vantagem e que ele nos liga a nos mesmo», afirmou António houaiss, da academia de ciências do brasil.

O especialista, que negociou o documento em nome do seu pais, defendeu as vantagens de uma uniformidade ortográfica que poderá ser aperfeiçoada no futuro e que contribui para a aproximação entre os falantes de língua portuguesa.

Durante um colóquio sobre a matéria a ter lugar no parlamento, António houaiss frisou que nenhum pais e proprietário da língua e defendeu como desejável uma «uniformidade fraca» que respeite os «subsistemas» que existem.

O filólogo ivo de castro, outro dos participantes num painel sobre o enquadramento histórico e contextual do acordo, defendeu uma opinião semelhante.

O especialista apontou, porem, para um aspecto que poderá comprometer a comunicação entre os falantes da língua portuguesa - a questão da terminologia cientifica e técnica através das quais a «língua se adapta ao que esta a acontecer no mundo».

A necessidade de definir uma política da língua e a convicção de que o actual acordo e melhor do que um documento anterior de 1986, foram outras das ideias que defendeu.

Contra o acordo foi a intervenção de vilaverde cabral, em representação do movimento de opinião que tem contestado a rubrica do documento.

«iniciativa vã e inútil» e «demagogia» na definição dos objectivos que levaram a sua elaboração foram as opiniões manifestadas.

Vilaverde cabral frisou mesmo que nenhum desses objectivos, - nomeadamente a simplificação da ortografia, a unificação das ortografias de Portugal ou do brasil ou o relançamento do português no estrangeiro - resultou em tentativas anteriores.

«e o amor a lingua portuguesa, a sua integridade, que nos leva a rejeitar o acordo que não só não cumpre os objectivos que, demagogicamente, propõem como vem escamotear a verdadeira política da língua que não temos e precisamos», disse.

Em defesa do acordo cuja ratificação, hoje e pela segunda vez, foi adiada no parlamento, falou Costa Ramalho, da academia das ciências portuguesa.

Numa intervenção muito técnica, Costa Ramalho rejeitou a acusação de que houve cedências de Portugal em relação ao brasil durante a negociação.

«ouve cedências mas foram mutuas», afirmou o académico que aproveitou para criticar as «burrices que se tem escrito nos jornais» sobre a matéria.

Os argumentos dos outros participantes no debate não convenceram a única voz dissonante - a do representante do movimento contra o acordo ortográfico.

Numa intervenção final, vilaverde cabral rejeitou a alegada chantagem de quem pretende dizer que a «lusofonia acabara se o acordo não for aprovado» na assembleia da republica.

Do colóquio organizado pela comissão parlamentar de ciência e cultura fazem parte ainda dois painéis, um sobre as implicações internas do acordo e outro sobre a política externa do idioma.

Lusa/fim nnnn ●