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[NOTÍCIA DE JORNAL ]

A oportunidade de aprender Homeopatia -- a medicina que dominará o futuro -- surge agora com a realização, em Lisboa, de um curso promovido pela AMAN (Associação de Medicinas Alopática e Naturopática), em colaboração com a Clínica de S. Tiago. O curso, dirigido por um médico de clínica geral, aceita inscrições até ao fim da próxima semana, e está aberto não só a profissionais de saúde -- médicos, farmacêuticos e praticantes de terapias naturais -- mas também aos jovens com a preparação mínima do 10º ano da escolaridade obrigatória. «E há muitos interessados em aprender esta antiquíssima arte de curar» -- segundo nos afirma um dos responsáveis da organização. «Embora a Homeopatia esteja ainda pouco divulgada entre nós, ela já deu provas de eficácia em muitos países e cada novo doente ou médico que com ela contacta, fica «cliente» para o resto da vida».

Talvez seja este poder de atracção que coloca certas forças «científicas» na contra-ofensiva, receosas da concorrência e, acima de tudo, da eficácia de uma técnica, que cura sem riscos e trata sem efeitos secundários. A grande força da Homeopatia, como nos dizem, reside não só no seu poder terapêutico -- em casos agudos, mas especialmente nos casos crónicos, aqueles onde a medicina vulgar nada pode fazer -- mas também na ausência de «efeitos secundários», a chamada «iatrogénese» -- doenças provocadas pela medicina -- problema com que se debate, desde as origens, a medicina alopática.

De acordo com o seu orientador, este curso de Homeopatia, com uma duração de 40 horas, visa também «dar formação adequada a profissionais que já praticam essa terapêutica há vários anos e que desejam naturalmente aperfeiçoar-se». Chama-se a isto, «reciclagem»: «Maior actualização e formação, de modo a conferir dignidade e respeito por esta actividade e pelas pessoas que a praticam» é o que pretende com estes cursos a AMAN, desde que foi fundada, há quatro anos.

A batalha das comparticipações está ainda longe de ser ganha: por enquanto, só o Departamento de Pessoal do Banco de Portugal comparticipa, na totalidade ou quase na totalidade, este tipo de medicamentos, encontrando-se os seus trabalhadores de parabéns. Eles são privilegiados em relação a todos os outros que só têm comparticipação nos medicamentos alopáticos.

ESPECIALIDADE MÉDICA

Em alguns países, como o Brasil, a Homeopatia constitui hoje uma «especialidade médica», exercida por clínicos gerais que se (pos)graduam em Homeopatia em uma das muitas faculdades médicas que naquele país ensinam essa ciência milenar, recriada na Europa pelo sábio alemão Samuel Hahnemann. Em outros lugares, como Portugal, mais avançados e pós-modernos, a Homeopatia é praticada na semi-obscuridade, não vá ofender alguém. Médicos, licenciados em Farmácia e praticantes de terapêuticas naturais comunicam entre si por tam-tam, como as tribus africanas, transmitindo os preciosos conhecimentos homeopáticos às novas gerações de boca a orelha e escondendo no armário os tratados desta ciência que a turma dirigente em Portugal ainda não «oficializou», embora todos os anos se diga que as «medicinas naturais» vão ser reconhecidas e a sua prática «liberalizada». Mas enquanto o pau vai e vem, folgam as costas. Enquanto os doentes sofrem na monodependência da Alopatia e suas sequelas, a alternativa homeopática resiste no anonimato, aguardando melhores dias.

«A partir do momento em que haja um reconhecimento oficial da Homeopatia como especialidade médica -- declara um responsável da AMAN -- ela será exercida livremente por médicos, sem medos nem receios, pois neste momento essa prática está-nos proibida pelos estatutos da Ordem.»

De facto, a Ordem dos Médicos fez exarar nos respectivos estatutos, remodelados há alguns anos, um artigo que proíbe terminantemente os seus associados de praticar as medicinas que, como a Homeopatia, a Acupunctura e a Reflexoterapia -- com vários séculos de história -- têm o enorme defeito de curar. Compreende-se esta atitude, já que a medicina, nos últimos cem anos, existe para tratar a doença e não para devolver a saúde. Compreende-se, pois enquanto a medicina alopática receita medicamentos com efeitos chamados secundários -- a tal ponto que para se denunciar toda essa nova Patologia inventaram a palavra «iatrogénese», que significa «doenças causadas pela medicina» -- acontece que a Homeopatia está isenta desses efeitos «perversos», actuando, por outro lado, em profundidade sobre a causa das doenças e conseguindo, portanto, eliminar não só os sintomas mais recentes mas também os mais antigos, os que foram interiorizados por «mascaramento» consecutivo dos sintomas.

ALTERNATIVA DE VANGUARDA

A provar de que este movimento alternativo de vanguarda é irreversível, encontram-se filiados na AMAN (Associação de Medicinas Alopática e Naturopática), duas centenas de profissionais -- médicos, farmacêuticos e naturoterapeutas -- cuja plataforma de entendimento e diálogo são precisamente as «medicinas energéticas», Homeopatia, Acupunctura e Reflexoterapia.

Girando em torno desse conceito -- o corpo energético -- que tão dificilmente tem tentado penetrar nas cabecinhas duras dos (médicos e cientistas) ocidentais, a Homeopatia será, quando entrar sem fraudes nos nossos hábitos quotidianos, não só uma revolução médica mas uma revolução cultural. É uma visão do cosmos e do universo humano que nada tem em comum com o mecanicismo proposto pela visão experimental e cientifista. Tanto pior para quem cá anda, se não pudermos ou quisermos aprender com as «medicinas energéticas» um nova filosofia e prática de vida. Quando se perceber que «tudo é energia» (a tautologia tautológica) ter-se-á apanhado uma das pontas da meada.

CIÊNCIA NÃO EXPLICA TUDO

À falta de melhores argumentos contra este «meio terapêutico», é costume invocar os aspectos que nele permanecem «inexplicáveis» pela ciência positiva. Ainda que todos estejam de acordo num ponto -- a Homeopatia funciona e é mesmo poderosamente eficaz -- há os que estão mais incomodados com as provas e «explicações científicas» do que com os resultados práticos que esta técnica apresenta e que ninguém pode negar.

Em Lisboa, existem pelo menos duas farmácias que há já bastantes anos «manipulam» medicamentos homeopáticos: uma na Rua de Stª Justa e outra em Campo de Ourique. Não têm mãos a medir, os clientes precisam de entrar em fila de espera para ser atendidos e, na maioria dos casos os medicamentos são receitados por médicos, que, pelos vistos, não hesitam em «desobedecer» à proibição estabelecida pelos estatutos da Ordem.

Duas farmácias, é melhor que nada mas é francamente pouco. Como poucos são ainda os homeopatas competentes nos quais o doente possa confiar. Sobre a qualidade das diluições e, especialmente das dinamizações -- feitas através de batimentos executados manualmente -- parte-se do princípio de que as farmácias obedecem estritamente ao formulário e de que não há fraudes. Estas contingências são, afinal, o que faz da Homeopatia uma técnica pouco popular. No dia em que houver bons técnicos e farmácias de confiança, é de esperar que a Homeopatia tenha em Portugal o êxito fulminante que tem em países como a França e a Alemanha. É, no fundo, o que procura a AMAN, para isso foi criada e para isso teima em realizar cursos de aperfeiçoamento.