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LUTA DE CLASSES

Paço de Arcos, 1/10/1991 - Nunca a luta de classes esteve tão acesa, mas o discurso político à esquerda, à direita e ao centro, ignora completamente a luta de classes.

O patetóide do Dr. Manuel Sérgio vem dizer que «descobriu a solidariedade», o que ele quer dizer é que a «luta de classes» se eclipsou, por artes mágicas, dos discursos partidários e que, agora, o que resta, é uma lamúria pegajosa, pestilenta, sentimentalona, pingona, lacrimejante, sobre a «solidariedade».

Se tiveres 14.7, média das duas provas -- PGA e Prova específica -- entras para a escola Nacional de Belas Artes e tens direito a seguir carreira do lado dos vencedores; se tiveres de média 14.6, serás excluído sem dó nem piedade do reino da Europa, da modernidade, do progresso, do desenvolvimento, da qualidade, da competição. Para esta injustiça social, o Dr. Manuel Sérgio receita «solidariedade». Quando o Lobo ataca, ele acha que o Carneiro, de preferência tenro, já deve ir alouradinho no forno, para facilitar a digestão ao poderoso.

Mas se a luta de classes fosse só isto, talvez não merecesse grandes comentários. A verdade é que a luta de classes está em toda a parte e há que inventariar as situações, uma por uma , como se tudo tivesse que ser feito pela primeira vez.

A União Soviética, não contente em ter abortado, desde o início, a Revolução, agrava ainda mais os estragos, agora que, com a derrocada do regime, toda a Reacção mundial pretende confundir a morte do regime soviético com a morte da Revolução. Mas o mais grave é fazer com que a «luta de classes», cada vez mais real e mais aguda na praxis, se veja exilada da ideologia política. Como se no centro da história, no centro do mundo, no centro da sociedade, com ou sem Karl Marx, com ou sem Lénine, com ou sem Mao Tsé Tung, não estivesse sempre e não continue a estar, a «luta de classes», a eterna «guerra civil» dentro da espécie humana.