<76-10-01>
1-13 <nyima-1> -reencontrei o caminho e acho que valeu a pena – tudo está em ordem e agora posso completar as minhas selected works
SE TUDO É ENERGIA, A MORTE NÃO EXISTE(*)
(*) [ In «O Século Ilustrado», 1-Outubro-1976 ]
«Não acrediteis em nada concedendo fé à tradição, ainda que há séculos muitas
gerações e em muitos lugares tenham acreditado nisso.
«Não acrediteis em nada pelo facto de que muitos falem disso e o acreditem ou finjam acreditá-lo.
«Não acrediteis fiando-vos na fé dos sábios dos tempos passados.
«Não acrediteis no que vós outros mesmos imaginais pensando que Deus vos inspira.
«Não acrediteis em algo só porque vos pareça suficiente a autoridade de vossos místicos ou sacerdotes conselheiros.
«Só com maduro exame acreditai naquilo que vós outros tendes experimentado e reconhecido razoável e conforme à vossa conduta.»
Se tudo é energia e o diverso se encontra no Universo.
Se a História passada, presente e futura está inscrita no Cosmos como o "destino" de cada um está inscrito nos cromossomas do genes (ou descrito nas impressões digitais).
Se não há adivinhação nem clarividência sobrenatural no simples facto de ler na íris o corpo de cada um e se o "corpo vibratório" (o "corpo astral" dos teósofos) pode ser a expressão ocidentalizada do "microcosmos" a que aludem as filosofias de cunho esotérico por oposição ao macrocosmos do qual somos o espelho em miniatura.
Se todo o homem funciona de magneto para o magnetismo sísmico, a Terra também e, afinal, todos os seres e formas de energia que povoam os milhões de estrelas das inúmeras galáxias.
Se, enfim, pelo corpo e pela expiação, pela experiência terrestre e pela passagem neste vale de lágrimas, é que a energia ki universal se torna centrípeta, se materializa ou fisicaliza.
Se todas estas hipóteses de trabalho e outras que se poderiam formular, têm alguma lógica e alguma razão de ser, então o Ocidente começa a ficar disponível para ouvir a palavra dos que dialogam com o infinito, para tocar a Sabedoria ancestral que, pelo ioga, pela alimentação, pela prática de massagens, pelas técnicas de autocura, autolibertação e autoconfiança procuram obviar à grande doença a que Marx chamou Alienação.
Grande Doença que, na perspectiva da Sabedoria Solar, é todo o Ocidente e a cultura dividida, desintegrada, dualizada do Ocidente.
Se está inscrito no Mundo das vibrações tudo quanto aconteceu, acontece ou vai acontecer no Universo - no Mapa Mundi da Predestinação ... -, a vinda do lama Kunzang Dorje a Portugal podia ter sido anunciada há séculos. Ele haveria de chegar e chegou. Entre nós, cada um recebeu, recebe ou receberá dele o que merecer, e nada adianta forçar os acontecimentos.
«As vias que levam ao conhecimento são infinitas como as estrelas do Céu.»
Por qualquer ponta a imensa meada doirada se pode desfiar e cada qual saberá que fio lhe está predestinado.
Regra geral, um desgosto, uma doença, um trauma violento servem de aviso, são os processos viáticos pelos quais o homem ocidental acorda do letargo crónico.
Ninguém se dirige a um templo lamaísta ou a um instituto de ioga apenas por vontade própria, se estiver mergulhado no viscoso oceano de violência, lama, excrementos, medo e alienação que é a sociedade de consumo. O náufrago desta sociedade necessita de um sinal, de uma experiência que o leve, compelido, ao limiar do conhecimento e da libertação. Ao limiar do Ensinamento e da Aprendizagem.
Um trauma, às vezes, consegue o que não conseguem discursos, sermões, verbalismo, o contacto teórico ou livresco.
«O Ensinamento do Buda é o mesmo para todos mas é interpretado de maneira diferente pelos que procuram o caminho espiritual a níveis diferentes.»
UM CENTRO DE IRRADIAÇÃO SOLAR
Fundador do Om Dorje Institute, em 1971, o venerável Lama Kunzang Dorge escolheu a Bélgica para centro de irradiação da mensagem ioga na Europa.
"Le Diamant Coupeur" é o órgão de difusão impresso para essa mensagem, órgão que o próprio Lama Kunzang Dorje edita e dirige.
Ele pertence ao clero tibetano e a sua mensagem segue o ioga tradicional ou o "caminho da clara luz", de acordo com a "Tradição dos Antigos", a Ordem dos Nying-Ma Pa do budismo tântrico.
A citada revista "Le Diamant Coupeur" funciona, portanto, como boletim de informações das actividades e projectos da associação sem fins lucrativos "Ogyen Kunzang Choling'", fundada pelo Lama Kunzang Dorje na sequência do referido Om Dorge Institute, centro do ioga tradicional tibetano com três mosteiros na Europa: Bélgica (Bruxelas), França (Alpes) e Grécia (Atenas).
Em qualquer desses três centros praticam-se as seguintes actividades: cerimónias tradicionais tibetanas e ensinamentos públicos; prática do ioga tradicional, colectivo ou privado, ensinado por discípulos do Lama Kunzang; massagens segundo as técnicas orientais; restaurantes com alimentação baseada em cereais de produção bioagrícola; fins-de-semana em que mensalmente se possibilitam contactos aos visitantes interessados em iniciar-se nas práticas tântricas.
"Para todos os que compreendem que uma organização estritamente tradicional,
tanto nas relações exotéricas como nas esotéricas e iniciáticas, tem um papel preponderante a representar no equilíbrio mundial, é claro que o desaparecimento de um centro espiritual seria ressentido como uma perda de alcance considerável. E isto particularmente no Ocidente, onde as sociedades iniciáticas dignas desse nome existem apenas sob a forma de vestígios quando não desapareceram completamente."
Organizações como o Om Dorje Institute não mendigam, portanto, ajuda. Não são uma seita que importe alimentar. São a nossa base de segurança e apoio, que todos temos obrigação de sustentar para nosso próprio interesse e nossa utilidade. Para nossa sobrevivência planetária.
Não é por acaso que a palavra "Ordem" aparece a designar estas organizações iniciáticas que gradualmente estão chegando ao Ocidente para aqui darem testemunho de práticas e técnicas que os tecnocratas e tecnofascistas de todos os tempos se têm esforçado em liquidar sem êxito.
Essa ordem, porém, nada tem a ver com a ordem sangrenta e feroz de todos os nazifascismos (incluindo os culturais), onde a burocracia reina para que o homem não tenha nunca mais acesso à fonte cósmica do Poder, num Universo onde tudo é energia, e onde são os ladrões dela a devorar os que a ela não têm acesso.
Aos tecnoburocratas, a suave "Ordem dos Antigos", o "Domínio da Clara Luz" provoca tonturas e azia.
O "Caminho da Clara Luz" nada tem de obscuro ou enigmático, de místico ou de sombrio. Vem na palavra simples e apresenta-se sob a mais estrita racionalidade. Poderíamos falar em "claridade sergiana", ao ouvir o Lama Kunzang Dorje, o seu discurso fluente e realista, sem sofismas, sem enredos, enganos ou reticências.
O "Caminho da Clara Luz" é, de facto, claro e luminoso, como ficou provado na reunião com o Lama Kunzang Dorje. Uma semana entre nós, representante na Europa da mais antiga sabedoria tradicional, a figura credenciada no Ocidente para transmitir o conhecimento do ioga tibetano guardado como um tesouro, através dos anos, nesse país - o Tibete - cujas fronteiras naturais permitiram preservar a sabedoria primordial de nefastas influências e agressões, deixou a semente que será fruto e flor.
Um facto histórico - a anexação do Tibete pela República Popular da China - levaria os monges do Himalaia a cumprir "o que estava escrito" e o que já o venerável guru Padmasambhava, santo e erudito célebre do oitavo século (denominado "segundo Buda'') tinha previsto.
Enquanto a China Popular, cumprindo os desígnios da História, invade o Tibete, eis que os detentores da sabedoria tântrica cumpriram, por sua vez, o seu papel nos desígnios da Eternidade, irradiando para todo o Mundo Ocidental a palavra e o ensinamento.
Kunzang Dorje é agora, em Portugal, no mês de Setembro de 1976, instrumento também desses desígnios, uma letra mais no que está, desde sempre e para sempre, escrito ou inscrito no "mapa mundi universal"...
Kunzang Dorje, como todos os iniciados, deixa que os acontecimentos venham ter com ele, que apenas se limita a ser receptivo aos acontecimentos, com uma alegria contagiosa e irradiante.
É esse o traço que logo nos sensibiliza ao primeiro contacto com o mestre. Depois, o seu discurso fluente sem verbalismo, conciso e realista, sem supérfluos nem hiatos, ao mesmo tempo científico e poético, deixa marca indelével.
SI LÊNCIO, CONDIÇÃO "SINE QUA NON"
Nada nele, porém, nem no seu discurso, lembra já o técnico formado em engenharia electrónica, carreira que começou por adoptar antes do Tibete. Quando escolheu o curso, no entanto, ele já sabia (o pressentimento faz parte do ensinamento) que era no ioga que estava a via e a vocação. Aconteceu formar-se em Electrotécnica, aquela que, entre outras disciplinas e tecnologias ocidentais, poderia estar mais perto do postulado em que assenta a iniciação budista: tudo é energia.
Segundo esse postulado, resta aos terrestres aprender como administrar ou transmitir (receber e emitir) essa energia, esse comprimento de onda, essas vibrações.
Somos energia, estamos cercados de energia, tudo é energia. O primeiro estádio da iniciação, portanto, consiste em afastar os véus de maia ou aparências que os sentidos dão à realidade primeira e primordial, ocultando-a.
O conhecimento ocidental está cheio de palavras insuficientes para expressar esta realidade fundamental, embora tenha milhões de palavras e milhares de ciências que . pretendem conhecer ou expressar o acidental (sensorial). Por isso o conhecimento dualista ocidental é insuficiente para expressar "nuances" e subtilezas (a música dos silêncios) do ensinamento iniciático. Condição "sine qua non": o silêncio.
Chamar ao yoga "religião", "seita" ou "sociedade secreta" (como fazem tantos textos e livros vendidos pela sociedade de consumo) não tem sentido, porque nada disso se aplica à tradição primordial, ao ioga tibetano, à sabedoria iniciática pela via tântrica.
E nenhuma dessas palavras tem sentido porque os contrários devem deixar de ser percebidos como contrários antagónicos se é do Princípio Único que se trata, e se é do Princípio Único que partimos, e se já realizámos um esforço para escapar ao dualismo ocidental e sua tirania.
DuaIismo que é, portanto, o domínio e a fonte da violência.
Religião engendra religião, ideologia engendra ideologia, dualismo engendra dualismo, violência engendra violência, vingança engendra vingança... e assim até à consumação dos séculos. Excepto se intervier, neste fatalismo, o "Caminho da Clara Luz", que é o princípio unificado e unificador.
TRANSMUTAR A VIOLÊNCIA EM SABEDORIA
"A violência engendra violência" - diz Kunzang Dorje.
Perante a violência, que pode e deve fazer o iogi? - pergunta o jornalista.
Eis o tema tantas vezes glosado por movimentos de não violência, por adeptos de Gandhi, por pensadores e místicos ocidentais que, como Lanza del Vasto, têm problematizado de maneira obcecante esta questão central da dialéctica social e política.
Perante a violência, a atitude (mais) sábia é a que se expressa, por exemplo, em algumas das mais puras artes marciais. É a atitude da resistência passiva, a energia do corpo foi mobilizada para a defesa, que não significa contra-ataque.
Isto, que é um dos princípios comuns a todas as cosmologias do Extremo-Oriente, continua a ser dificilmente compreendido numa sociedade de consumo e suas ideologias, onde, a todos os níveis, a palavra, o discurso e o "pensamento" são armas de
uma inaudita e feroz violência.
Não adianta criticar - diz Kunzang Dorje - pois a crítica é ainda uma forma de violência, importa antes que nos imunizemos para transmutar o negativo em positivo, a
violência em força e sabedoria em benefício de todos os entes.
No discurso admirável de Kunzang Dorje, mutação e transmutação são, talvez, as palavras mais frequentes.
Transmutar é, com efeito, o verbo do substantivo "dialéctica".
No alimento como na sociedade, na física como na biologia, na Terra como nos espaços interplanetários, no macro como no microcosmos, a palavra chave é mutação. De uma maneira geral, é também a palavra chave (o abre-te sésamo) do ioga, do zen, do tao.
"E nós estamos numa época de grandes mutações" - diz Kunzang Dorje.
Por isso a palavra liberdade (tão usada para preparar e consolidar as maiores tiranias), tem, para um iogi, um sentido muito amplo e preciso, rigoroso como um diamante que corta a servidão. Como um diamante que corta a ignorância para conduzir ao conhecimento.
Pelo ioga, o aluno ou iniciado torna-se livre, transmuta-se livre. Mas livre graças à mais rigorosa disciplina, à Ordem dos Antigos, à obediência alegre e lúcida às leis do Universo que nos antecedem e que devemos sintonizar no comprimento de onda exacto.
Ser livre, para o iogi, significa aprender a dispensar a engrenagem trituradora da
violência, de que a sociedade de consumo é o exemplo mais acabado. Ser livre significa a arte, a técnica e a prática da autolibertação.
Como diz Kunzang Dorje; "o ioga é aprender a respirar, a dormir, a comer, a amar, a olhar, a beber, a sonhar, a viver, a ser", técnicas que o ioga propõe como alternativas a toda a Tecnologia Poluente e Escravizante da Sociedade de Consumo.
CANCRO: QUANDO O ORGANISMO SE ESGOTA DE ENERGIA CÓSMICA
Transmutação é, afinal, o que no Ocidente chamam dialéctica. Absorver o negativo para transformar em positivo, até mesmo no campo político e da violência política.
A compreensão ecológica da realidade - diz-nos este homem que já foi engenheiro electrotécnico... - é ainda uma fórmula ocidental de atingir, num sistema dualista de crítica, dor e sofrimento, o que pelo princípio único se pressupõe natural e espontâneo, quiçá intuitivo.
A energia que no Ocidente se gasta em milhões de kilowatts, ao mesmo tempo que (paradoxalmente) o Ocidente se esforça para impedir e obviar à mortal e constante entropia, é afinal a diária conquista, pela meditação, da prática ioga, que se limita a desimpedir o "Caminho da Clara Luz", a desembargá-lo dos obstáculos que se opõem
à nítida recepção e reemissão dessa energia cósmica, dessas vibrações universais.
A intoxicação provocada por mil e um produtos tóxicos da suicida sociedade de consumo, é exemplo de um obstáculo à circulação de vibrações. Um frigorífico, por exemplo, desmagnetiza os alimentos...
Outro obstáculo é a incapacidade de um organismo reter a energia que esteja porventura em condições e situação (postura) de receber.
Então, toda a energia porventura recebida se esvairá em água (suor, sangue, sémen, urina), se os hábitos alimentares desse organismo, desse ser, contiverem muitos líquidos ou produtos hidratados.
O cancro - segundo esta visão pan-energética - é o estado máximo de obstrução à energia cósmica no organismo - que fica então praticamente sem nenhuma energia -, obstrução que se pode dar por acumulação desordenada (estado de hiperintoxicação) ou por desordenada entropia, ou por ambas as coisas somadas.
Daí que o cancro possa ter uma origem "yin" ou uma origem "yang". Daí que só a limpeza total e urgente do organismo, de modo que as vibrações o percorram de novo e de novo o revigorem, possa obstar ao mal e constituir terapêutica eficaz. Mobilizar de novo todas as energias bloqueadas seria a terapêutica resumida de todas as doenças, mas em particular daquela que é, por definição, a doença de uma civilização em estado de entropia (expansão) patológica.
DIZ-ME O QUE CONSOMES, DIR-TE-EI QUEM ÉS
Cada homem é o que pensa, o que come, o que consome. É o meio ambiente que o define. Nos Himalaias, no Mediterrâneo ou nos pólos, a alimentação será diferente. Só que deve obedecer à sabedoria universal, à tradição universal, ao Princípio Único.
Outro ponto vital da iniciação ioga é não se deter no estádio do ego(ismo). Respirar ou comer bem pode, afinal, reforçar apenas o nosso egoísmo, se não houver o propósito de "transmutar tudo o que se recebe em benefício de todos os seres". Se não houver um propósito de iluminação e de Sabedoria.
Sem falar do Karma, lembra Kunzang Dorje outro princípio do budismo: "o homem pune-se a si mesmo."
Quer dizer: tudo se paga, todas as vibrações (negativas e positivas) compõem a malha universal. A erva boa é tão necessária como a erva ruim. O Universo tem a contabilidade em dia e o papel dos terrestres, pelo ioga, é pôr as contas em dia, jogar o jogo de grande harmonia cósmica, inserir-se o melhor possível no "processo em curso"...
É ainda com uma imagem admirável que ele descreve a iniciação: também um ser, quando nasce, o faz no meio de dores e lágrimas, não obstante também no meio de alegria e regozijo.
Assim pode suceder a quem se inicia, a quem enceta o "Caminho da Clara Luz", a quem recolhe à Ordem Antiga, a quem nasce para outro estádio da evolução pela iniciação Ioga: o parto será entre lágrimas e dores mas entre alegria e regozijo também.
''Quando se (re)nasce outra vez, passa-se algo de semelhante ao que se passa com o nascimento do ventre materno."
Nota ele, aliás, outra subtil como importante distinção: a vida significa energia e não o contrário (antónimo) de morte que seria nascimento. Ora nascimento e morte seriam apenas momentos da vida, digamos da vida eterna. Talvez os cátaros, heresia do cristianismo, tivessem querido dizer isto mesmo...
Tudo é vida, como tudo é energia. Não há portanto morte. Existem, sim, dois momentos em que se muda de estado, em que se (trans)muta. Mas a vida é feita de transmutações infinitas, no espaço e no tempo infinito. A vida é infinita
SERÁ O NIRVANA RESPONSÁVEL PELA FOME
E PELO SUBDESENVOLVIMENTO?
"Deus escreve direito por linhas tortas..."
Uma típica manifestação da arrogância ocidental, sempre que se (lhe) (pro) põe de frente a impertinente e forte luz solar, consiste em responsabilizar o "nirvana" pela mais negra miséria dos países do Extremo Oriente.
Vamos admitir que a miséria da Extremo Oriente foi sempre como se diz e que não foi afinal o cúpido colonialismo português, seguido dos cúpidos colonialismos europeus e americano o que tornou esses países (com frágeis economias de subsistência) em países de miséria e fome endémica.
Vamos admitir que não foi a pata luso-europeia, a cruz e a espada, e mais tarde os bombardeiros franceses e norte-americanos que levaram aí não só a miséria mais atroz como o mais feroz dos genocídios e dos etnocídios em massa.
Vamos admitir que a Europa podre apenas levou a cruz, a espada e a merda aos povos do Extremo Oriente e que a miséria, afinal, já vinha de trás.
Vamos admitir os mitos do imperialismo e da exploração colonialista, mas que uma coisa fique a limpo e clara, no meio dessa mistificação: o cristianismo no Ocidente, ao que parece e apesar de trazer tanta bem-aventurança e felicidade no saquitel dos profetas, também não impediu de chegarmos, em 1939, ao regabofe nazi-fascista. Nem pregação de santo alguma vez impediu, por aqui, o homem lobo do homem de triturar, a seu bel-prazer e contento, o cordeiro tenrinho.
Nem o cristianismo nem os humanismos todos que por esta Europa floresceram, como cogumelos, impediram de por aqui se praticar o mais perfeito, desenfreado e completo canibalismo.
Para o ioga tibetano, para o zen japonês ou para o tao chinês, portanto, a questão não é de saber em que medida eles impediram por lá, nas longínquas paragens do Extremo Oriente, o homem de ser lobo homem. A questão não é a de saber porque não se reflectem na sociedade profana o ensinamento do beatífico monge budista, do venerável lama, do profeta cristão. A questão é outra e outro o dilema: a grande dicotomia, a grande clivagem é entre civilização solar emanada da galáxia e os que, na Terra, se lhe opuseram com matracas e centrais nucleares, da pedra lascada até aos foguetões marca Von Braun.
O fio da tradição primordial é uno e ultrapassa fronteiras, línguas, raças, culturas, civilizações. Se o poder cósmico ainda não está hoje nas mãos do povo seu herdeiro legítimo, isso prova apenas que a luta de classes é universal. Trata-se hoje, como se tratava ontem e antes de anteontem, de conquistar esse Poder.
O PODER, POVO, É TEU
E VEM DO COSMOS INFINITO
"O princípio que dá a vida reside dentro e fora de nós, é eterno e eternamente benéfico, não se pode ouvir, ver ou deixar mas é apreendido pelo homem que o quer compreender. "
"Cada homem é o seu próprio legislador absoluto, o dispensador de glória ou trevas a si mesmo; o decretador da sua vida, da sua recompensa, do seu castigo.'
C.W. Leadbeater, in "Compêndio de Teosofia"
Não é raro ler, em tratados ocidentais de teologia e teosofia, a palavra "alma" em abundante profusão... Muita alma e pouca uva, afinal.
E atrás da "alma" vem a escória de preconceitos que alimentam o dualismo ocidental, a alienação ocidental, o cancro ocidental, incapaz de perceber vibrações da mesma (fonte de) energia nas formas variáveis, temporárias e múltiplas com que se mostra a aparência da única, constante, inelutável realidade.
Falar de "alma" implica separá-la do corpo, o que implica por seu turno a ideologia da separação que arrasta o sofrimento, a dor, a incapacidade de perceber o real em termos de cósmica harmonia. Falar de "alma" implica o desordenado caos de um mundo em expansão unilateral para todas as explosões, de que as explosões nucleares e a explosão demográfica são as mais faladas pela Imprensa.
Nada pode ser única e exclusivamente expansivo como nada pode ser única e exclusivamente contractivo. Do equilíbrio ou do jogo entre estes antagonismos complementares nasce o movimento para diante que é, afinal, o caminho para o Sol a que os terráqueos devem obediência física. Aquilo que a ciência designa por "força da gravidade". Só às leis físicas do Universo o homem deve obediência. Só com elas ele tem a fazer pactos de não agressão. Só delas ele depende e só com elas será senhor do verdadeiro Poder.
Falar de "alma" é retirar o homem deste caminho para o seu poder. É esvaziar o homem de Poder para melhor lhe impor o Poder do Estado, da Igreja, da Instituição, da Ordem...
Meditar sobre a força da gravidade ou sobre qualquer lei física imutável e elementar, é um bom exercício de ioga tântrico... Evita os mitos do livre arbítrio e da liberdade que nos preparam todas as tiranias. Evita desvios semânticos tão risíveis e irrisórios como o da palavra "alma", "metafísico" ou "religioso". Nada disso existe em unidade, se tudo é energia e se as leis físicas dessa energia são inalteráveis desde sempre e para sempre.
Não é raro ler, em livros de teologia e teosofia, a palavra "deus". No entanto, o que chamamos "deuses" foram os "tripulantes" das naves galácticas que deixaram no Tibete, nos Andes, no México, no Vale do Nilo, as tábuas do tal mapa-mundi do conhecimento cósmico, restos dos livros que hoje apelidamos de sagrados, malhas da sabedoria que hoje classificamos de "esotérica". Arraial de nomes com que nos entretemos a mascarar a impotência da nossa ignorância, a ignorância da nossa impotência.
Só a «ciência» egoísta do homem violento (violento porque fraco e fraco porque ignorante) poderia chamar "esotérica" à luz do Sol que a todos se oferece por igual.
Só a cegueira (a que Marx chamou alienação) para a luz poderá dizer que o Sol é escuridão.
E o que cega (aliena) o homem? Para lá da luta de classes ou pré-história do homem, o que pode continuar a cegar o homem são (segundo o ioga tibetano) o egoísmo, a má-fé, a arrogância, a cólera, etc. O que for obstáculo a que a energia cósmica chegue até nós no comprimento de onda desejado, pode considerar-se vibração negativa.
LIGAR O SOL À TERRA:
O FIO LUMINOSO DA TRADIÇÃO PRIMORDIAL
Não dizem os lamas, nem os bonzos, nem os iogui que a sabedoria iniciática veio de civilizações galácticas.
Também os que tomaram de assalto a tradição primordial das ciências "ocultas" - matemática, geometria, astrologia, astronomia, biocosmologia, alquimia, cabala, magia, etc. - não vão confessar que receberam (para a deturpar) essa ciência dos nossos irmãos galácticos.
O humanismo vende-se bem e o humanismo obriga.
Mas para um observador treinado a ler nos astros, é evidente que a ciência indígena (de origem terrestre) se denota pelos resultados tecnofascistas a que está conduzindo e pela destruição espectacular que está cometendo da biosfera habitável da Terra.
Ao controlar um poder que consiste na violentação e no domínio brutal, feroz, encarniçado da natureza circundante, o homem ocidental e seu testa de ferro, o tecnocrata, está agora, em desespero de causa, a ver se aprende em alguns anos o que em séculos desaprendeu. Vai o homem ocidental, empurrado pelos cangalheiros que só querem matá-lo e fazer-lhe o funeral, procurar na iniciação ioga, zen ou tao, o fio luminoso que nos prende ao Sol e, pelo Sol, ao poder infinito da infinita energia cósmica?
Se é verdade que a ciência astronáutica dos senhores Von Braun e seus foguetões quer conquistar o espaço para o governar, disposto a colonizá-lo e a prosseguir lá a obra piedosa de destruição sistemática que obraram no planeta Terra, se é verdade que a conquista da Lua foi feita com o intuito e no espírito de exportar para lá pastilha elástica, frigoríficos e outras maravilhas da civilização à americana, também é evidente que essa pilhagem interplanetária nada tem a ver com os irmãos galácticos que nos visitaram e visitam, embora o filme baseado no livro de Von Daniken queira perpetrar tal tese peregrina e infundi-la aos incautos.
Trata-se para o homem ao retomar o fio do Sol, de reconquistar o poder que lhe pertence e que ultrapassa evidentemente o poder de muitas bombas atómicas ou de muitos foguetões.
DAR AO HOMEM TODO O PODER
Não admira que as artes, práticas e técnicas tradicionais do Extremo Oriente sejam ainda, para o bárbaro dito civilizado, um fenómeno apenas exótico, na melhor das hipóteses um misticismo quietista como o de Santa Teresa, uma religião mais dessas que, à maneira ocidental, despojam o homem de todos os poderes para o entregar, exangue, nas mãos sujas do primeiro ditador, do primeiro tecnocrata, do primeiro Átila ou Hitler que, emerso do lixo, apareça no redondel da história a fazer a sua pega.
Não admira que um véu de mentira e burla envolva, para encobrir, as manifestações que de Extremo Oriente trazem, em linha recta, o fio solar da tradição que dá ao homem o poder. Ao contrário de todas as religiões (de Igreja ou de Estado) que lho tiram.
Ao generalizar-se, é evidente o perigo que para o negócio e para os traficantes da sociedade de consumo representa o ioga, a macrobiótica zen, as artes marciais, etc. A não ser que o negócio já tenha montado a sua rede de supermercados para explorar tudo isso, encetando a campanha de recuperação das artes esotéricas orientais, eis que receber em linha recta e sem recuperação a linha tradicional é perigoso.
Por isso a recuperação está em força por essas bancas. Sob o signo Kung Fu, sob o signo Lobsang Rampa, sob o signo fraternidade universal, etc., vemos a fúria "mística" de que foram atacados estes vendedores de morte, estes profissionais do tecnoterror, estes merceeiros da frustração e da castração ocidental, estes manes da alienação.
À luz solar das hipóteses galácticas, é de admitir que a Europa representava no mapa dos viajantes celestes um lugar pouco aprazível e de raras ou nenhumas vibrações. Nos roteiros dos nossos irmãos vindos da Galáxia Ómega, a Europa deveria figurar como um lodoso e perigoso pântano onde formigavam larvas e répteis que, mais tarde, viriam a dar inquisidores, tecnocratas, economistas e vendedores de produtos tóxicos. Enfim, os seres inferiores da criação faziam ninho aqui neste continente beijado pelo Mediterrâneo.
À excepção dos pitagóricos e pré-pitagóricos, refugiados nas ilhas do Mar Egeu antes que chegassem os exércitos de Aristóteles e o corruptor de jovens Sócrates, esta bisonha e chata Europa conheceu da tradição primordial apenas umas lascas, mesmo essas como restos do banquete maometano e mesmo essas logo abafadas por inquisidores da Igreja ou por inquisidores do Estado. O tecido gorduroso abafa o aparelho vibratório e, portanto, a possibilidade de sintonizar o Cosmos foi, entre monges e sacerdotes católicos, quase sempre de muita banha, raríssima. Adiposa e amiga de toucinho entremeado, a Europa tornou-se opaca, adiposa, insensível, incapaz de sintonizar a Galáxia.
E embora os galácticos não sejam racistas (ninguém jamais no Universo poderá ter batido em racismo o portuguesinho valente, armado de cruz e espada, evangelizando por
esse mundo fora!...) mas a Europa deve tê-los assustado e, além disso, o ar ácido, o excessivo PH das águas oxidava-lhes as douradas naves interplanetárias.
Por isso a Europa seria um dos últimos lugares a receber as vibrações da energia Ki
que agora estão chegando. Que vão chegar. Que hão-de chegar. Por muito que o
tecnocrata ladre e por muito que a raiva alastre pela Europa (desde sempre um
continente atreito à raiva).
De qualquer maneira, era assim que estava escrito e as escrituras cumprem-se. Os galácticos nunca se enganam no avião. )
METÁFORAS E FLORES NA FLOR DE LÓTUS
Diferenciando-se do Zen, que é o espírito de simplicidade e de estrita economia, diferenciando-se do Tao, que é o espírito de harmonia e de equilíbrio (ecológico), eis que o ioga tibetano se revela por um discurso carregado de metáforas a que no Ocidente chamaríamos barroco.
Sinal abundante dessa irradiante metaforização é a sua pintura, quase sempre de painéis multiformes onde se entrelaçam miríades de pormenores e de motivos, numa harmonia aliás geométrica e que nitidamente faz suspeitar a teia ou "quadrícula" vibratória sobre a qual as pinturas tomam forma, cor, visualização.
Embora o ioga participe, por parentesco e geografia cultural, da prática zen e taoísta, não deixa de se distanciar e de afirmar uma personalidade definida, expressa ou implícita nos mais pequenos indícios e pormenores.
Por exemplo: enquanto o Tao é a via da autodeterminação e da obediência directa às leis do Universo (sem sacerdotes ou intermediários) sabemos que o lamaísmo obedece a uma estrita hierarquia de veneráveis mestres, onde a iniciação se atesta por graus de autoridade espiritual e onde, portanto, a tradição primordial se transmite por veículos onde o ritual, o incenso, a cerimónia têm lugar insubstituível.
Tal como o Zen e o Tao, entretanto, o discurso tântrico apresenta uma racionalidade absoluta, a que as metáforas poéticas apenas conferem uma transparência e uma clareza se possível ainda mais intensa.
SEM PRÁTICA
NÃO HA APRENDIZAGEM
"Vale mais uma pitada de conhecimento efectivo do que uma montanha de conhecimentos teóricos."
Não há ensinamento sem prática e por prática entende-se a imediata transformação do iniciado que chega, a partir do quotidiano.
Não importa se começa pela alimentação, pelas posturas, pelo ioga, pela respiração, pela meditação, pela massagem. Importa é que seja pela prática, pela vibração de todas as células do corpo em uníssono com o ambiente. Importa é que não seja só pela via intelectual, pela cabeça, pela teoria, pelo livro.
Normalmente é pelo livro que o ocidental aprende. Não acontece assim na prática ioga, Zen ou tao: exige essa prática uma comparticipação e um empenhamento totais. Algo mais, portanto, que o cérebro ou a parte intelectualizada das nossas energias.
Polarizar energias, administrá-las, orientá-las e não as dispersar é, afinal, o claro objectivo de um primeiro encontro com o ioga, o Zen ou o tao.
Se bem que o termo ioga só deva ser utilizado para definir esse estado de união perfeita do ser humano com o Universo - estado de poder absoluto -, admite a Ordem no entanto a sua aplicação mais limitada à disciplina que pode levar o ser àquele estado.
Hoje, porém, muitos são os que, desvirtuando a lei, apenas vêem métodos de "relaxing'' e de flexibilidade conducentes à calma, à serenidade, à lucidez, etc., qualidades estas muito louváveis, é certo, mas simples "e primárias consequências de uma longa e maravilhosa ascensão...".
AS 10 COISAS A EVITAR
SEGUNDO O IOGA TIBETANO
Numa das edições em francês, o Lama Kunzang Dorje sugere o que se deve evitar:
- Evitar um guru cujo coração esteja ocupado pelo desejo de adquirir glória e bens materiais;
- Evitar os amigos e familiares que prejudiquem a vossa paz de espírito e o vosso crescimento espiritual;
- Evitar os eremitérios e os lugares onde residem pessoas que vos irritam e distraem;
- Evitar ganhar a vida por meio da mentira e do roubo;
- Evitar as acções prejudiciais ao vosso espírito e que travam o vosso desenvolvimento espiritual;
- Evitar os actos frívolos e irreflectidos que vos rebaixam na estima dos outros;
- Evitar uma conduta e acções inúteis;
- Evitar dissimular os vossos próprios defeitos e atrair a atenção sobre os dos outros;
- Evitar a alimentação e os hábitos que prejudicam a vossa saúde.
TAIS SÃO AS 10 COISAS A EVITAR."
SER O SOM EM CADA BREVE FIM-DE-SEMANA
Na Bélgica, o Om Dorje Institute tem a sua casa em Céroux-Mousty, a 25 quilómetros de Bruxelas, aberta a quantos se sentem interessados em experimentar, mesmo durante o fim-de-semana, uma vida semelhante à que se pratica nas comunidades budistas do Himalaia e em outros lugares.
Na calma de um campo acolhedor, os visitantes têm ocasião de praticar ioga tal como ele é ensinado na Índia pelos que conservam intacto o espírito da Tradição.
Respeitosamente, podem assistir no templo às cerimónias tibetanas, no decorrer das quais os ritos, as orações, os mantras, o Ensinamento sob todas as formas enchem o coração das mais puras vibrações.
Como asseveram os opúsculos emanados do Om Dorje Institute, "cada participante nas cerimónias poderá ouvir o som, escutar o som, aproximar-se do som, penetrar o som, elevar-se no som, identificar-se no som, ser o som".
Na semi obscuridade de uma sala perfumada de sândalo, vereis os seres imóveis, recolhidos em torno do "Chorten", símbolo dos cinco elementos: e cada um sentirá o seu apelo, juntar-se-á a eles, tenderá, enfim, para a meditação ou, talvez, meditará simplesmente.
Graças às massagens de um discípulo do Mestre, poderá ainda o visitante descobrir um aspecto da Medicina Tradicional, enquanto outras actividades manuais, tais como fiação de lã ou arranjo floral, fazem igualmente parte integrante do Ensinamento, em cada breve fim-de-semana...
RESPEITAR O SILÊNCIO, OUVIR A MÚSICA DO COSMOS
A vida no mosteiro de Nyima-Dzong (nos Alpes, ao Sul de França) é melhor do que viver em Portugal, em regime de austeridade económica, triturado de impostos...
Não se pense, contudo, que vigora aí a imagem burguesa das férias ou a do retiro espiritual para o oportunista em conflito com os desprazeres da vida.
Se há horas para meditar, no alto das montanhas, há horas para os trabalhos manuais, o artesanato e, também, para a descoberta dos prados, das fontes, das florestas.
A partir desta tomada de consciência, o aluno que descobre os limites ilusórios do instante aprende a ultrapassá-los, alargando assim a vida do Corpo, da Palavra e do Espírito, jamais confundindo o templo budista de Nyima-Dzong com "férias ióguicas" mais ou menos ociosas e inconscientes, espreguiçando-se ao sol de Cannes.
Para interesse de todos, estão definidas regras de vida em cada mosteiro do "Domínio da Clara Luz", em função das necessidades de cada um e a fim de ajudar toda a comunidade na procura da libertação através da "Via do Diamante". Quem não respeitar essas regras, é evidente, porá obstáculo não só ao seu próprio desenvolvimento mas, com a sua atitude, perturbará a harmonia do Domínio.
O espírito destas regras naturais manifesta-se na vida quotidiana em perfeita harmonia com a comunidade, abrindo-se conscientemente ao ritmo desta vida.
Concretamente, pede-se, a quem chega e a quem está, não fumar nem introduzir bebidas alcoólicas ou açucaradas em quantidade desarmoniosa, tanto no interesse do Domínio como do ser.
A prática ioga exige uma alimentação exclusivamente natural, que leve ao equilíbrio do corpo e do espírito, eliminando efeitos provocados pelo álcool, tabaco e açúcar.
Para reencontrar e não deformar os sons criados pelos cinco elementos, a presença de instrumentos de música profana, transistores e magnetofones não é admitida. É preciso, pela mesma razão, respeitar o silêncio dos lugares propícios à meditação e praticar jejum de palavras à quarta-feira, e guardar o maior silêncio possível durante as refeições.
Pede-se para não utilizar sabões ou produtos de higiene pessoal não degradáveis.
No "Domínio da Clara Luz" (Nyima-Dzong) é preciso aprender a dirigir a energia para o coração e impor silêncio aos circuitos demasiado racionalistas do cérebro, abrir-se à força natural milenar do Domínio e da prática, jamais se sentindo atingido pelas mensagens involutivas impressas no intelecto pelo sofrimento nascido da ignorância de alguns seres terrestres esgotados.
O acesso ao templo, durante as orações, é livre, salvo nos dias de cerimónia reservados aos iniciados.
No Mosteiro, os trabalhos diários fazem parte da Sadhana (disciplina espiritual) da mesma maneira que as outras práticas ióguicas. O trabalho manual é indispensável à tomada de consciência de uma atitude de vida justa, seja ao nível do corpo, do juízo prático ou da concretização desta atitude global do espírito. Um ou vários "irmãos" ou "irmãs" são responsáveis de cada sector de trabalho. Trabalho da terra, criação de animais e arrumação do Mosteiro. Cada manhã, eles encontram-se disponíveis para dirigir as "energias" que permanecem no Mosteiro para os diferentes trabalhos em que quiserem participar.
Para os que quiserem permanecer alguns dias no Mosteiro, recomenda-se o mínimo de bagagem: já porque é importante praticar em contacto com a força telúrica do Domínio, já pela falta de edifícios devido à insuficiência de recursos financeiros.
O conforto é limitado, pelo que se aconselha levar o mínimo estritamente indispensável para viver no Mosteiro, quer dizer, um bom saco de dormir, uma almofada, objectos de higiene pessoal, um par de sapatos de marcha, um "short" e um "collant" para praticar ioga e um fato confortável para as outras actividades.
No estado actual da construção do Mosteiro, não é possível acolher os alunos conforme os mosteiros tradicionais do Himalaia e sem pedir pagamento em contrapartida do alojamento e da alimentação.
NÃO MAIS SERÁ POSSÍVEL
A BATOTA CONSIGO MESMO
O Ensinamento tradicional parte da vida e conduz à vida.
Empenhar-se na Via é uma tarefa total e significa uma atenção activa, um movimento constante para tornar justo cada momento da vida, a fim de tornar possível que a vida seja. A oferenda é a procura da atitude justa para o amor de todos os seres, pois o que tenda para o ioga sabe, cada dia melhor, que cada respiração, cada movimento, cada acção ou não-acção qualquer que seja, realizada na atitude justa é inseparável do Movimento da Criação do Universo.
E tomando consciência disto, ele transforma pouco a pouco o seu quotidiano em constante oração; cada segundo torna-se a pérola de um rosário, a entoação de um mantra.
Assim, não se pode fazer ioga uma hora, ou mesmo duas ou três horas por dia, encerrando-nos então em exercícios psicossomáticos muito eficazes para instalar o egoísmo em bases ainda mais sólidas.
Sobre a Terra Pura de Nyima-Dzong, a escolha torna-se clara. Face a um
quotidiano que se cria conforme o Ensinamento do Venerável Mestre, que se vive
inteiro no sentido da Criação, torna-se muito difícil fazer batota consigo
mesmo; o barulho e a poluição da cidade, a má alimentação, a falta de tempo,
todos estes elementos que fornecem tão boas desculpas, não estão mais em cena.
Resta apenas uma Terra Pura sobre a qual o amor se dá através do Pai, do Guru.
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(*) Este texto de Afonso Cautela, foi publicado no semanário «O Século
Ilustrado» (Lisboa) , em 1 de Outubro de 1976 ■