1-6 - <73-05-15-ie-et> quinta-feira, 28 de Novembro de 2002-scan
PREFÁCIO À COLECÇÃO(*)
[(*) Este texto de Afonso Cautela,« prefácio à colecção», foi publicado no livro «A Conferência do Terror – Estocolmo 72» , Arcádia editora (Lisboa) , nº 1 da colecção «Dossier Zero» por ele dirigida, com a data de tipografia de Maio de 1973]
I
[Maio de 1973 ] - Futurólogos de hoje e profetas de todos os tempos têm anunciado o Apocalipse para uma época que nos começa a ficar próxima e que alguns dizem mesmo já ultrapassada. Marcaram-se datas: o clássico 1984 já teria começado há muitos anos e o mítico ano 2000 seria apenas uma lembrança na memória dos anjos, porque de homens, então, nem vivalma.
Os menos lúcidos, os mais cegos e que se consideram por isso optimistas, dizem que tudo se recomporá levando às extremas e últimas consequências a tendência suicida actual, traduzida nos etnocídios, biocídios e ecocídios praticados com um grande desplante à vista de todos. Nas nossas próprias barbas... Reforçar erros, absurdos, crimes e calamidades que todos reconhecem, inclusive os autores dos ditos, seria a única maneira de ultrapassar o impasse, na opinião piedosa de tal burocracia intelectual.
Nos computadores depositariam confiança ilimitada, porque a não podem ter na imaginação criadora e na mente activa, duas qualidades que a ideologia tecnológica se encarregou de atrofiar.
Reclamam o caos até ao fim, porque não sabem nem podem conceber uma alternativa cósmica.
Esta colecção - biblioteca de amanhã - pretende entrar na grande controvérsia do séc. XXI e tem opinião formada, atitude nítida, clara, definida: sobre o Apocalipse nenhuma dúvida. Já o vivemos, já o temos dentro de casa (no prato), da cidade, do mundo. Só surdos e cegos não notam os sinais de um fim próximo, todos os dias, aliás, noticiado pelos jornais.
Mas Dossier Zero - para uma pedagogia da imaginação - acredita na mutação de última hora. Como todo o animal acoçado, moribundo, a humanidade cria ou reforça instintos ancestrais de sobrevivência na hora H, no minuto crítico, no segundo do juízo final. Estamos em cima desse minuto e tudo indica que o animal moribundo começa a dar-se conta disso. É simplesmente natural que o bicho procure não morrer.
Esta a convicção de Dossier Zero – biblioteca básica de uma nova utopia, que tem de ser, como a poesia, a justiça e a paz, criada, mais do que construída, por todos. Se a tendência irreversível dos computadores e da tecnologia pesada é, como anunciam os seus funcionários dilectos, a única, entende esta colecção - voz de um diálogo, proposta de uma coexistência - que haverá outras saídas do impasse. Outras portas abertas, porque essa é uma porta fechada.
Venham essas alternativas do movimento ecológico em particular ou do movimento «underground» em geral, da Macrobiótica Zen ou das cosmologias extremo-orientais, das minorias étnicas e sexuais ou dos grupos que se automarginalizaram («hippies» ou «provos»), da terapêutica natural ou das tecnologias leves, dos extraterrestres ou da sabedoria hermética, dos magos ou dos alquimistas, do pacifismo ou da emancipação das culturas autóctones, dezenas de alternativas se apresentam à «tecnologia pesada», à via única, à tendência logarítmica e exponencial, à uniformidade totalitária, à Economia Política e à política económica.
Se Economia sem Economia dá Ecocídio, a humanidade abre-se (porque não tem outra saída e outra cura) a uma participação plural, que é espelho da sua própria multiplicidade antropocultural e antropolítica.
Dossier Zero - o sonho da Utopia contra o pesadelo da história - toma nota desses sinais, conhecimento dessas alternativas, consciência dessa morfologia real fantástica e por isso acredita que o fim não é do Mundo mas de um ciclo. Sob uma condição sine qua non: que a humanidade, através das minorias que são o sal da terra e o fermento da vida, se mentalize no sentido oposto ao do seu próprio suicídio - que é o sentido único, cego e dominante de agora. Mas que não queremos seja exclusivo, na medida em que queremos (sobre)viver. Ou não queremos?
Só a consciência ecológica e tudo o que dela deriva, que passa das minorias activas de hoje para as maiorias passivas de amanhã, obstará a um apocalipse total. O Fim anunciado por futurólogos, profetas e seitas religiosas pode ser um fim total ou parcial: isso é que depende de nós. Mas já não depende de nós haver um fim, pois para isso vai embarcado, sem possibilidade de retrocesso, o sistema, caracterizado exactamente pela sua inércia da velocidade. Que irá enfeixar-se, não há dúvida. Resta saber o que pode sobrar da catástrofe: se muito, se pouco, se nada.
Estas as escolhas que Dossier Zero - antologia «underground» dos acontecimentos «overground» - propõe e nas quais pretende colaborar activamente pela documentação intensiva ou pela convicção intuitiva e fraterna.
Quer dizer: aos que duvidam dos factos, Dossier Zero apresentará factos. E depois que discutam.
Aos que duvidam da Esperança, Dossier Zero apresentará os sinais da Utopia, as razões do optimismo, as alternativas da sobrevivência, os fundamentos da alegria que são os da imaginação criadora e poética.
Aos que querem impor a única tendência da tecnologia pesada, Dossier Zero mostrará a irrefutável força da tecnologia doce, ou leve, e a irresistível tendência da Resistência à uniformização totalitária, o vigor de um movimento neo-individualista que, disseminado por centenas e milhares de minorias dispersas (lembram-se do mito da diáspora?), já é maioritário se somarmos essas minorias semeadas pelo globo.
Colecção inevitavelmente polémica, desafio aos imobilistas e dogmáticos, biblioteca básica para a sobrevivência, Dossier Zero será um exercício vigilante da imaginação criadora aplicada a todos os campos da actividade humana. O nosso partis-pris, a que alguns podem chamar «engagement» ou alistamento se quiserem, é apenas a humanidade, a sobrevivência qualificada da existência e, consequentemente, de todas as espécies animais e vegetais companheiras do homem nesta aventura cósmica.
As convicções de onde partimos não impedem de abrir um leque vastíssimo de opções. De outro modo, negar-se-iam e à função ecuménica, universal, pluralística e verdadeiramente humanística que visamos.
Antologia orientada dos acontecimentos, Dossier Zero não se fica pelo evento isolado, mas procura dele a sua relacionação dialéctica em todos os sentidos da rosa dos ventos, exige dele a sua transparência de permanência. No particular, sempre busca o universal. O que permanece na actualidade será outro estribilho nosso.
II
Os títulos anunciados falam por si.
Não ignoro a ingenuidade de querer com tais propósitos ajudar a (re)construir o que outros, mais activos, mais bem preparados e armados, se estão empenhando em destruir: o que resta de uma Natureza e de uma Humanidade agonizantes.
Não ignoro, tão pouco, que medidas mais drásticas se preconizam, do que esta (platónica) de divulgar textos através do livro, com dez mil de tiragem cada volume e à roda das 170 páginas cada um.
Dossier Zero - balanços da actualidade, balanços do futuro, balanços da civilização - acredita no entanto e entretanto que de minorias lúcidas se farão os alicerces da possível Utopia. Estes cadernos do Fim destinam-se a interligar essas minorias e creio não cair em pecado de
lesa-democracia acreditando mais em poucos e menos em muitos.
Que os poucos se transformem em muitos éo propósito e o voto desta biblioteca dos futuros possíveis.
III
Abatem-se num só dia florestas inteiras para o fabrico de papel que, em grande parte,
irá fazer a apologia e o jogo da «civilização do papel» (ou sociedade do desperdício, também por ironia dita de consumo), no que ela tem de sistematicamente destrutivo, depredatório, contaminante.
A maior parte desse papel gasta-se assim para fazer o elogio da destruição, da depredação, da lógica exponencial que - argumenta-se - não pode retroceder porque - argumenta-se - seria morrer.
Violência implica violência, progresso implica destruição e há que continuar abatendo florestas inteiras num só dia para esta coisa nenhuma que é, na sua maior parte, a letra impressa mundial.
Que apareça uma modesta colecção intitulada Dossier Zero pode significar que quero com ela obviar remorsos de consciência (um jornalista tem tanto disso!) e pode significar que queremos aproveitar, desta vez, alguma coisa da floresta derrubada. Dizer, pelo menos, o que foi, como e porquê - e para quê, e para quem foi derrubada a floresta.
Surgem, assim, os dois objectivos polémicos da colecção:
a) Será um arquivo da última década, um dossier sempre em aberto sobre os desafios que o crescimento colocou de maneira decisiva à Humanidade nos últimos anos, o livro constantemente refeito da Ecologia Viva;
b) Será um dossier (também aberto) às hipóteses formuladas pelos homens mais representativos sobre as saídas ou alternativas possíveis ao impasse criado, as respostas utópicas àqueles desafios... ecológicos.
Claro está, portanto, o que pretende esta Antologia do Apocalipse: aproveitar a nossa quota parte de abetos e pinheiros derrubados para ajudar a construir a história que outros tudo estão fazendo para destruir. Ou, dito de outra maneira menos pedante, ajudar a evitar que a destruam.
O futuro - esse mítico Ano 2000 - será o que determinantes inelutáveis - ecológicas, económicas, políticas, militares, demográficas, sociais e que tais - o obriguem a ser (a parte de necessidade que preside a tudo o que existe submetido à lei universal da gravitação).
Mas será em parte (em grande ou pequena parte, eis o que estamos para saber e nos compete a nós decidir) um pouco daquilo que todos ajudarmos a ser.
Eis o nosso projecto ambicioso. Se o futuro, como a poesia, como a arte, como o sonho, como a vida, deverá ser feito por todos, este Dossier Zero quer inaugurar tão higiénico hábito de participar também, banindo o feio vício do paternalismo e do autoritarismo. Se também cá estamos e já que cá estamos, não precisamos de quem nos mastigue a sopa: ajudaremos a construir e a criar, façam os outros o que fizerem para matar e destruir, pilhar e depredar, aviltar e contaminar.
Queremos que esta colecção seja efectivamente colaborada por todos. Serei um simples antologiador da colaboração recebida. Esperemos que o leitor tome a iniciativa de aparecer, e exija de nós o que lhe devemos por um relativamente módico preço de capa.
A recolha antológica de textos tem função relevante numa colecção de síntese como Dossier Zero: é urgente fazer convergir num ponto útil e central (neste caso uma colecção de livros) o caos de informações, dados, teorias, ideias, conhecimentos que constituem o acervo (em grande parte inútil) da civilização do papel; é necessário um esforço de síntese e uma disciplina ascética, uma conquista da simplicidade e da unidade, que equilibre o processo desintegratório e atómico da análise levada a extremos patológicos de monomania paranoica.
Todas as matérias são susceptíveis de figurar nesta biblioteca das alternativas, desde que perspectivadas a partir do critério que importa: a linha prospectiva da Nova Utopia, do pensamento «underground», do realismo fantástico, das artes e literaturas paralelas, da contra-abjecção e da contra-cultura, da mutação histórica, da revolução existencial e ecológica, do anarco-humanismo libertador.
IV
Aquilo que habitualmente é realizado pela Imprensa ao terminar o ano civil - os balanços sobre vários sectores da vida nacional e internacional - será realizado em livro à cadência de
um por mês, com Dossier Zero, biblioteca do futuro.
Recorrendo à documentação arquivada ao longo dos anos 60, Biblioteca do Futuro dividirá o seu campo de operações em duas zonas distintas:
1 - De um lado, os documentos para controvérsia.
2 - Do outro, uma antologia de notícias que, seleccionadas e hierarquizadas, fornecem o gráfico evolutivo de um tema, fenómeno, processo ou dossier.
O trabalho prospectivo de balanço sobre o próximo futuro, será portanto efectuado com apoio e em constante contraponto com os anos (mais) próximos do passado.
Cada volume, em princípio, ocupa-se de um tema. Mas o tema não é escolhido ao acaso, ou ao alvedrio subjectivo do organizador. Será função rigorosa de três variáveis:
a) Os acontecimentos da actualidade que, pela sua importância, levantam a necessidade de sobre eles organizar um dossier retrospectivo (exemplo: sendo o ano de 1974 consagrado pelas Nações Unidas à População, oportunamente a colecção se ocupará desse tema num só volume);
b) A sugestão dada pelas publicações que constituem o fundo de recurso da colecção, a sua fonte documental e informativa no capítulo de artigos;
c) A sugestão dada pelos leitores: se entre 5 títulos, hesitamos a qual dar prioridade, faremos avançar aquele que, por votação efectuada, maior número de leitores solicitar;
d) Decisivo para avançar com um título em preparação, será a aquisição de um exclusivo valioso por parte da editora: esse exclusivo determinará o completo amadurecimneto de um volume que sobre o tema vinha a desenvolver-se.
V
Por «underground» entendem-se os temas da contra-cultura e da utopia, os problemas que põem em questão a civilização atómica, discutem os seus fundamentos, denunciam as suas contradições e sublinham os seus absurdos, analisam e desmontam as suas mitologias e instituições.
Entre as próprias ciências, verifica-se que a Ecologia, a Futurologia, a Filosofia da História, a Sociologia e as Ciências Humanas em geral, são, em grande parte, posições de auto-crítica e contestação que o Sistema se viu obrigado a adoptar (geralmente para obviar ao escândalo) e abrem perspectivas, portas à contra-cultura.
Entre as matérias extra-oficiais, heterodoxas ou heréticas, verifica-se que a novela de antecipação, as literaturas marginais, a crónica das civilizações paralelas (golfinhos ou extraterrestres, são «mundos» culturais paralelos), a experiência iniciática e mágica, a sabedoria hermética e esotérica, são outros tantos rios que confluem para a grande corrente subterrânea ou «underground».
Entre os acontecimentos da história presente, verifica-se que os movimentos juvenis da dissidência («hippies» ou «provos», comunas ou teatro «happening») ou as minorias colonizadas que se. emancipam e acordam e tomam consciência da sua maioria potencial, podem servir de tema a uma colecção «underground».
Não será também difícil reconhecer aqueles autores( potas, filósofos, artistas) que pela carga profética e visionária, radicalizando a sua perspectiva e a sua criação, estão concorrendo e concorreram sempre para a grande corrente «underground» dos descontentes desta civilização «que envilece». Cada um desses profetas é, regra geral, uma «cultura» marginal à constituída, qualidade que se confunde e se compendia por vezes nas histórias da literatura, da poesia ou da arte. Anexação evidente praticada pelo Sistema, dos valores que o ultrapassam e virtualmente destroem.
Raramente um pensador afecto a uma instituição, tem força para se distanciar dele o mínimo que lhe permita uma contestação crítica da ordem onde se integra, mas há casos que, de tão raros, convirá apontar: Ivan Illich, Edgar Morin, Linus Pauling, Josué de Castro, Jung, Freud, Chardin são, entre alguns mais, apesar de funcionários de uma ordem estabelecida, profetas da Utopia que podem conviver nas catacumbas do «underground» com a resistência das minorias.
Iniciados de culturas esotéricas - Ramakrisna, Krisnamurti, Jorge Ohsawa, Alan Watts - , ou simpatizantes da experiência iniciática - Henry Miller, Charles Fourier, René Guenon, Artaud, Chestov, Daumal, - terão lugar possível numa antologia «underground» que Dossier Zero pode ser. Se quiserem que seja.
Matérias convencionais - teatro, cinema, zoologia, arquitectura, ideologia, física, indústria, etc. - podem entrar na colecção desde que vistas na escatologia apocalíptica e da perspectiva utópica e num clima de radicalismo humanista ou de contestação crítica que os focará em aspectos não convencionais.
VI
Característica da Informação actual é o seu congestionamento e, logo a seguir, a dispersão anárquica. Engarrafamento nas ruas e na cultura. Também aí a tendência inflacionária, exponencial, logarítmica ou, em termos clínicos, carcinogénia. Dados, signos, factos, minúcias, inutilidades, supérfluos, embalagens perdidas. Afluência de estímulos até ao estrangulamento. O cérebro bombardeado por tudo o que o asfixia e reprime, em vez de solicitado pelo que o estimula e desenvolve. Ninguém poderá jamais digerir tamanha abundância de ciência. Ninguém poderá viver duas horas em tal carência de sabedoria.
No esforço de sobrevivência que o instinto lhe impõe - o homem reclama uma revisão selectiva, sistematizadora, de síntese, perante o pandemónio da análise e da multiplicação de conhecimentos. Mas para atingir essa síntese, só uma visão «global» da civilização do papel (do lixo e do luxo), e portanto radical, o conseguirá. Só do «underground» se pode perspectivar em termos revolucionários o « overgrowth».
Dossier Zero, que será também a Biblioteca da Nova Utopia, procura sintetizar a Informação que em catadupa congestiona o Mundo, seleccionando-a e sintetizando-a a partir da perspectiva radicalista, utópica ou contra-cultural.
Num «travelling» rápido sobre os meios de Informação de massas, verificará o leitor que se preocupam muito com Economia, custo de vida, inflação; (sub)desenvolvimento, crescimento industrial, aceleração da produtividade, etc.; quer dizer, com os aspectos quantitativos e quantificáveis (portanto colectivizados) da (sua) vida.
À primeira vista poderá parecer que técnicos e especialistas não fazem outra coisa do que ocupar-se connosco, com as dificuldades materiais, concretas de nós outros, homens da rua chamados, nem técnicos nem especialistas. Esperamos há séculos que.
Mas a verdade (tardiamente reconhecida) é que os problemas materiais continuam e os qualitativos foram, a pretexto de prioridades e de outra terminologia especializada, sendo escamoteados. Na teoria, antes que na prática.
Dossier Zero - colecção a par do tempo, biblioteca da Nova Utopia - entendeu de maior utilidade sócio-económica especializar-se em qualidade da vida e já que tão ocupados andam todos no quantitativo, no quantificável.
Dossier Zero - mensário do Apocalipse – irá especializar-se na revolução individual (existencial) e ninguém poderá acusá-lo de não ter especialidade ou de não querer fazer a revolução. Já que há tantos técnicos – dizem - trabalhando na melhoria económica das nossas vidas (?), podemos não só estar tranquilos e confiar (porque em boas mãos depositados) como iremos ser aqueles outros, poucos e pobres -10 mil exemplares de tiragem para começar e se o leitor quiser...- trabalhando pela qualificação da vida que iremos dar aos filhos e netos. Porque de bisnetos será melhor já não falar...
Se de pão vive o homem (e há homens que vivem de caviar) é preciso que viva de bom pão. A partir desta metáfora sem discussão, o leitor que generalize, nos entenda e, se quiser, nos discuta.
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(*) Este texto de Afonso Cautela,« prefácio à colecção», foi publicado no livro «A Conferência do Terror – Estocolmo 72» , Arcádia editora (Lisboa) , nº 1 da colecção «Dossier Zero» por ele dirigida, com a data de tipografia de Maio de 1973☼