1-3 < 94-03-18-ac-ac> afonso – afonso - quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2003-novo word - 5119 caracteres <lg-1><chave>

CHAVE AC

PARA OS ANOS 50

[18-3-1994]

1 - Não fora a lúcida e atenta perspicácia do meu amigo Luís Gomes e o mundo morreria ignorante do que em Moura, nos anos 50, se passou, em matéria de animação literária e cultural, à volta do quinzenário «A Planície». E eu, sem a amizade e a atenção do Luís, morreria ignorante de que na arca da cozinha tinha guardado um espólio de documentos que poderão um dia vir a interessar quem por estas coisas da história e da literatura se interesse. Alunos de Letras, por exemplo. Quem queira fazer um pouco de história das ideias em Portugal, tem agora um pequeno acervo documental que, devidamente organizado e classificado, lhe dará acesso a algumas informações interessantes.

2 - Quando fizemos coisas (no passado) de que nos envergonhamos (no presente), pensamos talvez que a solução (para o futuro) é esquecer. Pôr uma pedra no assunto. É uma doce ilusão, mais uma, que o Ego mental alimenta e largamente fomenta. Não há esquecimento possível. O lixo que produzimos, como reacção à conjuntura nacional de lixo, continua intacto onde o deixámos: na alma. A menos que por uma intensa alquimia, o transmutemos. É o que estou tentando. Mesmo que me tivesse aventurado a queimar todos esses papéis que o meu estimado amigo Luís Gomes foi exumar, nada teria morrido do que alguma vez foi dito, foi por palavras feito. Nada se cola tanto à alma, como o que se escreve. «Palavras leva-as o vento». Não leva, não. E a questão (a resolver) é mesmo essa.

3 - Vários são os nomes mais ou menos notáveis e notórios ocorrentes nestas «trocas de galhardetes» em que a raiva mal contida contra a ditadura de Salazar se traduzia (escapulia) em mais ou menos indignadas diatribes entre intelectuais, entre oficiais do mesmo ofício. Ter atirado os portugueses contra os portugueses, é uma das proezas de que o regime bem se pode gabar. Com sequelas que vieram até aos dias de hoje e que ainda hoje estão bem vigentes nos hábitos mediáticos. O auge das polémicas inventariadas neste espólio documental ocorre nos anos 1971, 1972 e 1973, curiosamente os meses que precederam a explosão (por outro canal...) do 25 de Abril de 1974.

Nomes (de gente) envolvidos nas polémicas:

POLÉMICAS & TROCA DE GALHARDETES COM:

Nomes de jornais envolvidos e outras publicações:

Questões mais em voga nas polémicas de então:

Alguns mitos ocorrentes nestes anos: