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25/Fevereiro/1981

CARTA DE UM AFECTADO

PELA RADIOACTIVIDADE

À SENHORA MINISTRA DO AMBIENTE

 

[É bem perceptível o destinatário deste recado, os estalinistas, que levaram estes anos todos de Gulag português a desviar as questões da sua real prioridade e a encobrir com problemas de médio e longo e prazo os problemas mais prementes]

(...)

manifesto e proclamo o que penso a respeito do terror nuclear e da escalada imperialista, a Leste e a Oeste, do Estado do Plutónio:

1 - Quando um simples erro de computador é suficiente para fazer estalar uma guerra nuclear, à qual ninguém escaparia segundo os cálculos daqueles cientistas, parece-me platónica qualquer discussão sobre o local onde os armamentos podem ou não podem estacionar

2 - A partir do momento que se defende como necessária ou lícita a indústria pesada em geral e a indústria nuclear em particular - e a menos que os engenheiros da indústria nuclear se decidam a comer o Plutónio que dejectam, pelas centrais nucleares que instalaram - parece-me bizantina qualquer discussão sobre as bombas que há, ou não há, e onde as armazenar; se há Plutónio, há bombas; e se há centrais nucleares pacíficas, há Plutónio. A partir daqui bem pode a juventude comunista protestar contra o armamento

3 - Uma vez colocado o Plutónio no centro da questão, outros problemas, mais terra-a-terra, do que os do armamento, se põem ao cidadão comum:

4) Perante estas situações, muito reais, muito concretas e que já estão em cima de nós, o menos que, enquanto cidadão afectado, eu posso considerar das campanhas sobre o armamento é que são «manobras de distracção»: muito antes que um porta-aviões nuclear americano venha para Lisboa, Sines ou Lagos; muito antes que a NATO ou o Pacto de Varsóvia venham instalar aqui a sua porcaria; muito antes que o Computador do Pentágono se avarie e os mísseis comecem a chover em cima das nossas cabeças, já cá temos e há muito tempo, a guerra santa das santas potências que, com o seu chamado «átomo pacífico», declararam, em Hiroxima, vai para [36] anos, a guerra total chamada guerra ecológica contra o Planeta e a Espécie Humana.

25/Fevereiro/1981