Abstracção cartográfica
O processo intelectual que
visa a representação cartográfica dos fenómenos geográficos. Consta basicamente de
duas fases: a fase de selecção, durante a qual são escolhidos os tipos de
entidades a representar; e a fase de generalização, durante a qual se organizam
os dados e se escolhem as formas de representação.
Acessibilidade
Medida utilizada em
análise de redes para avaliar a facilidade de acesso de um lugar a outro. Os parâmetros
mais comuns afectos à acessibilidade são a distância, o tempo e o custo.
Acidente topográfico
Objecto
concreto, fixo e permanente, da superfície terrestre. Os acidentes topográficos
podem ter origem natural, como os relativos ao relevo e à hidrografia, ou artificial,
como as estradas e outras construções. O conjunto dos acidentes topográficos de uma
região terrestre designa-se por topografia
dessa região. Não são acidentes topográficos as entidades de carácter abstracto, como
os limites administrativos e as fronteiras, bem como a informação específica de uma
carta temática.
Actualização cartográfica
Processo de correcção de
uma carta que visa a sua conformidade com a realidade presente. A necessidade de
actualizar as cartas advém, não só de eventuais erros que elas contenham, mas
principalmente, do facto de a própria realidade se alterar ao longo do tempo. As cartas
topográficas são actualizadas periodicamente, através de novas edições. As cartas
náuticas são, por imperativos de segurança da navegação, actualizadas através da
publicação periódica de Avisos aos Navegantes ou, quando a urgência o justifique, de
mensagens enviadas via rádio aos navegantes no mar, os Avisos à Navegação. Algumas
cartas aeronáuticas são objecto de reedições semanais.
Agregação
Operação de
generalização cartográfica, no âmbito da classificação, que consiste em agrupar
elementos ou categorias distintas de dados, com o fim de os ajustar ao propósito e escala
da representação. É exemplo de uma operação de agregação a substituição dos
edifícios de um quarteirão por uma única mancha que o representa, efectuada geralmente
por razões de melhoria da legibilidade. Uma vez que a forma de representação e
implantação são conservadas, a agregação é considerada um tipo de generalização
estrutural.
Agregação por
atributos
Operação de agregação
em SIG, que consiste em remover as fronteiras entre polígonos adjacentes que partilham o
mesmo valor de determinado atributo. Por exemplo, a criação de uma camada de distritos
por agregação dos concelhos que pertencem ao mesmo distrito.
Airy,
elipsóide de
Superfície de referência
geodésica proposta, em 1830 pelo astrónomo e geodesista britânico George Airy
(1801-1892), utilizada no Reino Unido até meados do século XX.
Airy, projecção de
Projecção azimutal de
erro absoluto mínimo, proposta em 1861 pelo astrónomo e geodesista britânico George
Airy (1801-1892), em cuja construção foi aplicado o método dos mínimos quadrados. A
projecção é muito semelhante à projecção azimutal equidistante.
Aitoff, projecção de
Projecção cartográfica
que resulta duma transformação efectuada sobre a projecção azimutal equidistante, por
forma a duplicar o comprimento do Equador. O globo é representado como uma elipse, cujo
eixo maior (o Equador) tem o dobro do comprimento do eixo menor (o meridiano central). Foi
apresentada, em 1899, pelo cartógrafo russo David Aitoff (1854-1933).
Aitoff-Wagner, projecção de
Projecção cartográfica
que resulta de uma transformação efectuada sobre a projecção de Aitoff, na qual os
pólos são representados por segmentos curvilíneos, diminuindo assim as deformações
angulares nas latitudes elevadas. Também conhecida por projecção de Wagner IX, foi
apresentada, em 1949, pelo cartógrafo alemão Karlheinz Wagner (1906-1985).
Albers, projecção
de
Projecção cónica
equivalente desenvolvida, em 1805, pelo cartógrafo alemão Heinrich Christian Albers
(1773-1833). Distingue-se da projecção cónica equivalente de Lambert pelo facto de o
pólo ser representado por um arco de circunferência e de nela poderem ser estabelecidos
um ou dois paralelos padrão. Tem uma larga utilização em atlas, onde é empregue em
cartas de escala pequena, e também em cartas temáticas, na representação de regiões com
grande extensão na direcção este-oeste.
Alfanumérico
Termo que qualifica os
caracteres alfabéticos, numéricos e de pontuação utilizados nos computadores.
Álgebra de mapas
Método de análise
espacial em que duas ou mais cartas, ou camadas de um SIG, são combinadas para produzir
uma única. A designação tem origem na natureza destas combinações, as quais se
assemelham a operações algébricas. Por exemplo, uma camada que contenha a aptidão do
uso do solo para a agricultura pode ser obtida por multiplicação de duas outras, em que
a primeira representa os constrangimentos legais ao uso do solo (por exemplo, 1 para
permissão e 0 para proibição) e a segunda representa a aptidão para vários tipos de
cultura (0 para terreno improdutivo, 1 para cereais, 2 para produtos hortícolas, 3 para
árvores de fruto, etc.). O método é fácil de aplicar quando as cartas têm uma
estrutura matricial e a mesma resolução espacial, já que as operações algébricas se
realizam entre células.
Algoritmo
Conjunto finito e ordenado
de regras ou instruções, em geral expresso matematicamente ou através de uma linguagem
simbólica (linguagem algorítmica), destinado a resolver um problema específico. São
algoritmos os processos utilizados para efectuar as operações algébricas elementares,
bem como muitos programas ou subrotinas de computador. O que distingue um algoritmo de uma
heurística é o facto de o primeiro assegurar que a solução do problema é, quando
exista, atingida num número finito de passos.
Altimetria
1. Conjunto dos
processos utilizados na medição de cotas e altitudes, isto é, o mesmo que hipsometria.
As cotas e altitudes no terreno podem ser determinadas directamente através de
altímetros ou, de forma mais exacta, através de operações de nivelamento.
2. O relevo do
terreno, quando expresso graficamente nas cartas, isto é, o mesmo que hipsografia.
Anáglifo
Imagem tridimensional de um
objecto, formada pela sobreposição de um par estereoscópico de imagens, cada uma com
uma determinada cor (em regra, o vermelho e o azul). Quando correctamente orientado e
observado com óculos especiais (em que cada lente tem uma cor diferente), o anáglifo
fornece uma imagem em relevo do objecto.
Análise de redes
Conjunto de operações de
análise espacial realizadas sobre redes geográficas. São operações típicas a
determinação de percursos mais curtos ou mais económicos e a distribuição de recursos
numa determinada área.
Análise espacial
Conjunto de operações
associadas ao estudo da distribuição dos fenómenos geográficos, bem como das suas
dimensões espaciais e atributos. No âmbito dos Sistemas de Informação Geográfica,
inclui as operações de sobreposição, análise de proximidade e análise
de redes, entre outras.
Anamorfose
cartográfica
Transformação
cartográfica espacial em que a forma dos objectos é distorcida, de forma a realçar o
tema. Numa das modalidades, a área das unidades espaciais às quais o tema se refere é
alterada de forma proporcional ao respectivo valor, mantendo-se as relações topológicas
entre unidades contíguas. Por exemplo, numa carta que represente a distribuição
geográfica da densidade populacional, as áreas dos concelhos ou freguesias podem ser
ampliadas ou reduzidas de acordo com o afastamento daquele parâmetro em relação à
média. Noutra modalidade, a distorção do espaço é realizada de acordo com o valor de
certos tipos de relação espacial entre lugares, tais como a distância medida ao longo
das estradas ou o tempo que essa distância demora a percorrer.
Apianus, projecção
de
Projecção globular
apresentada pelo geógrafo alemão Peter Apian, em 1524, em que os paralelos são
rectilíneos e os meridianos são
elípticos. Apian propôs duas versões: uma, em que os paralelos são equidistantes sobre
o meridiano central, e outra, em que os paralelos dividem o meridiano exterior em partes
iguais.
Aplicação
informática
Programa de computador
(software), criado para atender às necessidades específicas de um determinado utilizador
ou grupo de utilizadores.
ArcGis
Versão simplificada do software
de SIG ArcInfo, desenvolvido pela ESRI, destinada a computadores pessoais e a pequenas
estações de trabalho.
ArcInfo
Conjunto de aplicações
informáticas de SIG, desenvolvido e comercializado pela empresa americana ESRI (Environmental
Systems Research Institute).
Arco
Conjunto ordenado de
vértices definidos através de pares de coordenadas (x, y) que, num SIG,
compõem uma linha.
Área (da carta)
A parte da folha de uma
carta que é delimitada pela esquadria, e onde está impressa a informação cartográfica
propriamente dita.
Armadillo,
projecção
Projecção apresentada
pelo cartógrafo americano Erwin Raisz (1893-1968), em 1943, cujo aspecto faz lembrar um
tatu (ou armadillo). Utiliza o princípio da dupla projecção: o modelo da Terra
começa por ser projectado numa secção de um toro, a qual é, em seguida, projectada
sobre o plano cartográfico.
Árvore de quadrantes
Método de compactação de
imagens matriciais, através de uma estrutura de quadrantes organizada em árvore. Esta
estrutura é criada pela subdivisão recursiva da área inicial da imagem, até que todas
as subáreas sejam homogéneas relativamente a certa propriedade, ou até se atingir uma
dimensão mínima previamente estabelecida.
Aspecto
Do inglês, aspect,
modalidade de uma projecção geométrica, determinada pela orientação da superfície de
projecção, e pela consequente geometria da rede de meridianos e paralelos. As
projecções geométricas dizem-se normais, transversas ou oblíquas
conforme o eixo da superfície de projecção é, respectivamente, coincidente,
perpendicular ou oblíquo em relação ao eixo da Terra. O conceito é também extensível
às projecções convencionais.
Associação Cartográfica
Internacional
(ACI)
Organização não
governamental, que tem por missão promover a Cartografia e a profissão de cartógrafo,
num contexto internacional A associação existe para contribuir para o entendimento e
solução dos problemas mundiais, através do uso da cartografia nos processos de tomada
de decisão; para promover a disseminação internacional da
informação de carácter ambiental, económico, social e espacial, através da
cartografia; para facilitar a transferência de novos conhecimentos e tecnologias
cartográficos entre nações, especialmente para as que se encontram em vias de
desenvolvimento; para realizar ou promover a investigação a nível internacional; para
promover a educação cartográfica, no seu mais amplo sentido, através de publicações,
seminários e conferências; e para promover o uso de padrões profissionais e técnicos
em cartografia. Para prosseguir os seus objectivos, a associação trabalha em parceria
com instituições nacionais e internacionais, governamentais e comerciais, bem como com
outras sociedades científicas.
Association
for Geographical
Information
(AGI)
Associação britânica que
tem por objectivo promover o uso da informação geográfica no Reino Unido, para
benefício dos cidadãos, da boa governação e do comércio. A AGI prossegue a sua
missão através de seminários e reuniões de especialistas, da publicação de revistas,
de uma página na Internet e do lobbying.
Atlas
Colecção organizada de cartas, concebida para cobrir um espaço
geográfico e um ou mais temas escolhidos. Quando impressos em papel, podem ser
organizados num ou em vários volumes, como é comum nos atlas gerais de referência, ou
serem compostos por cartas soltas, por vezes acompanhadas de notícias explicativas, como
acontece em alguns atlas temáticos. Muitos atlas nacionais, e também alguns atlas
destinados ao grande público, estão hoje em dia disponíveis em papel e em suporte
informático. Neste último caso, a sua consulta e exploração são facilitadas pela
disponibilização de algumas ferramentas típicas dos Sistemas de Informação
Geográfica, que tornam mais rápidas e eficazes as operações de pesquisa e permitem
realizar operações simples de análise espacial. Os primeiros atlas modernos, produzidos
em edições normalizadas, são os de Abra-ham Ortelius, publicado a partir de 1570, e o
de Gerhard Mercator, em 1585. Estas obras tiveram uma enorme popularidade no seu tempo,
tendo sido objecto de múltiplas edições. O termo atlas, que faz referência à
figura mitológica grega condenada a suportar o mundo sobre os ombros, foi utilizado pela
primeira vez numa obra póstuma de Mercator, publicada por seu filho, em 1595.
Atlas do Ambiente
Atlas pluritemático
português sobre temas físicos, biológicos e humanos do território nacional, que
começou a ser publicado a partir de 1975, composto por cerca de 75 folhas na escala
1:1 000 000. Este projecto foi iniciado pela extinta Comissão Nacional do
Ambiente, sendo actualmente conduzido pelo Instituto do Ambiente. Existe uma versão
simplificada em suporte digital, o Atlas do Ambiente Digital, disponibilizada
através da Internet.
Atlas enciclopédico
Atlas cuja parte
cartográfica é reduzida, e substancialmente complementada por outra informação escrita
ou gráfica, na forma de textos e imagens. É o que acontece em grande parte dos atlas
para o grande público, actualmente disponíveis no mercado, quer em papel, quer em
suporte informático.
Atlas escolar
Atlas cujo objectivo é
apoiar o ensino escolar, pelo que o seu conteúdo se encontra, em princípio, condicionado
pelo ensino ministrado nas escolas. Nos nossos dias, os atlas escolares são, geralmente,
versões reduzidas de atlas mundiais para o grande público, sem qualquer ligação aos
programas escolares.
Atlas geral de
referência
Atlas de utilização
geral, em que a maioria das cartas são topográficas. É o caso dos atlas mundiais
dirigidos ao grande público.
Atlas mundial
Atlas cujo objectivo é a
representação de todo o globo, prevalecendo em geral as cartas de escala pequena, mas
não excluindo a representação de áreas mais restritas.
Atlas nacional
Atlas pluritemático que
apresenta conhecimentos científicos contemporâneos nos domínios da geografia física,
económica e política de um país, e que é reconhecido como a sua imagem
oficial. Os primeiros atlas nacionais foram os da Finlândia (1899) e do Canadá
(1906). Na década de 60 do século XX, verificou-se um grande incremento na publicação
de atlas nacionais, sob a influência da União Geográfica Internacional. A primeira obra
publicada em Portugal, cujas características se aproximam das de um atlas nacional, é o Atlas
de Portugal, de Amorim Girão, com edições de 1941 e 1958. Não existe actualmente
qualquer atlas nacional português, muito embora numerosa informação temática capaz de
lhe dar corpo se encontre reunida no Atlas
do Ambiente.
Atlas náutico
Atlas composto por cartas
náuticas, por vezes acompanhadas de um roteiro. É uma solução pouco adoptada nos dias
de hoje, mas comum na cartografia dos séculos XVI a XVIII. O primeiro atlas náutico
conhecido é o do holandês Lucas Waghenaer (1533-1606), publicado em 1584, e composto por
23 cartas gravadas, acompanhadas de informação astronómica e náutica, de utilidade
para os navegadores.
Atlas pluritemático
Atlas temático que cobre
diversos temas. É o caso do Atlas do Ambiente.
Atlas regional
Atlas, em geral temático,
que cobre uma determinada região.
Atlas temático
Atlas em que a totalidade,
ou a maioria, das cartas que o compõem são cartas temáticas. Existem atlas temáticos
dedicados a fenómenos terrestres, e a fenómenos marinhos (atlas oceanográficos). O Atlas
do Ambiente é um atlas temático com uma grande diversidade de temas.
Atributo
1. Num SIG, a
propriedade ou característica associada a um objecto geográfico, expressa através de
caracteres alfanuméricos, números ou imagens, normalmente armazenados em tabelas
próprias (tabelas de atributos). São exemplos de atributos a altitude de um vértice
geodésico, o tipo de ocupação do solo, a área de um polígono e a identificação do
proprietário de uma parcela de cadastro.
2. Numa base de
dados, elemento de informação relativo a uma entidade, o qual expressa determinada
propriedade ou característica.
Atributo gráfico
Num SIG, tipo especial de
atributo com informação sobre a forma como os objectos são representados,
designadamente a simbologia, a textura e a cor.
Azimute cartográfico
Numa carta, o ângulo entre
uma determinada direcção e a direcção do norte cartográfico, materializada pelas
meridianas da quadrícula. O azimute cartográfico difere do azimute geográfico de uma
quantidade designada por convergência dos meridianos, que é o ângulo entre as
meridianas da quadrícula cartográfica e os meridianos da rede geográfica, no local
considerado.