| Festival Sudoeste
(Zambujeira do Mar) - 04/08/2000 |
Set List:
1.Machine Head
2.Personal Holloway
3.The Desease of the dancing cats
4.Warm Machine
5.Insect Kin
6.Greedy Fly
7.Mouth
8.Letting The Cables Sleep
9.Everything Zen
10.Chemical Between Us
11.Comedown
12.Glycerine
13.Swallowed
14.Break on Trought
15.Hotel California
16.Little Things
O quinto concerto de Bush em Portugal prometia...depois de 4 concertos em recintos reduzidos (coliseus de Lisboa e Porto) a banda de Nigel Pulsford apresentou-se desta vez num espaço amplo com aproximadamente 40.000 pessoas a assistir, dia 4 de Agosto, a abertura do Festival Sudoeste na Zambujeira do Mar. As minhas expectativas eram muitas, sabia que este concerto ia ser diferente de todos os outros que vi, sabia que provavelmente havia muitos “anti-Rossdales” pelo meio das 40.000 pessoas, mas tinha a certeza que a minha banda preferida não me ia deixar ficar mal. Acertei!
Era o ultimo concerto da digressão mundial de promoção ao álbum “The Science of Things”, ultimo de originais editado pela banda, e depois de uma viagem dos Estados Unidos para o nosso país propositadamente o concerto só podia ser no mínimo como os Bush já nos habituaram, Brilhante!
A noite já era longa e a ansiedade muita, depois de um check sound de quase uma hora, entra o líder carismático dos Bush (Gavin Rossdale) em palco seguido dos outros 3 elementos (Nigel Pulsford, Robin Goodridge e Dave Parsons), era 1:00 da manha...
Um simples “Hello” e a primeira musica da noite, neste momento já dava para ver que os Bush vinham bem animados do backstage!
Os primeiros acordes surgem com um som muito ruidoso e pouco definido ao inicio, mas que evoluiu ao longo do espectáculo, fez muitas pessoas pensar: que musica será esta? passado alguns segundos: “breath in, breath out, breath in, breath out… já não havia mais duvidas, era a musica que os Bush escolheram para abrir quase todos os concertos desta Tornee: Machine Head, um hino!, um inicio demolidor tal como foi nos concertos dos coliseus de Lisboa e Porto em Março deste ano.
Nesta altura pensei, o alinhamento vai ser igual ao de Março...e desiludi-me um pouco pois esperava uma coisa de diferente, visto ser o ultimo concerto da tornee. Acertei e errei, o alinhamento foi praticamente igual, com excepção de duas ou três musicas, mas há que dizer uma coisa, as mesma musicas foram tocadas de maneira diferente, com alguma improvisação e muito mais longas do que nas suas versões originais, espelho disso é o facto dos concertos de Março apesar de terem tido mais duas musicas (18), foram assim mais curtos em tempo do que este do Sudoeste que teve de duração quase 2 horas!
A segunda musica, uma musica muito especial para mim, tem uma frase que me diz muito: “It´s all so temporary”, Personal Holloway a primeira de cinco musicas do Album RazorBlade Suitcase, delírio total com os fãs a gritar a pulmões: BREEDDDDD LLIIIFE!
Terceira musica e o azar de Gavin Rossdale, foi antes de começar The Desease of the Dancing Cats que o mr Gav a correr para entrar no palco com a sua guitarra de luxo “Gibson Les Pauls” (cor-de-laranja), foi ao chão, caiu mesmo (nada de especial!!!), o publico espantado enquanto Gavin olhava para a sua guitarrinha de quatrocentos e tal contos... nada de grave...siga!
Mais uma musica do ultimo álbum The Science of Things, o single Warm Machine, pelo menos a primeira frase e o refrão todos sabiam… This is the night..the sound.. e era mesmo, já tinha dado para perceber que esta noite era diferente, as mesmas musicas mas a suarem duma maneira diferente, foi assim com Insect Kin, uma musica estranha que deu para tudo…Gavin Rossdale em vários momentos não se cansou de dizer “we love u”, será mesmo verdade?
Seguiu-se uma musica que não precisa de apresentações: Greedy Fly, facilmente se consegue por 40.000 mil pessoas a saltar, é incrível!
Nos 20 minutos seguintes atingiu-se sem duvida o momento alto da noite, primeiro a musica que todos os fãs adoram: Mouth, foi introduzida com uns feedbacks vindos do lado esquerdo do palco onde reside o virtuoso guitarrista Nigel, enquanto isso Gavin Rossdale fazia a delicio dos fãs (quer dizer, das fãs) passeava-se calmamente com a sua guitarra pela grade onde as “teenagers” se pisavam umas as outras para tocar no seu ídolo...Que versão excelente, pode-se considerar uma junção da musica que vem no Album Razor com umas batidas mais drum’n bass tal como podemos ouvir no 3 album de Bush: Deconstructed (remixs), a guitarra estridente dava lugar a um grito único: YOU HAVE SOULMACHINE***.
Continuando na fase de gloria dos Bush, Gavin fez um discursozito de alguns minutos (teve mesmo muito comunicativo nesta noite), entre algumas coisas que percebi: “a próxima musica e muita especial para nos, e uma musica que vem do ultimo álbum, o nosso melhor álbum, vamos toca-la duma maneira que nunca fizemos em nenhuma parte do mundo, é uma versão especial só para Portugal”, que musica sería, só podia ser: Letting the Cables Sleep, eu até nem acho muita piada à musica, mas desta vez foi tocado duma maneira tão intima que me comoveu, que se diga o publico encarregou-se de cantar os versos da musica, Gavin apenas cantou o refrão (e foi porque quis, porque a letra todos sabiam de cor)!, a versão foi mesmo especial para Portugal, pois os Bush nos restantes espectáculos desta tornee tocavam esta musica com Gavin a solo, no centro do palco, com apenas uma luz forte a ilumina-lo, desta vez assistimos a um Cables tocado por todos os elementos da banda e com direito aos sons de violino que tanta genuinidade dão a musica, lindo! A musica terminou com uma improvisação que mais uma vez a tornou única, Gavin gritava algo do tipo: “I´m alone in this fuckin´ town, I´m alone in this fuckin´ town”
Depois da calmaria vem de novo o grunge, e que grunge, o primeiro single de Bush que tem de ser obrigatoriamente tocado em todos os concertos, os fãs exigem: Everything Zen.
Mais um momento de saltos e mais saltos, The Chemicals Between Us, o single de apresentação do ultimo álbum, o publico prova estar bastante afinado...”i want u to remember..”, Gavin melhor que nunca, até se dá ao luxo de trocar de guitarras no meio da musica...
Para terminar, mais uma musica preferida de muitos fãs, “love and hate get it wrong!?”! Os telemóveis e as maquinas fotográficas voltavam de novo para o ar, era um momento para recordar mais tarde: Comedown, uma versão longa desta musica que deu mesmo para tudo, muita comunicação entre o publico e a banda, as partes rítmicas eram muitas vezes acompanhadas com PORTUGAL ! PORTUGAL!...
Os Bush abandonam o palco, mas voltariam de certeza...
Quem voltaria mesmo era Gavin Rossdale para o primeiro encore da noite, mas não vinha sozinho! Acompanhado de alguma coisa que fumava, que era tudo menos tabaco, ri-se para o publico, quase que chora a rir (alto estado mesmo), chega ao microfone, prende o que fumava na guitarra enquanto que o publico esperava por aquilo que todos sabiam que viria a seguir, Gavin a solo só podia ser mesmo Glicerine. Exactamente, um momento muito intimista que se repete em todos os concertos de Bush, a guitarra distorcida de Rossdale serve perfeitamente para acompanhar a magnifica letra desta musica. Sozinho ao centro do palco, as luzes a incidir nele e tudo o resto só mesmo vendo...na parte final da musica os restantes elementos da banda juntam-se em palco para tocar um ultimo verso “I needed you more when we wanted us less” em ritmo acelerado, já tinha sido assim em Março, um final arrasador desta bem sucedida musica.
Já quase em final de noite surge a musica que muitos esperam, talvez a musica mais conhecida de Bush, Swallowed, mais uma vez o pó volta a sufocar a ar do recinto, afinal toda a gente pulava. Também nesta musica o vocalista bem podia ter dispensado o microfone pois o publico encarregou-se de cantar/gritar a letra inteira, em certa parte Gavin rende-se mesmo e levanta os braços para que o publico o substitua nas vocalizações, ouviu-se em todo o Alentejo: “You're the wave... You're the wave… You're the wave”:)
A banda retira-se novamente do palco, mas o publico queria mais, todos nós sabíamos que os Bush voltariam de novo, esperados alguns minutos eis os quatro magníficos de novo em cena.
Rossdale apresenta-se já sem guitarra o que fez até final do concerto e ocupa-se do microfone para mais uma vez mostrar o seu lado de bom comunicador (pelo menos nesta noite) e diz algumas palavrinhas ao publico. Entre outras coisas falou em relação ao novo álbum (que como é sabido tem edição prevista ainda para este ano), pensei eu que a surpresa estava ali mesmo, o que iria fazer o concerto de Portugal diferente de todos os outros, os Bush vão mesmo tocar uma musica do novo álbum, yesssss!! A musica começa, muita acelerada que se diga, ...mas eu conheço isto...era afinal uma versão brutalmente rápida de uma musica dos The Doors, o refrão dizia: “Break on trought to the otherside”, espanto entre o publico, a mim não me surpreendeu porque já sabia que os Bush tinham escolhido este clássico dos Doors para estes últimos concertos que teem dado, apenas alguma desilusão por a tão esperada musica do novo álbum não ter surgido...fica para a próxima.
De seguida mais um cover, Gavin a solo entoa uns conhecidos versos da musica Hotel California dos Eagles, no publico alguns sorrisos envergonhados mas todos cantavam o refrão, a versão tocada tem pouco a ver com o original, foi uma musica tipo soul, muito drum’n´bass... engraçado...
Parece que era mesmo o fim do sonho, já só restava esperar pelo clássico que os Bush encerram todos os seus concertos, quase nem é preciso ser grande fã para saber: Little Things do album The 16Stone. A musica deve ter durado uns 15 minutos sem exagerar, quando o seu tamanho original é de aprox. 5 min, pode-se facilmente concluir que as mesmas musicas de sempre foram desta vez tocadas bem diferentes, a meio da musica Gavin emocionado agarrado ao microfone e em cima de uma coluna na frente do palco diz o seguinte: I would like to stay here forever!!, da maneira como foi dito, sinceramente, convenceu-me... os Bush gostam mesmo de nós...
Quem lá esteve sabe que foi assim, e eu arrisco-me mesmo a dizer que este foi o melhor concerto que vi até hoje(e não foram poucos)...não querendo parecer uma “pita” histérica apetece-me dizer isto: OS BUSH SÃO A MELHOR BANDA DO MUNDO...***
por solutions