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Ensaio sobre a origem dos Correa,senhores de FralãesSéculos XIV e XV
Os Correa [1] dos séculos XIV e XV, a começar nos de Fralães, estão nos nobiliários tardios de tal forma desfasados da realidade que se documenta e respectiva cronologia, que estas fontes secundárias de pouco ou nada servem para a reconstituição da sua Genealogia. O que parece ter sido feito pelas genealogias tardias foi o entroncamento aleatório no conde D. Pedro, não só de forma infundamentada mas até à revelia da documentação conhecida. Em contrapartida, temos a Genealogia dos Correa relativamente bens reconstituída das origens até ao séc. XIV. Ao inestimável contributo do conde D. Pedro juntou-se agora a obra de José Augusto de Sotto Mayor Pizarro [2], que nos dá, com a segurança possível, o desenvolvimento das família desde D. Paio Ramires até meados do séc. XIV.
Sobre a origem
de D. Paio Ramires não se sabe nada de seguro, nem mesmo se já teve a
honra de
Mas não há dúvida de que os Correa possuíam desde os seus primórdios a honra de Fralães, no julgado de Faria, pois nas inquirições de D. Afonso III documenta-se que D. Paio Soares Correa tinha de seus antepassados a dita honra e o padroado das igrejas de S. Pedro do Monte [4] e S. Maria de Viatodos [5], e que nestas freguesias (de Barcelos, então julgado de Faria) o rei só tinha parte do reguengo do Monte de Saia [6], em Viatodos, e o reguengo na veiga do Olho Marinho. Nas inquirições de D. Dinis já aparece a freguesia de Stª Maria de «Farlães», no julgado de Faria, dizendo-se que «o paço que foy de D. Payo Corrigia, o Velho, he provoado que o virõ honrado des que se acordam as testemunhas e de ouvida de longo tempo». Sobre a freguesia de Viatodos dizem essas inquirições que «a Villa de Ulvar he provado que he tudo honrra e de ouvida que foy de D.Mem Corrigi e honra de seu linhage». Mas se com D. Afonso III só de fala na freguesia de S. Pedro do Monte e com D. Dinis já se fala na freguesia de Stª Mª de Fralães, em meados do século XIV volta a referir-se apelas a freguesia de S. Pedro do Monte, quando estes Correa juntaram à posse dessas honras o senhorio de juro e herdade das freguesias de Viatodos (Beatodos) e de S. Pedro do Monte, bem como os casais de Vila Meã, com suas jurisdições. A honra de Fralães, claramente o núcleo fundiário original da família e o mais simbólico, ficava então na freguesia de S. Pedro do Monte, que a breve trecho se passa a chamar Monte de Fralães. E o nome de Fralães acabou por se estender a todo aquele senhorio, vindo mais tarde a ser criado o concelho de Fralães, extinto em 1836, que justamente incluía as freguesias de Viatodos, parte de Silveiros (Vila Meã) e S. Pedro do Monte. As genealogias posteriores, como já referimos, tentaram entroncar os Correa do século XIV no ponto em que o conde D. Pedro os deixara, mas fizeram-no da forma mais desastrosa. Assim, Alão, e com ele Gaio, confunde Afonso Vasques Correa com Afonso Pais Correa, fazendo este último pai de Fernando Afonso Correa. Ora, com refere o conde D. Pedro, Afonso Paes Correa morreu na lide de Fornos de Algodres. Este Afonso Paes, já cavaleiro em 1287, diz Pizarro que não deve ter tido descendência, tendo em conta que não são referidos filhos dele nem quando Margarida Pires Ribeiro deixa por sua alma um cálice de prata a S. Silvestre da Silva, no seu testamento de Fevereiro de 1317, nem quando Martim Pires de Alvim, marido daquela Margarida e testamenteiro de Afonso Correa, no seu testamento de 1327 deixa legados pios por alma deste Afonso. Mais significativo, ainda, é que João Pires de Alvim, filho daqueles Martim e Margarida, em 1355 manda vender os bens que Afonso Paes Correa tinha na Covilhã, como ele mandara no seu testamento e ainda não tinha sido feito. Nada disto, com efeito, se coaduna minimamente com a ideia de que este Afonso Paes tivesse tido filhos, ou pelo menos filhos que lhe sobreviveram e/ou deixaram descendência. Por outro lado, o Fernando Afonso Correa documentado em Grijó (1365), com sua mulher e uma filha, não pode ser o homónimo que em 1385 sucede nos senhorios a seu pai Afonso Correa. Alão não só confunde estes dois Fernandos, como anacronicamente dá este último como filho de Afonso Paes Correa. Na verdade, existiram na passagem do séc. XIII para o XIV dois Afonsos Correa: o referido Afonso Paes Correa, morto na lide de Fornos de Algodres, e seu primo, de uma geração abaixo, Afonso Vasques Correa, filho do já referido Vasco Gomes Correa, o da matriz sigilar. Pizarro dá a este último, Afonso Vasques Correa, vários filhos. Mas há um grande desfasamento cronológico em relação a pelo menos um deles. Com efeito, Frei Pedro Afonso Correa, que já era comendador de Alvalade na Ordem de Santiago em 1319, devia ser de facto filho de Afonso Paes Correa e não de Afonso Vasques Correa, e ter falecido pelo menos antes de 1355, de qualquer forma sem geração. Portanto, Afonso Vasques Correa, vassalo do rei em 1328 e meirinho-mor de Além Douro em 1331, não terá nascido antes de 1280, sendo portanto bem mais novo, do que Afonso Paes Correa, se bem que seu contemporâneo, como aliás resulta do facto de este ser neto de Pedro Paes Correa, e aquele ser seu bisneto. Acresce que entre os filhos de Vasco Afonso Correa apenas dois se contam como naturais de Mancelos, em 1339, ao contrário dos outros filhos. Este facto só se pode explicar se Afonso Vasques Correa tivesse casado duas vezes, sendo que o direito ao padroado de Mancelos veio aos filhos pela mãe. Ora, sabemos que Afonso Vasques Correa casou com Tereza Martins, da linhagem dos Portocarreiro, justamente padroeiros de Mancelos. Pelo que esta seria a mãe dos dois filhos que se documentam na lista de Mancelos, enquanto os outros filhos de Afonso Vasques Correa seriam de uma mulher anterior, cujo nome se desconhece. Assim, ou porque se extinguiu, como parece, a descendência varonil dos irmãos João Pires, Martim Pires e Paio Pires Correa [7], ou por qualquer outra razão, os bens mais emblemáticos da família, ou seja, as honras de Fralães (S. Pedro do Monte) e Viatodos, acabaram na posse de Afonso Vasques Correa, o neto sucessor de Gomes Pires Correa, irmão daqueles. E deste Afonso Vasques Correa foi filho sucessor o Vasco (Afonso) Correa que Fernão Lopes diz pai de outro Afonso Vasques Correa, sendo este, falecido em 1385, o mais antigo senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e S. Pedro do Monte que se documenta e o tronco dos senhores de Fralães do séc. XV. Finalmente, umas palavras sobre as suas armas, um escudo de ouro, fretado de vermelho, de oito peças, conforme a infografia que publico. Esta é a verdadeira heráldica dos Correa, como se vê nomeadamente na referida matriz sigilar. Fretado é um termo heráldico que significa a disposição de coticas entrelaçadas em diagonal, em banda e contrabanda, em número igual para cada lado. O fretado pode ter quatro, seis ou oito coticas. Se forem dez ou mais, diz-se já gradeado e não fretado. O Livro da Nobreza e Perfeição das Armas atribui-lhes 12 peças, o que significa que já não era um fretado mas sim um gradeado. O Livro do Armeiro Mor atribui-lhes 13 peças, o que é um flagrante erro heráldico, pois quer no fretado quer no gradeado as coticas têm de ser em número par, pois são sempre metade em banda e a outra metade em contrabanda. O que constituiu mais um exemplo da deplorável reforma manuelina da Heráldica portuguesa. E a confusão continua com os não menos ignorantes reis de armas portugueses, que foram passando cartas de armas de Correa onde em geral não especificavam o número de coticas do fretado. E, quando o faziam, diziam-no de seis peças (e até sete!), especificando que eram três em banda e três em contrabanda, como se pudesse ser de outra forma... Na verdade, como vimos, o fretado dos Correa era de oito peças. Mas, em dada altura (século XVI ou depois), os senhores de Fralães adoptaram definitivamente a águia estendida dos Aguiar, que já está em redor do seu escudo na referida matriz sigilar, colocando as armas dos Correa carregadas no peito da águia. E deve ter sido nesta nova disposição que, devido ao tamanho reduzido do escudo (algumas cartas de armas dizem «um escudinho»...), por razões práticas o fretado passou de oito para seis peças. Mas, a aceitar esta alteração, ela não tem obviamente efeitos retroactivos e só se pode usar nestas armas alteradas.
Esquema genealógico 1. Afonso Vasques Correa [8], cavaleiro quando em 1318 foi testamenteiro de seu primo Gonçalo Anes Correa (legitimado a 5.3.1298, filho de Gonçalo Anes Correa e neto de João Pires Correa). Vassalo do rei em 1328, quando foi um dos fidalgos fiadores do acordo com D. Alfonso XI. Era meirinho-mor de Além Douro em 1331. Nasceu cerca de 1280 e faleceu depois de 1332. Seria o principal herdeiro das honras de Fralães e Viatodos, sendo filho de Vasco Gomes Correa, o da matriz sigilar, como ficou dito na introdução. Como igualmente ficou dito, necessariamente Afonso Vasques casou a 1ª vez com mulher (a) que se desconhece. E casou 2ª vez com Tereza Martins “Raimundinho” (b), neta paterna de João Raimundes de Portocarreiro, alcaide-mor de Lisboa em 1278. 1.1. (a) Gonçalo Afonso Correa, sem geração. 1.2. (a) Filha, casada com Martim Feriz. 1.3. (a) Filha, casada com Pedro Afonso, sobrinho do bispo de Coimbra D. Raymond, francês. 1.4. (a) Vasco (Afonso) Correa, que segue no nº 2 1.5. (a) João Correa, como propõe Pizarro, que foi corregedor de Entre-Tejo-e-Guadiana em 1358. 1.6. (a) D. Afonso Correa, possível filho de Afonso Vasques Correa. Morreu bispo de Segóvia a 15.5.1397. Nasceu cerca de 1318, doutorou-se em Cânones pela Universidade de Paris, foi cónego de Sé de Lisboa e chanceler da infanta D. Beatriz. Passou depois a Roma, onde Urbano V o nomeou auditor da Rota e Câmara Apostólica e depois bispo da Guarda, onde já estava a 24.2.1368. Foi também embaixador de D. Fernando a Castela. Em 1384 opôs-se ao mestre de Avis e depois de Aljubarrota foi para Castela, onde morreu bispo de Segóvia. 1.7. (a) Fernando Afonso Correa, que vem referido como infanção na lista de Grijó (1365), com sua mulher Leonor Anes da Cunha, de quem vinha o padroado, com uma filha, não nomeada, pelo que provavelmente era criança pequena. Leonor Anes documenta-se aí como filha de João da Cunha, então já falecido. 1.7.1. Violante da Cunha, nascida cerca de 1364, que casou cerca de 1388 com Martim Ferreira, morgado do Casal de Cavaleiros, de Cête e de Fajozes, e senhor de juro e herdade de Parada (20.8.1384). Com geração. 1.8. (a) Diogo Afonso Correa, que proponho como filho do 1º casamento de Afonso Vasques Correa. Era escudeiro quando na mesma data (20.3.1384) da mercê de Afonso Vasques Correa, seu proposto sobrinho, teve do mestre de Avis os direitos reais de Monforte, de juro e herdade, e os bens móveis e de raiz que em Monforte tinham Martim e Álvaro Lourenço, que andavam «em deserujco». A 5.5.1384 o mestre de Avis doa a Diogo Afonso Correa, seu vassalo, todos os bens móveis e de raiz que em Santarém tinha Francisco Anes, que andava «em deserujco». Era comendador na Beira em 1389. 1.9. (b) Martim Afonso Correa, infanção natural de Mancelos em 1339. Deve ser o Martim Correa cujas terras que «auja e tijnha del rrey dom Fernando» o mestre de Avis doa a 13.2.1385 a Mem Rodrigues de Vasconcellos. E este é certamente o Martim Correa que em 1383 era alcaide-mor do castelo da Feira, dando voz por D. Beatriz. E o Martinho Correa a quem D. Pedro I legitima o filho Gonçalo Martins (2, 127). 1.10. (b) Aires Afonso Correa, referido com seu irmão na lista de Mancelos. Foi alcaide-mor de Monforte (23.6.1357). 2. Vasco (Afonso) Correa, referido por Fernão Lopes como pai de Afonso Vasques Correa e fidalgo de D. Afonso IV e D. Pedro I, pelo que terá nascido cerca de 1307. Pela cronologia e onomástica, sua e de seu filho, parece filho de Afonso Vasques Correa e até o seu filho sucessor, na medida em que é na sua descendência que segue a honra de Fralães. Alão diz que casou com Leonor Mendes de Oliveira, filha de Mem Pires de Oliveira. O Livro de Linhagens do Séc. XVI diz que este Mem Pires não teve filhos do seu casamento mas deixou filhos bastardos, entre eles justamente uma Leonor Mendes, mas que diz ter casado com Pedro Martins Rogueis, pelo que fica a dúvida. Embora esta Leonor pudesse ter casado duas vezes. 2.1. Afonso Vasques Correa, que segue no nº 3. 3. Afonso Vasques Correa, que vem referido como escudeiro quando a 20.3.1384, pelos serviços que fez e os que «entendemos de receber», teve do mestre de Avis os direitos reais de Abrantes, de juro e herdade. A 9.10.1380 recebeu de D. Fernando, em préstimo, a terra de Gondomar, no almoxarifado do Porto, com todas as suas rendas e direitos. Foi ainda senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos (Beatodos) e de S. Pedro do Monte e os casais de Vila Meã, com suas jurisdições, como se documenta na confirmação a seu filho, em 1385, e de seu neto, em 1433, vindo aí referido apenas como Afonso Correa. Como se diz na confirmação a seu neto em 1433, repetindo a do filho, nas ditas freguesias de S. Pedro do Monte e Viatodos, bem como nos casais de Vila Meã, «quando se auiam de poer Jujzes no dicto logo que os punha sempre o dicto seu padre em cada huu anno E que as apellaçoões hiam dos dictos lugares pêra o dicto seu padre E do dicto seu padre hiam as apellaçoões pêra a corte dos Reis que entom eram E que os moradores das dictas terras nom pagauam em fintas nem em talhas com nemhuu concelho». Afonso Vasques nasceu cerca de 1329 e faleceu antes de 7.10.1385, pois nesta data lhe sucedeu o filho, tendo sido muito provavelmente morto na batalha de Aljubarrota (14.8.1385). Alão confunde este Afonso Vasques Correa com Afonso Paes Correa, o que é um anacronismo, se bem que depois fale deste Afonso Vasques Correa como pai (natural) de Martim Correa. O Afonso Correa que dá como pai de Fernando Afonso Correa diz que casou com Beatriz Martins da Cunha [9], que neste caso teria nascido cerca de 1340/5, pelo que não podia ser filha de Martim Vasques da Cunha, senhor de Tábua, como diz JT [10], não só porque este nasceu cerca 1300 e faleceu pouco antes de 1334, mas também porque seu filho Vasco e suas duas filhas, Inez e Leonor, se documentam no respectivo inventário de menores. Mas ao Afonso Vasques Correa que teve natural a Martim Correa dá Alão duas mulheres, ambas sem geração, a primeira das quais foi Beringela Pereira, filha de Rui Pereira, senhor da Terra de Stª Maria, e de sua mulher Violante Lopes de Albergaria, e a 2ª foi Violante Vasques de Souza, filha de Vasco Martins de Souza. A existência desta Violante é duvidosa, pois não aparece na lista de Grijó (1365) com seu alegado pai e irmãos. Se bem que pudesse ser uma filha do 2º casamento de Vasco Martins de Souza com D. Estevaínha Garcia, tendo neste caso nascido depois de 1365 e, portanto, casado pouco antes de seu alegado marido morrer. A 1ª mulher diz Alão que a casou D. João I, a contragosto dela. Mas Rui Pereira e Violante Lopes de Albergaria casaram em 1373, pelo que essa Beringela Pereira, se podia ter casado com Afonso Vasques Correa, não podia ter sido mãe de seu filho herdeiro Fernando Afonso Correa. Assim, a mãe deste ou foi a referida Beatriz Martins da Cunha ou outra que se desconhece. Afonso de Torres diz apenas que Afonso (Vasques) Correa casou com Beatriz Martins. sem a filiar. 3.1. Fernando Afonso Correa, que segue no nº 4. 3.2. Afonso Vasques Correa, que sucedeu ao pai no préstimo da terra de Gondomar, que a 7.12.1388 D. João I lhe passa a senhorio de juro e herdade, mero e misto império, com todas as rendas, direitos e pertenças. Deve ter sido senhor da Camusca, pois a 22.4.1386 o mesmo rei faz «graça e mercee a afomso uaasquez correa nosso uasallo por mujto serujço que delle recebemos e entendemos de receber» de privilegiar todos os moradores do lugar da Chamusca, escudando-os de servir ao concelho de Santarém ou a outros. E a 27.6.1386 doa-lhe os bens móveis e de raiz que foram de Samuel Toledano, judeu, bem como «hua quintaa que chamam dulme». A 18.1.1391 o seu escudeiro João Afonso teve mercê dos direitos reais de Ponte de Sor. Talvez seja pai do Vasco Correa que nasceu em 1374 em Ponte de Lima, pois a 12.10.1444 D. Afonso V privilegia Vasco Correa, natural de Ponte de Lima, mudando-lhe o degredo de dois anos na cidade de Ceuta por três em Marvão, devido à sua idade de 70 anos. 3.3. Aires Afonso Correa, que proponho como filho de Afonso Vasques Correa, embora também possa ser seu irmão. Teve a herdade do Azinhal, nos termos de Elvas e Monforte, que lhe foi coutada por D. Pedro I, como se diz na confirmação deste couto a seu filho Gomes Correa, a 7.3.1433, por D. João I. Deste Gomes foi filho sucessor outro Aires Afonso Correia, que casou com Maria Ribeiro, sendo pais de João de Freitas Correa, morador em Monforte, casado com Inez Rodrigues, quando a 6.2.1444 D. Afonso V lhe confirmou o dito couto, em que sucedeu por morte destes seus pais. 3.4. (N) Martim Correa, segundo Alão, que o diz bastardo, tendo ficado órfão ainda menino e ter sido criado com o infante D. Pedro, de cuja casa viria a ser cavaleiro. O infante D. Pedro nasceu em 1392 e este Martim Correa teria de ter nascido antes de 1385, ano da morte de seu alegado pai. Diz ainda Alão que esteve com o infante em Alfarrobeira e depois fugiu para Castela, donde voltou, sendo perdoado por D. Afonso V, que então lhe deu o prazo da Torre da Murta e o casou com Leonor da Silva, o que é um evidente anacronismo. Com efeito, o Martim Correa em epígrafe deve ser o homónimo, cavaleiro do infante D. Pedro, que tinha a comenda de Aljustrel, a qual por sua morte ficou vaga, tendo-a D. Afonso V passado a 31.1.1444 a Martim Vasques Mascarenhas, com consentimento de D. Fernão Martins Mascarenhas, comendador-mor da Ordem de Santiago. Morreu portanto antes de Alfarrobeira. E deve também ser este o Martim Correa que deixou viúva Inez Dias, a quem D. Afonso V doou a 17.10.1453 a renda dos moinhos situados no termo de Penela, na Ribeira de Cabra, e que ainda vivia a 15.7.1463, quando o mesmo rei concedeu carta de privilégio a Inez Dias, mulher viúva de Martim Correa, para todos os seus caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores da comarca e correição da Estremadura, isentando-os do direito de pousada. Este Martim Correa deve ainda ser o que pediu e obteve para seu primo (certamente pelo lado da mãe) Diogo Álvares, escudeiro, morador na vila de Aljustrel, o cargo de coudel da dita vila e seu termo, para que foi nomeado a 16.2.1439. 3.4.1. Martim Correa, nascido cerca de 1400, claramente distinto e posterior ao que leva por pai. Alão deve ter confundido os dois num só, pelo que algumas coisas que diz do pai poderão aplicar-se a este. É o Martim Correa, cavaleiro do infante D. Henrique, que a 20.5.1452 teve do rei uma tença anual de 8.000 reais de prata, a juntar à tença de 4.000 reais que já usufruía. E foi alcaide-mor de Silves, como veremos adiante. Este Martim é que teve a Torre da Murta (25.3.1461) e casou com Leonor da Silva, natural da Madeira, donzela da rainha e filha de um Fernão Martins do Carvalhal, segundo o LLXI e Damião de Góis. Segundo Alão, o rei deu-lhe em casamento Leonor da Silva, que então estava enamorada de Nuno Furtado de Mendonça, o qual avisou Martim Correa que se aceitasse esse casamento «lhe havia de por os cornos». Acrescenta aquele autor que Martim Correa aceitou o casamento por causa da ameaça e levou a mulher para a Torre da Murta, onde a acoitou, avisou da ameaça do namorado e viveram «com grandes desgostos», vindo Martim Correa a morrer no escalamento de Tânger, após o que Leonor da Silva casou com o dito Nuno Furtado de Mendonça. E isto é certo, pois a 18.7.1476 D. Afonso V doou a Leonor da Silva, viúva de Nuno Furtado, que fora aposentador-mor, as tenças anuais que estão assentes no almoxarifado de Santarém [11]. E a 21.3.1513 Leonor da Silva, mãe de Henrique Correa, fidalgo da Casa Real, fez procuração a Diogo Afonso, seu escudeiro, para poder arrecadar do almoxarife de Aveiro 14.933 reais que tem por desembargo. Pela cronologia envolvente, Leonor da Silva, que nasceu cerca de 1430 e, como vimos, ainda vivia em 1513, casou com Nuno Furtado cerca de 1462, e seguramente antes de 1464, pelo que Martim Correa terá morrido em meados ou finais de 1461. Também não existe carta de perdão pela sua alegada participação em Alfarrobeira, pelo que deve ter sido confusão com seu proposto irmão. Pelo contrário, terá recebido bens de partidários de D. Pedro que estiveram nesta batalha, segundo a Monumenta Henricina. Alão só lhe nomeia um filho, o antedito Henrique Correa da Silva, que terá nascido cerca de 1445 e foi do Conselho de D. Manuel I, com geração nos Correa da Silva, alcaides-mores de Tavira. A 29.8.1464 Henrique Correa, cavaleiro do infante D. Henrique e fidalgo da Casa Real, teve o castelo e direitos de Silves, bem como as rendas da mouraria, com os 2.000 reais que pagam os mouros da cidade, e ainda as rendas do mordomado e do relego, tudo como tinha seu pai, como se diz numa carta de confirmação de 5.3.1486. É ainda o Henrique Correa, fidalgo da Casa Real, que a 10.10.1496 teve uma tença de 30.000 reais de D. Manuel I, e dois meses depois 300.000 reais em satisfação das rendas da mouraria de Silves, e ainda várias outras mercês. 3.4.2. Pedro Correa, que proponho como filho Martim Correa. Nasceu cerca de 1401 e a 30.3.1451 teve carta de perdão por ter estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do infante D. Pedro. Devendo ser o Pedro Correa, escudeiro que foi do infante D. João, que a 24.4.1450 teve carta real de privilégio para andar em besta muar de freio e sela por todo o reino. Pedro Correa, escudeiro, morador em Alenquer, que a 14.3.1669 foi nomeado procurador do número desta vila e seu termo, em substituição de Diogo de Reina, que renunciara por instrumento público de 4.2.1469. E ainda o Pedro Correa que em 1474 tinha o cargo de alcaide-mor de Leiria pelo conde de Vila Real. 3.4.2.1. Gaspar Correa, que proponho como filho de Pedro Correa. Nasceu cerca de 1425 e instituiu um morgadio em Óbidos, com geração nos Correa Manoel de Aboim, morgados em Óbidos, que muito mais tarde vieram a ser viscondes da Idanha. E talvez pai do Pedro Correa que a 7.1.1498 foi nomeado procurador de Alenquer. 3.4.2.2. Frei Pedro Correa, que proponho como filho de Pedro Correa. Foi comendador de Óbidos e Alenquer e a 3.10.1461 D. Afonso V afora-lhe uma herdade de pão na vila de Alenquer, pelo foro anual de 25 alqueires. 4. Fernando Afonso Correa, do Conselho de D. João I, senhor de juro e herdade as freguesias de Viatodos e de S. Pedro do Monte e os casais de Vila Meã, com suas jurisdições, em sucessão a seu pai Afonso Correa (7.10.1385), isto é, como vimos, senhor de Fralães. Foi ainda senhor de juro e herdade de Valadares e de Riba de Mouro (21.8.1387) e a 23.1.1387 teve a doação da honra de Lanhas, que era de Diogo Afonso, que andava em deserviço, o qual a herdara de sua tia Leonor Afonso, aia que foi do infante D. Dinis. Diz o rei na carta de doação de Valadades: «Dom Joham etc A quantos esta carta virem fazemos saber que nos veendo e considerando os mujtos serujços que nos e estes regnos recebemos e entendemos receber ao diante de fernand afomso correa nosso uasallo portador desta carta E querendo lho nos galardoar com mercees o que boom rey e senhor eue fazer a boom serujdor damos lhe de Jur d erdade deste dia pera todo sempre toda a terra de ualadares e de Riba de mouro per a guisa que a tragia steu eannes marinho d el rrey dom fernando nosso Irmaão que deus perdoe com todollos djreitos fructos novos e foros que o dicto rey e os que ante elle foram aujam e nos de djreito deuemos d'auer das dictas terras com suas Jurdiçoões Reseruando pera nos as apellaçoões e agravos E que o nosso Corregedor ou corregedores possam fazer correiçam». Fernando Afonso nasceu cerca de 1351 e fez testamento [12] a 9.5.1405, onde instituiu a capela de S. Francisco de Guimarães, para a qual foi depois trasladado. Segundo Afonso de Torres, casou com Joana Anes, filha de João da Cunha. Segundo Alão, casou com Leonor Rodrigues, que a CP [13] diz ter sido filha de Nuno da Cunha. 4.1. Paio Correa, que na confirmação de 1433 a Gonçalo Correa, este diz que houvera a dita terra «depois da morte do dicto seu padre e payo correa seu Jrmaão». Faleceu portanto em 1433, sem geração, ao que se supõe. 4.2. Gonçalo Correa, que segue no nº 5. 4.3. João Correa, nascido cerca de 1382, que é geralmente confundido com seu sobrinho homónimo, referido adiante. Talvez seja o João Correa que casou com Maria Vasques e depois foi frade de S. Domingos de Lisboa, tendo deixado ao mosteiro de Odivelas a sua quinta da Barrosa, a par do Lumiar. A 7.11.1435 D. Duarte julga um pleito entre Henrique de Góis e o mosteiro de Odivelas, entregando a ele dita quinta da Barrosa, que D. João I doara a seu pai, João Anes de Góis, pois o dito mosteiro não vendera a quinta que lhe foi deixada no prazo de um ano, como estava obrigado, «e porque outrossy alguus parentes do dicto Joham correa que diziam que ella tijnha, dímjtírom e leixarom todoo seu djreito» ao dito rei D. João I. Esta circunstância dá ideia que este João Correa não teria deixado filhos, pelo que, a ser assim, não é o mesmo, podendo então ser um tio paterno do João Correa em epígrafe, ou mesmo um tio-avô paterno, dependendo de uma sua mais rigorosa datação. Alão confunde o João Correa em epígrafe com seu sobrinho homónimo, referido adiante e casado com Isabel Dias de Castello-Branco, o que a cronologia não permite, e dá-lhe dois filhos: D. Paio Correia, o bailio (o que é erro) e Aires Correia, cavaleiro do hábito de S. João e comendador de Távora. A edição de 1997 da «Pedatura Lusitana», tendo em conta um título incompleto no original, por estarem a folhas rasgadas, publica o que consta da «Sedatura», o que é substancialmente diferente. Aqui, o João Correa em epígrafe vem desentroncado e chama-se-lhe Gil Correa, dizendo-se que foi também bailio de Leça, o que é erro. Mantém o erro de dar este Gil como pai do bailio Frei Paio Correa, dando-o também como pai de Aires Correa. 4.3.1. Aires Correa, n. cerca de 1407, cavaleiro da Ordem de S. João (Rodes) e comendador de Távora na Ordem de Cristo. Teve uma filha natural quando ainda era muito novo.
4.3.1.1.
Tereza Correa, nascida cerca de 1427, que em 1441 foi
dotada em Guimarães por seu tio João Correa, comendador de Poiares, com
os prazos de Escariz e Paredes, para casar com Afonso Botelho.
Alão não entronca este Afonso Botelho e Gaio dá-o anacronicamente como
filho de Afonso
4.3.1.1.1. Isabel Botelho Correa, nascida em 1442 em Vila Real. Casou a 1ª vez cerca de 1459 com João Afonso de Proença [19] (a), alcaide-mor e senhor dos dízimos de Mondim da Beira. Casou 2ª vez cerca de 1470 com Diogo da Mesquita [20] (b), nascido cerca de 1439 em Vila Flor, porteiro das sisas da vila de Bragança (25.5.1462), filho de Martim Gonçalves (Pimentel) e sua mulher Inez da Mesquita. 4.3.1.1.1.1. (a) Leonor Botelho, que casou cerca de 1476 com João Afonso, o «Colhão Rico», meirinho da Corte e meirinho da correição da comarca da Beira e Riba Côa (provavelmente em sucessão de Pedro Botelho, que vai adiante como seu cunhado), senhor do prazo do Arco, «dos Afonsos do Arco desta cidade», que jaz em S. Francisco de Órgens com o seguinte letreiro: «Aqui jaz João Afonso meirinho marido de Leonor Botelha». Deve ser o João Afonso que a 8.8.1488 era raçoeiro (recebia ração) da igreja de Ferreira, no termo de Viseu, e o João Afonso, escudeiro, morador em Viseu, que a 1.8.1514 teve mercê de vedor e recebedor das obras dos muros e fortaleza desta cidade, com mantimento de 20 reais por dia. Com geração em Viseu [21]. 4.3.1.1.1.2. (a) Pedro Botelho, que sendo escrivão e tabelião geral e contador dos feitos e custas da correição da comarca da Beira e Riba Côa e escudeiro do duque de Bragança, a 6.2.1511 teve mercê real do ofício de meirinho da mesma correição, por troca com António Rodrigues, escudeiro do rei, feita em instrumento público de 3.2.1511 no tabelião Gomes Anes. Foi cidadão nobre da governança de Viseu, nomeadamente vereador do Senado da Câmara pela Nobreza em 1514. Deve ser o homónimo que foi escudeiro fidalgo da Casa Real (Moradias) e o homónimo que foi juiz dos órfãos de Aguiar da Beira [22]. É provável que, tendo falecido sem geração, lhe tenha sucedido no cargo seu cunhado, acima 4.3.1.1.1.3. (a) Afonso Botelho, sucessor na casa de Mondim da Beira, cavaleiro da Casa Real, foi meirinho da corte, nomeado por carta real de 29.8.1498, sendo então escudeiro do conde de Marialva e Loulé, meirinho-mor do reino. Num documento de 26.8.1504 parece como cavaleiro da Casa Real e meirinho da corte. Com o cargo de meirinho da corte aparece em vários documentos da Chancelaria de D. Manuel I até 1518, ano em que deve ter falecido. Casou com Isabel Botelho de Sequeira, com geração em Mondim da Beira e Viseu [23]. 4.3.1.1.1.4. (a) Aires Botelho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, foi contador da comarca da Beira e sucedeu nos dízimos de Mondim. A 25.1.1500, sendo escudeiro do conde D. Rodrigo de Castro, teve de D. Manuel I a mercê de juiz das sisas da Covilhã. Sendo meirinho da corte, intervém como procurador num documento de 4.5.1504 da Chancelaria de D. Manuel I. Em 1507, como cavaleiro da Casa Real, recebe quitação de 727 marcos, duas onças em ouro e multivariados bens recebidos durante o exercício do cargo de feitor no resgate a Axem entre 1505 e 1506. A 25.2.1514 intervém num documento da referida Chancelaria, sendo então cavaleiro da Casa Real e provedor das capelas e hospitais, e dos órfãos, bem como juiz e contador dos resíduos da comarca da Beira e Riba Côa. Nesse mesmo ano, a 17.12.1515, diz-se que tinha o cargo de meirinho da Corte por seu irmão Afonso Botelho. Foi almoxarife do almoxarifado de Atouguia [24], escrivão da correição de Lamego [25] e teve carta de comenda [26]. Ainda vivia em 1535, pois é certamente o Aires Botelho que perde uma questão com o bispo de Viseu D. Miguel da Silva. Casou cerca de 1497 com Elvira Rodrigues Homem, filha de Francisco Homem, senhor de Verdelho, junto a Manteigas, e copeiro da rainha. Com geração nos Botelho de Alarcão, de Seia [27]. 4.3.1.1.1.5. (b) Francisco da Mesquita, nascido cerca de 1471, que Alão diz que foi criado do 1º marquês de Vila Real (que nasceu cerca de 1435 e morreu em 1499), e que morreu na Índia, sem geração. 4.3.1.1.1.6. (b) Luiz da Mesquita, que Alão diz também que morreu na Índia, sem geração. 4.3.1.1.1.7. (b) João Correa, que Alão diz também que morreu na Índia. Julgo ser este o João Correa (da Mesquita ou Botelho) que foi senhor da quinta de Arnoza, em S. João do Barreiro (Besteiros - Tondela), onde terá casado, e que foi pai da D. Lucrécia Correa que casou com seu primo Gonçalo Lobo, de Vila Real, filho de Fernão Lobo e neto paterno de Pedro Barbosa, do paço de Aborim, referido adiante. Daquela D. Lucrécia e seu marido foi filha herdeira D. Maria Correa Botelho, que casou cerca de 1535 com Manuel de Azevedo, comendador de S. Julião de Lobão (Besteiros) na Ordem de Cristo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, 1º morgado de S. Sebastião de Besteiros ou casa do Quintal, etc., com geração [28]. 4.3.1.1.1.8. (b) Pedro da Mesquita Botelho, criado do marquês de Vila Real, com quem foi para Ceuta, segundo Alão, que diz aí ter casado com Guiomar Teixeira, filha de Martim Teixeira, aí escrivão dos órfãos, com geração. 4.3.1.1.1.9. (b) Inez da Mesquita, que Alão diz ter casado com Francisco de Barros, de Favaios (Vila Real), com geração, sendo nomeadamente pais de João Correa da Mesquita, que foi contador de Trás-os-Montes, com geração nos morgados de Abaças, vinculo que obrigava ao uso pelos seus administradores do nome «da Mesquita». 4.3.1.1.1.10.(b) Beatriz da Mesquita, que Alão diz ter casado com Francisco Leitão, de Vila Real, com geração. 4.3.1.1.1.11.(b) Catarina da Mesquita, que Alão diz ter casado com Bento de Barros, de Vila Real, com geração. 4.3.1.1.1.12.(b) Helena da Mesquita, que Alão diz ter casado com Nuno Coutinho, com geração. 4.3.1.1.2. Pedro Botelho, nascido cerca de 1443 em Vila Real, (S. Dinis), que tirou ordens menores em Braga [29] a 5.4.1455. Foi alcaide-mor de Vila Real e sucessor nos prazos de Escariz e Paredes. Casou com Catarina Álvares Taveira. 4.3.1.1.2.1. Afonso Pires Botelho, que tirou ordens menores em Braga [30] a 7.7.1478, foi alcaide-mor de Vila Real e sucessor nos prazos de Escariz e Paredes. Casou com Genebra Pereira de Sampayo, com geração 4.3.1.1.3. Aires Botelho, nascido em Vila Real (S. Dinis), tirou ordens menores em Braga [31] a 11.6.1457. 4.3.1.1.4. Diogo Afonso Botelho, nascido em Vila Real (S. Dinis), tirou ordens menores em Braga [32] a 4.10.1461. 4.3.1.1.5. Mécia Correa Botelho, nascida e falecida em Vila Real. Casou com o Doutor Pedro Ribeiro, secretário do arcebispo de Braga D. Diogo de Souza, etc., senhor da quinta do Paço, em Borbela, termo de Vila Real, padroeiro dos mosteiros de Borbela e Lama (Braga), etc. 4.3.1.1.5.1. Isabel Ribeiro Botelho, nascida e falecida em Vila Real, onde casou com Diogo Rodrigues de Barros, alcaide-mor e das sacas de Vimioso, que tirou ordens menores em Braga [33] a 12.3.1502, filho de Gonçalo Vaz do Rego, alcaide-mor e das sacas de Vimioso [34], e de sua mulher Isabel de Barros. Com geração numa linha Correa Botelho, de Vila Real, e nos Correa Botelho Pacheco Pereira, do Porto. 4.3.2. Paio Correa, comendador de Poiares. A 14.1.1462 D. Afonso V doou a Frei Paio Correa, comendador de Poiares, os bens móveis e de raiz que pertenciam a Afonso Vasques [Moszito], morador no Crato, que os perdera por ter feito contrabando de carneiros e gados para Castela. 4.3.2. João Correa, comendador de Poiares. Deve ainda ser o João Correa, comendador de Belver, cujo criado, Vasco Dias, é nomeado a 16.10.1446 para o cargo de tabelião do cível e crime de Cortiçada, Belver, [Vendo], Carvoveiro e [Bicheira]. 4.3.3. Gomes Correa, que julgo filho de João Correa. Pelo menos, um Gomes Correa, filho de João Correa, foi legitimado por carta real de D. João I (L4, 17v). Gomes Correa foi comendador de Poiares, Aboim e Roalde. A 2.8.1441 D. Afonso V nomeia por 5 anos Gomes Correa para o cargo de coudel em Poiares, Aboim, Roalde e outros lugares das suas comendas. É provavelmente o Gomes Correa casado com Leonor Rodrigues, com os seguintes filhos nascidos em S. Miguel de Poiares: 4.3.3.1. Martim Correa, que tirou ordens menores em Braga [35] a 21.9.1454. 4.3.3.2. Paio Correa, que tirou ordens menores em Braga [36] a 21.9.1454.Talvez seja o Paio Correa que as genealogias dizem filho do bailio Frei Paio Correa, referido adiante, e que fazem casado em Vila Real com Filipa de Barros, c.g. 4.3.4. Frei Fernando Correa, que julgo filho de João Correa. Foi comendador de Ulgoso e a 4.1.1473 teve carta de privilégio de fidalgo para a comarca de Trás-os-Montes, com cláusula de aposentadoria, para todos os seus criados, mordomos e apaniguados. 4.3.5. Isabel Correa, que Gaio diz ter casado com Fernão Rodrigues "Alardo", alcaide-mor de Leiria e Óbidos, a quem D. Afonso V fez mercê do morgadio da Romoeira a 12.5.1442. Não encontrei esta mercê, mas a 29.2.1450 D. Afonso V privilegia Álvaro Afonso, alfaiate, mordomo de Fernão Rodrigues, alcaide de Óbidos, a seu pedido, isentando-o do direito de pousada. 4.4. Beatriz Correa, nascida cerca de 1384, que casou com Gonçalo Fernandes Barbosa, do paço e honra de Aborim, em Quintiães (Barcelos), e do couto de Brandara, em Ponte de Lima. Na instituição do morgadio de Aborim, seu neto Álvaro Barbosa diz que Gonçalo Fernandes Barbosa era «homem honrado tam possante que tinha desouto a vinte de cavallo e com tanto serviu continuadamente elRei Don Joam na Batalha Real e outros lugares de cavalaria», e que dele ficaram cinco filhos e três bastardos, sendo seu filho primogénito Fernão Gonçalves Barbosa, de quem era filho maior o instituidor. Alão diz que em poder do Doutor Francisco Montarroio estava uma provisão de 1438 onde se documentava que Fernão Gonçalves Barbosa era filho de Gonçalo Fernandes Barbosa, senhor do couto de Brandara, neto de Chamoa Martins e bisneto de Alda Esteves, senhoras do dito couro e sua jurisdição. Trata-se portanto do mesmo documento a que se refere Gaio, dizendo que foi feito a 14.2.1438 na vila de Ponte do Lima, sendo juiz Aires de Magalhães e escrivão Fernão Lourenço, onde se apresentava uma carta de D. Duarte com selo redondo, assinada por Afonso Giraldes e Luiz Martins, ouvidores de do rei, onde constava que Fernão Gonçalves Barbosa era sobrinho de João da Mota e Álvaro da Mota, criados do rei D. Duarte, filhos Pedro Fernandes de Barbosa e sua mulher D. Chamoa Martins de Aborim, irmã de D. Alda Martins, chamadas as ricas-donas de Aborim. Daqui se concluem várias coisas, desde logo que Gonçalo Fernandes Barbosa já tinha falecido em 1438 e que pelo menos a honra de Aborim e o couto de lhe vinha por sua mãe, Chamoa Martins, que Gaio diz filha Rui Lourenço de Aborim, senhor da dita honra, e sua mulher Alda Martins, senhora do couto de Brandara, que já fora de seu avô Rui Fernandes da Mota. Aquele João da Mota, irmão de Gonçalo Fernandes Barbosa, deve ser o João da Mota que perdeu os seus bens por não ter apoiado o mestre de Avis, que a 26.6.1384 deu a Vasco Martins, seu escudeiro, todos os bens móveis e de raiz que João da Mota havia em Óbidos e seu termo e em qualquer outra parte destes reinos. Seu irmão Afonso da Mota, que poderia ter nascido cerca de 1390, talvez ainda possa ser o Frei Afonso da Mota, mestre de Teologia, que a 30.9.1450 foi reitor «do estudo na cidade de Coimbra». Aquele Rui Lourenço de Aborim diz Gaio que foi filho de Lourenço Fernandes de Aboim e neto do Fernão Silvestre de que fala o conde D. Pedro. A filiação daquele Pedro Fernandes de Barbosa, casado com D. Chamoa Martins de Aborim, não se sabe, sendo contudo de suspeitar que fosse filho do Fernão Martins de Barbosa que Alão dá por pai de Gonçalo Fernandes Barbosa. Alão, seguindo o conde D. Pedro, engana-se e dá este Fernão Martins como filho de Martim Barbosa, o Moço, quando de facto era seu irmão, ambos filhos de outro Martim Barbosa, o Velho. Fernão Martins de Barbosa, como se pode ver em Pizarro (LM), em 1311 testemunha uma outorga dada por seus pais a uma doação feita por seu avô materno e já se documenta casado com Mor Aires de Toroselho em 1324, mas casou antes, e em 1355 teve sentença para pagar 350 libras ao mosteiro de Arouca pelo escambo da quintã de Canelas. Na lista de Vilar de Porcos (1329) seu pai aparece referido com seus filhos Fernão, Sancho, Nuno, Martim e Sancha, sendo Fernão referido como tendo três filhos, não nomeados. Destes seus três filhos, Pizarro identifica dois: Alda Fernandes de Barbosa, que em 1331 era freira em Stª Clara de Coimbra, e Senhorinha Fernandes de Barbosa (já casada em 1348 com um Martim Esteves). O terceiro filho poderia ter-se chamado justamente Pedro Fernandes de Barbosa, nascido entre 1320 e 1330, sendo o pai de Gonçalo Fernandes Barbosa, nascido entre 1360 e 1370. 4.4.1. Fernão Gonçalves Barbosa, senhor do paço e honra de Aborim, em Quintiães (Barcelos), e do couto de Brandara, em Ponte de Lima. Gaio diz que esteve em Alfarrobeira pelo infante D. Pedro, mas não há notícia disso, salvo se é o Fernão Gonçalves, escudeiro, criado do infante D. Pedro, a que D. Afonso V perdoa a 2.5.1455 o ter estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do dito infante. Casou com Leonor Vaz Malheiro, filha de Vasco Afonso Malheiro, escudeiro da Casa do infante D. Pedro e senhor da torre de Refoios (do Lima). A 28.2.1444 Vasco Malheiro foi substituído por seu irmão Pedro Afonso Malheiro, morador em Ponte de Lima, no cargo de coudel desse lugar, por cinco anos. A 30.7.1446 D. Afonso V doa a Vasco Afonso Malheiro, escudeiro da Casa do infante D. Pedro, os bens de raiz que Gonçalo Afonso, cónego de Refoios do Lima, comprara sem licença régia por 2.000 reais de prata a Vasco Rodrigues, morador em Ponte de Lima. 4.4.1.1. Gonçalo Fernandes Barbosa, falecido solteiro sem geração. 4.4.1.2. Álvaro Barbosa, 1º morgado de Aborim (25.8.1478), que deve ser o Álvaro Barbosa, escudeiro de D.Álvaro, a quem D. Afonso V doou em Zamora, a 25.10.1475, o serviço novo e velho dos judeus de Ponte de Lima e Barcelos. Casou com Maria Gonçalves Maciel, com geração nesta Casa. O morgadio de Aborim foi instituído por Álvaro Barbosa e sua mulher D. Maria Gonçalves em Ponte de Lima, ainda não tinham filhos. Álvaro Barbosa é aí referido como escudeiro fidalgo e morador no julgado de Aguiar de Neiva, termo de Barcelos. O morgadio tinha cabeça na sua quintã de Aborim, na freguesia de Quintiães, termo de Barcelos, que ele tinha de sua avoenga. Refere a instituição que Álvaro Barbosa era neto de Gonçalo Fernandes Barbosa, «homem honrado tam possante que tinha desouto a vinte de cavallo e com tanto serviu continuadamente elRei Don Joam na Batalha Real e outros lugares de cavalaria», e que dele ficaram cinco filhos e três bastardos, sendo seu filho primogénito Fernão Gonçalves Barbosa, de quem era filhos maior o instituidor. Acrescenta que seu pai, o dito Fernão Gonçalves Barbosa, «ficou mais delgado de fazenda que não serviu salvo com sinco ou seis, e por seeu falecimento elle Alvaro Barbosa que era seu filho maior partiu com sinco outros irmãos que lhe não ficou por onde podesse servir com dous». E por isso instituía o morgadio, «hora que a Deus aprouve de lhe dar alguma fazenda e disposição para a ter e haver por conservar sua possante linhagem e Figalguia e ficar e andar unida para milhor poder servir a Coroa Real». 4.4.1.3. Pedro Barbosa, que nasceu cerca de 1450 e tirou ordens menores em Chaves a 29.6.1461, onde vem como filho de Fernão Gonçalves Barbosa e Leonor Vaz, moradores em Quintiães (Paço de Aborim). Casou com Leonor Lobo, dama da duquesa de Bragança, irmã de Fernão Lobo, escudeiro conde de Vila Real, que foi coudel de Vila Real a 6.7.1473 em substituição Lopo Martins da Mesquita, que morrera, como coudel de Vila Real, por apresentação do conde de Vila Real. Como refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Mesquita, este Fernão Lobo casou com Maria Lourenço, já viúva de Luiz Martins da Mesquita (ou Luiz Pimentel). Este Fernão e sua irmã Leonor Lobo segundo algumas genealogias eram filhos de Fernão Lourenço da Nóbrega e de sua mulher Maria Lobo, dama da duquesa de Bragança D. Isabel (nascida em 1459), o que parece tardio para ser mãe de Fernão Lobo, já coudel e casado em 1473, salvo se esta Maria Lobo fosse não dama mas ama da dita infanta. De Fernão Lourenço da Nóbrega não tenho notícia, salvo se se trata do Fernão Lopes da Nóbrega (erro de leitura da abreviatura de Lopes pela de Lourenço), cavaleiro da Casa Real, a quem a 8.4.1475 D. Afonso V doa uma tença anual de 6.000 reais de prata. De sua mulher Maria Lobo, dizem algumas genealogias que foi filha de Martim Lopes Lobo, irmão do senhor de Alvito Diogo Lopes Lobo. Mas este Martim nasceu cerca de 1364, o que parece demasiado tardio para ter uma filha nascida cerca de 1430. Muito mais provavelmente, esta Maria Lobo seria uma das filhas mais novas de Martim Gomes Lobo, nascido cerca de 1480, que justamente foi ouvidor de todas as terras do 1º duque de Bragança (1419), o que justifica a ligação de Maria Lobo a esta Casa. Com geração. 4.4.1.4. Fernão Barbosa, que me parece, com seu irmão Lopo Correa, filho de Fernão Gonçalves Barbosa. Foi fidalgo da Casa Real e a 13.4.1475 teve mercê real para arrendar as suas rendas, segundo a Ordenação. Teve com Lopo Correa confirmação real do couto, honra e jurisdição da quintã de (Cedelo), no julgado de Lanhoso. 4.4.1.5. Lopo Correa, que com Fernão Barbosa teve a 21.2.1450 confirmação real do couto, honra e jurisdição da quintã de (Cedelo), no julgado de Lanhoso, bem como carta de privilégio para os seus lavradores, moradores e caseiros, sob pena do pagamento de 6.000 soldos para quem não cumprir com o determinado, referindo-se uma carta de D. João I de 14.6.1424. 4.5. Isabel da Cunha (ou Correa), que casou com Rui Vasques, senhor da quintã do Crasto e da torre de Penaboa, em S. Martinho de Cavalões (Vermoim), como refere a Corografia Portuguesa, c.g. 4.6. Maria Correa, nascida cerca de 1387 e falecida antes de 1450, que foi a 1ª mulher de Francisco Anes de Torres, com quem casou cerca de 1408. Francisco Anes de Torres foi cavaleiro fidalgo da Casa Real e morgado de Ponte da Ceira, em Coimbra (1.2.1450), tendo casado 2ª vez com Violante Álvares de Sequeira, ama da rainha D. Isabel. A 1.2.1450 D. Afonso V doa perpetuamente a Francisco Anes de Torres, cavaleiro da Casa da rainha D. Isabel, a pedido da mesma, o morgado da Ceira, situado no termo da cidade de Coimbra, com todas suas entradas, saídas e pertenças, rendas e direitos, que pertencia a Diogo Gonçalves de Travaços. A 21.3.1452 o mesmo rei doa a Francisco Anes de Torres e a sua mulher Violante Álvares uma tença anual de 12.000 reais de prata. E a 29.3.1454 doa a Francisco Anes de Torres, cavaleiro da sua Casa, para sempre, a quinta de S. Pedro Fins, no termo de Montemor-o-Velho, do almoxarifado de Coimbra, com todas as suas rendas e direitos entradas, saídas, foros, pertenças e couto. Finalmente, a 1.9.1462 Dom Afonso V autoriza a igreja de S. Tiago de Coimbra a receber os bens de raiz que lhe deixara em testamento Violante Álvares de Sequeira, moradora em Coimbra, ama da rainha D. Isabel. 4.6.1. Beatriz Correa, que casou cerca de 1425 com Gonçalo Teixeira, cavaleiro fidalgo da Casa Real, monteiro da Casa Real (antes de 1446), almoxarife da portagem da cidade de Lisboa e coudel da vila de Alenquer. A 18.7.1446 D. Afonso V nomeia Gonçalo Teixeira, escudeiro da sua Casa, que fora monteiro régio, para o cargo de almoxarife da portagem régia da cidade de Lisboa, em substituição de Garcia Afonso, que morrera. A 26.8.1451 o mesmo rei nomeia novamente Álvaro Pires, morador em Lisboa, escudeiro de Gonçalo Teixeira, cavaleiro, almoxarife da portagem da dita cidade e a seu pedido, para o cargo de requeredor da portagem nessa cidade. E a 16.6.1455 nomeia por 5 anos Gonçalo Teixeira, almoxarife da portagem de Lisboa, para o cargo de coudel da vila de Alenquer e seu termo, em substituição de João de Avelar, que acabou o tempo de exercício do cargo. Era filho de Vasco Gonçalves Teixeira e sua mulher Catarina Anes de Berredo. 4.6.1.1. Martim Gonçalves Teixeira 4.6.1.2. João Teixeira, almoxarife da portagem de Lisboa antes de 4.5.1481, como se diz adiante 4.6.1.3. Aires Correa, fidalgo da Casa Real e almoxarife da portagem de Lisboa. A 4.5.1481 D. Afonso V nomeia Aires Correa, fidalgo da sua Casa, para o cargo de almoxarife da portagem da cidade de Lisboa, em substituição do seu irmão João Teixeira, a quem o rei retirou o cargo. Com geração nos Correa Baharem. Deste Aires diz Gaio que foi filho mais velho Frei Vasco Correa, provincial da Ordem de S. Francisco. Deve ser o Vasco Correa, moço fidalgo da Casa Real, que a 8.7.1501 teve com sua mãe mercê de ofício de 20.000 reais de prata anuais, para ajuda da criação dele e dos irmãos, sendo filho de Aires Correa, fidalgo da Casa Real, que tinha falecido na Índia, onde o rei o mandara como seu feitor. A 25.4.1504 a mulher de Aires Correa teve mercê real de umas terras nas lezírias de Vila Franca de Xira, como trazia seu falecido marido e pelo foro que ele pagava. O filho sucessor foi António Correa, referido como moço fidalgo e filho de Aires Correa quando a 12.3.1518 vendeu a Jorge de Albuquerque a dita tença de 20.000 reais, que tinha tido a 11.8.1505, certamente por seu irmão mais velho ter professado. 4.6.2. D. Maria Correa, que julgo filha de Maria Correa. Foi abadessa do mosteiro de Stª Clara de Lisboa e ainda vivia a 18.5.1451, quando D. Afonso V privilegia D. Mécia Telles, abadessa do mosteiro de Stª Clara da cidade de Lisboa, autorizando que à morte de D. Maria Correa, que fora abadessa nesse mosteiro, possa usufruir da sua marinha em Alcácer. 5. Gonçalo Correa, senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e de S. Pedro do Monte e dos casais de Vila Meã, com suas jurisdições (ou seja, senhor de Fralães), por morte de seu pai Fernando Afonso Correa, com cartas de confirmação de 4.12.1433 e de 20.7.1449. Sucedeu ainda como senhor de juro e herdade de Riba de Mouro e de Valadares, tendo trocado esta última por Cunha-a-Velha e seus Casais. A 9.12.1449, sendo referido como Gonçalo Correa, criado de D. João I, teve confirmação do escambo que fizera com este rei a 22.12.1411 (G.XII,7,4) das terras de Cunha-a-Velha e Casais, no almoxarifado de Guimarães, pela terra de Valadares, no almoxarifado de Ponte de Lima, o que já lhe fora confirmado por D. Duarte a 21.11.1433. Não sucedeu no préstimo de Gondomar, que talvez também tenha trocado, pois a 2.12.1433 D. Duarte doa-a a seu camareiro-mor Fernão de Sá. Gonçalo Correa nasceu cerca de 1380 e casou cerca de 1419 com Branca Rodrigues Botelho, segundo Afonso de Torres, Alão e a CP, que a não filiam. Mas é certamente a Branca Rodrigues que, com seus irmãos Álvaro Botelho, Aires Botelho e Pedro Botelho, foi legitimada por carta real de 3.1.1398, todos como filhos de Pedro Botelho, craveiro da Ordem de Cristo, e de Joana Rodrigues, mulher solteira. Um dia antes da referida legitimação, D. João I doou a Pedro Botelho, seu criado, «por muitos serujços que recebemos daquelles donde el descende e del», umas casas em Coimbra, na Almedina, «acima de sam bras», bem como as casas da Falcoaria, na Almedina, em que morava João Anes Gago, determinando que por sua morte possam ficar a seu irmão Álvaro e por morte deste a seu irmão Aires, e depois passem para «o primeiro filho ou neto de cada huu dos dictos jrmaãos sempre o mayor», se os tiverem. Dá assim ideia que estava fora de causa que Pedro Botelho pudesse ter filhos, talvez por ser clérigo. De um dos irmãos, Álvaro ou Aires, é certamente filho o Pedro Botelho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, vedor da Fazenda (até 8.5.1475, dada em que foi substituído no cargo por seu cunhado o 2º conde de Abrantes), que parece foi alcaide-mor de Pombal (cargo em que se documenta o filho) e vem referido como cavaleiro, regedor e ouvidor da Casa do Cível, quando a 23.8.1476 teve mercê real de uma tença anual de 20.000 reais de prata, e como comendador da Ordem de Cristo quando a 4.3.1475 D. Afonso V lhe dá licença para arrendar por três anos as suas comendas. Este Pedro Botelho casou com Briolanja de Almeida, filha bastarda do 1º conde de Abrantes, com geração nos senhores do paço da Torre de Figueiredo das Donas. E irmão deste Pedro Botelho é certamente o Lopo Botelho que com sua mulher Leonor Gil vivia em Santa Maria de Pombal, do bispado de Coimbra, quando o filho de ambos, Lopo Lopes, tirou em Braga a 24.4.1451 ordens menores, com licença de seu maior (pelo que era professo ou noviço). 5.1. Gonçalo Correa, sucessor como senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e de S. Pedro do Monte e dos casais de Vila Meã, com suas jurisdições (ou seja, senhor de Fralães), bem assim como senhor de juro e herdade de Riba de Mouro e Cunha-a-Velha e seus Casais. Foi também meirinho-mor da comarca de Entre-Douro-e-Minho. A 21.10.1475 D. Afonso V nomeia vitaliciamente Gonçalo Correa, fidalgo da Casa do duque de Bragança, para o cargo de meirinho-mor da comarca de Entre-Douro-e-Minho. E a 28.3.1480 nomeia Diogo de Vera, escudeiro da sua Casa, para o cargo de meirinho na comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho, com o mantimento ordenado, em substituição de Gonçalo Correa, que morrera. Gonçalo Correa nasceu assim cerca de 1420 e faleceu em 1480, com cerca de 60 anos de idade. A 18.8.1473 teve autorização do rei para vender ou escambar a terra de Cunha-a-Velha e seus Casais, e de facto vendeu-a, com autorização de seu filho Paio Correa, a Fernando Anes das Póvoas, mercador do Porto, com seus casais, terras, rendas, foros, direitos e pensões por 100.000 reais de seis ceitis cada um, tendo recebido 250 cruzados de ouro. A escritura foi feita a 12.8.1473 em Lisboa, nas casas de João Correa, cavaleiro, vereador da cidade, e Isabel Dias de Castello-Branco, sua mulher, e confirmada pelo rei a 12.9.1473, como tudo se vê na documentação junta à carta real de 3.5.1500 que confirma a Rui Mendes, cavaleiro da Casa Real, o senhorio de Cunha-a-Velha, por compra ao dito Fernando Anes das Póvoas. Gonçalo Correa casou, segundo Afonso de Torres e Alão, com Margarida do Prado, filha de Bartolomeu Afonso do Prado e sua mulher Maria Esteves, moradores no Porto, como diz Alão, ou de João Afonso do Prado e sua mulher Beatriz Pimenta, como também diz a CP. 5.1.1. Paio Correa, que nasceu cerca de 1455 e foi o filho mais velho, pois dele o pai precisou de autorização para vender em 1473 o senhorio de Cunha-a-Velha. Mas terá fal. solt. ou, pelo menos, sem geração, pois sucedeu o irmão. 5.1.2. Maria da Cunha, que casou com Febus Moniz, que a 21.5.1482 teve mercê de 10.000 reais de tença, a 4.12.1482 mercê de bens em Viana (de Caminha), e era vereador do Senado da Câmara de Lisboa quando a 15.8.1502, juntamente com Lopo Soares e D. Pedro de Castelo Branco, foi procurador desta cidade às cortes que juraram o príncipe D. João como herdeiro do trono. C.g. 5.1.3. Leonor Correa, que casou com Martim de Távora, mestre-sala da rainha D. Isabel, s.g. 5.1.4. Isabel da Cunha, que casou com Álvaro Telles Barreto, capitão de Chaul que serviu em Arzila em 1503, talvez o Álvaro Telles que a 15.6.1513 teve provisão de D. Manuel I para o receber em Lisboa 20.000 reais que se lhe devia de pimenta, e o Álvaro Telles, fidalgo da sua casa, a quem a 10.7.1514 D. Manuel I manda o recebedor do seu tesouro dar 25.000 reais que eram devidos da compra da sua pimenta. 5.1.5. Diogo Correa, sucessor, que foi ainda alcaide-mor de Porto de Mós pelo duque de Bragança e nasceu cerca de 1465. Talvez seja o Diogo Correa que entre 1510 e 1521 foi capitão de Cananor, se bem que é de 2.12.1513 uma carta de Afonso de Albuquerque dando parte ao rei que nomeou Diogo Correia como capitão de Cananor, enquanto o rei não nomeava outro. Podendo ainda ser o Diogo Correa que era anadel-mor dos espingardeiros quando a 28.4.1527 passou recibo em que diz ter recebido do feitor um cruzado, e o que a 11.8.1527 teve provisão do governador Lopo Vaz de Sampaio para receber 100 pardaos em tangas. E ainda o Diogo Correia que a 24.3.1508 teve alvará para receber 1.000 cruzados de ouro. E ainda o Diogo Correa, escudeiro da Casa Real, que a 11.1.1496 foi nomeado coudel de Tomar. Casou em 1509 com D. Isabel Pereira (ou Pinheiro), nascida cerca de 1594, filha de Álvaro Pinheiro (Lobo), o Velho, alcaide-mor de Barcelos pelo duque de Bragança, que a 5.8.1484 teve de D. João II uma tença de 15.000 reais, e de sua mulher D. Joana (Pereira ou de Lacerda), com geração nos Correa Pereira de Lacerda, senhores de Fralães. Com efeito, a 10.5.1509 fizeram-se partilhas dos bens de Nuno Pereira e ao acto compareceu o neto Henrique Pinheiro, pois sua mãe D. Joana já tinha falecido, com procurações de suas irmãs D. Filipa Pereira, D. Isabel Pereira, D. Maria Pereira, «dona» de Santos, e D. Helena, menores que estavam sob o poder de seu pai Álvaro Pinheiro, conforme refiro em Reflexões sobre a origem dos Pinheiro, de Barcelos. E a 13.11.1509 o rei faz mercê a Nicolau Fernandes, escudeiro, morador em Tavira, de um aforamento que João Lopes da Costa, cavaleiro, e sua cunhada Isabel Pinheiro, e o marido desta Diogo Correa, perderam por fazerem a compra sem autorização.
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