Ensaio sobre a origem dos Correa,

 senhores de Fralães

Séculos XIV e XV

Escudo de armas dos Correa (infografia de Manuel Abranches de Soveral)

Os Correa [1] dos séculos XIV e XV, a começar nos de Fralães, estão nos nobiliários tardios de tal forma desfasados da realidade que se documenta e respectiva cronologia, que estas fontes secundárias de pouco ou nada servem para a reconstituição da sua Genealogia. O que parece ter sido feito pelas genealogias tardias foi o entroncamento aleatório no conde D. Pedro, não só de forma infundamentada mas até à revelia da documentação conhecida.

Em contrapartida, temos a Genealogia dos Correa relativamente bens reconstituída das origens até ao séc. XIV. Ao inestimável contributo do conde D. Pedro juntou-se agora a obra de José Augusto de Sotto Mayor Pizarro [2], que nos dá, com a segurança possível, o desenvolvimento das família desde D. Paio Ramires até meados do séc. XIV.

Sobre a origem de D. Paio Ramires não se sabe nada de seguro, nem mesmo se já teve a honra de Matriz sigilar em bronze de Vasco (Gomes) Correa Fralães. Esta honra, contudo, parece ser muito antiga. Como já o conde D. Pedro refere, existia nos seus paços uma pedra onde se pode ler «Elio Saia era 1004». Mas o certo é que Pizarro não faz qualquer referência a Fralães, referindo apenas que vários dos Correa tinham bens no julgado de Faria, assim como nos julgados Vermoim, Panóias e Aguiar de Pena. Esta última implantação transmontana, como Pizarro salienta, deve-se à dupla ligação dos Correa aos Guedão/Aguiar, ligação tão importante que, duas gerações depois da última motiva ainda que Vasco Gomes Correa use as suas armas rodeadas pelas águias dos Guedão/Aguiar [3], conforme a imagem junto.

Mas não há dúvida de que os Correa possuíam desde os seus primórdios a honra de Fralães, no julgado de Faria, pois nas inquirições de D. Afonso III documenta-se que D. Paio Soares Correa tinha de seus antepassados a dita honra e o padroado das igrejas de S. Pedro do Monte [4] e S. Maria de Viatodos [5], e que nestas freguesias (de Barcelos, então julgado de Faria) o rei só tinha parte do reguengo do Monte de Saia [6], em Viatodos, e o reguengo na veiga do Olho Marinho. Nas inquirições de D. Dinis já aparece a freguesia de Stª Maria de «Farlães», no julgado de Faria, dizendo-se que «o paço que foy de D. Payo Corrigia, o Velho, he provoado que o virõ honrado des que se acordam as testemunhas e de ouvida de longo tempo». Sobre a freguesia de Viatodos dizem essas inquirições que «a Villa de Ulvar he provado que he tudo honrra e de ouvida que foy de D.Mem Corrigi e honra de seu linhage».

Mas se com D. Afonso III só de fala na freguesia de S. Pedro do Monte e com D. Dinis já se fala na freguesia de Stª Mª de Fralães, em meados do século XIV volta a referir-se apenas a freguesia de S. Pedro do Monte, quando estes Correa juntaram à posse dessas honras o senhorio de juro e herdade das freguesias de Viatodos (Beatodos) e de S. Pedro do Monte, bem como os casais de Vila Meã, com suas jurisdições. A honra de Fralães, claramente o núcleo fundiário original da família e o mais simbólico, ficava então na freguesia de S. Pedro do Monte, que a breve trecho se passa a chamar Monte de Fralães. E o nome de Fralães acabou por se estender a todo aquele senhorio, vindo mais tarde a ser criado o concelho de Fralães, extinto em 1836, que justamente incluía as freguesias de Viatodos, parte de Silveiros (Vila Meã) e S. Pedro do Monte.

As genealogias posteriores, como já referimos, tentaram entroncar os Correa do século XIV no ponto em que o conde D. Pedro os deixara, mas fizeram-no da forma mais desastrosa. Assim, Alão, e com ele Gaio, confunde Afonso Vasques Correa com Afonso Pais Correa, fazendo este último pai de Fernando Afonso Correa. Ora, com refere o conde D. Pedro, Afonso Paes Correa morreu na lide de Fornos de Algodres. Este Afonso Paes, já cavaleiro em 1287, diz Pizarro que não deve ter tido descendência, tendo em conta que não são referidos filhos dele nem quando Margarida Pires Ribeiro deixa por sua alma um cálice de prata a S. Silvestre da Silva, no seu testamento de Fevereiro de 1317, nem quando Martim Pires de Alvim, marido daquela Margarida e testamenteiro de Afonso Correa, no seu testamento de 1327 deixa legados pios por alma deste Afonso. Mais significativo, ainda, é que João Pires de Alvim, filho daqueles Martim e Margarida, em 1355 manda vender os bens que Afonso Paes Correa tinha na Covilhã, como ele mandara no seu testamento e ainda não tinha sido feito. Nada disto, com efeito, se coaduna minimamente com a ideia de que este Afonso Paes tivesse tido filhos, ou pelo menos filhos que lhe sobreviveram e/ou deixaram descendência. Por outro lado, o Fernando Afonso Correa documentado em Grijó (1365), com sua mulher e uma filha, não pode ser o homónimo que em 1385 sucede nos senhorios a seu pai Afonso Correa. Alão não só confunde estes dois Fernandos, como anacronicamente dá este último como filho de Afonso Paes Correa.

Na verdade, existiram na passagem do séc. XIII para o XIV dois Afonsos Correa: o referido Afonso Paes Correa, morto na lide de Fornos de Algodres, e seu primo, de uma geração abaixo, Afonso Vasques Correa, filho do já referido Vasco Gomes Correa, o da matriz sigilar. Pizarro dá a este último, Afonso Vasques Correa, vários filhos. Mas há um grande desfasamento cronológico em relação a pelo menos um deles. Com efeito, Frei Pedro Afonso Correa, que já era comendador de Alvalade na Ordem de Santiago em 1319, devia ser de facto filho de Afonso Paes Correa e não de Afonso Vasques Correa, e ter falecido pelo menos antes de 1355, de qualquer forma sem geração. Portanto, Afonso Vasques Correa, vassalo do rei em 1328 e meirinho-mor de Além Douro em 1331, não terá nascido antes de 1280, sendo portanto bem mais novo do que Afonso Paes Correa, se bem que seu contemporâneo, como aliás resulta do facto de este ser neto de Pedro Paes Correa, e aquele ser seu bisneto.

Acresce que entre os filhos de Vasco Afonso Correa apenas dois se contam como naturais de Mancelos, em 1339, ao contrário dos outros filhos. Este facto só se pode explicar se Afonso Vasques Correa tivesse casado duas vezes, sendo que o direito ao padroado de Mancelos veio aos filhos pela mãe. Ora, sabemos que Afonso Vasques Correa casou com Tereza Martins, da linhagem dos Portocarreiro, justamente padroeiros de Mancelos. Pelo que esta seria a mãe dos dois filhos que se documentam na lista de Mancelos, enquanto os outros filhos de Afonso Vasques Correa seriam de uma mulher anterior, cujo nome se desconhece.

Assim, ou porque se extinguiu, como parece, a descendência varonil dos irmãos João Pires, Martim Pires e Paio Pires Correa [7], ou por qualquer outra razão, os bens mais emblemáticos da família, ou seja, as honras de Fralães (S. Pedro do Monte) e Viatodos, acabaram na posse de Afonso Vasques Correa, o neto sucessor de Gomes Pires Correa, irmão daqueles. E deste Afonso Vasques Correa foi filho sucessor o Vasco (Afonso) Correa que Fernão Lopes diz pai de outro Afonso Vasques Correa, sendo este, falecido em 1385, o mais antigo senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e S. Pedro do Monte que se documenta e o tronco dos senhores de Fralães do séc. XV.

Finalmente, umas palavras sobre as suas armas, um escudo de ouro, fretado de vermelho, de oito peças, conforme a infografia que publico. Esta é a verdadeira heráldica dos Correa, como se vê nomeadamente na referida matriz sigilar. Fretado é um termo heráldico que significa a disposição de coticas entrelaçadas em diagonal, em banda e contrabanda, em número igual para cada lado. O fretado pode ter quatro, seis ou oito coticas. Se forem dez ou mais, diz-se já gradeado e não fretado. O Livro da Nobreza e Perfeição das Armas atribui-lhes 12 peças, o que significa que já não era um fretado mas sim um gradeado. O Livro do Armeiro Mor atribui-lhes 13 peças, o que é um flagrante erro heráldico, pois quer no fretado quer no gradeado as coticas têm de ser em número par, pois são sempre metade em banda e a outra metade em contrabanda. O que constituiu mais um exemplo da deplorável reforma manuelina da Heráldica portuguesa. E a confusão continua com os não menos ignorantes reis de armas portugueses, que foram passando cartas de armas de Correa onde em geral não especificavam o número de coticas do fretado. E, quando o faziam, diziam-no de seis peças (e até sete!), especificando que eram três em banda e três em contrabanda, como se pudesse ser de outra forma... Na verdade, como vimos, o fretado dos Correa era de oito peças. Mas, em dada altura (século XVI ou depois), os senhores de Fralães adoptaram definitivamente a águia estendida dos Aguiar, que já está em redor do seu escudo na referida matriz sigilar, colocando as armas dos Correa carregadas no peito da águia. E deve ter sido nesta nova disposição que, devido ao tamanho reduzido do escudo (algumas cartas de armas dizem «um escudinho»...), por razões práticas o fretado passou de oito para seis peças. Mas, a aceitar esta alteração, ela não tem obviamente efeitos retroactivos e só se pode usar nestas armas alteradas.

 

 Esquema genealógico

1.           Afonso Vasques Correa [8], cavaleiro quando em 1318 foi testamenteiro de seu primo Gonçalo Anes Correa (legitimado a 5.3.1298, filho de Gonçalo Anes Correa e neto de João Pires Correa). Vassalo do rei em 1328, quando foi um dos fidalgos fiadores do acordo com D. Alfonso XI. Era meirinho-mor de Além Douro em 1331. Nasceu cerca de 1280 e faleceu depois de 1332. Seria o principal herdeiro das honras de Fralães e Viatodos,  sendo filho de Vasco Gomes Correa, o da matriz sigilar, como ficou dito na introdução. Como igualmente ficou dito, necessariamente Afonso Vasques casou a 1ª vez com mulher (a) que se desconhece. E casou 2ª vez com Tereza Martins Raimundinho” (b), neta paterna de João Raimundes de Portocarreiro, alcaide-mor de Lisboa em 1278.

1.1.   (a) Gonçalo Afonso Correa, sem geração.

1.2.   (a) Filha, casada com Martim Feriz.

1.3.   (a) Filha, casada com Pedro Afonso, sobrinho do bispo de Coimbra D. Raymond, francês.

1.4.   (a) Vasco (Afonso) Correa, que segue no nº 2

1.5.   (a) João Correa, como propõe Pizarro, que foi corregedor de Entre-Tejo-e-Guadiana em 1358.

1.6.   (a) D. Afonso Correa, possível filho de Afonso Vasques Correa. Morreu bispo de Segóvia a 15.5.1397. Nasceu cerca de 1318, doutorou-se em Cânones pela Universidade de Paris, foi cónego de Sé de Lisboa e chanceler da infanta D. Beatriz. Passou depois a Roma, onde Urbano V o nomeou auditor da Rota e Câmara Apostólica e depois bispo da Guarda, onde já estava a 24.2.1368. Foi também embaixador de D. Fernando a Castela. Em 1384 opôs-se ao mestre de Avis e depois de Aljubarrota foi para Castela, onde morreu bispo de Segóvia.

1.7.   (a) Fernando Afonso Correa, que vem referido como infanção na lista de Grijó (1365), com sua mulher Leonor Anes da Cunha, de quem vinha o padroado, com uma filha, não nomeada, pelo que provavelmente era criança pequena. Leonor Anes documenta-se aí como filha de João da Cunha, então já falecido.

1.7.1.   Violante da Cunha, nascida cerca de 1364, que casou cerca de 1388 com Martim Ferreira, morgado do Casal de Cavaleiros, de Cête e de Fajozes, e senhor de juro e herdade de Parada (20.8.1384). Com geração.

1.8.   (a) Diogo Afonso Correa, que proponho como filho do 1º casamento de Afonso Vasques Correa. Era escudeiro quando na mesma data (20.3.1384) da mercê de Afonso Vasques Correa, seu proposto sobrinho, teve do mestre de Avis os direitos reais de Monforte, de juro e herdade, e os bens móveis e de raiz que em Monforte tinham Martim e Álvaro Lourenço, que andavam «em deserujco». A 5.5.1384 o mestre de Avis doa a Diogo Afonso Correa, seu vassalo, todos os bens móveis e de raiz que em Santarém tinha Francisco Anes, que andava «em deserujco». Era comendador na Beira em 1389.

1.9.   (b) Martim Afonso Correa, infanção natural de Mancelos em 1339. Deve ser o Martim Correa cujas terras que «auja e tijnha del rrey dom Fernando» o mestre de Avis doa a 13.2.1385 a Mem Rodrigues de Vasconcellos. E este é certamente o Martim Correa que em 1383 era alcaide-mor do castelo da Feira, dando voz por D. Beatriz. E o Martinho Correa a quem D. Pedro I legitima o filho Gonçalo Martins (2, 127).

1.10. (b) Aires Afonso Correa, referido com seu irmão na lista de Mancelos. Foi alcaide-mor de Monforte (23.6.1357).   

2.           Vasco (Afonso) Correa, referido por Fernão Lopes como pai de Afonso Vasques Correa e fidalgo de D. Afonso IV e D. Pedro I, pelo que terá nascido cerca de 1307. Pela cronologia e onomástica, sua e de seu filho, parece filho de Afonso Vasques Correa e até o seu filho sucessor, na medida em que é na sua descendência que segue a honra de Fralães. Alão diz que casou com Leonor Mendes de Oliveira, filha de Mem Pires de Oliveira. O Livro de Linhagens do Séc. XVI diz que este Mem Pires não teve filhos do seu casamento mas deixou filhos bastardos, entre eles justamente uma Leonor Mendes, mas que diz ter casado com Pedro Martins Rogueis, pelo que fica a dúvida. Embora esta Leonor pudesse ter casado duas vezes.

2.1.    Afonso Vasques Correa, que segue no nº 3.

3.           Afonso Vasques Correa, que vem referido como escudeiro quando a 20.3.1384, pelos serviços que fez e os que «entendemos de receber», teve do mestre de Avis os direitos reais de Abrantes, de juro e herdade. A 9.10.1380 recebeu de D. Fernando, em préstimo, a terra de Gondomar, no almoxarifado do Porto, com todas as suas rendas e direitos. Foi ainda senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos (Beatodos) e de S. Pedro do Monte e os casais de Vila Meã, com suas jurisdições, como se documenta na confirmação a seu filho, em 1385, e de seu neto, em 1433, vindo aí referido apenas como Afonso Correa. Como se diz na confirmação a seu neto em 1433, repetindo a do filho, nas ditas freguesias de S. Pedro do Monte e Viatodos, bem como nos casais de Vila Meã, «quando se auiam de poer Jujzes no dicto logo que os punha sempre o dicto seu padre em cada huu anno E que as apellaçoões hiam dos dictos lugares pêra o dicto seu padre E do dicto seu padre hiam as apellaçoões pêra a corte dos Reis que entom eram E que os moradores das dictas terras nom pagauam em fintas nem em talhas com nemhuu concelho». Afonso Vasques nasceu cerca de 1329 e faleceu antes de 7.10.1385, pois nesta data lhe sucedeu o filho, tendo sido muito provavelmente morto na batalha de Aljubarrota (14.8.1385). Alão confunde este Afonso Vasques Correa com Afonso Paes Correa, o que é um anacronismo, se bem que depois fale deste Afonso Vasques Correa como pai (natural) de Martim Correa. O Afonso Correa que dá como pai de Fernando Afonso Correa diz que casou com Beatriz Martins da Cunha [9], que neste caso teria nascido cerca de 1340/5, pelo que não podia ser filha de Martim Vasques da Cunha, senhor de Tábua, como diz JT [10], não só porque este nasceu cerca 1300 e faleceu pouco antes de 1334, mas também porque seu filho Vasco e suas duas filhas, Inez e Leonor, se documentam no respectivo inventário de menores. Mas ao Afonso Vasques Correa que teve natural a Martim Correa dá Alão duas mulheres, ambas sem geração, a primeira das quais foi Beringela Pereira, filha de Rui Pereira, senhor da Terra de Stª Maria, e de sua mulher Violante Lopes de Albergaria, e a 2ª foi Violante Vasques de Souza, filha de Vasco Martins de Souza. A existência desta Violante é duvidosa, pois não aparece na lista de Grijó (1365) com seu alegado pai e irmãos. Se bem que pudesse ser uma filha do 2º casamento de Vasco Martins de Souza com D. Estevaínha Garcia, tendo neste caso nascido depois de 1365 e, portanto, casado pouco antes de seu alegado marido morrer. A 1ª mulher diz Alão que a casou D. João I, a contragosto dela. Mas Rui Pereira e Violante Lopes de Albergaria casaram em 1373, pelo que essa Beringela Pereira, se podia ter casado com Afonso Vasques Correa, não podia ter sido mãe de seu filho herdeiro Fernando Afonso Correa. Assim, a mãe deste ou foi a referida Beatriz Martins da Cunha ou outra que se desconhece. Afonso de Torres diz apenas que Afonso (Vasques) Correa casou com Beatriz Martins. sem a filiar.  

3.1.   Fernando Afonso Correa, que segue no nº 4.

3.2.   Afonso Vasques Correa, que sucedeu ao pai no préstimo da terra de Gondomar, que a 7.12.1388 D. João I lhe passa a senhorio de juro e herdade, mero e misto império, com todas as rendas, direitos e pertenças. Deve ter sido senhor da Camusca, pois a 22.4.1386 o mesmo rei faz «graça e mercee a afomso uaasquez correa nosso uasallo por mujto serujço que delle recebemos e entendemos de receber» de privilegiar todos os moradores do lugar da Chamusca, escudando-os de servir ao concelho de Santarém ou a outros. E a 27.6.1386 doa-lhe os bens móveis e de raiz que foram de Samuel Toledano, judeu, bem como «hua quintaa que chamam dulme». A 18.1.1391 o seu escudeiro João Afonso teve mercê dos direitos reais de Ponte de Sor. Talvez seja pai do Vasco Correa que nasceu em 1374 em Ponte de Lima, pois a 12.10.1444 D. Afonso V privilegiou Vasco Correa, natural de Ponte de Lima, mudando-lhe o degredo de dois anos na cidade de Ceuta por três em Marvão, devido à sua idade de 70 anos.

3.3.   Aires Afonso Correa, que proponho como filho de Afonso Vasques Correa, embora também possa ser seu irmão. Teve a herdade do Azinhal, nos termos de Elvas e Monforte, que lhe foi coutada por D. Pedro I, como se diz na confirmação deste couto a seu filho Gomes Correa, a 7.3.1433, por D. João I. Deste Gomes foi filho sucessor outro Aires Afonso Correia, que casou com Maria Ribeiro, sendo pais de João de Freitas Correa, morador em Monforte, casado com Inez Rodrigues, quando a 6.2.1444 D. Afonso V lhe confirmou o dito couto, em que sucedeu por morte destes seus pais.   

3.4.   (N) Martim Correa, segundo Alão, que o diz bastardo, tendo ficado órfão ainda menino e ter sido criado com o infante D. Pedro, de cuja casa viria a ser cavaleiro. O infante D. Pedro nasceu em 1392 e este Martim Correa teria de ter nascido antes de 1385, ano da morte de seu alegado pai. Diz ainda Alão que esteve com o infante em Alfarrobeira e depois fugiu para Castela, donde voltou, sendo perdoado por D. Afonso V, que então lhe deu o prazo da Torre da Murta e o casou com Leonor da Silva, o que é um evidente anacronismo. Com efeito, o Martim Correa em epígrafe deve ser o homónimo, cavaleiro do infante D. Pedro, que tinha a comenda de Aljustrel, a qual por sua morte ficou vaga, tendo-a D. Afonso V passado a 31.1.1444 a Martim Vasques Mascarenhas, com consentimento de D. Fernão Martins Mascarenhas, comendador-mor da Ordem de Santiago. Morreu portanto antes de Alfarrobeira. E deve também ser este o Martim Correa que deixou viúva Inez Dias, a quem D. Afonso V doou a 17.10.1453 a renda dos moinhos situados no termo de Penela, na Ribeira de Cabra, e que ainda vivia a 15.7.1463, quando o mesmo rei concedeu carta de privilégio a Inez Dias, mulher viúva de Martim Correa, para todos os seus caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores da comarca e correição da Estremadura, isentando-os do direito de pousada. Este Martim Correa deve ainda ser o que pediu e obteve para seu primo (certamente pelo lado da mãe) Diogo Álvares, escudeiro, morador na vila de Aljustrel, o cargo de coudel da dita vila e seu termo, para que foi nomeado a 16.2.1439.

3.4.1.   Martim Correa, nascido cerca de 1400, claramente distinto e posterior ao que leva por pai. Alão deve ter confundido os dois num só, pelo que algumas coisas que diz do pai poderão aplicar-se a este. É o Martim Correa, cavaleiro do infante D. Henrique, que a 20.5.1452 teve do rei uma tença anual de 8.000 reais de prata, a juntar à tença de 4.000 reais que já usufruía. E foi alcaide-mor de Silves, como veremos adiante. Este Martim é que teve a Torre da Murta (25.3.1461) e casou com Leonor da Silva, natural da Madeira, donzela da rainha e filha de um Fernão Martins do Carvalhal, segundo o LLXI e Damião de Góis. Segundo Alão, o rei deu-lhe em casamento Leonor da Silva, que então estava enamorada de Nuno Furtado de Mendonça, o qual avisou Martim Correa que se aceitasse esse casamento «lhe havia de por os cornos». Acrescenta aquele autor que Martim Correa aceitou o casamento por causa da ameaça e levou a mulher para a Torre da Murta, onde a acoitou, avisou da ameaça do namorado e viveram «com grandes desgostos», vindo Martim Correa a morrer no escalamento de Tânger, após o que Leonor da Silva casou com o dito Nuno Furtado de Mendonça. E isto é certo, pois a 18.7.1476 D. Afonso V doou a Leonor da Silva, viúva de Nuno Furtado, que fora aposentador-mor, as tenças anuais que estão assentes no almoxarifado de Santarém [11]. E a 21.3.1513 Leonor da Silva, mãe de Henrique Correa, fidalgo da Casa Real, fez procuração a Diogo Afonso, seu escudeiro, para poder arrecadar do almoxarife de Aveiro 14.933 reais que tem por desembargo. Pela cronologia envolvente, Leonor da Silva, que nasceu cerca de 1430 e, como vimos, ainda vivia em 1513, casou com Nuno Furtado cerca de 1462, e seguramente antes de 1464, pelo que Martim Correa terá morrido em meados ou finais de 1461. Também não existe carta de perdão pela sua alegada participação em Alfarrobeira, pelo que deve ter sido confusão com seu proposto irmão. Pelo contrário, terá recebido bens de partidários de D. Pedro que estiveram nesta batalha, segundo a Monumenta Henricina. Alão só lhe nomeia um filho, o antedito Henrique Correa da Silva, que terá nascido cerca de 1445 e foi do Conselho de D. Manuel I, com geração nos Correa da Silva, alcaides-mores de Tavira. A 29.8.1464 Henrique Correa, cavaleiro do infante D. Henrique e fidalgo da Casa Real, teve o castelo e direitos de Silves, bem como as rendas da mouraria, com os 2.000 reais que pagam os mouros da cidade, e ainda as rendas do mordomado e do relego, tudo como tinha seu pai, como se diz numa carta de confirmação de 5.3.1486. É ainda o Henrique Correa, fidalgo da Casa Real, que a 10.10.1496 teve uma tença de 30.000 reais de D. Manuel I, e dois meses depois 300.000 reais em satisfação das rendas da mouraria de Silves, e ainda várias outras mercês.

3.4.2.   Pedro Correa, que proponho como filho Martim Correa. Nasceu cerca de 1401 e a 30.3.1451 teve carta de perdão por ter estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do infante D. Pedro. Devendo ser o Pedro Correa, escudeiro que foi do infante D. João, que a 24.4.1450 teve carta real de privilégio para andar em besta muar de freio e sela por todo o reino. E o Pedro Correa, escudeiro, morador em Alenquer, que a 14.3.1469 foi nomeado procurador do número desta vila e seu termo, em substituição de Diogo de Reina, que renunciara por instrumento público de 4.2.1469. E ainda o Pedro Correa que em 1474 tinha o cargo de alcaide-mor de Leiria pelo conde de Vila Real.

3.4.2.1.    (Guiomar) Correa, n. cerca de 1425, que proponho filha de Pedro Correa e a mulher de João Manoel de Aboim, n. cerca de 1405, morgado de S. Lourenço de Óbidos, vínculo ao qual anexou a sua terça por escritura feita a 19.8.1429 por seu procurador João Anes, como refere Manso de Lima. Era filho de Lopo Vasques de Valbom, também dito de Aboim, alcaide-mor de Óbidos (10.4.1377), morgado de S. Lourenço de Óbidos (28.12.1371), etc., e de sua mulher D. Elvira Manoel. Era filho de Vasco Gonçalves de Valbom e sua mulher D. Margarida Rodrigues de Aboim, que em 1337 já tinha sucedido a sua mãe no dito morgadio. O morgadio de S. Lourenço, com capela desta invocação na igreja de Stª Maria de Óbidos, tinha sido instituído em 1319 por Rui Nunes da Nóbrega, alcaide-mor de Óbidos (19.10.1285), juiz da corte (1309-15), ouvidor dos feitos do crime (1324) e privado do rei D. Dinis, avô materno desta D. Margarida Rodrigues, e obrigava que cada administrador lhe anexasse a sua terça. C.g. nos Correa Manoel de Aboim, morgados de S. Lourenço de Óbidos, que vieram a ser viscondes de Idanha.

3.4.2.2.     Frei Pedro Correa, que proponho filho de Pedro Correa. Foi comendador de Óbidos e Alenquer e a 3.10.1461 D. Afonso V aforou-lhe uma herdade de pão na vila de Alenquer, pelo foro anual de 25 alqueires. 

4.           Fernando Afonso Correa, do Conselho de D. João I, senhor de juro e herdade as freguesias de Viatodos e de S. Pedro do Monte e os casais de Vila Meã, com suas jurisdições, em sucessão a seu pai Afonso Correa (7.10.1385), isto é, como vimos, senhor de Fralães. Foi ainda senhor de juro e herdade de Valadares e de Riba de Mouro (21.8.1387) e a 23.1.1387 teve a doação da honra de Lanhas, que era de Diogo Afonso, que andava em deserviço, o qual a herdara de sua tia Leonor Afonso, aia que foi do infante D. Dinis. Diz o rei na carta de doação de Valadades: «Dom Joham etc A quantos esta carta virem fazemos saber que nos veendo e considerando os mujtos serujços que nos e estes regnos recebemos e entendemos receber ao diante de fernand afomso correa nosso uasallo portador desta carta E querendo lho nos galardoar com mercees o que boom rey e senhor eue fazer a boom serujdor damos lhe de Jur d erdade deste dia pera todo sempre toda a terra de ualadares e de Riba de mouro per a guisa que a tragia steu eannes marinho d el rrey dom fernando nosso Irmaão que deus perdoe com todollos djreitos fructos novos e foros que o dicto rey e os que ante elle foram aujam e nos de djreito deuemos d'auer das dictas terras com suas Jurdiçoões Reseruando pera nos as apellaçoões e agravos E que o nosso Corregedor ou corregedores possam fazer correiçam». Fernando Afonso nasceu cerca de 1351 e fez testamento [12] a 9.5.1405, onde instituiu a capela de S. Francisco de Guimarães, para a qual foi depois trasladado. Segundo Afonso de Torres, casou com Joana Anes, filha de João da Cunha. Segundo Alão, casou com Leonor Rodrigues, que a CP [13] diz ter sido filha de Nuno da Cunha. Este matrimónio ter-se-á realizado cerca de 1378.

4.1.    Paio Correa, que na confirmação de 1433 a Gonçalo Correa, este diz que houvera a dita terra «depois da morte do dicto seu padre e payo correa seu Jrmaão». Faleceu portanto em 1433, sem geração, ao que se supõe.

4.2.    Gonçalo Correa, que segue no nº 5.

4.3.    João Correa, nascido cerca de 1382, que é geralmente confundido com seu sobrinho homónimo, referido adiante. Este é certamente o João Correa, cavaleiro, comendador de Poiares e Santa Marta, como em 1423 é referido na legitimação do filho Gomes. E provavelmente o João Correa, comendador de Belver, cujo criado, Vasco Dias, foi nomeado a 16.10.1446 para o cargo de tabelião do cível e crime de Cortiçada, Belver, [Vendo], Carvoveiro e [Bicheira]. Este referência de 1446 não implica que João Correa ainda fosse vivo, pelo que também pode ser o João Correa que casou com Maria Vasques e depois foi frade de S. Domingos de Lisboa, tendo deixado ao mosteiro de Odivelas a sua quinta da Barrosa, a par do Lumiar. Com efeito, a 7.11.1435 D. Duarte julgou um pleito entre Henrique de Góis e o mosteiro de Odivelas, entregando a ele a dita quinta da Barrosa, que D. João I doara a seu pai, João Anes de Góis, pois o dito mosteiro não vendera a quinta que lhe foi deixada no prazo de um ano, como estava obrigado, «e porque outrossy alguus parentes do dicto Joham correa que diziam que ella tijnha, dímjtírom e leixarom todoo seu djreito» ao dito rei D. João I. Esta circunstância dá ideia que este João Correa não teria deixado filhos, pelo que, a ser assim, não é o mesmo, podendo então ser um tio paterno do João Correa em epígrafe, ou mesmo um tio-avô paterno, dependendo de uma sua mais rigorosa datação. Alão confunde o João Correa em epígrafe com seu sobrinho homónimo, referido adiante e casado com Isabel Dias de Castello-Branco, o que a cronologia não permite, e dá-lhe dois filhos: D. Paio Correia, o bailio (o que é erro) e Aires Correia, cavaleiro do hábito de S. João e comendador de Távora. A edição de 1997 da «Pedatura Lusitana», tendo em conta um título incompleto no original, por estarem a folhas rasgadas, publica o que consta da «Sedatura», o que é substancialmente diferente. Aqui, o João Correa em epígrafe vem desentroncado e chama-se-lhe Gil Correa, dizendo-se que foi também bailio de Leça, o que é erro. Mantém o erro de dar este Gil como pai do bailio Frei Paio Correa, dando-o também como pai de Aires Correa.

4.3.1.   Paio Correa, comendador de Poiares. A 14.1.1462 D. Afonso V doou a Frei Paio Correa, comendador de Poiares, os bens móveis e de raiz que pertenciam a Afonso Vasques [Moszito], morador no Crato, que os perdera por ter feito contrabando de carneiros e gados para Castela.

4.3.2.   Frei Fernando Correa, que julgo filho de João Correa. Foi comendador de Ulgoso e a 4.1.1473 teve carta de privilégio de fidalgo para a comarca de Trás-os-Montes, com cláusula de aposentadoria, para todos os seus criados, mordomos e apaniguados.  

4.3.3.   Isabel Correa, que Gaio diz ter casado com Fernão Rodrigues "Alardo", alcaide-mor de Leiria e Óbidos, a quem D. Afonso V fez mercê do morgadio da Romoeira a 12.5.1442. Não encontrei esta mercê, mas a 29.2.1450 D. Afonso V privilegia Álvaro Afonso, alfaiate, mordomo de Fernão Rodrigues, alcaide de Óbidos, a seu pedido, isentando-o do direito de pousada.

4.3.4.   (L) Gomes Correa, legitimado por carta real de 5.1.1424, onde vem referido como criado do conde D.Afonso, filho d'el rei, portanto o futuro duque de Bragança, sendo filho de João Correa, cavaleiro, comendador de Poiares e Stª Marta, e de Senhorinha Martins, mulher solteira. Gomes Correa foi comendador de Poiares, Aboim e Roalde. A 2.8.1441 D. Afonso V nomeou por 5 anos Gomes Correa para o cargo de coudel em Poiares, Aboim, Roalde e outros lugares das suas comendas. É provavelmente o Gomes Correa casado com Leonor Rodrigues, com os seguintes filhos nascidos em S. Miguel de Poiares:

4.3.4.1.     Martim Correa, que tirou ordens menores em Braga [35] a 21.9.1454.

4.3.4.2.     Paio Correa, que tirou ordens menores em Braga [36] a 21.9.1454.Talvez seja o Paio Correa que as genealogias dizem filho do bailio Frei Paio Correa, referido adiante, e que fazem casado em Vila Real com Filipa de Barros, c.g.

4.4.    Beatriz Correa, nascida cerca de 1384, que casou com Gonçalo Fernandes Barbosa, do paço e honra de Aborim, em Quintiães (Barcelos), e do couto de Brandara, em Ponte de Lima. Na instituição do morgadio de Aborim, seu neto Álvaro Barbosa diz que Gonçalo Fernandes Barbosa era «homem honrado tam possante que tinha desouto a vinte de cavallo e com tanto serviu continuadamente elRei Don Joam na Batalha Real e outros lugares de cavalaria», e que dele ficaram cinco filhos e três bastardos, sendo seu filho primogénito Fernão Gonçalves Barbosa, de quem era filho maior o instituidor. Alão diz que em poder do Doutor Francisco Montarroio estava uma provisão de 1438 onde se documentava que Fernão Gonçalves Barbosa era filho de Gonçalo Fernandes Barbosa, senhor do couto de Brandara, neto de Chamoa Martins e bisneto de Alda Esteves, senhoras do dito couro e sua jurisdição. Trata-se portanto do mesmo documento a que se refere Gaio, dizendo que foi feito a 14.2.1438 na vila de Ponte do Lima, sendo juiz Aires de Magalhães e escrivão Fernão Lourenço, onde se apresentava uma carta de D. Duarte com selo redondo, assinada por Afonso Giraldes e Luiz Martins, ouvidores de do rei, onde constava que Fernão Gonçalves Barbosa era sobrinho de João da Mota e Álvaro da Mota, criados do rei D. Duarte, filhos Pedro Fernandes de Barbosa e sua mulher D. Chamoa Martins de Aborim, irmã de D. Alda Martins, chamadas as ricas-donas de Aborim. Daqui se concluem várias coisas, desde logo que Gonçalo Fernandes Barbosa já tinha falecido em 1438 e que pelo menos a honra de Aborim e o couto de lhe vinha por sua mãe, Chamoa Martins, que Gaio diz filha Rui Lourenço de Aborim, senhor da dita honra, e sua mulher Alda Martins, senhora do couto de Brandara, que já fora de seu avô Rui Fernandes da Mota. Aquele João da Mota, irmão de Gonçalo Fernandes Barbosa, deve ser o João da Mota que perdeu os seus bens por não ter apoiado o mestre de Avis, que a 26.6.1384 deu a Vasco Martins, seu escudeiro, todos os bens móveis e de raiz que João da Mota havia em Óbidos e seu termo e em qualquer outra parte destes reinos. Seu irmão Afonso da Mota, que poderia ter nascido cerca de 1390, talvez ainda possa ser o Frei Afonso da Mota, mestre de Teologia, que a 30.9.1450 foi reitor «do estudo na cidade de Coimbra». Aquele Rui Lourenço de Aborim diz Gaio que foi filho de Lourenço Fernandes de Aboim e neto do Fernão Silvestre de que fala o conde D. Pedro. A filiação daquele Pedro Fernandes de Barbosa, casado com D. Chamoa Martins de Aborim, não se sabe, sendo contudo de suspeitar que fosse filho do Fernão Martins de Barbosa que Alão dá por pai de Gonçalo Fernandes Barbosa. Alão, seguindo o conde D. Pedro, engana-se e dá este Fernão Martins como filho de Martim Barbosa, o Moço, quando de facto era seu irmão, ambos filhos de outro Martim Barbosa, o Velho. Fernão Martins de Barbosa, como se pode ver em Pizarro (LM), em 1311 testemunha uma outorga dada por seus pais a uma doação feita por seu avô materno e já se documenta casado com Mor Aires de Toroselho em 1324, mas casou antes, e em 1355 teve sentença para pagar 350 libras ao mosteiro de Arouca pelo escambo da quintã de Canelas. Na lista de Vilar de Porcos (1329) seu pai aparece referido com seus filhos Fernão, Sancho, Nuno, Martim e Sancha, sendo Fernão referido como tendo três filhos, não nomeados. Destes seus três filhos, Pizarro identifica dois: Alda Fernandes de Barbosa, que em 1331 era freira em Stª Clara de Coimbra, e Senhorinha Fernandes de Barbosa (já casada em 1348 com um Martim Esteves). O terceiro filho poderia ter-se chamado justamente Pedro Fernandes de Barbosa, nascido entre 1320 e 1330, sendo o pai de Gonçalo Fernandes Barbosa, nascido entre 1360 e 1370.

4.4.1.   Fernão Gonçalves Barbosa, senhor do paço e honra de Aborim, em Quintiães (Barcelos), e do couto de Brandara, em Ponte de Lima. Gaio diz que esteve em Alfarrobeira pelo infante D. Pedro, mas não há notícia disso, salvo se é o Fernão Gonçalves, escudeiro, criado do infante D. Pedro, a que D. Afonso V perdoa a 2.5.1455 o ter estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do dito infante. Casou com Leonor Vaz Malheiro, filha de Vasco Afonso Malheiro, escudeiro da Casa do infante D. Pedro e senhor da torre de Refoios (do Lima). A 28.2.1444 Vasco Malheiro foi substituído por seu irmão Pedro Afonso Malheiro, morador em Ponte de Lima, no cargo de coudel desse lugar, por cinco anos. A 30.7.1446 D. Afonso V doa a Vasco Afonso Malheiro, escudeiro da Casa do infante D. Pedro, os bens de raiz que Gonçalo Afonso, cónego de Refoios do Lima, comprara sem licença régia por 2.000 reais de prata a Vasco Rodrigues, morador em Ponte de Lima.

4.4.1.1.     Gonçalo Fernandes Barbosa, falecido solteiro sem geração.

4.4.1.2.     Álvaro Barbosa, 1º morgado de Aborim (25.8.1478), que deve ser o Álvaro Barbosa, escudeiro de D.Álvaro, a quem D. Afonso V doou em Zamora, a 25.10.1475,  o serviço novo e velho dos judeus de Ponte de Lima e Barcelos. Casou com Maria Gonçalves Maciel, com geração nesta Casa. O morgadio de Aborim foi instituído por Álvaro Barbosa e sua mulher D. Maria Gonçalves em Ponte de Lima, ainda não tinham filhos. Álvaro Barbosa é aí referido como escudeiro fidalgo e morador no julgado de Aguiar de Neiva, termo de Barcelos. O morgadio tinha cabeça na sua quintã de Aborim, na freguesia de Quintiães, termo de Barcelos, que ele tinha de sua avoenga. Refere a instituição que Álvaro Barbosa era neto de Gonçalo Fernandes Barbosa, «homem honrado tam possante que tinha desouto a vinte de cavallo e com tanto serviu continuadamente elRei Don Joam na Batalha Real e outros lugares de cavalaria», e que dele ficaram cinco filhos e três bastardos, sendo seu filho primogénito Fernão Gonçalves Barbosa, de quem era filhos maior o instituidor. Acrescenta que seu pai, o dito Fernão Gonçalves Barbosa, «ficou mais delgado de fazenda que não serviu salvo com sinco ou seis, e por seeu falecimento elle Alvaro Barbosa que era seu filho maior partiu com sinco outros irmãos que lhe não ficou por onde podesse servir com dous». E por isso instituía o morgadio, «hora que a Deus aprouve de lhe dar alguma fazenda e disposição para a ter e haver por conservar sua possante linhagem e Figalguia e ficar e andar unida para milhor poder servir a Coroa Real».

4.4.1.3.     Pedro Barbosa, que nasceu cerca de 1450 e tirou ordens menores em Chaves a 29.6.1461, onde vem como filho de Fernão Gonçalves Barbosa e Leonor Vaz, moradores em Quintiães (Paço de Aborim). Casou com Leonor Lobo, dama da duquesa de Bragança, irmã de Fernão Lobo, escudeiro conde de Vila Real, que foi coudel de Vila Real a 6.7.1473 em substituição Lopo Martins da Mesquita, que morrera, como coudel de Vila Real, por apresentação do conde de Vila Real. Como refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Mesquita, este Fernão Lobo casou com Maria Lourenço, já viúva de Luiz Martins da Mesquita (ou Luiz Pimentel). Este Fernão e sua irmã Leonor Lobo segundo algumas genealogias eram filhos de Fernão Lourenço da Nóbrega e de sua mulher Maria Lobo, dama da duquesa de Bragança D. Isabel (nascida em 1459), o que parece tardio para ser mãe de Fernão Lobo, já coudel e casado em 1473, salvo se esta Maria Lobo fosse não dama mas ama da dita infanta. De Fernão Lourenço da Nóbrega não tenho notícia, salvo se se trata do Fernão Lopes da Nóbrega (erro de leitura da abreviatura de Lopes pela de Lourenço), cavaleiro da Casa Real, a quem a 8.4.1475 D. Afonso V doa uma tença anual de 6.000 reais de prata. De sua mulher Maria Lobo, dizem algumas genealogias que foi filha de Martim Lopes Lobo, irmão do senhor de Alvito Diogo Lopes Lobo. Mas este Martim nasceu cerca de 1364, o que parece demasiado tardio para ter uma filha nascida cerca de 1430. Muito mais provavelmente, esta Maria Lobo seria uma das filhas mais novas de Martim Gomes Lobo, nascido cerca de 1480, que justamente foi ouvidor de todas as terras do 1º duque de Bragança (1419), o que justifica a ligação de Maria Lobo a esta Casa. Com geração.

4.4.1.4.     Fernão Barbosa, que me parece, com seu irmão Lopo Correa, filho de Fernão Gonçalves Barbosa. Foi fidalgo da Casa Real e a 13.4.1475 teve mercê real para arrendar as suas rendas, segundo a Ordenação. Teve com Lopo Correa confirmação real do couto, honra e jurisdição da quintã de (Cedelo), no julgado de Lanhoso.

4.4.1.5.     Lopo Correa, que com Fernão Barbosa teve a 21.2.1450 confirmação real do couto, honra e jurisdição da quintã de (Cedelo), no julgado de Lanhoso, bem como carta de privilégio para os seus lavradores, moradores e caseiros, sob pena do pagamento de 6.000 soldos para quem não cumprir com o determinado, referindo-se uma carta de D. João I de 14.6.1424.

4.5.    Isabel da Cunha (ou Correa), que casou com Rui Vasques, senhor da quintã do Crasto e da torre de Penaboa, em S. Martinho de Cavalões (Vermoim), como refere a Corografia Portuguesa, c.g.

4.6.    Aires Correa, n. cerca de 1388, cavaleiro da Ordem de S. João (Rodes) e comendador de Távora na Ordem de Cristo, parece que já tinha fal. em 1441. Teve uma filha natural, que foi dotada por João Correa, comendador de Poiares, irmão deste Aires, referido acima.

4.6.1.   Tereza Correa, nascida cerca de 1424, que em 1441 foi dotada em Guimarães por seu tio João Correa, comendador de Poiares, com os prazos de Escariz e Paredes, para casar com Afonso Botelho. Alão não entronca este Afonso Botelho e Gaio dá-o anacronicamente como filho de Afonso Armas dos Botelho (infografia de Manuel Abranches de Soveral)(Martins) Botelho e sua mulher Mécia Vasques de Azevedo. Como já referi nas «Ascendências Visienses» [15],  este Afonso Botelho é seguramente o que a 12.6.1445 ainda é referido apenas como escudeiro e criado do conde de Vila Real quando obtém carta de perdão real da acusação de ter morto um Fernão Gonçalves. A 25.11.1446, sendo dito morador em Vila Real, teve carta de privilégio de fidalgo. E a 14.2.1475 ainda é referido como escudeiro do conde de Vila Real, e filho de Afonso Botelho, cavaleiro da Casa do dito conde, quando tem do rei uma tença de 4.000 reais de prata pelos serviços prestados na conquista de Arzila. E ainda é certamente o Afonso Botelho que já no reinado de D. Manuel I é feito juiz das sisas de Vila Real, não tendo eu encontrado a sua nomeação para alcaide-mor, como dizem as genealogias, pelo que deve ter sido apenas alcaide-mor interino, já que nominalmente o alcaide-mor era o próprio conde de Vila Real. Temos, portanto, que este Afonso Botelho foi filho de outro Afonso Botelho, referido em 1475 como cavaleiro da Casa do conde de Vila Real, ano em que ainda poderia estar vivo, mas muito velho, pois seu filho casou em 1441. Este Afonso Botelho, o pai, deve assim ter nascido entre 1385 e 1395 e tudo indica que seja filho de Diogo Afonso Botelho ou de seu irmão Martim Afonso Botelho, sendo estes filhos de Afonso Martins Botelho, nascido cerca de 1300 e já falecido em 1339, e de sua mulher Mécia Vasques de Azevedo, que já é referida com seus irmãos em 1329 na lista dos naturais de Vilar de Porcos, e que casou entretanto, pois na lista dos naturais de Mancelos de 1339 já aparece viúva, entre os infanções, com os ditos seus filhos Diogo Afonso e Martim Afonso Botelho, que teriam então entre 7 e 9 anos de idade. Portanto, o Afonso Botelho em epígrafe não era filho de Mécia Vasques de Azevedo, como diz Gaio, mas sim seu bisneto! Aquele Afonso Martins Botelho, já falecido em 1339, deixando filhos menores, que terá nascido cerca de 1300 e diz o LL «que matarom em Aguiar de Campos», era irmão do Martim Martins “Barva” que casou com Inez Vasques de Rezende [16], ambos filhos de Martim Peres Botelho [17], alcaide-mor de Castelo de Vide, e de sua mulher Joana Martins de Parada [18], e netos paternos de Pedro Martins Botelho, o 1º deste nome, alcaide-mor de Sortelha, e de sua mulher Dórdia Martins de Bulhão, ou de Lisboa, que depois casou com João Raimundes de Portocarreiro, que era alcaide-mor de Lisboa em 1278. 

4.6.1.1.     Isabel Botelho Correa, nascida em 1442 em Vila Real. Casou a 1ª vez cerca de 1459 com João Afonso de Proença [19] (a), alcaide-mor e senhor dos dízimos de Mondim da Beira. Casou 2ª vez cerca de 1470 com Diogo da Mesquita [20] (b), nascido cerca de 1439 em Vila Flor, porteiro das sisas da vila de Bragança (25.5.1462), filho de Martim Gonçalves (Pimentel) e sua mulher Inez da Mesquita.

4.6.1.1.1.    (a) Leonor Botelho, que casou cerca de 1476 com João Afonso, o «Colhão Rico», meirinho da Corte e meirinho da correição da comarca da Beira e Riba Côa (provavelmente em sucessão de Pedro Botelho, que vai adiante como seu cunhado), senhor do prazo do Arco, «dos Afonsos do Arco desta cidade», que jaz em S. Francisco de Órgens com o seguinte letreiro: «Aqui jaz João Afonso meirinho marido de Leonor Botelha». Deve ser o João Afonso que a 8.8.1488 era raçoeiro (recebia ração) da igreja de Ferreira, no termo de Viseu, e o João Afonso, escudeiro, morador em Viseu, que a 1.8.1514 teve mercê de vedor e recebedor das obras dos muros e fortaleza desta cidade, com mantimento de 20 reais por dia. Com geração em Viseu [21]

4.6.1.1.2.    (a) Pedro Botelho, que sendo escrivão e tabelião geral e contador dos feitos e custas da correição da comarca da Beira e Riba Côa e escudeiro do duque de Bragança, a 6.2.1511 teve mercê real do ofício de meirinho da mesma correição, por troca com António Rodrigues, escudeiro do rei, feita em instrumento público de 3.2.1511 no tabelião Gomes Anes. Foi cidadão nobre da governança de Viseu, nomeadamente vereador do Senado da Câmara pela Nobreza em 1514. Deve ser o homónimo que foi escudeiro fidalgo da Casa Real (Moradias) e o homónimo que foi juiz dos órfãos de Aguiar da Beira [22]. É provável que, tendo falecido sem geração, lhe tenha sucedido no cargo seu cunhado, acima

4.6.1.1.3.    (a) Afonso Botelho, sucessor na casa de Mondim da Beira, cavaleiro da Casa Real, foi meirinho da corte, nomeado por carta real de 29.8.1498, sendo então escudeiro do conde de Marialva e Loulé, meirinho-mor do reino. Num documento de 26.8.1504 parece como cavaleiro da Casa Real e meirinho da corte. Com o cargo de meirinho da corte aparece em vários documentos da Chancelaria de D. Manuel I até 1518, ano em que deve ter falecido. Casou com Isabel Botelho de Sequeira, com geração em Mondim da Beira e Viseu [23].

4.6.1.1.4.    (a) Aires Botelho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, foi contador da comarca da Beira e sucedeu nos dízimos de Mondim. A 25.1.1500, sendo escudeiro do conde D. Rodrigo de Castro, teve de D. Manuel I a mercê de juiz das sisas da Covilhã. Sendo meirinho da corte, intervém como procurador num documento de 4.5.1504 da Chancelaria de D. Manuel I. Em 1507, como cavaleiro da Casa Real, recebe quitação de 727 marcos, duas onças em ouro e multivariados bens recebidos durante o exercício do cargo de feitor no resgate a Axem entre 1505 e 1506. A 25.2.1514 intervém num documento da referida Chancelaria, sendo então cavaleiro da Casa Real e provedor das capelas e hospitais, e dos órfãos, bem como juiz e contador dos resíduos da comarca da Beira e Riba Côa. Nesse mesmo ano, a 17.12.1515, diz-se que tinha o cargo de meirinho da Corte por seu irmão Afonso Botelho. Foi almoxarife do almoxarifado de Atouguia [24], escrivão da correição de Lamego [25] e teve carta de comenda [26]. Ainda vivia em 1535, pois é certamente o Aires Botelho que perde uma questão com o bispo de Viseu D. Miguel da Silva. Casou cerca de 1497 com Elvira Rodrigues Homem, filha de Francisco Homem, senhor de Verdelho, junto a Manteigas, e copeiro da rainha. Com geração nos Botelho de Alarcão, de Seia [27].

4.6.1.1.5.    (b) Francisco da Mesquita, nascido cerca de 1471, que Alão diz que foi criado do 1º marquês de Vila Real (que nasceu cerca de 1435 e morreu em 1499), e que morreu na Índia, sem geração.

4.6.1.1.6.    (b) Luiz da Mesquita, que Alão diz também que morreu na Índia, sem geração.

4.6.1.1.7.    (b) João Correa, que Alão diz também que morreu na Índia. Julgo ser este o João Correa (da Mesquita ou Botelho) que foi senhor da quinta de Arnoza, em S. João do Barreiro (Besteiros - Tondela), onde terá casado, e que foi pai da D. Lucrécia Correa que casou com seu primo Gonçalo Lobo, de Vila Real, filho de Fernão Lobo e neto paterno de Pedro Barbosa, do paço de Aborim, referido adiante. Daquela D. Lucrécia e seu marido foi filha herdeira D. Maria Correa Botelho, que casou cerca de 1535 com Manuel de Azevedo, comendador de S. Julião de Lobão (Besteiros) na Ordem de Cristo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, 1º morgado de S. Sebastião de Besteiros ou casa do Quintal, etc., com geração [28].

4.6.1.1.8.    (b) Pedro da Mesquita Botelho, criado do marquês de Vila Real, com quem foi para Ceuta, segundo Alão, que diz aí ter casado com Guiomar Teixeira, filha de Martim Teixeira, aí escrivão dos órfãos, com geração.

4.6.1.1.9.    (b) Inez da Mesquita, que Alão diz ter casado com Francisco de Barros, de Favaios (Vila Real), com geração, sendo nomeadamente pais de João Correa da Mesquita, que foi contador de Trás-os-Montes, com geração nos morgados de Abaças, vinculo que obrigava ao uso pelos seus administradores do nome «da Mesquita».

4.6.1.1.10.  (b) Beatriz da Mesquita, que Alão diz ter casado com Francisco Leitão, de Vila Real, com geração.

4.6.1.1.11.  (b) Catarina da Mesquita, que Alão diz ter casado com Bento de Barros, de Vila Real, com geração.

4.6.1.1.12.  (b) Helena da Mesquita, que Alão diz ter casado com Nuno Coutinho, com geração.

4.6.1.2.     Pedro Botelho, nascido cerca de 1443 em Vila Real, (S. Dinis), que tirou ordens menores em Braga [29] a 5.4.1455. Foi alcaide-mor de Vila Real e sucessor nos prazos de Escariz e Paredes. Casou com Catarina Álvares Taveira.

4.6.1.2.1.    Afonso Pires Botelho, que tirou ordens menores em Braga [30] a 7.7.1478, foi alcaide-mor de Vila Real e sucessor nos prazos de Escariz e Paredes. Casou com Genebra Pereira de Sampayo, com geração.

4.6.1.3.     Aires Botelho, nascido em Vila Real (S. Dinis), tirou ordens menores em Braga [31] a 11.6.1457. 

4.6.1.4.     Diogo Afonso Botelho, nascido em Vila Real (S. Dinis), tirou ordens menores em Braga [32] a 4.10.1461.

4.6.1.5.     Mécia Correa Botelho, nascida e falecida em Vila Real. Casou com o Doutor Pedro Ribeiro, secretário do arcebispo de Braga D. Diogo de Souza, etc., senhor da quinta do Paço, em Borbela, termo de Vila Real, padroeiro dos mosteiros de Borbela e Lama (Braga), etc.

4.6.1.5.1.    Isabel Ribeiro Botelho, nascida e falecida em Vila Real, onde casou com Diogo Rodrigues de Barros, alcaide-mor e das sacas de Vimioso, que tirou ordens menores em Braga [33] a 12.3.1502, filho de Gonçalo Vaz do Rego, alcaide-mor e das sacas de Vimioso (28.6.1496) [34], e de sua mulher Isabel de Barros. Com geração numa linha Correa Botelho, de Vila Real, e nos Correa Botelho Pacheco Pereira, do Porto.

4.7.    Maria Correa, nascida cerca de 1390 e falecida antes de 1450, que foi a 1ª mulher de Francisco Anes de Torres, com quem casou cerca de 1408. Francisco Anes de Torres foi cavaleiro fidalgo da Casa Real e morgado de Ponte da Ceira, em Coimbra (1.2.1450), tendo casado 2ª vez com Violante Álvares de Sequeira, ama da rainha D. Isabel. A 1.2.1450 D. Afonso V doa perpetuamente a Francisco Anes de Torres, cavaleiro da Casa da rainha D. Isabel, a pedido da mesma, o morgado da Ceira, situado no termo da cidade de Coimbra, com todas suas entradas, saídas e pertenças, rendas e direitos, que pertencia a Diogo Gonçalves de Travaços. A 21.3.1452 o mesmo rei doa a Francisco Anes de Torres e a sua mulher Violante Álvares uma tença anual de 12.000 reais de prata. E a 29.3.1454 doa a Francisco Anes de Torres, cavaleiro da sua Casa, para sempre, a quinta de S. Pedro Fins, no termo de Montemor-o-Velho, do almoxarifado de Coimbra, com todas as suas rendas e direitos entradas, saídas, foros, pertenças e couto. Finalmente, a 1.9.1462 Dom Afonso V autoriza a igreja de S. Tiago de Coimbra a receber os bens de raiz que lhe deixara em testamento Violante Álvares de Sequeira, moradora em Coimbra, ama da rainha D. Isabel.

4.7.1.   Beatriz Correa, que casou cerca de 1425 com Gonçalo Teixeira, cavaleiro fidalgo da Casa Real, monteiro da Casa Real (antes de 1446), almoxarife da portagem da cidade de Lisboa e coudel da vila de Alenquer. A 18.7.1446 D. Afonso V nomeia Gonçalo Teixeira, escudeiro da sua Casa, que fora monteiro régio, para o cargo de almoxarife da portagem régia da cidade de Lisboa, em substituição de Garcia Afonso, que morrera. A 26.8.1451 o mesmo rei nomeia novamente Álvaro Pires, morador em Lisboa, escudeiro de Gonçalo Teixeira, cavaleiro, almoxarife da portagem da dita cidade e a seu pedido, para o cargo de requeredor da portagem nessa cidade. E a 16.6.1455 nomeia por 5 anos Gonçalo Teixeira, almoxarife da portagem de Lisboa, para o cargo de coudel da vila de Alenquer e seu termo, em substituição de João de Avelar, que acabou o tempo de exercício do cargo. Era filho de Vasco Gonçalves Teixeira e sua mulher Catarina Anes de Berredo.

4.7.1.1.     Martim Gonçalves Teixeira

4.7.1.2.     João Teixeira, almoxarife da portagem de Lisboa antes de 4.5.1481, como se diz adiante

4.7.1.3.     Aires Correa, fidalgo da Casa Real e almoxarife da portagem de Lisboa. A 4.5.1481 D. Afonso V nomeia Aires Correa, fidalgo da sua Casa, para o cargo de almoxarife da portagem da cidade de Lisboa, em substituição do seu irmão João Teixeira, a quem o rei retirou o cargo. Com geração nos Correa Baharem. Deste Aires diz Gaio que foi filho mais velho Frei Vasco Correa, provincial da Ordem de S. Francisco. Deve ser o Vasco Correa, moço fidalgo da Casa Real, que a 8.7.1501 teve com sua mãe mercê de ofício de 20.000 reais de prata anuais, para ajuda da criação dele e dos irmãos, sendo filho de Aires Correa, fidalgo da Casa Real, que tinha falecido na Índia, onde o rei o mandara como seu feitor. A 25.4.1504 a mulher de Aires Correa teve mercê real de umas terras nas lezírias de Vila Franca de Xira, como trazia seu falecido marido e pelo foro que ele pagava. O filho sucessor foi António Correa, referido como moço fidalgo e filho de Aires Correa quando a 12.3.1518 vendeu a Jorge de Albuquerque a dita tença de 20.000 reais, que tinha tido a 11.8.1505, certamente por seu irmão mais velho ter professado.

4.7.2.   D. Maria Correa, que julgo filha de Maria Correa. Foi abadessa do mosteiro de Stª Clara de Lisboa e ainda vivia a 18.5.1451, quando D. Afonso V privilegia D. Mécia Telles, abadessa do mosteiro de Stª Clara da cidade de Lisboa, autorizando que à morte de D. Maria Correa, que fora abadessa nesse mosteiro, possa usufruir da sua marinha em Alcácer.         

5.           Gonçalo Correa, senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e de S. Pedro do Monte e dos casais de Vila Meã, com suas jurisdições (ou seja, senhor de Fralães), por morte de seu pai Fernando Afonso Correa, com cartas de confirmação de 4.12.1433 e de 20.7.1449. Sucedeu ainda como senhor de juro e herdade de Riba de Mouro e de Valadares, tendo trocado esta última por Cunha-a-Velha e seus casais a 22.12.1411(CJI, 3, 131v). A 9.12.1449, sendo referido como Gonçalo Correa, criado de D. João I, teve confirmação do escambo que fizera com este rei (G.XII,7,4) das terras de Cunha-a-Velha e seus casais, no almoxarifado de Guimarães, pela terra de Valadares, no almoxarifado de Ponte de Lima, o que já lhe fora confirmado por D. Duarte a 21.11.1433. Não sucedeu no préstimo de Gondomar, que talvez também tenha trocado, pois a 2.12.1433 D. Duarte doa-a a seu camareiro-mor Fernão de Sá. Gonçalo Correa nasceu cerca de 1380 e casou cerca de 1419 com Branca Rodrigues Botelho, segundo Afonso de Torres, Alão e a CP, que a não filiam. Mas é certamente a Branca Rodrigues que,  com seus irmãos Álvaro Botelho, Aires Botelho e Pedro Botelho, foi legitimada por carta real de 3.1.1398, todos como filhos de Pedro Botelho, craveiro da Ordem de Cristo, e de Joana Rodrigues, mulher solteira. Um dia antes da referida legitimação, D. João I doou a Pedro Botelho, seu criado, «por muitos serujços que recebemos daquelles donde el descende e del», umas casas em Coimbra, na Almedina, «acima de sam bras», bem como as casas da Falcoaria, na Almedina, em que morava João Anes Gago, determinando que por sua morte possam ficar a seu irmão Álvaro e por morte deste a seu irmão Aires, e depois passem para «o primeiro filho ou neto de cada huu dos dictos jrmaãos sempre o mayor», se os tiverem. Dá assim ideia que estava fora de causa que Pedro Botelho pudesse ter filhos, talvez por ser clérigo. De um dos irmãos, Álvaro ou Aires, é certamente filho o Pedro Botelho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, vedor da Fazenda (até 8.5.1475, dada em que foi substituído no cargo por seu cunhado o 2º conde de Abrantes), que parece foi alcaide-mor de Pombal (cargo em que se documenta o filho) e vem referido como cavaleiro, regedor e ouvidor da Casa do Cível, quando a 23.8.1476 teve mercê real de uma tença anual de 20.000 reais de prata, e como comendador da Ordem de Cristo quando a 4.3.1475 D. Afonso V lhe dá licença para arrendar por três anos as suas comendas. Este Pedro Botelho casou com Briolanja de Almeida, filha bastarda do 1º conde de Abrantes, com geração nos senhores do paço da Torre de Figueiredo das Donas. E irmão deste Pedro Botelho é certamente o  Lopo Botelho que com sua mulher Leonor Gil vivia em Santa Maria de Pombal, do bispado de Coimbra, quando o filho de ambos, Lopo Lopes, tirou em Braga a 24.4.1451 ordens menores, com licença de seu maior (pelo que era professo ou noviço).

5.1.    Gonçalo Correa, sucessor como senhor de juro e herdade das freguesias de Viatodos e de S. Pedro do Monte e dos casais de Vila Meã, com suas jurisdições (ou seja, senhor de Fralães), bem assim como senhor de juro e herdade de Riba de Mouro e Cunha-a-Velha e seus casais. Foi também meirinho-mor da comarca de Entre-Douro-e-Minho. A 21.10.1475 D. Afonso V nomeia vitaliciamente Gonçalo Correa, fidalgo da Casa do duque de Bragança, para o cargo de meirinho-mor da comarca de Entre-Douro-e-Minho. E a 28.3.1480 nomeia Diogo de Vera, escudeiro da sua Casa, para o cargo de meirinho na comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho, com o mantimento ordenado, em substituição de Gonçalo Correa, que morrera. Gonçalo Correa nasceu assim cerca de 1420 e faleceu em 1480, com cerca de 60 anos de idade. A 18.8.1473 teve autorização do rei para vender ou escambar a terra de Cunha-a-Velha e seus casais, e de facto vendeu-a, com autorização de seu filho Paio Correa, a Fernando Anes das Póvoas, mercador do Porto, com seus casais, terras, rendas, foros, direitos e pensões por 100.000 reais de seis ceitis cada um, tendo recebido 250 cruzados de ouro. A escritura foi feita a 12.8.1473 em Lisboa, nas casas de João Correa, cavaleiro, vereador da cidade, e Isabel Dias de Castello-Branco, sua mulher, e confirmada pelo rei a 12.9.1473, como tudo se vê na documentação junta à carta real de 3.5.1500 que confirma a Rui Mendes, cavaleiro da Casa Real, o senhorio de Cunha-a-Velha, por compra ao dito Fernando Anes das Póvoas. Gonçalo Correa  casou, segundo Afonso de Torres e  Alão, com Margarida do Prado, filha de Bartolomeu Afonso do Prado e sua mulher Maria Esteves, moradores no Porto, como diz Alão, ou de João Afonso do Prado e sua mulher Beatriz Pimenta, como também diz a CP.

5.1.1.   Paio Correa, que nasceu cerca de 1455 e foi o filho mais velho, pois dele o pai precisou de autorização para vender em 1473 o senhorio de Cunha-a-Velha. Mas terá fal. solt. ou, pelo menos, sem geração, pois sucedeu o irmão.

5.1.2.   Maria da Cunha, que casou com Febus Moniz, que a 21.5.1482 teve mercê de 10.000 reais de tença, a 4.12.1482 mercê de bens em Viana (de Caminha), e era vereador do Senado da Câmara de Lisboa quando a 15.8.1502, juntamente com Lopo Soares e D. Pedro de Castelo Branco, foi procurador desta cidade às cortes que juraram o príncipe D. João como herdeiro do trono. C.g.

5.1.3.   Leonor Correa, que casou com Martim de Távora, mestre-sala da rainha D. Isabel, s.g.

5.1.4.   Isabel da Cunha, que casou com Álvaro Telles Barreto, capitão de Chaul que serviu em Arzila em 1503, talvez o Álvaro Telles que a 15.6.1513 teve provisão de D. Manuel I para o receber em Lisboa  20.000 reais que se lhe devia de pimenta, e o Álvaro Telles, fidalgo da sua casa, a quem a 10.7.1514 D. Manuel I manda o recebedor do seu tesouro dar 25.000 reais que eram devidos da compra da sua pimenta.

5.1.5.   Diogo Correa, sucessor, que foi ainda alcaide-mor de Porto de Mós pelo duque de Bragança e nasceu cerca de 1465. Talvez seja o Diogo Correa que entre 1510 e 1521 foi capitão de Cananor, se bem que é de 2.12.1513 uma carta de Afonso de Albuquerque dando parte ao rei que nomeou Diogo Correia como capitão de Cananor, enquanto o rei não nomeava outro. Podendo ainda ser o Diogo Correa que era anadel-mor dos espingardeiros quando a 28.4.1527 passou recibo em que diz ter recebido do feitor um cruzado, e o que a 11.8.1527 teve provisão do governador Lopo Vaz de Sampaio para receber 100 pardaos em tangas. E ainda o Diogo Correia que a 24.3.1508 teve alvará para receber 1.000 cruzados de ouro. E ainda o Diogo Correa, escudeiro da Casa Real, que a 11.1.1496 foi nomeado coudel de Tomar. Casou em 1509 com D. Isabel Pereira (ou Pinheiro), nascida cerca de 1594, filha de Álvaro Pinheiro (Lobo), o Velho, alcaide-mor de Barcelos pelo duque de Bragança, que a 5.8.1484 teve de D. João II uma tença de 15.000 reais, e de sua mulher D. Joana (Pereira ou de Lacerda), com geração nos Correa Pereira de Lacerda, senhores de Fralães. Com efeito, a 10.5.1509 fizeram-se partilhas dos bens de Nuno Pereira e ao acto compareceu o neto Henrique Pinheiro, pois sua mãe D. Joana já tinha falecido, com procurações de suas irmãs D. Filipa Pereira, D. Isabel Pereira, D. Maria Pereira, «dona» de Santos, e D. Helena, menores que estavam sob o poder de seu pai Álvaro Pinheiro, conforme refiro em Reflexões sobre a origem dos Pinheiro, de Barcelos. E a 13.11.1509 o rei faz mercê a Nicolau Fernandes, escudeiro, morador em Tavira, de um aforamento que João Lopes da Costa, cavaleiro, e sua cunhada Isabel Pinheiro, e o marido desta Diogo Correa, perderam por fazerem a compra sem autorização.

 

A mítica origem dos Lacerda portugueses

Os netos de Diogo Correa e D. Isabel Pereira começam a usar o nome composto Correa de Lacerda, que se manteve por muitas gerações, se bem que existam outras origens para a mesma conjugação de nomes, como por exemplos a dos descendentes de Fernão Correa e sua mulher D. Isabel Cardoso (filha de Nuno Cardoso e sua mulher D. Guiomar Pereira ou de Lacerda), que também a usaram.
Este nome Lacerda surge inopinadamente em Portugal nos finais do séc. XV no seio de uma família cujos ascendentes não só não o usam como ostentam apelidos diferentes. E aparece a primeira vez em dois primos contemporâneos, ambos filhos segundos, numa família Serpa que já então não usava o nome da sua linhagem, preterido pelo nome Pereira, mais ilustre, que lhe vinha por via feminina.
O Livro de Linhagens do Século XVI, cioso do conceito de linhagem e, portanto, das varonias, não trata estes Pereira por fêmea, radicados no Alentejo, sobretudo na Serpa original.
Os referidos dois primos foram Manuel de Lacerda, 1º governador e capitão-mor de Goa (1510), que ainda se documenta como tal a 1.5.1527, e Esplandião de Lacerda, que teve de D. João III 5 moios de trigo de tença (67, 85), filhos respectivamente de Reimão Pereira e Diogo Nunes Pereira e netos de Rui Dias de Serpa e de seu irmão Nuno Pereira, sendo estes filhos de Diogo Nunes de Serpa e sua mulher Beatriz (Gonçalves) de Abreu. É portanto a este Diogo Nunes de Serpa que os bisnetos foram necessariamente buscar a origem comum do nome Lacerda, raciocínio que terá levado os genealogistas posteriores a atribuir a este Diogo uma fantasiosa filiação num não menos fantasioso Martim Gonçalves de Lacerda, que teria casado com D. Violante Pereira, filha natural do prior do Crato D. Álvaro Gonçalves Pereira.
Logo pela onomástica se vê que estes pais não podiam nunca ter um filho chamado Diogo Nunes. De resto nem a cronologia o permite.
A 15.5.1393 D. João I doou a Diogo Nunes de Serpa, cavaleiro seu vassalo, para si e seus sucessores, todos os bens móveis e de raiz que tinha Vasco Rodrigues, que foi almoxarife em Beja e andava em deserviço. Este Diogo Nunes de Serpa foi ainda senhor da quintã da Torre Velha, em Serpa.
De Diogo Nunes de Serpa foi filho Álvaro Gonçalves de Serpa, escudeiro de D. João I e senhor da dita quintã da Torre Velha, em Serpa. A 13.7.1395 D. João I doou a Álvaro Gonçalves de Serpa, seu escudeiro, para si e seus descendentes, umas casas na vila de Serpa, depois de a 20.4.1384 lhe ter dado em préstamo essas ou outras casas em Serpa a Álvaro Gonçalves de Serpa, criado d'el rei D. Fernando, «assy como as trazia seu padre em prestemo do dcto rey dom fernado».
De Álvaro Gonçalves de Serpa foi filho outro Diogo Nunes de Serpa, cavaleiro da Casa do infante D. Fernando, que sucedeu na quintã da Torre Velha, em Serpa. A 15.9.1454 D. Afonso V doou novamente a Diogo Nunes, cavaleiro do infante D. Fernando, os bens que haviam sido dados a Rui Dias, compensando este com o serviço novo dos judeus de Estremoz. Este Diogo Nunes de Serpa casou em 1417 com Beatriz (Gonçalves) de Abreu, filha de Gonçalo Anes de Abreu, senhor de Castelo de Vide, Monforte, etc. A 20.5.1417 D. João I confirmou a Diogo Nunes de Serpa a quinta de Armenta, junto a Sacavém, que seu sogro Gonçalo Anes de Abreu, seu vassalo, lhe deu em dote de casamento, quinta que fora de Lopo Fernandes Pacheco e este perdera, tendo-a o dito rei doado de juro e herdade ao dito Gonçalo Anes de Abreu (CJI, 3, 102v). Estes foram pais de Rui Dias de Serpa e de Nuno Pereira. A 28.8.1455 D.Afonso V privilegiou Rui Dias de Serpa, fidalgo da sua Casa, coutando-lhe a seu pedido uma quintã no termo da vila de Serpa a que chamam Torre Velha, tal como a tiveram seu avô e pai. A 22.12.1455 o mesmo rei perdoou a Rui Dias de Serpa, Nuno Pereira, seu irmão, João da Fonseca, Rui Pais, Álvaro Vasques e a João Martins, todos moradores na vila de Serpa, o tempo que lhes falta cumprir de um ano de degredo a que tinham sido condenados por umas mortes que tinham feito em Serpa, numa contenda com João de Mello.
Rui Dias de Serpa e os seus (entre eles seu irmão mais novo Nuno Pereira) tiveram um grave conflito em Serpa com João de Mello e os seus, de que resultaram várias mortes e mais de uma vintena de cartas de perdão de 1452 para escudeiros, criados e apaniguados seus e desse seu irmão, igualmente morador em Serpa, sendo nessas cartas Rui Dias de Serpa referido como fidalgo da Casa Real, mas seu irmão não.
Estaria ainda degredado quando a 6.3.1453 o rei privilegiou Rui Dias de Serpa, fidalgo da sua Casa, isentando todos os seus homens de servir na guerra, em serviço régio ou de outrem, salvo com ele próprio. Pouco depois, a 23.5.1453, o rei concedeu carta de privilégio a Rui Dias de Serpa, cavaleiro da sua Casa, para todos os seus caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores da comarca e correição de Entre-Tejo-e-Odiana.
Rui Dias de Serpa casou a 1ª vez com D. Margarida de Ataíde, de quem teve Diogo Nunes Pereira. E casou 2ª vez com D. Maria de Mello, de quem teve João Rodrigues Pereira, que tirou ordens menores a 8.9.1480 na Vidigueira («Johannem Roderici Pereyra legitimum filium quondam Roderici Didaci de Serpa et donne Marie de Meello habitancium in Serpa de legitimo matrimonio procreatum»), e D. Inez de Mello, casada com João Rodrigues da Câmara, 4º capitão donatário da ilha de S. Miguel. Muito provavelmente Rui Dias de Serpa foi ainda pai, talvez natural, do Rui Pereira que foi fidalgo da Casa do infante D. Fernando, coudel de Serpa, etc., e do Rui Dias, escudeiro, morador na vila de Serpa, que a 7.10.1475 foi nomeado vitaliciamente juiz perante os mouros e judeus da dita vila e a  22 seguinte e 3 de Novembro recebedor das sisas, com 2.000 reais de mantimento, e juiz das sisas da mesma vila.
O Nuno Pereira que ficou acima (irmão mais novo de Rui Dias de Serpa) foi fidalgo da Casa do duque de Bragança (1464) e alcaide-mor e senhor dos direitos reais da Vidigueira e Vila Nova de Frades (1483), tendo falecido antes de 10.5.1509, data em que os herdeiros fizeram partilha dos seus bens, escritura onde se documenta a primeira vez seu neto, o referido Manuel de Lacerda. D. João II doou a 16.9.1483 a Nuno Pereira, fidalgo da sua Casa, os direitos reais da Vidigueira e Vila Nova de Frades e a 30.9.1483 as respectivas alcaidarias-mores. A 25.2.1505 João de Faria, fidalgo da Casa d'el rei e alcaide-mor da vila de Portel, teve confirmação de D.Manuel I do privilégio pelo qual lhe foi coutada uma herdade que se chama das Valadas, no termo da vila de Serpa, com as confrontações declaradas, que lhe fora dada em casamento pelo sogro, Nuno Pereira, fidalgo da Casa d'el rei e morador nesta vila, a quem fora concedido esse privilégio para uma terra e assentamento de herdades, que se chamam da Figueira, de que faz parte a herdade citada. Parece que Nuno Pereira foi também alcaide-mor de Portel, vila onde vivia em 1480 com sua mulher D. Guiomar, quando tiram ordens menores em Évora os filhos de ambos Álvaro Pereira, Rui Dias, Garcia Pereira, Henrique Pereira, Duarte Pereira, Henrique Pereira e João. Sua mulher D. Guiomar morreu antes de 19.6.1485, data da escritura lavrada em Serpa pela qual os seus bens foram partilhados pelo viúvo e os treze filhos de ambos, cinco já casados e os restantes menores, como refiro nas minhas Reflexões sobre a origem dos Pinheiro, de Barcelos.

Alão começa esta família num Martim Gonçalves de Lacerda casado com D. Violante Pereira, seguindo assim a informação de Afonso de Torres, segundo o qual Afonso Lopes de Haro passou a 27.9.1617 uma certidão a Nuno Álvares Pereira segunda a qual os Pereira de Lacerda portugueses descendiam de um Martim Gonçalves de Lacerda, fidalgo castelhano da Casa dos duques de Medina Celi, que passou a Portugal no reinado de D. Fernando, a quem este rei doou os lugares de Punhete, Sardoal, Galegã, Borralha, Amêdoa e Sovereira Formosa, e aqui casou com D. Violante Pereira, filha do prior do Crato. Mas, talvez apercebendo-se do erro, logo Alão acrescenta que outros dizem que foi Afonso Fernandes de Lacerda o castelhano que passou a Portugal no reinado de D. Fernando, a quem este rei doou as vilas de Sardoal, Golegã, Borralha, etc., e que casou com a dita com D. Violante Pereira.
Na verdade, foi a Afonso Fernandes de Lacerda que D. Fernando doou em 1369 as vilas de Sardoal, Golegã, Borralha e Punhete. E a 3.5.1372 doou-lhe todas as jurisdições de metade de Amêndoa (freguesia do concelho de Mação, distrito de Santarém). A certidão seiscentista de Afonso Lopes de Haro inventou um Martim Gonçalves de Lacerda, que desde então infestou a genealogia portuguesa (porque quando aparece em D. António de Lima Pereira é já certamente acrescento de um dos seus seus continuadores, nomeadamente D. Jerónimo de Ataíde). E, como veremos, inventou também o seu casamento com a filha do prior do Crato.

Mas a dita certidão não diz como se estabelecia a ligação entre esse mítico Martim Gonçalves de Lacerda e os mais antigos ascendentes conhecidos dos Pereira de Lacerda, pelo que ficou à imaginação dos nossos genealógicos estabelecer esse entroncamento, o que afoitamente fizeram sem qualquer respeito pela cronologia, onomástica e estatuto das pessoas envolvidas.  

Quer pelo patronímico quer mesmo pela não sucessão nestes senhorios, para já não falar no nome de família e estatuto, é evidente Diogo Nunes de Serpa não era nem podia ser neto paterno daquele Afonso Fernandes de Lacerda. Mas podia ter casado com uma sua neta materna, limitando-se as genealogias tardias a transformar o sogro em pai, mesmo trocando-lhe o nome?
Já Luiz de Mello Vaz de São-Payo propõe que este Diogo Nunes de Serpa tenha casado com uma Lacerda, que diz possível filha de um Martim Gonçalves e de uma filha natural de D. Juan de la Cerda e de sua amante judia Sol Martinez, numa solução engenhosa mas na verdade impossível.
Aquele Afonso Fernandes de Lacerda é, na verdade, D. Alfonso Fernández de la Cerda, filho do infante D. Juan Alfonso de la Cerda, senhor de Gibraleón, Real de Manzanares, Huelva y Deza, e de Maria de Luna. Partidário de Pedro I o Cruel na guerra contra D. Enrique de Trastamara, em 1369, com a morte de Pedro I, apoiou as pretensões de D. Fernando I ao trono castelhano e veio para Portugal, onde casou com D. Leonor de Menezes, de quem teve um único filho conhecido, D. Juan Alfonso de la Cerda, senhor de Villoria, falecido em 1393, casado com D.Maria Alvarez de Albornoz, com geração. D. Alfonso Fernández de la Cerda casou 2ª vez com Mor Martins, senhora de La Vega de Armijo, de quem teve D. Leonor de la Cerda, senhora de La Vega de Armijo, que casou com Luiz Messía.
É assim aceitável que os Lacerda que vão mais tarde aparecer em Portugal, descendentes de Diogo Nunes de Serpa, de alguma forma descendam deste D. Alfonso Fernández de la Cerda, o único desta família que esteve em Portugal nesta cronologia. Mas como?
A verdade é que Diogo Nunes de Serpa se documenta como cavaleiro de D. João I em 1393 e seu filho Álvaro Gonçalves de Serpa como escudeiro do mesmo rei em 1395. O neto, também Diogo Nunes de Serpa, casou em 1417, documenta-se como cavaleiro em 1454, e os bisnetos, Rui Dias de Serpa e Nuno Pereira, documentam-se desde 1453. Deste conjunto cronológico podemos concluir que Álvaro Gonçalves de Serpa não nasceu depois de 1375 e provavelmente nasceu antes, cerca de 1368. Assim, não podia ser neto (materno) D. Alfonso Fernández de la Cerda, que só em 1368 veio para Portugal. Logo, se esta ligação existiu, Álvaro Gonçalves de Serpa tinha de ser genro deste D. Alfonso Fernández de la Cerda.  
Quer isto dizer que foi seu pai Diogo Nunes de Serpa que casou com D. Violante Pereira, o que é cronologicamente mais aceitável. De resto, este casamento de Diogo Nunes de Serpa com uma filha de D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, além de acertar na cronologia, vem explicar devidamente porque razão o filho se chamou Álvaro Gonçalves de Serpa, ou seja: usou o prenome e patronímico do avô materno, o incontornável prior do Crato D. Frei Álvaro Gonçalves. 
Portanto, se houve alguma ligação com os la Cerda, como o uso deste nome pela descendência, umas gerações mais tarde, parece indicar, esse casamento ter-se-á realizado justamente com Álvaro Gonçalves de Serpa, que de facto pode ter casado (antes de 1396) com uma filha, legítima ou bastarda, de D. Alfonso Fernández de la Cerda. Se de facto era neto materno de D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, portanto sobrinho do condestável D. Nuno Álvares Pereira, Álvaro Gonçalves de Serpa teria já o estatuto mínimo para que se aceite um casamento com uma filha de D. Alfonso Fernández de la Cerda, se bem que a falta quer de notícia genealógica concreta quer de rasto documental possa colocar em causa esta hipótese, sobretudo se a filha for legítima. Afinal, tratava-se de uma 4ª neta na varonia de D. Afonso X, o Sábio.   
O apetecido nome Lacerda ficou assim em letargia durante várias gerações, para reaparecer inopinadamente nos finais do século XV? Pode ser, se bem que também pode ter acontecido que tenha sido usado ao longo do séc. XV por algumas senhoras da família, que não tiveram geração e das quais não ficou registo, o que teria ajudado a manter a sua memória familiar. Como quer que seja, esta hipótese tem, pelo menos, consistência cronológica e onomástica, não é contrariada pela documentação conhecida, tem viabilidade histórico-sociológica e dá resposta aos indícios de ligação familiar aos Lacerda que se verificam no século seguinte.

De salientar, a propósito, que D. Manuel I mandou a 15.4.1508 passar carta de armas da «Casa e linhagem dos de Lacerda» a Manuel de Góis de Lacerda, documento que infelizmente não revela a sua ascendência. As genealogias também não o referem, embora dêem conta de dois casamentos entre estes Serpa/Pereira/Lacerda e Góis, um deles entre Nuno Álvares Pereira e Beatriz de Góis, filha de Luiz de Góis, tesoureiro de D. Manuel I, e outro entre Heitor Pereira e D. Leonor de Góis, talvez irmã deste tesoureiro.
O primeiro caso está cronologicamente fora de causa, uma vez que Nuno Álvares Pereira era filho do Rui Dias Pereira que tirou ordem menores em Portel em 1480 e, como vimos, ainda era menor de idade em 1485, pelo que não podia ter um neto armigerado em 1508. No segundo caso, aquele Heitor Pereira é referido por Afonso de Torres, que o diz solteiro, sem geração, e irmão do já referido Espandião de Lacerda. Mas depois acrescenta que José de Quevedo diz que o dito Heitor Pereira viveu casado em Serpa D. Leonor de Góis, com geração. Ora, a 18.3.1487 D. João II deu carta de privilégio de fidalgo a um Heitor Pereira que bem parece ser este, embora a cronologia não permita que fosse irmão mas sim tio de Espandião, portanto filho de uma das duas mulheres de Rui Dias Pereira ou até seu filho natural. Ou seja, teriam razão Afonso de Torres (o Heitor irmão de Espandião não teve geração) e José de Quevedo (um Heitor Pereira casou em Serpa com D. Leonor de Góis). Assim sendo, aquele Manuel de Góis de Lacerda pode ter nascido cerca de 1480 ou mesmo antes.

 

 

5.1.7.   Garcia da Cunha, segundo Alão, que diz ter servido com seu irmão Francisco na Índia. Terá nascido pouco antes de 1480, ano da morte do pai, e faleceu depois de Janeiro de 1565, portanto com mais de 85 anos de idade. Mas deixou uma filha natural, para quem instituiu o vínculo de Vila Meã, em propriedades que pertenciam ao senhorio de Fralães. Segundo a informação de Gaio, que deve ser credível, este vínculo foi instituído por testamento feito em Barcelos a 14.1.1565 no notário P. Serrão, e lançado no tabelião de Penela por Lourenço Fernandes Mahia, a 15.3.1647, a requerimento de Giraldo Martins da Fonseca.

5.2.    João Correa, que em 1474 vivia em Lisboa, sendo cavaleiro fidalgo da Casa Real e vereador do Senado da Câmara desta cidade. Foi nas suas casas de Lisboa, com sua mulher Isabel Dias de Castello-Branco, que seu irmão Gonçalo vendeu o senhorio de Cunha-a-Velha. A 26.2.1456 D. Afonso V quita a João Correa tudo o que ficou em dívida quando exerceu o cargo de tesoureiro da moeda da cidade de Lisboa seu sogro Diogo Gonçalves de Castello-Branco, cavaleiro da Casa do infante D. Henrique, a seu pedido e como seu herdeiro. Deve ainda ser o João Correia, cavaleiro da Casa Real, que a 22.12.1472 teve do rei uma tença anual de 12.000 reais brancos. Casou portanto com Isabel Dias de Castello-Branco, que ainda vivia com seu marido em Lisboa em 1474, filha Diogo Gonçalves de Castello-Branco, cavaleiro da Casa do infante D. Henrique, que foi tesoureiro da moeda da cidade de Lisboa. Este Diogo Gonçalves de Castello-Branco [14] deve ser o homónimo, escudeiro e criado d’el rei, que a 20.4.1452 teve mercê real de uma tença anual de 7.000 reais de prata. Esteve na tomada de Ceuta e viveu em Leiria, onde casou com Catarina da Fonseca, certamente a mãe daquela Isabel. Diogo Gonçalves de Castello-Branco teve ainda uma filha bastarda, Leonor, legitimada por carta real. Era filho de Gonçalo Vaz de Castello-Branco, senhor da honra de Sobrado e dos direitos reais de Paiva (15.4.1386), em que terá sucedido a seu irmão. D. António de Lima diz que foi alcaide-mor de Castelo Branco e camareiro-mor. Deve ter sucedido também nos restantes bens de seu pai, nomeadamente no morgadio de Castelo Branco instituído por Martim Esteves. Ou este ou um seu homónimo teve mercê de D. João I dos direitos reais da judiaria de Coimbra. Este João Correa, que as genealogias confundem com deu tio homónimo e a quem dão os filhos que ele teve, não deve ter tido geração. Mas pode ter sido pai do seguinte homónimo:

5.2.1.  João Correa, possível filho de João Correa. Era comendador de Aljezur da Ordem de Santiago quando a 26.4.1475 teve licença real para arrendar esta sua comenda por três anos. E já tinha falecido a 25.1.1497 quando sua viúva, Isabel de Souza, para a criação de seus filhos (portanto tinha filhos menores), teve confirmação da tença de 15.000 reais que seu marido tinha tido confirmada por D. Manuel I a 1.1.1485. Entre estes filhos parece estar Jorge Correa, fidalgo da Casa Real, a quem D. João II doou a 8.4.1497 a capitania da ilha de Santiago (Cabo Verde), por ter casado com D. Branca de Aguiar, filha de Micer António de Noli, que descobriu a ilha em 1460, e que após a sua morte tivera a mercê da dita capitania para quem com ela casasse.

5.3.    Frei Paio Correa, nascido cerca de 1423 e já fal. em 1502. Foi bailio de Leça e cavaleiro da Ordem de Malta. A 6.3.1475 D. Afonso V privilegiou Frei Paio Correa, bailio de Leça, concedendo-lhe licença para arrendar por um ano as suas comendas. Deve ser o Frei Paio Correa, do seu Conselho, a quem D. Afonso V a 11.5.1472 doou a uma tença anual de 12.000 reais de prata. Deve ainda ser o Frei Paio Correa que foi comendador de Amieira e o Frei Paio Correa cujo escudeiro e criado Pedro de Basto foi nomeada a 24.8.1481 tabelião do cível e crime nos julgados da Maia e Azurara, termo da cidade do Porto. E o Frei Paio Correia, já falecido a 18.6.1502 quando D.Manuel I legitimou sua filha D. Guiomar, havida em Branca Pires, então viúva e moradora na vila da Amieira.

5.3.1.   (L) D. Guiomar Correa, que nasceu cerca de 1458  e foi legitimada por carta real de D. Manuel I de 18.6.1502, como ficou dito.  Casou a 1ª vez com Nuno Cardoso, morgado da Taipa, com geração. Casou a 2ª vez, cerca de 1480, com D. Sancho de Noronha, falecido depois de 1524, senhor do castelo de Óbidos e seu alcaide-mor, filho sucessor de D. João de Noronha e sua 1ª mulher D. Filipa de Ataíde. Com geração extinta.

5.3.2.   (N) Paio Correa, segundo algumas genealogias, que o dizem casado em Vila Real com Filipa de Barros, c.g. Mas este talvez seja o Paio Correa referido acima, filho de Gomes Correa.

5.3.3.   (N) Maria Correa, que foi a 2ª mulher de Gonçalo Pereira [37], filho de Vasco Pereira, senhor de Cabeçais e Fermedo, e de sua mulher Isabel de Miranda, que com seu marido teve mercê do senhorio de Fermedo que tinha sido de seu avô Aires Gonçalves de Figueiredo. Vasco Pereira e seu irmão Fernão Pereira (pai do 1º conde da Feira) têm a 17.1.1466 autorização real para que possam usufruir dos bens que pertenceram a seus pais, João Álvares Pereira, 2º senhor da Feira, e Leonor Gomes de Mello. Com geração.

5.3.4.   (N) Violante Correa, que casou com João Martins Ferreira[38], riquíssimo mercador, cidadão, vereador (1503) e fidalgo inscrito nos livros do Porto, que a 27.10.1491 instituiu o morgadio dos Ferreira nesta cidade, com capela no mosteiro de S. Domingos. A 11.9.1472 D. Afonso V, apesar de ter o nomeado para o cargo de contador na cidade do Porto, e uma vez que João Brandão fora já provido pelo rei no dito ofício, privilegia João Ferreira, filho de Martim Ferreira, mantendo-lhe o mantimento do ofício para que o tinha nomeado e dando-lhe o cargo de tesoureiro na dita cidade. Com geração.

5.4.    Branca Correa, freira em Arouca, segundo Alão.

5.5.    Isabel da Cunha.

5.6.    Pedro Correa, cavaleiro da Casa Real e criado do infante D. Henrique, capitão donatário da Ilha Graciosa (em 1485, mas para onde foi em 1450), que cerca de 1458 comprou por 300.000 reais, a 30.000 reais anuais de juro, à viúva de seu futuro sogro, o senhorio da ilha de Porto Santo, que depois perdeu por demanda de seu cunhado Bartolomeu Perestrello. Com efeito, a 15.3.1473 D. Afonso V confirma doação, para sempre, a Bartolomeu Perestrello, criado do infante D. Fernando, filho de Bartolomeu Perestrello o Velho, da ilha de Porto Santo, toda a jurisdição cível e crime, excepto pena de morte e mutilação, entre outros privilégios, na sequência de uma acção com Pedro Correa, cavaleiro da Casa Real e criado do Infante D. Henrique, que a dita ilha tinha e possuía (inserta a carta de doação do infante D. Henrique de 1.11.1446). Pedro Correa  nasceu cerca de 1427 e faleceu em 1499 em Charneca, termo de Lisboa, e jaz na capela de S. João do convento do Carmo. Casou cerca de 1465 com Iseu Perestrello, filha de Bartolomeu Perestrello, o Velho, e de sua terceira mulher Catarina de Mendonça [39]. Este Bartolomeu Perestrello, o Velho, nasceu em 1396 em Lisboa e faleceu cerca de 1457 na vila da Baleira, em Porto Santo, sendo sepultado, ao que parece na matriz de Nossa Senhora da Piedade. Em 1438 era, com seu irmão Richarte, vereador do Senado da Câmara de Lisboa. Em 1442 era procurador de Bragança. Julga-se que já esteve na conquista de Ceuta (1415). Mas parece que não participou na “descoberta” da Madeira nem mesmo de Porto Santo. Era fidalgo da Casa do infante D. João quando em 1426 o infante D. Henrique o fez capitão da ilha de Porto Santo e encarregou do povoamento e colonização desta ilha. Não terá ido para lá imediatamente, ou então voltou, pois em 1437 era vereador do Senado da Câmara de Lisboa. Só a 1.9.1449, já referido como fidalgo da Casa do infante D. Henrique, teve deste o senhorio da dita ilha de Porto Santo: «Eu dou carreguo a Bertholomeu perestrello, fidalgo de minha casa da minha ylha de porto santo para que elle dito Bertholomeu perestrello ha mantenha por mim em Justiça & direyto & morrendo elle a mim praz que seu filho primeyro ou algum se tal for tenha este carreguo pela guisa suso dita y asy de decemdente em decemdente por linha dereyta (...) tenha (...) jurisdiçom (...) do ciuell & crime resalbando morte ou talhamento de membro (…)». Com geração.


2005


[1] Nesta época é assim que o nome vem sempre escrito. No século XIII aparece Corrigia, Corregi, Corregia e Corae.

[2] «Linhagens Medievais Portuguesas. Genealogias e Estratégias (1279-1325)», Porto 1999

[3] «Três matrizes sigilares medievais», por D. Luiz Gonzaga de Lancastre e Távora, marquês de Abrantes e de Fontes, in Miscelânia Histórica de Portugal, IV, 1984. O autor identifica o Vasco Correa da matriz com Vasco Gomes Correa, sobrinho do mestre D. Paio Pires. Trata-se de uma matriz sigilar em bronze, com as suas armas (Correa), rodeadas por águias estendidas e as letras VASCO CORAE (…).

[4] Nesta freguesia declaram as testemunhas: «quo nulus forus faciunt, nec fecerunt Dns. Regi, quia est honor Dom Palagii Corrigia».

[5] Nesta freguesia declaram as testemunhas: «quod est parochia ista aut est cautus ipsius Ecclrsie aut est Honor de Farlaens, aut Honor vetus de Ulvar».

[6] Este Monte de Saia lembra imediatamente a já referida inscrição «Elio Saia era 1004».

[7] Foram dois os irmãos deste nome. O mais novo teve a alcunha de «o Alvarazento». O mais velho foi o famoso mestre da Ordem de Santiago (1242-76). Deste D. Frei Paio Pires Correa ficou um selo com um escudo contendo um fretado e um chefe carregado de cruzetas. Vide «O Estudo da Sigilografia Medieval Portuguesa», por D. Luiz Gonzaga de Lancastre e Távora, marquês de Abrantes.

[8] «Linhagens Medievais Portuguesas. Genealogias e Estratégias (1279-1325)», Porto 1999, por José Augusto de Sotto Mayor Pizarro.

[9] A Corografia Portuguesa diz apenas Beatriz Martins, sem a filiar.

[10] «Fidalgos e Morgados de Vila Real e seu termo», por Júlio A. Teixeira.

[11] «Os Furtado de Mendonça portugueses. Ensaio sobre a sua verdadeira origem», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral e Manuel Lamas de Mendonça.

[12] «História Seráfica», T1, L1, p. 149 a170

[13] «Corografia Portuguesa», T.1, pag. 335.

[14] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[15] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[16] Filha de Vasco Martins de Rezende, senhor do couto de Rezende, senhor de juro e herdade de Sá (1343), do Conselho de D.Afonso IV, uns dos reféns no tratado de 1328 e falecido antes de 1357, de sua 1ª mulher Tereza Rodrigues Ribeiro.

[17] Provável irmão do Estêvão Peres Botelho que a 25.7.1328 testemunha uma compra de D. Afonso IV em Frielas, onde este rei tinha o seu paço.

[18] Filha ou irmã de Durão Martins de Parada, que foi vice-mordomo-mor de D. Dinis.

[19] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[20] Ensaio sobre a origem dos Mesquita (http://www.soveral.info/mas/Mesquita.htm), por Manuel Abranches de Soveral

[21] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[22] Chancelaria de Dom João III, 37, 85

[23] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[24] Chancelaria de Dom João III

[25] ib, 5, 40

[26] ib, 21, 14v

[27] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[28] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[29] «Matriculas dos ordinandos da Mitra de Braga (1430-1588), Ponte de Lima 2002. 

[30] «O descobridor do Congo e o apelido Cão», por Luiz de Mello Vaz de São Payo, in Raízes & Memórias, nº 10.

[31] «Matriculas dos ordinandos da Mitra de Braga (1430-1588), Ponte de Lima 2002. 

[32] «Matriculas dos ordinandos da Mitra de Braga (1430-1588), Ponte de Lima 2002. 

[33] «O descobridor do Congo e o apelido Cão», por Luiz de Mello Vaz de São Payo, in Raízes & Memórias, nº 10.

[34] Chancelaria de Dom Manuel I, 26, 120v e 32, 141v, e Dom João III, 3, 129v

[35] «Matriculas dos ordinandos da Mitra de Braga (1430-1588), Ponte de Lima 2002. 

[36] «Matriculas dos ordinandos da Mitra de Braga (1430-1588), Ponte de Lima 2002. 

[37] «Ascendências Visienses. Ensaio sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVIII», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral.

[38] Ensaio sobre a origem dos Ferreira (http://www.soveral.info/mas/Ferreira.htm), por Manuel Abranches de Soveral.

[39] «Os Furtado de Mendonça portugueses. Ensaio sobre a sua verdadeira origem», Porto 2004, por Manuel Abranches de Soveral e Manuel Lamas de Mendonça.

 

Regresso à página de abertura

Regresso ao índice História / Genealogia